SIMÃO MAKAZU, NOVO LÍDER DO PDP-ANA «Decisão do TC tirou o partido do risco de extinção»

Por David Filipe

A nova direcção do Partido Democrático para o Progresso de Aliança Nacional “PDP–ANA” está confiante de que os criminosos que mataram o líder fundador Mfulupinga Nlando Víctor, tarde ou cedo, vão ser conhecidos. Simão Makazu, o novo presidente, elogia o acórdão do TC e nega que o seu partido seja um apêndice do MPLA.

Como é que a nova direcção do PDP-ANA reagiu ao acórdão do Tribunal Constitucional que validou o congresso que afastou Sediangani Mbimbi da Presidência?

Reagimos de forma positiva, uma vez que a decisão do Tribunal Constitucional foi ao encontro dos mais legítimos anseios e aspirações dos militantes do nosso partido e da sociedade angolana. O acórdão veio tirar o partido do risco eminente de extinção em que Sediangani o tinha colocado.

Sediangani Mbimbi insiste que, apesar do acórdão do TC, ainda é presidente…

É uma insistência irresponsável, já que devia acatar a decisão do tribunal, que tem por missão velar pelas boas práticas das pessoas singulares e colectivas, sendo a razão pela qual Sediangani recorreu a ele.

Sediangani Mbimbi acusa, também, a nova direcção de estar ligada ao partido no poder…

Não, pelo contrário. Segundo as memórias da independência do veterano Miguel Simão Dialó, reveladas recentemente no programa TV Zimbo, Sediangani Mbimbi ‘come’ no MPLA e ‘come’ também na UNITA.

O que é que isso significa?

Isso significa que ele é traidor, razão pela qual alguns militantes abandonaram o partido, entre os quais o veterano que acabei de citar. Ele tinha a missão de destruir o partido.

Como é que  a nova direcção encontrou então o partido?

Encontrámos o partido destroçado, com as estruturas desarticuladas do topo até à base, os militantes desanimados, uns fugiram para outros partidos, e toda a sociedade inquieta pela inactividade a que es-
tava sujeita a nossa formação política.

O PDP-ANA nas eleições do 1992 elegeu um deputado e foi recebendo subsídios até 2008. Financeiramente como está o novo partido?

Posso revelar que, financeiramente, o partido está numa situação de bancarrota, já que o antigo responsável máximo do partido ‘limpou’ toda a conta bancária, existindo apenas uns míseros Kz 6.000,00.

Como é que o partido vai sobreviver?

Neste momento, sobrevivemos de contribuições de militantes e amigos.

Está em curso o precesso de actualização do registo eleitoral. Como é que estão acompanhar o processo?

Neste capítulo, todos os partidos legalmente constituídos são parceiros do Executivo, sobretudo aqueles que pretendem concorrer às próximas eleições de 2017. Assim sendo, o PDP–ANA tem participadoactivamente nos encontros com o MAT a nível central e nas reuniões das administrações a níveis provincial e municipal.

Do vosso ponto de vista, como está a decorrer o processo?

Está a decorrer bem. Os partidos políticos da oposição, a sociedade civil e as organizações não-governamentais nacionais estão atentas a esta actualização.

«[…]  “Limpou toda a conta bancária, existindo apenas uns míseros Kz“»

Tens fiscais suficiêntes para acompanhar este processo da actualização?

Claro. O PDP–ANA tem fiscais habilitados para acompanhar esta actividade de ex-
trema importância para o nosso país. É um processo que defendemos que decorra muito bem, tendo em vista o fortalecimento da democracia no nosso país.

A oposição alega que o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, tem feito interferências na actualização do registo eleitoral. O PDP-ANA também tem esse entendimento?

É lógico que o Presidente da República se envolva neste processo, desde que seja em benefício da paz, democracia, progresso e fraternidade. Mas, em abono da verdade, o trabalho está sob responsabilidade da Comissão Nacional Eleitoral (CNE). O que nos interessa aqui é que o processo corra muito bem. Estamos cientes, de que, se nós todos colaborarmos, ganharão os angolanos, qualquer que seja o partido que venha a vencer as eleições.

Há informações sugundo as quais a nova direcçâo não presta apoio financeiro e moral à família do malogrado fundador do partido, Mfulumpinga nlando Víctor?

 Esta afirmação não corresponde à verdade. Pelo contrário, a nova direcção está a envidar todos os esforços no sentido de, uma vez revitalizado, o partido dar o apoio necessário a todos os seus militantes e, em especial, à família do fundador. São informações produzidas negativamente pelos nossos detractores que querem ver o partido morrer definitivamente.

Concretamente, como é que sobrevive a família?

