A HISTÓRIA DO BEMBE – Arqueologia da tradição oral

Por: Edições Mumbeliano Tocoista

A temática que agora vem sobre seu conhecimento enquadra-se nos estudos das aldeias e missões fundados pelos povos que aderiram ao tokoismo (1945-1961) e (1962-1984), neste primeiro (01) capítulo referente à munícipio do Bembe pretendemos estudar duma forma antropológica, histórica e sociológica o «BEMBE», local da implantação da igreja de nosso Senhor Jesus Cristo no mundo “os tokoístas” e a sede espiritual da igreja (1950-1961). É uma localidade com vários mistérios e locais históricos culturais e fundamentais para os tokoístas e, sobretudo, para as tribos de Ntambwa Laza, Nkanda Kongo, Banhandu, Vita Mini, etc.

Antes, aproveitamos a oportunidade para esclarecer que não é, e nunca foi nossa intenção nestes estudos das comunidades que emergiram na igreja[1] que estamos a levar a cabo mancharmos a reputação histórica dos povos ou denegrir as suas posturas na igreja, o estudo de todas as aldeias dos protagonistas do tokoismo que estão sendo realizados enquadra-se nas seguintes razões, (i) trazermos a ribalta detalhadamente a aldeia de origem de cada ancião da igreja[2], (ii) sabermos quantas aldeias foram construídas pelos membros da tribo Namadungu e Nampemba (a linhagem paterna e materna do profeta Simão Toco), (iii) A história cíclica dos bankongos, muxicongo, bassorongos[3], Bassundi e Bauoyo em Angola, assim como percurso trilhado ao longo da deformação das tribos a partir de Mbanza Kongo, (iv) as comunidades que emergiram na igreja desde 1943-1949[4], (v) para elaboração da história geral do tokoismo e da biografia unitária do profeta Simão Toco[5].

Mais antes, como de sempre gostaríamos homenagear os verdadeiros fundadores da região do Bembe, estamos a falar de Mantoyo Nsamu wa Kanga, Masaki, Makanga, Neloge e Nempaka que de algum jeito doaram os seus esforços, vida e sangue na fundação da região.

[1] De acordo com o levantamento feito pela NET (2013), chega-se a uma conclusão que as comunidades que emergiram no Tocoismo está dividido em quatro modelos, a saber: 1º modelo primitivo, 2º modelo monástica, 3º modelo paroquial e 4º modelo familiar, ai consiste a nossa curiosidade em trazer todos estes modelos a ribalta. Esta lançado o desafio.

[2] Até aqui, vincula uma grande confusão sobre as aldeias construídas pelos Nampemba, muitos anciãos e conselheiros da igreja do clã Kinampemba respondem nas aldeias de Zulumongo, Sadi e Kiluangu

[3] Sobre Basolongo recomenda-se a leitura em Henriques Ambranches (1991), Luanda

[4] Estudo que tem sido efectuado pelo sociólogo e testiologo António Álvaro (2013-2014), sobre As comunidades Tocoistas e o apostolado dos anciãos da igreja  

[5] Vide Edições Mumbeliano Tocoista e Centro dos Estudos Tocoista.

 

 

 

  1. A ORIGEM DA REGIÃO DO BEMBE “NSI YA BEMBOLWA

 A nível da Edições Mumbeliano Tocoista, “A região do Bembe”, continuará a ser um espaço geográfico profundamente bem estudada em todas as áreas do saber (história, antropologia, linguística, sociologia e arqueologia) sua vez, por ser uma região com traços familiares do profeta Simão Toco através das aldeias de Kiwembo, Kimpemba e Yangila. A nossa sorte a pesar de estaremos acompanhados de aspas e chavetas foi depositada nas fontes orais (a verdadeira Literatura oral dos mbembistas) dos anciãos da igreja que compõem a tribo Bembe e na documentação pesquisadas que datam mais de 100 anos onde se destacam Masaki (1875-1900); A. Lamborne (1901-1975), Simão Toco (1938-1945), Jean Cuvelier (1971, 1972 – 1934) e William Grenfell (1933).

