8 de Julho é feriado na província do Zaire

A candidatura destacava que o Reino do Kongo estava perfeitamente organizado antes da chegada dos portugueses Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Por Manuel Albano e Víctor Mayala | Mbanza Kongo

O dia 8 de Julho, data em que a Comissão de Património Mundial da UNESCO declarou por unanimidade o centro histórico da cidade de Mbanza Kongo, como património mundial, passa a ser o dia de aniversário e feriado local na província do Zaire, por decreto presidencial, publicado no Diário da República, do dia 11 de Setembro do corrente ano.

O Presidente da República decretou a data, nos termos da alínea b), do artigo 120.º e do número 1 do artigo 125.º, ambos da Constituição da República de Angola, por existir a necessidade de se manter viva a importância deste factos históricos e da cidade em causa. A secular cidade angolana de Mbanza Kongo foi candidatada pelo Governo angolano a Património Cultural da UNESCO, sendo a primeira validada no país por aquela Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura.

O projecto “Mbanza Kongo, cidade a desenterrar para preservar”, que tinha como principal propósito a inscrição desta capital do antigo Reino do Congo, fundado no século XIII, na lista do património da UNESCO, foi oficialmente lançado em 2007.

O centro histórico de Mbanza Kongo, na província do Zaire, está classificado como património cultural nacional desde 10 de Junho de 2013, um pressuposto indispensável para a sua inscrição na lista de património mundial. A candidatura de Angola destacava que o Reino do Kongo estava perfeitamente organizado aquando da chegada dos portugueses, no século XV, uma das mais avançadas em África à data.

A área classificada envolve um conjunto cujos limites abrangem uma colina a 570 metros de altitude e que se estende por seis corredores. Inclui ruínas e espaços entretanto alvo de escavações e estudos arqueológicos, que envolveram especialistas nacionais e estrangeiros. Os trabalhos arqueológicos realizados no local envolveram a medição da fundação de pedras descobertas no local denominado “Tadi dia Bukukua”, supostamente o antigo palácio real.

Passaram igualmente pelo levantamento da missão católica, da casa do secretário do rei, do túmulo da Dona Mpolo (mãe do rei Dom Afonso I, enterrada com vida por desobediência às leis da corte) e do cemitério dos reis do antigo Reino do Kongo.

Dividido em seis províncias que ocupavam parte das actuais República Democrática do Congo, República do Congo, Angola e Gabão, o Reino do Congo dispunha de 12 igrejas, conventos, escolas, palácios e residências.

O relatório hoje votado recomenda igualmente a colaboração com outros países na identificação de outros locais e pontos do interesse do antigo Reino do Congo e da rota dos escravos de África para a América, “com potencial” para ser inscrito na lista de património mundial. A ministra da Cultura Carolina Cerqueira recebeu o diploma que certifica a inscrição de Mbanza Kongo na lista de Património Mundial, no dia 8 Setembro, na sede da UNESCO em Paris, França.

Festa da Cidade

As festas da cidade de Mbanza Kongo passam a ser celebradas a partir de 2018, no dia 8 de Julho, em substituição do 25, conforme determina o Decreto Presidencial, que institui o feriado e aniversário local.

O chefe de departamento do património histórico-cultural da Direcção Provincial da Cultura no Zaire, Luntadila Lunguana considerou como uma medida importante, por representar “um marco importante e avanço significativo para o país no domínio cultural”, destacou. O feito, explicou, veio dignificar a província em particular e o país em geral, incluindo os países que faziam parte do Reino do Kongo, como Gabão, Congo Democrático e Congo Brazzaville.
“É um orgulho ver a cidade elevada a Património Mundial da Humanidade, por tudo, que representa na região da África Austral”, disse Luntadila Lunguana.
Na sua opinião, a data deveria ser decretada feriado nacional, para dar sustentação ao lema “Somos Mbanza Kongo, Somos todos Angola”, uma vez que a inscrição da cidade na lista do Património Mundial da Humanidade, abriu uma nova página na História de Angola, o que pode permitir o surgimento de outras candidaturas no país. Afirmou, que o país tem outros locais e sítios que podem ser classificados e propostos como património mundial.

 

Via JA

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