Uíge: “Colonato do Nsosso”, um projecto gigante adormecido com muitas dificuldades

Por Alfredo Diwiza/Jeremias Kaboco

Uíge, 10/07 (Wizi-Kongo) – Há três anos, na localidade do Colonato, na comuna do Nsosso, município da Damba, província do Uíge, foi concluído a construção da infra-estrutura de Estação do Instituto de Investigação Veterinária (IIV), considerado um projecto gigante gizado pelo Ministério da Agricultura, mas que encontra-se adormecido e com muitas dificuldades, para alavancar a agricultura a nível da região.

Por pecar de inauguração, mesmo estando concluído há três anos, o IIV um projecto concebido para ser um “gigante a nível da região”, encontra-se adormecido e atravessado por muitas dificuldades, entre as quais, na falta de energia eléctrica da rede pública e de ração para galinhas.

Diariamente são gastos para consumo das galinhas quatro sacos de ração, cada é comprado no valor de 14.000,00 (mas não existe fundo financeiro para a referida estação), por falta de energia eléctrica os funcionários são obrigados a ir buscar água no rio, na cabeça e colocam-na nos tanques para facilitar as galinhas terem a água. Igualmente, falta de salário há dois anos para os guardas de protecção física.

A área de extracção de leite com capacidade para quatro gados em um só momento, os equipamentos vão deteriorando por falta de funcionamento, também  um tractor para distribuição de alimentação das galinhas existe no local, mas nunca funcionou por avaria, na mesma linhagem, a balança do gado igualmente não funciona por avaria, igualmente, não existe moagem para produção da ração.

Com a produção diária de 750 ovos, a funcionar de forma experimental a ração é comprada em função da comercialização dos ovos. O banho do gado é feito com com auxilio de um pulverizador manual por falta de um tanque de água, para o efeito.

Segundo dados obtidos hoje, quinta-feira, por Wizi-Kongo, no local do projecto (Colonato), testam que para o seu êxito, o Ministério da Agricultura colocou no projecto condições aceitáveis para facilitar os agricultores e criadores de gado na província do Uíge, mas por falta da inauguração “entre aspas” condiciona a combinação do objectivo inicial, que, igualmente, compreende a formação de jovens em varias especialidades do ramo, entre as quais, a fabricação do leite e seus derivados.

Em entrevista exclusiva ao Wizi-Kongo, o chefe de estação do Instituto de Investigação Veterinária, Pierre Ntsiemo, disse que de forma experimental o IIV é controlado por três técnicos, entre os quais, dois médios e um técnico superior e chefe de estação, que, dedicam-se aos trabalhos correntes.

No caso, os dois técnicos médios, um cuida da área administrativa e o outro para área técnica, para a dimensão da infra-estrutura e a julgar ao número de funcionários actuais, apontou, não corresponder com aquilo que se pretende desenvolver é resumido em “uma gota de água no oceano”.

Como disse, no programa do projecto foram agendadas várias actividades agro-pecuárias que serão executadas uma vez reunidas as condições necessárias, tendo afirmado estarem dentro da estação do Instituto de Investigação Veterinária, “projecto de melhoramento de pastos naturais, avaliação de valor alimentar de plantas forrageiras” e “projecto de pesquisa e exploração com gado leiteiro e de corte”.

“Projecto de produção de ovo”, “projecto de abertura do laboratório veterinária” e “projecto de pecuarização de animais selvagens”, igualmente, fazem parte no programa de acção da Estação do Instituto de Investigação Veterinária.

No início das suas actividades experimentais, explicou, consta no IIV uma amostra de 15 cabeças de gado bovino de raça Ndama, sendo 13 fêmeas e 2 machos, cuja descendência produtiva já alcançada é de 13 crias, perfazendo um total de 28 cabeças de gado e um lote de 1.200 galinhas de poedeiras, que estão a produzir 750 ovos, dia.

“Não possui ao momento fundo financeiro, falta de tractor com respectivas alfais, electricidade da rede (dificultando a iluminação nas naves das galinhas e a distribuição de água), recursos humanos em carência, actividade agrícola ausente por falta de tractores, igualmente, falta de matérias zoo-veterinárias e fármacos, mau estado da via dos nove quilómetros da sede da comuna do Nsosso ao projecto do Colonato, comunicação deficitária (telefone, televisão e internet) ”, sustentou, Pierre Ntsiemo.

A mesma estação de Investigação e Veterinária, localizado no perímetro do ex-colonato militar, na comuna do Nsosso, município da Damba, 150 quilómetros a norte da cidade do Uíge, o projecto ocupa uma área de 3.500 hectares, comporta laboratórios, área residencial, sala de aula, campo de ensaios e de produção, posto médico e parque de estacionamento de máquinas.

De investimento do Executivo, o projecto visa, prioritariamente, alavancar a agricultura a nível da região. Entretanto, através das suas condições favoráveis para uma agricultura virada ao mercado, a província do Uíge oferece capacidade para uma produção de pequena e grande escala.

No comprometimento do governo local, em 2016, no dia 9 de Março do referido ano, durante uma visita de trabalho do então governador, Paulo Pombolo, sublinhara que por tratar-se da primeira Estação de Investigação do Instituto Veterinário  na província, o governo local iria tomar a responsabilidade de preparar os recursos humanos, sobretudo locais, para que em conjunto com os técnicos da empresa Agricultiva, em Negage, possam no projecto trocar experiências para que nos próximos momentos o mesmo possa ser desenvolvido sem sobressaltos, facto que até agora foi concretizado.

A circunscrição da Damba, com destaque a comuna do Nsosso, é rica na produção de feijão, mandioca, milho, gergelim, batata-doce e rena, banana, abóbora, café e inhame, entre outros. Entretanto, este projecto do Colonato do Nsosso ficou interrompido por mais de 40 anos, sendo reactivado em 2015, por via da empresa Agricultiva, em colaboração Israelita.

Colonato é o nome que se dá a um sistema de exploração de grandes propriedades entre diversos colonos, que ficam incumbidos de cultivar uma determinada área e entregar parte da produção ao proprietário, conservando outra parte para seu próprio consumo.

Recordamos que o colonato da Damba, no ex-posto de 31 de janeiro, foi criado em 23 de Julho de 1952 por força da Portaria Provincial nº 7884, do antigo regime colonial.

 

 

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