  • A origem e a etimologia do termo Bembe

Até aqui, ao longo das nossas pesquisas de campo efectuados no município do Bembe num período de cinco dias, não encontramos no levantamento bibliográfico elementos suficiente para embasar a origem histórica e a etimologia da palavra Bembe, nem tão pouco um gran-de acervo sobre a trajectória dos fundadores. A literatura oral bembiana neste estudo será alicerce para sustentar a nossa construção teórica-cientifica. Com efeito, apoiamos nas memórias dos anciãos Mantoyo (bisneto), Badika, Masaki, Makanga e Rosário (2018).

A palavra Bembe é de origem kikongo, segundo os kikongofonicos, do original “Mbembe”, “Bembi”, “Mbebe” ou “Kimpemba”, tendo sido aportuguesado pelos portugueses a quanto da sua chegada naquelas terras em 1805. A palavra significa “montanha”, “desprezível”, “abandonada” ou desconhecida”, é uma expressão que advém da montanha “Mbembe” ou “Bembe” situada defronte a vila do Bembe ganhando o sentido do espaço, para além da pedra Nsinga Nzambi, Tady dye Nkosi e serra de kanda. Ainda a expressão pode significar “responsabilidade” ou “autoridade”. Na toponímia do Bembe o nome em epigrafe, carrega consigo três significados (i) deriva de Mpemba que na percepção do Patrício Batsikama (2016:14) e Paracleto Mumbela (2015:35) representa os santos, tratando das pessoas brancas ou puros, caracterizados como elementos que instalam a estabilidade da paz na sociedade; não é em vão que nos acervos e escritos de Simão Toco (1950-1960) e Pedro Mumbela (1962-1975) mencionam a terra do “Colonato vale do Loge” mitologicamente como local onde foram sepultados alguns profetas hebraicos, é o caso do Jobe, Moises, Elias e Adão e Eva[1]; (ii) inicialmente, este topônimo indica a responsabilidade que cada individuo possuí de praticar o bem e preservar a paz; (iii) deriva de “Mongo” ou “montanha” indica o poder de Deus de erguer o templo (igreja), sobre uma rocha, que dificilmente pode derruba-se. Mateus 16:18.

Assim sendo, a região do Bembe, segundo a tradição oral foi fundada aos 21 de Maio de 1552 (?) pelo soberano Mantoyo Nsamu wa Kongo, do reinado Mekabangu, pertencente ao etnologuísta muxicongo da ordem tradicional bahundu, tendo a sua área de jurisdição desde Kinzele, arrastando agente de Nsinga Nzambi e Ngumba – o fulcro da história do Bembe. Rosario 2018) e Makanga (2018). A sua construção definitiva começou em 1856 pelos portugueses por se ter tido tornado o maior centro comercial da região, atrás de Kibokolo e Ndamba na altura; em 1903-1905, foi elevada a categoria de Distrito, com o período de agitação do soba Álvaro Buta que houve entre 1913-1915 em 1946 o mesmo passou para Uíge com a sede no Uíge, acto que mereceu o seu respaldo jurídico através do diploma legislativo ministerial Nº 6, de 1 de Abril de

[1] Consulta a obra do Paracleto Mumbela, A história da missão do “Colonato vale do Loge” e a sua importância para o tokoismo, (2018), Luanda, Edições Mumbeliano Tocoista, no prelo.

1961 este vigorou até 1975 ano que se proclama a independência de Angola. Mwana Damba (2010:22) e José Cardoso (2010:12).

A luz desta temática apesar de não possuirmos uma tese convincente ao mundo cientifico – mas os anciãos entrevistados a firmaram que Bembe antes pertencia ao grupo etnográfico muxicongo, do subgrupo “bahumbu” e “bayembo”, que segundo José Cardoso (2018) estes grupos abitavam em toda extensão do Bembe, arrastando a parte leste do rio Nfulezi e um terço do rio Ambriz (ambrizetanos), onde politicamente e tradicionalmente divide o Bembe em dois polos, polo sul e polo norte, ou seja, alto Bembé e baixo Bembe, (a) Alto Bembe começa do Tôto e arrasta uma parte do Songo; (b) Baixo Bembe começa a partir do Songo e Ambrizete ligando com os Ambala um dos subgrupo étnico pertencente ao Nzento. Ao longo destes, é possível registar a grande diferença etnologuistica na expressão das populações, as grandes e notáveis diferenças distinguem-se em termos do sotaque ou pronúncia, e aqui, o kinzozi – (resoluções dos problemas, conversações conversa familiar) é um laboratório recomendável para se apurar este facto.

