“Sócias” dominam modo de compra da cesta básica

Por Alfredo Dikwiza

Uíge, 04/11 (Wizi-Kongo) – Num passado embrionário, uma vêz a outra, às famílias uigenses recorriam a “sócia” para conseguir comprar alguma coisa, mas através do elevado preço da cesta básica, em Outubro último, altura da implantação do Imposto do Valor Acrescentado (IVA), daí pra cá, com a perca estrondosa do poder de compra, este procedimento “sócia’ virou o pão do dia-a-dia das pessoas da região, sob formas a tentar garantir a sobrevivência, já que há tempo não se vive.

A “sócia” é um termo da moda angolana, aceite também no Uíge, normalmente, utilizada por famílias de renda baixa, e funciona de uma maneira em que três ou mais pessoas com interesse no mesmo produto, mas com valor inferior do preço para sua obtenção, reunem-se para cada um dar a sua parte do dinheiro e no somatório deste valor, comprar o referido produto, que, em seguida é repartido de igual para igual. Anos anteriores, quiça dizer, meses recentes, este termo era pouco recorrido nos armazéns, lojas, mercados e locais de venda de frescos, agora a moda pegou de que maneira quase para todos ( menos para as famílias da elite).

Estando num armazém ou mercado, se pode ouvir de um lado para o outro dizeres como “quero sócia de peixe”, “quero sócia de arroz”, “quero sócia de óleo alimentar”, “quero sócia de massa alimentar” e tanto mais, logo em seguida, outra voz se ouve, “eu quero também sócia”, “venha aqui mana também quero sócia”, “aqui, aqui… chega aqui vamos faciar”, por aí em diante (…).

Se um músico, independentemente do estilo, levasse essa “strof sócia” a um studio e gravar-no uma música, certamente, serviria como uma das mais ouvidas nos últimos dias em Angola. Em outros locais, isto é, de venda de produtos da cesta básica já se encontra jovens na entrada, que, ficam já dizer “senhor/a, mossa/o ou jovem”, já tenho um/a cliente a espera para sócia, você alinha? vamos já falar anham? e se for sim, ambos vão ao encontro dos outros, no fim, este intermediário lho é pago o valor de 100 a 200 kzs em diante, para este, neste procedimento encontrou o tão almejado primeiro emprego (…).

Hoje, segunda-feira, durante uma ronda efectuada pelo Wizi-Kongo nos mercados mais populares da cidade do Uíge, sede capital da província, nomeadamente, “Ferreira”, “Rua Industrial”, “Praça Grande” e “Praça do Candombe-Velho”, o recurso a “sócias” domina o modo de compra da cesta básica das famílias do Bago Vermelho, cujo produtos mais procurados são “arroz”, “óleo alimentar”, “peixe lambula”, “açúcar”, “detergentes” e outros.

Na verdade, antes a sócia era praticada para os produtos com preços dos cinco a dez mil kwanzas para cima, hoje, até para uma barra de sabão de 1000kzs, algumas pessoas recorrem logo a sócia, dando 500kzs, por cada pessoa, entre as duas envolvida, se for o caso, num olhar atento das entidades competentes, que, pouco ou nada estão a fazer para evitar cada dia que passa a subida do preço dos variados produtos da cesta básica e não só.

Mas, a diferença se pode notar por existir famílias de baixa, média e renda alta, onde os da renda baixa, são, cada vez, os mais pobres (!). Os preços quase a todos os instantes sobem no abrir e fechar do olho, se às 9 horas, por exemplo, for 2, às 14 pode vir a ser 3 ou 4 (…), onde o arroz, açúcar, farinha de trigo, fuba de milho, óleo alimentar ganham na concorrência entre os outros produtos da cesta básica, mas não é para tanto assim, pois quer um ou outro produto, regista preços elevados em toda região do Uíge, nunca antes vistos.

Sendo neste momento o saco de arroz de 25kgs, fixado no valor dos 12.500,00 a 13.100,00, o 5 litro de óleo alimentar no valor de 3.700,00 a 3.800,00, apenas para citar, contra os 5.500,00 e 6.000,00 para o saco de arroz de 25kzs e 2.2000,00 a 2.3000,00 do preço anterior de um cinco litro de óleo alimentar, tendo apenas por salutar a descida do preço da mala de peixe lambula, a famosa custeleta, que antes era 10.000,00 e agora 5.000,00.

Alguns citadinos ouvidos, de forma desesperados admitiram ser o fim de suas vidas, pois, a vida vai de mal ao pior, principalmente, com a implantação do IVA, cujo salários não recompensa em nada com o elevado preço de todos os produtos de consumo preoritário, o que, segundo outros, será ainda a situação pior com a chegada da quadra festiva, vulgo Natal.

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