Bom, pelo que sabemos, existe um dispositivo legal segundo o qual os deputados da primeira legislatura (1992-2008) beneficiam de um subsídio. No entanto, se a viúva do malogrado Mfulupinga Nlando Víctor não tem beneficiado desse direito, deverá reclamar junto da Presidência da República e da Assembleia Nacional.

Quando o partido entrou em crise, qual foi o sentimento da família do fundador?

O surgimento da nova direcção foi graças à pressão da família. Eles [os membros da família] ficaram muito preocupados pelo facto de verem uma obra deixada pelo Mfulupinga Nlando Victor, que por sinal verteu o seu sangue por causa dessa tarefa, em risco de desaparecer. Eu e mais membros do PDP–ANA fomos alertados de que Sediangani Mbimbi estava a destruir o partido e que era necessário levar aobra avante.

Foi o que aconteceu?

Foi sim. Muitos partidos foram ilegalizados, mas o PDP–ANA continua a sobreviver. Isso demonstra, mais uma vez, que é uma organização política em que os angolanos confiam para os novos desafios.

Como é que está o resultado do inquérito sobre o assassinato de Mfulumpinga?

É do vosso conhecimento que o presidente do Partido Democrático para o Progresso de Aliança Nacional, Mfulupinga Nlando Víctor, foi baleado mortalmente há 16 anos por um grupo de meliantes,quando saía da sede do partido, no bairro do Cassenda, arredores de Luanda. Mfulupinga, que também foi deputado da Assembleia Nacional, foi interpelado por três indivíduos, um dos quais armadocom uma metralhadora do tipo AKM, quando se dirigia para o seu carro. De momento, não temos nenhuma informação sobre o processo, visto que a nova direcção está a organizar-se, para que, na devida altura, possa contactar a entidade competente que está a cuidar do mesmo.

Ainda há esperança para que um dia os autores desse crime venham a ser conhecidos e responsabilizados criminalmente?

Absolutamente. A esperança é a última coisa a morrer. E vamos ter fé que um dia os autores do crime serão responsabilizados criminalmente.

aopana

 

DIVERSIFICAçÃO

Sente haver pressão sobre a actual situação económica, política e social de Angola?

A situação política do país está estável, pesem embora as informações pouco fiáveis provenientes de Cabinda. Mas as autoridades militares e governamentais locais asseguram que há livre circulação de pessoas e bens. A paz é o que os angolanos querem para o bem-estar de todos nós. No que diz respeito à situação económica e social, revela-se preocupante, porquanto os preços dos produtos da cesta básica ainda continuam altos, o desemprego também aumentou com a falência de várias empresas. Notamos também o aumento da criminalidade, que está a inquietar as comunidades. Portanto, há que encontrar antídotos para combater a miséria e a pobreza.

No seu ponto de vista, qual seria esse antídoto?

A diversificação económica, que pode constituir um desafio de grande dimensão, e que exige compromissos políticos e medidas consistentes. O país deve estar num processo de diversificação da economia e os desafios são muito grandes. O Governo deve identificar um conjunto de projectos prioritários e estruturantes, com viabilidade e atractividade económica e social, assente numa estratégia de criação de clusterse cadeias produtivas. Agricultura, indústria ou turismo são algumas das actividades em que deve assentar a prioridade do Governo angolano para a diversificação da economia nacional, inclusive com apoios estatais ao investimento privado. A diversificação da economia de Angola exige liderança do setor público, considerando o papel central que este tem na economia, como regulador,empregador e investidor. Essa liderança deve estar assente numa atitude de facilitação e regulação. -Deve-se criar um ambiente favorável às empresas – as políticas deverão contribuir para um ambiente legal e financeiro estável (previsível) e favorável à formalização e sustentabilidade das atividades económicas. Os investimentos em infraestruturas de base (redes de estradas, telecomunicações, energia, água, etc) e serviços sociais (como os da educação e saúde),criam as bases para a atividade económica se expandir de forma competitiva e sustentável.

O Presidente da República vai discursar sobre o estado da nação, no dia 21 de Outubro, na Assembleia Nacional. Que tema é que PDP-ANA espere que o Chefe de Estado aborde?

Em princípio, a mensagem à Nação, na Assembleia Nacional, deve ser transversal, focalizando orientações concretas no campo social sobre a política habitacional (distribuição de várias residências concluídas e sem ocupantes). A energia eléctrica e água, no sentido de melhorar o fornecimento, uma vez que o país conta com barragens importantes. Também os direitos humanos, pensamos que merecerão uma pincelada, no sentido de que o direito à reunião e manifestação sejam garantidos, bem como o combate à corrupção não devem passar despercebidos no discurso do Chefe de Estado.

 

Via NJ

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