  • Relação existente entre Kiwembo do Bembe, Kibokolo e Damba

 Ainda que recuemos atrás, no que tangem a trajectoria da tribo muxicongos que se instabilizaram na região do Bembe, veremos que este povo teve a sua origem na serra de Kanda a partir do Mbanza Kongo, foram construir o Bembe, a passo que, a tribo de Nabokolo, Nafutila na Wembo, Nampemba e as demais tribos foram construir em Kibokolo e alguns no Damba, com a guerra de possessão das terras que se registou em Kibokolo, o povo de Wembo (Kibokolo), foram para Damba e lá construíram aldeia de Wembo e posteriormente uma parte do seu povo vieram no Bembe, de igual mondo, construíram aldeia de Kiwembo, Yangila e Kimpemba, e no âmbito das trocas das mercadorias nos maiores mercados do zombo na época estamos a fala de “Nkenge – Kibokolo; Nsona – Makela ma Zombo; Konzo dya Vululu e Maseke – Mansusu”, começaram a contrair matrimônios entre eles. Isto confirma o que acima referimos, denotando que existe uma relação crucial entre «Wembo de Kibokolo – Kiwembo de Makela do Zombo» e o “Kiwembo – do Bembe”, estando este último o local onde a única família restante do diluvio de Lunzamba do “Colonato vale do Loge” se refugiaram, criando assim grandes coincidências com a narrativa histórica de Lunzamba das mediações de Nzolo Ntulumba. Paracleto Mumbela (2015:38) e Sebastião Kiongolo (2016).

 

 

  1. SURGIMENTO E CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA DO BEMBE
    • Contexto histórico do surgimento do Bembe

A história dos povos que construíram “Bembe”, oferece momentos fascinantes e importantíssimos na história geral de Angola, África e em particular dos Nampemba e Namadungu, quiçá, da igreja de nosso Senhor Jesus Cristo no mundo “os tokoístas”, (i) trata-se da trajectória dos seus habitantes oriundos de S. Salvador (Mbanza Kongo), (ii) tem haver com o povo eleito de Yave «Avauki – Ampungu», (iii) enquadra se nos conflitos que originaram o seu desmembramento; é difícil entender a história cíclica do “Bembe” sem primeiro fazer o estudo da trajectória dos povos, e tribos, que se desmembraram do Mbanza Kongo, tal como sempre temos referenciado em todos os trabalhos desta natureza. Ao navegarmos nos escritos de Simão Toco (1955-1974), Pedro Mumbela (1975-1984), Miguel Nambauka (1981-1999), Jean Cuvelier (1972:26), assim como na opinião de alguns anciãos do Bembe, os fundadores do Bembe isto é os muxicongos em companhia dos Bazombos e Mussurongos partiram de Mbanza Kongo em direcção a floresta e montanha do Nkanda, mais conhecido de Serra de Kanda, estando aqui à tribo muxicongo seguiram o rasto do vale do rio Lukunga e subiram a fim de construir a região do Bembe, a passo que o Bazombos proseguiram até ao ponto rochoso, fronteira do Zaire, local que hoje conhecido de «Ntu a mboma», ou seja, cabeça de Jibóia, paragem obrigatória para as tribos Nabokolo, Nampemba, Namadungu e Nafutila Nawembo é o lugar da divisão entre Kongo e Zombo e do final do segundo planalto da África – oeste central, a marcha continuou a pé até chegar à sanzala de Mbanza Zombo; nesta sanzala houve desentendimento das tribos tendo resultado em mortes de milhares de peregrinos, aqui decidiram abandonar a sanzala de Mbanza Zombo e seguiu a marcha na margem do rio Ambriz próximo às quedas de Kizulu e posteriormente fixando a marcha na floresta Vunda[1], ou seja, «Mfinda Vunda[2]» no Nkusu-Mpete, poucos meses depois subiram o monte e foram construir a regedoria de Kibokolo. Paracleto Mumbela (2017:31), Avelino Mbiavanga (2016) e Jean Cuvelier (1972:26).

