Uíge: “Os guerreiros de giz vão ao combate com estômagos vazios”

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Por Alfredo Dikwiza

Uíge – A menos de 24 horas que falta para o iniciou do ano lectivo/2018, os “guerreiros vão ao giz de estômagos vazios” sem antes os seus problemas serem resolvidos (reajusto salarial e mais).

Há muitos anos se venha tapando o sol com a peneira, ou seja, nunca são tido e nem achados, os vários problemas que afectam o sector da educação no Uíge, com isso, o sector de patas ao ar caminha numa longa estrada repleta de charcos, buracos e capim, por falta de humildade dos “chefes” que rejeitam dar de “César ao César e de Deus a Deus”.

Em cada ano, cartucheirados de paus de giz (assegurados na mão direita ou esquerda), folhas A4, cadernos, lápis e lapiseiras, por uma escola descartável, definitiva, por debaixo da árvore, esquina da igreja ou a ar lento, os bravos guerreiros nunca pouparam seus esforços no potenciamento do homem novo e não só.

Entende-se, talvêz sim, como suas balas não soam, a semelhança as das Forças Armadas Angolanas (FAA) e as da Polícia Nacional (PN), por isso, sempre que pautam por avançar a uma greve são logo travados e improvisados com o amanhã, que nunca chega, porque se soassem as balas, os “chefes” há tempo já teriam resolvido a questão.

Através dos recuos constantes, quanto a greve “rija” diz respeito, os únicos com a fome (chefes) foram roendo a carne dos mata famílias (professores) e por últimos comeram-lhos até os ossos, o que deixa os mata famílias adiarem sonhos atrás de sonhos e objectivos atrás de objectivos constantemente. Por isso, são também chamados de “ilustres trabalhadores” pelos seus chefes do top e os da base.

Um mar de desgraça rodeia a classe no Uíge, ainda assim, estes guerreiros professores através do comprometimento e o sentimento que neles norteia ao trabalho, a conta gota ou a passos de camaleão se vai notando os comandantes (professores) não permitirem o barco se afundar no oceano atlântico, como é o caso de Angola.

Perante a isso, estes ilustres comandantes sacrificam suas vidas e de suas famílias amplas e restritas, para ajudar a província a crescer e a marcar passos firmes no mosaico nacional e continuar a ostentar o grau de terra dos matemáticos, físicos e químicos.

Enquanto na arena nacional a terra do bago vermelho assegura o estatuto de “barras em ciências exactas”, em sentido contrário, os responsáveis deste brilharete, na sua maioria levam uma vida miserável, por culpa da entidade empregadora que não os valoriza como deveria ser, como um cão morto na rua, assim são olhados ano a pós ano, que por causa da mal vida, muitos acabam ser contaminados por doenças de “câncer” e “tuberculose”, entre outras, causadas através da inalação do pó do giz, uma vez que em suas casas não alimentam-se de forma adequada, alias, para eles, o leite não faz parte de suas dietas e, se o venha acontecer é apenas no dia em que o tal salário cai, depois disto, o resto é só olhar(..!).

Assim, o “chá e o peixe seco”, com realce para o “lambula”, ou o também conhecido (tuatua tuatua), fazem do cardápio maior nas manhã, tarde e noite em suas mesas, uma triste realidade para quem faz muito na formação do homem desde às zonas urbanas, rurais e sub-rurais desta região, os únicos, como se pode destacar, que sempre estão presentes em qualquer esquina em que existir a população. Mas, nem com a falta dos subsídios de alimentação, transporte, saúde, apenas para citar alguns, eles continuam firmes mesmo de “calças fuscas”, “rasgadas”,” sapatos sem brilhos”,” camisolas e camisas rotas”, vão as escolas transmitirem o que bem sabem fazer, com todo amor.

Afinal, os seus direitos são todos ofuscados e ignorados pelos doutor e outros de elevados níveis, pois, depois que alcançaram tais níveis, gerou-lhos ambição para de peito aberto assumirem os problemas da maioria e serem resolvidos, para que, os outros também consigam sonhar e deixar suas famílias felizes.

Diante disto, a sua sorte foram jogados, pelos seus salários que nunca sobem, alias, são tidos como um “só” empurrados nas aldeias e nas povoações, ou mesmo nas zonas rurais, mais, que é, este um “só” que faz a máquina funcionar e os seus frutos são os que hoje, chamados de doutor, engenheiros, médicos e tanto mais.

É nestes subúrbios localidades da região, que muitos são enviados para trabalhar, estando ai a ser ofuscado e atrasado em tudo, já que os doutor e outros bem formados não podem ali labutar, porque dizem não ter condições de trabalho, sociais, alimentação e mais, esquecendo-se que os que ali enviam são seres como eles e, que o seu dia-a-dia é baseado no que os mesmos rejeitam. Suportam “desertos secos”,” montanhas sem frescura”, “rios com pântanos” com os seus próprios pés, afinal, para chegar em muitas destas localidades em que estes pacatos professores são enviados, não existe acesso a viaturas e motorizadas, com isso, os seus pés servem de viaturas, bicicletas e motoriza.

