Nlemvo João Matantu Ndundulu – Missionário Kongo

Por Sabakinu Kivilu

Data de nascimento : 1865 ( Fevereiro 1938). Naturalidade : Padwa, Angola

Mantantu Dundulu (de 1865 a Fevereiro 1938) mais conhecido como Nlemvo, foi o primeiro cristão protestante no Congo, e um colaborador próximo com William H. Bentley em escrever na língua Kikongo.

Nascido em Padwa em Angola, Mantantu Dundulu, órfão desde o dia do seu nascimento, foi criado, de acordo com os costumes da sociedade, por seu tio, Tulante Mbidi. Seu tio era o chefe da aldeia de Lemvo e comerciante de marfim e escravos.

Em 1879, o rei D. Pedro V do Kongo, acompanhado por WH Bentley, um missionário da Sociedade Missionária Batista (BMS), viajou para Lemvo. Foi nesta aldeia que Bentley, que estava a aprender Kikongo, descobriu Mantantu, que falava a língua muito bem. Bentley encontrou nele um excelente intérprete e fê-lo, com a bênção de seu tio, seu colaborador.

Rapidamente aprendeu a ler e escrever. Mantantu acompanhou Bentley na maioria das suas viagens. Pensa-se que o nome Nlemvo, o que significa obediência e também indica a sua aldeia natal, foi-lhe dado por Bentley.

Em 30 de Abril de 1882, Nlemvo converteu-se ao cristianismo. O seu baptismo, no entanto, só ocorreu seis anos mais tarde, em 19 de Fevereiro de 1888. Assim, tornou-se na primeira pessoa a ser batizada na missão Wathen (agora Ngombe-Lutete), localizada a 50 km a norte de Mbanza Ngungu.

No início, Nlemvo ajudou os missionários ingleses a construir uma escola na capital do antigo reino do Kongo, de São Salvador, e em 1883 ajudou na construção da BMS em Stanley Pool (agora Malebo). Em seguida, trabalhou com Bentley na compilação de um “Dicionário e Gramática da Língua Kongo”. No decorrer deste trabalho, acompanhou Bentley a Inglaterra em Abril de 1884. Durante a sua estada europeia, Nlemvo foi recebido, com outros oito “congoleses”, pelo Rei Leopoldo II da Bélgica. Como resultado da sua ausência prolongada, sua família ficou preocupada, achando que ele tinha sido vendido como escravo. No final do seu trabalho de tradução, ele retornou à sua aldeia até Bentley voltar. Mais tarde, participou da exploração dos afluentes do Kasai, na companhia dos missionários George Grenfell e Bentley.

Depois do seu baptismo, em 1888, Nlemvo casou com Kalombo, uma mulher cristã originária da região Kasongo, no leste do Congo, onde os missionários haviam livrado a população da escravidão. Nlemvo e Kalombo viveram em Kivianga, uma vila cristã criada na concessão de terras da missão BMS em Ngombe-Lutete, em 1882. Esta aldeia, como a maioria das aldeias cristãs fundadas recentemente, agrupava uma população etnicamente heterogénea. Antes do seu casamento, Nlemvo tinha vivido lá com as suas três irmãs. A convivência interétnica de Nlemvo e o casamento religioso, foram apenas um exemplo de uma transformação profunda instituída pelos missionários na sociedade do Kongo. Nlemvo tinha-se tornado um “homem destribalizado” verdadeiro, como foi evidenciado na sua recusa em se tornar chefe da sua aldeia depois da morte do seu tio em 1887.

Nlemvo colaborou na tradução do Novo Testamento em Kikongo. Para ajudar Bentley nesta tarefa difícil, ele foi para Inglaterra, pela segunda vez, entre Dezembro de 1892 e Setembro 1893. Quando Bentley, debilitado pela doença e trabalho, voltou para a Inglaterra de vez, Nlemvo acompanhou-o a fim de completar a tradução da Bíblia inteira do Inglês para o Kikongo. Durante a sua terceira estada na Europa, foi submetido a cirurgia ocular que visava corrigir uma doença que ameaça a sua visão. Infelizmente, a operação fracassou e Nlemvo voltou para casa em 1905 sem ter sido curado.

Apesar de problemas oculares, Nlemvo continuou a sua rica carreira literária. Ajudou na revisão da Bíblia em Kikongo, publicada em 1926, e participou activamente na tradução das obras de Bentley, dos Provérbios e Salmos. Trabalhou com M. Jennings na tradução do livro de Stakler sobre a vida de São Paulo e dos Actos dos Apóstolos em Kikongo, e traduziu, do Inglês para o Kikongo, o livro intitulado “Raiar do dia.” Finalmente, Nlemvo escreveu um esboço autobiográfico intitulado “Mpungwilu.”

Em Novembro de 1937, a administração colonial informou o primeiro cristão protestante da sua intenção de honrá-lo com a medalha de ouro da Real Ordem do Leão, em reconhecimento pelos seus serviços ao Estado. Infelizmente Nlemvo morreu em Fevereiro de 1938, de modo que a medalha foi entregue postumamente a seu filho em Julho de 1938.

Grande especialista africano em literaura, a principal contribuição de Mlemvo está no trabalho de tradução, a importância que continua a ser apreciada até nos dias de hoje.

Em colaboração de Ricardo Nlemvo

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