  • Sua caracterização geográfica

A região do Bembe, conhecido também de “Mongo wa mbembe” ou “nsi ya bemboka (montanha do Bembe ou terra desprezada) possuí uma densidade de 9hab/km² a sudoeste da cidade do Uíge, ocupa uma área de 5.655 km² e 49000 habitantes, segundo Wikipedia e censo de 2014. Está limitada a norte pela cidade de Mbanza Kongo e município do Kuimba por intermédio da serra de kanda e rio Lukunga; a este pelos municípios de Mukaba, Songo e Damba por intermédio da aldeia de Kikunga; a Sul pelo município de Ambwila por intermédio do rio Nsidila, Loge e a missão do colonato vale do Loge e a Oeste pelo oceano atlântico, município de Tomboco e Nzeto por intermédio do rio Ambriz. Segundo as fonte orais município do Bembe possuí as seguintes comunas: Bembe, Mabaya, Lukunga e Tôto. Onde a comuna do Bembe conta com as seguintes aldeias ou povoações: Bembe (capital politico e econômico), Bonde, Kulu, Kiziza, Kimpemba (), Kikondo, Lukelo II, Masselele, Mpambo Matombe, Mpambu Nsinga Nzambi, Nkau, Ngwambo, Nlânda, Nsangi, Kiloge, Kikanga, Kwimba I, Kwimba II, Tôto II, Colonato vale do Loge, Vamba, Yangila, Zunga, Nzo Mosi; Mabaya (capital cultural), Babaya, Nduni, Nsumba, Kimaria, Kizele; Lukunga: Kilombe, Kiluangu, Kindundu, Kinkele, Kikunga, Kiombo, Kisipi, Lambo, Lukunga, Makoko, Manguvu, Manzau, Mbumbu, Mingyengye, Ngombe, Ntole, Kimbemba e Vila e a comuna do Tôto (?) possuí as seguintes aldeias: Nkinkosi, Kiwembo, Kinzuzi, Kikiowa, Mbanza Mbongi, Nlonda, Nkonkelo, Lukamba, Mpelo, Mbenza, Baka, Kombele, Yinzu, Kikua, Nsi ya Nsoki e Vinda, etc. Para Simão Toco (1976) a região do Bembe faz parte da província eclesiástica do tokoismo composto por oito (8) regiões, num universo de 16 regiões eclesiástico desdenhado e pelo profeta Simão Toco, tal como o Estatuto do tokoismo (2017) esclarece, nomeadamente: Bembe, Mabaya, Lukunga, Ambwila, Beça Monteiro, Mbanza Kongo, Kwimba e Belém (Posto Madimba), nos anais do tokoismo cada região compõem uma igreja.

A região do Bembe é serpenteada pelos seguintes rios mais importantes: Loge, Ambriz, Lukunga, Vamba, Lufundi e Lukeya, quanto as bacia hidrográficas temos a bacia de Meko dya Luwa, bacia do Loge, Ambriz que escorrem diretamente para o oceano atlântico. Quando as potências mineiras, Bembe é rica em mármore, cobre diamante D e Tale localizado neste caso no rio Lukunga. Ainda neste caso Bembe é constituído de serras paralelas no sentido NO-SO, entre os rios de bacia destacando a serra do Toto, Lufundi e serra de Kanda.

Ainda como topônimo, a ideologia do Bembe, espaço com montanhas, remete-nos logo de antemão que a região é serpenteada pelas montanhas e rios e lagoas. Ao longo das nossas pesquisas de campo efectuado recentemente aquela região encontramos as seguintes montanhas que podem ser rei-quadrados em três grupos, tal como podemos ler em Patrício Batsîkama (2018:31).

 

 

