Filho de pais pobres com 11 anos de idade sonha ser piloto

Por Alfredo Dikwiza e Jeremias Kaboco

Nsosso: 07/08 (Wizi-Kongo) – Vasco João, ou simplesmente, Lwuambu, de 11 anos de idade, filho de pai e mãe pobre, ambos residentes na sede da comuna do Nsosso, município da Damba, província do Uíge, sonha dia e noite, acordado, dormido e em pé, em ser piloto.

Nascido em 2008, até ao momento residente na comuna do Nsosso, 150 quilómetros a norte da cidade do Uíge e a 47 quilómetros a leste da seda da Damba, Lwuambu é tido como um gênio nato, por possuir uma inteligência que causa inveja, claro, no bom sentido, pois quando é abordado em qualquer lugar, para este ou aquele tema até dos mais complexos, ele consegue lidar-se bem em prestar declarações, feito um sábio.

O primogénito, entre os três irmãos que são na ventre de seus pais, quando é questionado, tanto em línguas maternas “kikongo e lingala”, quer em português, consegue responder sem rodeios, é dono de uma voz talentosa, para isso, sempre que abre a boca ganha audiências de pessoas intelectuais, crianças, jovens e idosos, podendo ser naturais ou visitantes.

De temperamento sereno, Lwuambu, quando começa a falar aonde estiver, pouco menos de um minuto é rodeado de várias pessoas, chegando mesmo a cativar quem esteja ir ou a sair da lavra ” de yi mbamba” (trouxas) ou algo parecido levado a cabeça, em troca de ouvirem-no falar, igualmente, acontece com trabalhadores da função pública, alunos e estudantes, quando encontram-no falar eles param, tiram-lhe fotos, celf e outras manifestações, para, depois da separação, cada um ir mostrar Lwuambu aonde vão.

Hoje, quarta-feira, na sede da comuna do Nsosso, a equipa do Wizi-Kongo tão logo passava foi interditada por alguém próximo do Lwuambu, sob formas a entrevista-lo. Em seguida, o motorista deu para esquerda, pisou no acelerador e quando virou para direita, acabava justamente chegar na casa erguida de adobes e coberta de chapas normais, antes de bater a porta, a tia do Lwuambu chamou-no três vezes em kikongo “Lwuambu nza, Lwuambu nza, Lwuambu nza”, traduzido em português “Lwuambu venha”, logo, acabara de sair e de um jeito gentil, estendeu a mão para todos e saudou, sejam bem-vindos. Como de costume, num abrir e fechar do olho, o local já estava rodeado de pessoas de várias idades.

Já em entrevista ao Wizi-Kongo, Lwuambu depois de manifestar outras ambições, por último, destacou ter um sonho de ser piloto, um sonho que lho corre no sangue e nas veias desde que começou a conhecer-se como homem, mas sabe de antemão que este desejo não lhe será fácil alcançar, por ter pais que levam uma vida de baixo da linha de pobreza. “Estou a frequentar a 3 classe (terceira classe) aqui mesmo na comuna, quero ser piloto quando for grande, mas sei que terei que passar por muitas situações até chegar a meta, porque os meus pais são pobres, não têm nada além do amor, carinho, proteção, cuidado e atenção que garantem-nos”, explicou baixando o rosto no solo e com semblante triste.

Questionado sobre como comportar-se em casa, na rua e na escola, Lwuambu sem palpa na língua fez saber ” procuro sempre afastar-me para qualquer provocação e quando os insuretos batem a mim, vou a casa de seus pais e com os pais dele dar a queixa, mas antes aviso para não levar o caso a instâncias superiores ou causar muito tumultos no bairro, na escola procuro ficar a rever a matéria e caso contrário regresso a casa para tomar conta de meus irmãos, enquanto meus pais vão a lavra”.

Enquanto falava, vozes ao lado se faziam ouvir “nada esse miúdo é muito sábio”, “olha só do jeito como fala”, “oh esse Lwuambu tá mal”, por aí em diante, essas palavras eram proferidas pelos seus admiradores, que ao lado estavão rodeados, em seguida, Lwuambu soltou um sorriso contagiante, fazendo entender estar congratulado pelo carinho, admiração e atenção que recebe das demais pessoas locais e não só.

Vasco João admitiu ter assistido uma entre outra vez e ouvir que existe cidades diferentes do local em que vive, Nsosso, algo que não dá muita importância porque dentro de si, existe uma luz que um dia lhe irá iluminar para pisar terra atrás de terras. Entretanto, as famílias do Nsosso sobrevivem ao cultivo da mandioca, feijão, ginguba, entre outras culturas.

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