CALENDÁRIO KONGO: NKENGE – NSONA – MPANGALA – NKONZO

Por Makunza Tungu “Tony Sofrimento”

CALENDÁRIO KONGO

NKENGE – NSONA – MPANGALA – NKONZO. Esta é a sequência de quatro dias do calendário Kongo.

Apresentamos aqui, o calendário correspondente ao ano civil 2019. Como ponto prévio, gostaríamos de dizer que qualquer outra opinião sobre o assunto, desde que prove o contrário e ou enriqueça a sequência e ou denominação, será aceite. O que expressamos aqui tem carácter de vivência e evidência.Ainda fomos educados a entender este calendário pois fazia parte do quotidiano dos habitantes da nossa região.

A agricultura, a pecuária, a pesca, a confecção de alimentos e bebidas, a juncaria, o artesanato, a moda, o ensino e a administração pública, etc…, eram afectados directa ou indirectamente por este calendário. Estas datas que eram permanentes e de observação geral, tomavam o mesmo nome e característica apesar de algumas alterações no nome dependendo das diferentes localidades e neologismos.

A característica mais importante era, as trocas comerciais, permuta e convívio. A miscegenação e a troca de produtos de diferentes latitudes do Reino e além-Reino, faziam a importância de alguns destes mercados. Ainda hoje, continuam activas e ou foram reactivadas muitas destas feiras, quer dizer realizadas no mesmo local e no mesmo dia.

Os feirantes, se deslocam dezenas e centenas de quilómetros, para participarem nestas bolsas de negócios. Havia mesmo regras de combate ao monopólio, definição de lotes a comercializar, controle da qualidade do produto, regionalização dos produtos e investimento à produção naquelas regiões onde a qualidade climatérica indiciava boa qualidade.

Como consequência disso, algumas localidades, pelas razões acima referenciadas e por outras como a proximidade das vias de comunicação e cruzamentos de vias, influência clânica, proximidades das zonas de produção, se tornaram famosas e mais frequentadas. Na região de onde sou originário, são os casos de: Nkenge a Kibokolo e Nkenge a Kimpangu, Mpangala a Zombo, Nkonzo a Kisoba a Nanga e outras. Noutras regiões do REINO DO KONGO, outras haverá e que não podem ser descuradas.

O ciclo de quatro dias está bem inculcado na tradição Kongo.  O circuito mercantil funciona na perfeição, produz riqueza e fornece mantimentos e outros insumos para a produção e meios para o aumento da qualidade de vida dos habitantes. As vias de c comunicação, as técnicas de travessia dos grandes rios com as mercadorias, a conservação dos alimentos e produtos eram levados em conta.

A carne era geralmente vendida fresca quando a recolha das armadilhas e ou caça acontecessem no dia do mercado ou senão era fumada ou salgada. O mesmo acontecia com o peixe. Para os viajantes e não só, utilizavam o funge especialmente confeccionado e conservado em folhas, a Kwanga, além doutros similares e que serviam para a alimentação. Muitos destes produtos entraram facilmente na dieta diária dos habitantes.

 

Comentário
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1 Comment

  1. Bom dia,sinceiramente muito obrigado, uma coisa que nunca percebi, porque esses nomes sãomes das praças na nossa area da Damba afinal está relacionada com os dias da semana.

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