  1. Rios ligados à religião 
  • Lukunga: do prefixo “lu” e do termo “kunga” que deriva de “kunga” que significa “reclamar”, “queixarse” ou “murmurar”. O topônimo lukunga indica a correnteza do rio. Socialmente indica o individuo que reclama de bem estar ou de alguma coisa.
  • Vambâ: Monô Vambâ ya Vambanisa é vata, dividi os povos tanto do Bembe como os do Zombo. A palavra Vambâ deriva do verbo “Vambûla” ou “Mbambula” que se traduz dividir ou separar, significa divisão entre os habitantes do vale do Loge e os restantes povos do Bembe e Ambwila. Na toponímia dos povos, como rio político faz divisão entre “Colonato vale do Loge” por intermédio dos terrenos baldios do “Colonato vale do Loge”, desembocando assim no rio Loge nas proximidades da aldeia de Mbanza Vambâ.
  • Meko dya Lukunga: é outro fluente composto por quatro rios nomeadamente: Lufundi, Ambriz, Vamba e Lukeya. Tradicionalmente o espaço indica o concerto tradicional dos espíritos das águas, ou é a localidade de sereias dos quatros importantíssimos rios que estabeleceram o concerto cultural.
  1. Rios relacionados à sociedade
  • Loge: do prefixo “lo” ou “Lozi”, segundo Paracleto Mumbela (2018:19-24) a expressão deriva do verbo Loza que significa: “deitar”, “distante” ou “proteger-se de malfeitores”, à denominação foi atribuído em homenagem ao soberano Neloge irmão do Nempaka[3], que reinaram nos anos 1800 nas mediações de Tôto nas aldeias de Kikunga, Kiwembo, Yangila e Kimpemba.
  • Lukeya: Advém da expressão “kesa” que significa “derrubar”, “cortar” ou ainda de “keba”, cuidar, estar atento ou vigiar. Ao estarmos na sociedade devemos vigiar e orar porque existem muitos inimigos que lutam para nos derrubarem.
  1. Rios ligados a politica
  • Nsidila: Na toponímia dos povos Ambwila este nome carrega consigo dois significados (i) deriva de “Sikídisa” ou “Lûsikidisu”, indica aquele que tem o poder de resolver ou postergar conflitos ou um determinado assunto como também pode ser intendido como aquele que mostra ou traça caminho, (ii) socialmente, este topônimo indica a estabilidade e o bem estar de alguém, desde o bem estar econômico e saúde. Môno Nsidila N´kanda Kôngo ya Sikidisa e nsi Yayi. É o rio que faz a divisão entre “Colonato vale do Loge” e o município da Ambwila por intermédio da aldeia Nsânda Kina.
  • Ambriz: Apalavra Ambriz deriva de “mbizi”, que se traduz em bagre, peixe e outros anfíbios dos rios, que pode significar riqueza ou aposição social dos habitantes.
  • Lufundi: A palavra lufundi deriva do verbo “funda” que se traduz em “queixar”, que significa queixar os seus problemas à Deus, este hidronímo faz um acasalamento com Lukunga.

A par dos rios, município do Bembe possui varias lagoas e montanhas, nomeadamente: a lagoa de Lunzamba, Lagoa de Mbodya (uma lagoa milagrosa), lagoa de Kitata, etc. quantos as montanhas temos de destacar a montanha de Luvuvamu, Sinai, Jesus, Zioni, etc.

 

 

  1. CONFLITOS E ANTAGONISMO NO SEIO DO BEMBE

Ao longo da construção do Bembe registou-se vários conflitos armados que levou constantes sublevações dos nativos do Bembe que se rebelavam. Entre tantos conflitos ao longo das nossas pesquisas destacamos os seguintes:

  1. A primeira luta mbembiana oucorreu na primeira década da ocupação da região, o conhecido de guerra das possessões das terras, conflito este que deixou dividido o Bembe em dois estremos: Alto Bembe, que começa no Toto e arrastando uma parte do Songo; a passo que, o Bembe Baixo começa a partir do Songo e Ambrizete ligando com os ambalas um dos subgrupos étnico pertencente ao Nzento;
  2. A segunda luta foi registado aos 29 de Outubro de 1665, o conhecido A BATALHA DE AMBWILA, que teve lugar no terreno baldio entre o vale do rio Luege, Dembos e Ambuila actual serra de Ambuila, onde o soberano Mantoyo Nsamu wa Kongo, o fundador do Bembe emprestara ao soba Ambuila mais 2000 soldados e seus valorosos homens, que viriam na sua maioria falecer, acto que trouxe na época desentendimento entre o sucessor de Ambuila e o soberano Nsamu wa Kongo;
  3. A terceira guerra a pontado é a guerra de palhota ou cubata, esta guerra deveu-se por causa da operação levantada entre o povo do Bembe e Damba ao pagamento de impostos;
  4. A quarta guerra é a revolta de Kivwenga: as povoações da região de Kivwenga, situada ao sul do Bembe aos 15 de Julho de 1912, revoltando-se atacaram a fortaleza e ameaçaram a destruição da missão protestante de Mabaya situada na altura entre Kindje e Bembe instalada em 1905.

