Uíge: Economia angolana deve produzir bens e serviços para os próprios angolanos – Kiangebeni Mbuta

Por Jeremias Kaboco e Alfredo Dikwiza

Uíge, 29/06 (Wizi-Kongo) – A economia angolana deve produzir bens e serviços para os próprios angolanos, com vista a combater a dependência exterior, fazendo com que os problemas económicos teóricos possam necessitar de soluções quantitativas, com a utilização da aritmética macroeconómica, que, é o uso da matemática para dar esta solução, defendeu hoje, sábado, nesta cidade, o professor de economia na universidade Kimpa Vita, Kiangebeni Mbuta.

Para o académico, essa abordagem é um contributo com objectivo de diversificação da economia no país, pois é sabido que Angola foi atacada pela crise desde o último trimestre de 2014, por causa da dependência da sua economia ao resto do mundo, com isso, o governo angolano projectou algumas medidas de curto, médio e longo prazo para combater essa crise e, uma destas medidas de longo prazo que o governo implementou, é a diversificação da economia.

“Nota-se que a forma de implementação deste projecto está um pouco conturbado, porque diversificar é mesmo uma noção macroeconómica, agora, achamos melhor aplicar algumas noções macroeconómicas para contribuir a este objectivo do governo angolano, claro, que as ideias são simples ouvindo os governantes quando falam de diversificação da economia, eles projectam dois objectivos o primeiro é fazer a diferenciação dos valores acrescentados para acelerar o crescimento económico e o segundo objectivo é fazer esta diferenciação dos valores acrescentados para combater a dependência exterior”, abordou.

Quer dizer, continuo, permitir a economia angolana é produzir os bens e serviços para os próprios angolanos. Só que esta ideia teórica não foi quantificada em termo económico, pois os economistas sempre dizem que os problemas económicos são teóricos, mas necessitam soluções quantitativas para projectar as soluções quantitativas utilizando aritmética macroeconómica, que, é o uso da matemática para dar essa solução.

Com o tempo que se estava a falar da diversificação, disse, não foi apresentada uma ideia quantitativa das coisas, todo mundo falava teoricamente então foi a partir daí que vários economistas angolanos lançaram, recentemente, na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, na qual Kiangebeni Mbuta faz parte, a revista científica onde foram dados passos quantitativo para permitir ao governo implementar este projecto.

“Por minha parte, focou, nesta revista, interpretei matematicamente a própria diversificação, criamos um modelo matemático e este modelo tem dois objectivos do governo, o primeiro é permitir que o governo afectiva bem o investimento público-privado, porque diversificar significa no contexto angolano canalizar mais investimentos em outros sectores do que o petróleo, já que a sensibilidade do produto interno bruto não é uniforme em todos os sectores, começa a sensibilidade do PIB que se chama na economia elasticidade do PIB, essa elasticidade não é constante uniforme para todos sectores ou seja, o PIB não reage de forma uniforme em todos os sectores, há sectores que tem mais influência na formação do PIB do que os outros, isto, teoricamente é difícil detectar estes sectores, mas matematicamente pode-se e, é isso que se fiz neste trabalho”.

“Elaboramos um modelo matemático que permitiu a detectar os sectores mais pertinentes e nós achamos neste trabalho que os sectores que tem mais influência no PIB angolano são o da industria transformador, agricultura e o sector dos transportes. Se o governo angolano canalizar mais investimento público-privado nestes três sectores, vai garantir um crescimento rápido do PIB, diversificando assim a sua economia, porque o próprio estado é um investidor também, por isso, existe o investimento público, razão pela qual publicamos uma revista científica oficial de uma universidade chave do nosso país que é a Universidade Agostinho Neto, para permitir aos governantes lerem esta publicação e ver como fazer”, justificou, Kiangebeni Mbuta.

O também director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística da Universidade Kimpa Vita, especificou que o estado pode criar uma estratégia para facilitar os investimentos em sectores, por exemplo baixar algumas taxas para incentivar a investir no sector, sabendo que são sector que vão acelerar o crescimento económico do PIB diversificado, tendo acrescentado ser notório que o governo quer dinheiro, ou seja, quer maximizar as suas receitas, isto significa que, maximizando as receitas têm que existir também o lado do próprio poder de compra das famílias e, “como economista e especialista na matéria, nunca defendo a criação de novos impostos ou a subida das taxas dos impostos, porque o poder de compra do angolano é baixo e quando o estado capturar o imposto na renda das famílias, o que fica é o que se chama na economia de renda disponível, que permite que o cidadão possa fazer aquisição de bens e serviços”, logo se a taxa de imposto subir, aquele resto que fica que é o rendimento disponível, fica cada vez mais baixo e isso vai baixar o poder de compra da população.

“Agora, destacou, a noção dos impostos existe uma diferença entre imposto directo e indirecto, o imposto directo é aquele que o estado faz na retenção da fonte da renda do cidadão e é obrigatório, a exemplo, do IRT e o imposto industrial estes são impostos directo, outros tipos de impostos que são indirectos, estes não agem directamente na renda, mas age nas despesas do dia-à-dia das famílias, se por exemplo, a empresa CUCA SA, fixar o seu preço de uma lata de cerveja Cuca por 125 Kwanzas e o estado incorporar um imposto de cada lata de 25 e o preço sair a 150 Kwanzas, quer dizer que em cada lata de Cuca vendida, o estado ganha 25 kwanzas, este tipo de imposto no contexto de Angola é bem vindo, porque gasta-se no dia-a-dia mas é pago o imposto de forma inconsciente do que reter directamente na fonte para dificultar o próprio poder de compra dos angolanos”, avançou.

Como disse, em Angola existe um problema, que, o economista angolano não age com os dados e por cima, outro problema, existente é que não há dados fiáveis, os dados são todos aleatórios e não se faz previsões económicos sem dados fiáveis, porque com dados fiáveis o trabalho por se fazer é seleccionar os bens à demanda inelástica, isto quer dizer, aqueles bens cujo preço pode subir, mas a quantidade de demanda deste bem não baixa, visto que que a pequena lei da demanda que a economia defende diz “quanto maior for o preço, menor será a quantidade”.

Sendo que, prosseguiu, os bens inelástica, o preço pode subir mas as famílias vãi sempre comprar aqueles bem, a exemplo, a energia elétrica. Licenciado em economia de matemática e em economia financeira na University of Greenwich no Reino Unido, em Londres, Kiangebeni Mbuta, actualmente, é professor auxiliar na Universidade Kimpa Vita na província do Uíge e regente nas cadeiras de Microeconomia, Economia Política e Ecomentria. Igualmente, é director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística, desde 2015. Nascido aos 29 de Abril de 1978, na aldeia Kinsongamene, no município de Maquele do Zombando, província do Uíge, Kianguebeni Mbuta, fala línguas como “kikongo”, “português”, “francês”, “lingala”, “inglês” e “espanhol”.

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