“Descalço”, “com chinelos”, “quedes ou zihawa”, estes guerreiros vão, vão, vão… sem poupar esforços superando distâncias atrás de distâncias, que separam suas sedes municipais à cento e tal quilómetros até chegar nesta ou aquela localidade, em troca de transmitir o seu saber. Nem com isso, estes mata família, como também são chamados por causa da miséria em suas famílias, não são tidos e nem achados por aquilo que bem deveriam merecer , por tudo e muito mais que estes passam.

Na verdade, continuam vencer um salário “medíocre” equivalente a 40, 50, 70 e 100 mil kwanzas mês.

Os seus chefes, possuem tudo e mais alguma coisa, com realce aos caros e casas de luxos, salários e subsídios a cima da média e ar condicional nos gabinetes a espera de mais um papel para assinar e nada mais e aguardar o mês findar para ir levantar os milhões na conta.

“Os professores do Uíge ganham bem” – Pinda Simão numa das suas visitas de trabalho ao Uíge, em 2014, altura em que exercia a função de Ministro da Educação. Pinda Simão, afirmou em “cheio” diante dos órgãos de informação local, no fim da sua visita que “os professores do Uíge ganham bem e não há motivos de queixa quanto aos salários dizem respeito”.

Dias depois desta afirmação, os mata famílias (professores), mostraram-se chocados, tendo eles concluírem duas hipóteses: a 1ª defendia que se Pinda Simão assim afirmou, é porque apenas tivera visto a árvore, ao em vês da floresta, já a 2ª baseava-se que se assim afirmou deve ter existido uma folha de salário falsa, que lho foi apresentada no Uíge, onde constava o bom salário que os professorem ganhavam (no ar ficou a resposta até ao momento).

Na verdade, aquelas palavras não justificavam a real situação salarial dos “mata famílias”, ou seja, Pinda Simão, foi fintado pelos “vijos” ou entrou na jogada da segunda folha de salário, onde atestava o bom salário que caia nas contas dos “enganados”. Pelo que se sabe, os bons salários ditos em 2014 até hoje nunca se fizeram sentir na vida dos “guerreiros”, alias, seus salários continuam na “linha vermelha da pobreza” que os persegue dia-a-dia, muito menos os ditos bons salário tornados públicos, conseguiram até ao momento realizar o sonho do “Lex”, ou do acaba de me matar (Corrola e Toyota), muito menos na compra da casa própria nas centralidades do Kilumoso (Uíge), Kilamba (Luanda, apenas para citar.

Hoje, o ex-ministro da educação, na condição de governador provincial do Uíge, de “olhos e ouvidos abertos”, os professores aguardam por um esclarecimento ou caso contrário, é convidado a conhecer melhor a realidade do sector na região, para que, suas palavras façam juiz com os salários bons anunciados, em 2014.

Fuga de professores nas zonas rurais e sub-rurais, claro, felizes estão aqueles que desta ou aquela localidade conseguiram livrar-se, afinal, de zonas rurais e sub-rurais. Porque para o professor chegar nestas zonas, gasta de passagem por carro ou motorizada 10, 15 e 20 mil kwanzas ou mais, dinheiro este que consta no seu salário de 40, 50, 70 a 100 mil/mês.

Além disso, estando nestas zonas, os mesmos enfrentam até das imagináveis realidades, como na falta de um teto para dormir, comunicação, televisão, saúde, alimentação e muito, muito, muito mais…. Comparando os dois professores (os de zonas rurais e urbanas), ganhando igual salário, por exemplo, 40 mil kwanzas/mês, o da zona urbana leva vantagem ao da zona rural, por este estar diante de sua família, casa e não ter que gastar muito para chegar no posto de trabalho.

Para uma recompensa, por mal não ficaria, se os das zonas rurais lhes acrescentassem um mínimo valor, capaz de cobrir as despesas de táxi, alimentação e outros, com isso, os alunos das zonas rurais estariam, cada vez mais, rodeados dos “homens do giz” e, certamente, outra dinâmica no processo de ensino e aprendizagem se poderia registar, como se costuma querer.

Não seria assim! E os outros? Aqueles com mais de cinco anos de serviço estão presos nos salários, aqueles com mais de 38 anos de serviço presos no salário, aqueles com títulos de bacharel, licenciado e mestrado, presos no salário, quando os que vão olhar em seus salários, quanto ganham? Como fica, aquele por tanto sacrifício nunca realizou o sonho de bacharel(…), cujo salário não lho permite estudar, como fica um técnico superior continuar a ganhar como técnico médio, daquele salário que já é sabido na praça pública, como fica?

Porque esperar por um concurso, que nunca chega pra todos, para mudança de categoria deste ou daquele professor, porque fazem com um ou dois chegar lá, em nome de milhares, anham?. Que sentido faz dar de comer, aqueles que já vivem repletos e “camuelar” ao coitado que já vive da mesquinha?

Wizi-kongo

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