Até aqui ao longo dos anos foram surgindo outros conflitos não muito relevantes as nossas pesquisas e que culminaram com a guerra de libertação nacional que se arrastou até a independência nacional. Hoje a única guerra que restou no Bembe é a guerra de construção e da evolução do município a fim de trazer de volta os seus filhos intelectuais para registar a historia do Bembe e coloca-la na galeria nacional e internacional para que todos saibam sobre o Bembe.  

  1. ASPECTOS CULTURAIS DO BEMBE

A cultura dos mbembistas é com toda certeza a mistura de vários povos e clãs que formaram o povo mbembistas. Não existiu e nem existe uma cultura do povo Bembe perfeitamente homogênea, mais sim, uma esteira de diferentes vertentes culturais que formam a cultura do Bembe. Estas mesclagem surge, por causa do cruzamento de vários clãs (Neloge, Nempaka, Ntambwa Laza, Nkanda Kongo, etc), por isso, fica bem claro que, a cultura Bembe é, maioritariamente, de raiz muxicongo onde tudo tem a origem. É na verdade essa herança cultural muxicongo que compunham a unidade do Bembe.

Assim sendo, não deixamos em hipótese nenhum mencionar alguns elementos que compõem a cultura do Bembe:

  1. A língua

A língua falada na região do Bembe é o Kikongo, com o sotaque de “bembe” ou “quimbembe”, pese embora uma ou duas pessoas nos anos de 1920-1927 dominavam o português (Masaki e Nempaka). Por causa da construção da estação missionária naquela região. Apesar do povo Bembista na sua maioria parte serem falantes da língua Kikongo, cada aldeia satélite com o passar do tempo foi adotando uma tonalidade diferente, que passou os caracterizar como membro deste ou daquela aldeia.

  1. Festa:

 Nsamu[4]é a festa de homenagem aos ancestrais, e que tinha maior exaltação na região do Bembe. Estas festas provêm de uma antiga tradição com carácter cultural, recreativo e desportivo, normalmente eram realizadas na época de verão e é habitual terem ofertado produtos relacionados com a agricultura, pescas, e artesanal, é só para dizermos que a referida pratica não era somente registado em Bembe, mais arrastou um pouco Abrizete. Pelo que, entendemos, no geral este povo tinha uma cultura semelhante a do povo de Ambrizete e Damba[5], alias, é verídico, porque a genealogia dos muxicongo espalhou em muitas localidades. Paracleto Mumbela (2016:10).

  • Literatura

A literatura do povo do Bembe surge após a construção da estação missionária Baptista em Mabaya, onde a maioria dos jovens na altura tiveram o privilégio de se formarem.

Mais é o soberano Mantoyo Nsamu wa Kongo segundo soba Masaki (2018) que se atribui o primeiro documento literário na história do Bembe, ao possuir um livro de registo onde eram a notado todos os acontecimentos históricos da trajectória dos muxicongos. Rosário (2018), Makanga (2018). Só não teve o seu desenvolvimento, porque a região foi ocupada pelos portugueses em 1865.

  1. Dança

 A dança na aldeia de Bembe distinguiu diversos géneros, significados, maneira e contextos, a mesma estava mais ligada na recreativa e na tradição, duque qualquer outra coisa e ao mesmo tempo como meio de comunicação. Por outro lado, a dança do povo Bembe servia de algum modo como praga ou meio de resolução dum problema tradicional que poderia afectar região. A principal dança folclórica do povo de Bembe era Nkambongo – é uma dança tipicamente tradicional onde o bailarino se vestia de sacos de sarapilheira «N´saku ze Nzole» e dançava mexendo a cintura e a cabeça acompanhado de exorcismo[6]. A mesma era utilizada no âmbito da veneração da deusa de agricultura, fertilidade e da pesca.

