Polícia Nacional mata cidadão com três tiros em Kangola

Imagem fictiva.

Por Alfredo Dikwiza

Uíge:  – Eduardo Inocêncio, pai de quatro filhos, com 30 anos de idade, foi morto com um, dois e três tiros, isto mesmo, três tiros a queima roupa, que perfuraram-no na cabeça e no abdómen, uma acção feita por um agente da Polícia Nacional, de nome Mussulo, dentro da viatura de marca Toyota Land Cruz (fechado), pertecente ao comando municipal de Kangola, província do Uíge.

Tudo aconteceu por volta das 16 horas do último sábado (17) do mês e ano em curso, quando saiam prender Eduardo Inocêncio que terá desentendido-se com um dos primos, por motivos paixonais, no bairro onde vivia, Uemita, há dois quilómetros e meio da periferia de Kangola, e na via, concretamente, junto do clude municipal, na sede da vila, há metros do comando da corporação, Mussulo, sem piedade, puxou no gatilo e certeiro, atirou a queima roupa ao indefeso, com quem estavam juntos na mesma viatura.

Depois que o matou, todos quanto estiveram naquela missão (um número de efectivos não avançado), entraram em pânico e, sem dar a conhecer a família do malogrado, avançaram com os restos mortais de Eduardo Inocêncio para as morgues do município vizinho, isto é, Púri, numa distãncia de aproximadamente 100 quilómetros, tendo o outro primo, com quem Eduardo Inocêncio tivera desentendido-se, ficado na (sela) da cadeia do referido comando (Kangola), mas que de perto viu seu primo ser morto, já que estavam na mesma viatura.

Em seguida, os ofeciais do mesmo comando de Kangola, ligaram ao comando provincial da Polícia Nacional, pedindo um contigente de esforço da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), aproximadamente dêz ou mais, para, com os outros efectivos locais, assegurarem o referido comando, em caso de revolta dos familiares de Eduardo Inocêncio.

Na resposta, o comando provincial não tardou, organizou os elementos, cartucheirados, armados com AKM, pistolas, Pk M, equipados e mais outros meios de defesa, como se em uma guerra estivessem ir, partiram na mesma hora, do dia 17, isto é, sábado, com destino a sede municipal de Kangola. Mas a família do malogrado, não tinham ainda sido informado que seu parente o matara num policial, com três tiros a queima roupa.

Com o corpo já nas morgues do Púri e, igualmente, com o contigente da PIR presente em Kangola, finalmente, já no dia seguinte, concretamente, domingo (18), por volta das 10hs, os responsáveis máximo do referido comando, criaram coragem e deslocaram-se ao bairro Uemiata, informar a família de Eduardo Inocêncio, de que estava morto e seu corpo foi transladado ao Púri, numa das morgue.

A notícia do infausto acontecimento não caiu nada bem aos ouvidos dos irmãos, filhos, esposa, mãe, pai e demais elementos da família e não só, tendo estes, armarem-se em peso, com catanas, paus, garrafas e outros instrumentos, para, em resposta, invadirem o comando municipal da corporação. Tentativa essa que não chegou de ser concretizada, através da sensibilização emediata dos membros da administração municipal, igrejas, políticos e outros elementos.

Valeu apenas a sensibilização, pois, um episódio de 4 de Fevereiro, de 1961, esteve a vista, no município de Cangola, só que deste vez, envolveria tanto os paramilitares, como os civis, serem todos angolanos, mas a acção de um lado com catanas, enxadas, flechas e machados e do outro lado com armas, concretamente, pistolas, AK M e tantas outras marcas, custaria vidas e vidas.

Com isso, a família do malogrado negou responsabilizar o óbito e, o comando municipal da PN, assumiu parte das despesas do óbito e a outra parte, foi assegurada por parte da administração local. Tendo sido, na segunda-feira, 19, depositar os restos mortais de Eduardo Inocêncio, no bairro natal, Uemita, segundo, declarou no bairro Uemita, nesta terça-feira, ao wizi-kongo, o pai da vitima, Inocêncio Eduardo.

 “Mataram meu filho como se um animal fosse, isto é doloroso demais perder alguém tão jovem e nas condições em que foi morto, por um órgão que dizem garantir a ordem e tranquilidade no seio das comunidades, é um choque maior para todos os cangolenses, particularme a nós como família, os filhos que deixou, sua esposa, irmãos, amigos, ao pai e a mãe”, desabafou, Inocêncio Eduardo, com lágrimas escorrendo sobre os olhos, tendo em seguida, culpar-se por ter sido ele que ligou para o comando municipal local, enviar seus efectivos no sentido de acalmarem os mimos que reinava entre seu filho e sobrinho. “

“Sinto-me culpado, estou tão arrependido por ter pegado ao telefone e ligar a Polícia Nacional para virem aqui a calmarem a discusão que reinava entre o meu filho e o seu primo, já que das intervenções por nós feitas, estavam a ser ignoradas”, explicou, Inocêncio Eduardo, em seguida, tendo indigna-se como um PN pode ter essa coragem em tirar a vida de alguém e, por noutro lado, terem primeiro translado o corpo para outro município, sem antes darem a conhecer a família.

“Disseram-nos que o matador já se encontra a contas com a justiça, ainda que assim seja, não temos como confiar neste tipo de pessoas, que matam e escondem segredo a família, para depois de aproximadamente 24 horas informarem, quando todos nós vivemos no mesmo município, deveriam ter dito-nos na hora que o mataram, por outro, dizem-nos que não o matou de propósito, porque o agente estava andar com a mão no gatilho da arma e, depois de embater em um salto, causou os disparos: muito sinceiramente, que tipo de polícia é esse afinal de contas? que motivos o orginou andar com a bala na camara e com a patilha aberta?”, destacou frustado um dos amigos do malogrado, João Jorge.

Depois da reportagem feita pelo wizi-kongo, junto da família, no bairro Uemita, no regresso, isto é, na terça-feira, às 15horas, tentou contactar um dos oficiais mais sem êxitos, tendo apenas o wizi-kongo, testemunhar a retirada da PIR de Kangola para a cidade do Uíge, que, estavam na Land Cruser aberto, com cadeiras de um lado para o outro e todos ocupados pela PIR e mais um outro Land Cruser local (fechado) que os acompanhou até a comuna da Alfândega, circunscrição do município de Sanza Pombo. Lembro que, em menos de um ano, este é o segundo cidadão nacional morto pela Polícia Nacional do município de Kangola, tendo o primeiro de 44 anos de idade, ter sido morto a “surra” na comuna do Kaiongo, no dia 20 de Julho/2017 e, desta vêz, voltaram a matar a tiro, o cidadão nacional Eduardo Inocêncio, com 30 anos de idade.

Kangola, um dos 16 municípios que compõe a província do Uíge, dista a 184 quilómetros da sede da cidade do Uíge, sendo constituido por duas comunas, Kaingo e Bengo, habitado por 52.005 mil pessoas, que falam as línguas maternas kimbundo e kikongo.

Wizi-Kongo

 

 

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