  1. Antigas religiões antes da entrada dos missionários Baptistas e tokoístas

Antes os povos da região professavam as religiões “Guardiões das religiões” fundada em 1671 pela Ndona Nkenge, é um movimento religioso de crença tradicional do povo Vilau e posteriormente se estendeu em toda a região do Bembe, arrastando uma parte do Damba e Kibokolo, etc, virada em crenças e ritos afincados a natureza dos A´kulu ancestrais e adoradores de Nzambi wa Lubondo. Com o falecimento da sacerdotisa, o movimento foi extinto e em volta dos anos 1817, abraçaram o movimento Mundembi Moneka do sacerdote Masaki  Nsundi, da aldeia de Kiwembo e o centro do Bembe. As suas práticas estavam viradas nas venerações dos ancestrais e dos deuses da agricultura, pesca e fertilidade espirito este que eram venerados nas grutas de Nsinga Nzambi e Ngumba – este último segundo Adolfo (2010) foi a sede da administração do reinado Mekabango, a mesma possui várias entradas, muitos compartimentos e inúmeros pontos escapatórios. Com o local denominado Mbanza Sweka “esconderijo” espaço caracterizado para esconderijos dos mbembistas da escravidão dos portugueses.

 Ao passo que, segundo sobas, o cristianismo penetrou na região do Bembe em 1903 com a construção da estação missionária Baptista em Mabaya, fundamentada no tokoismo que entrou em 1950, com a construção da missão do “Colonato vale do Loge” e mais tarde, após a independência (1975) e da luta armada (2002) foram surgindo outras denominações religiosas no caso da IEBA, Pentecostal, Católica e Mpeve ya Longo, etc. 

  1. A IMPORTÂNCIA DO BEMBE PARA O TOKOISMO
  • As localidades que dão relevância ao município do Bembe

A região do Bembe possuí uma importância preponderante na história geral de Angola, África e em particular do tokoismo, e o seu espaço até hoje conserva vestígios e memória tais como:

  1. A região onde possui as grutas enigmáticas de Nsinga Nzambi, “pedra de fio de Deus” e Ngumba. Segundo a mitologia dos mbembistas, é nestas grutas que habitam os deuses da agricultura, da pesca e da fertilidade os chamados de espíritos de “mundembiMoneka – Deus invisível e “vanguardas”;
  2. A localidade onde foi construída a estação missionária Baptista, em 1903, onde o profeta Simão Toco, teve o privilégio de ensinar aquele povo num período de 4 anos;
  3. É a região que pertencem o “Colonato vale do Loge” a capital da cidade santa, do grade Rei, que será erguida no norte de Angola;
  4. Ainda nesta região podemos encontrar a misteriosa lagoa de Mbodya, Lunzamba, a floresta de Nkosi e o Cemitério de Tady kya Mpemba – este último é onde jazem os restos mortais do soberano Mantoyo Nsamu wa Nkanga o fundador da região do Bembe;
  5. É a região onde podemos encontrar a enigmática Meko dya Luwa – o centro de quatro rios nomeadamente: Lufundi, Ambriz, Vâmba e Lukeya, local utilizado para a realização de pactos tradicionais entre os muxicongos, muzombo e mussorongos;
  6. É o espaço onde Deus elege para o concerto divino e da implantação da igreja de Cristo em África após a descida do espirito santo em Léopoldville, datada à 25.07.1949;

Actualmente, estes lugares estão abandonados e quase esquecidos, pelo governo local e pelos intelectuais do Bembe. Todavia, os seus intelectuais preferem estudar outras localidades em relação a sua região, mais do que nunca a historia da construção do Bembe quase é esquecida pela nova geração, até mesmo pelos intelectuais (os doutores e Phd da região).

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ABRANCHES, Henriques, Sobre os basolongo – Arqueologia da tradição oral, (1991), Fina petróleos de Angola, Luanda

BATSÎKAMA, Patrício, (2016), Simão Toko. O nacionalismo da paz, Luanda: Mediapress

CUVELIER, JEAN.,

(1934), Nkutama a mvila za Makanda, Impr. Mission Catholique Tumba

(1971), Nsi eto a Kongo, Histoire de l´ ancien Royaume du Kongo, Diocèse de Matadi

(1972), Nkutama a mvila za Makanda, 4º édition, Diocèse de Matadi

MUMBELA, Paracleto, A história do “Colonato vale do Loge” e a sua importância para o tokoismo (1950-1962), (2018), Luanda, Edições Mumbeliano Tocoista

MUMBELA, Paracleto, A história de Kibokolo, sua relevância e importância para o tokoismo, (2017), Luanda, Edições Mumbeliano Tocoista

PUBLICAÇÕES

Jornal de Angola, edição (2010 e 2014)

Wizi-kongo – A batalha de Ambuila/mbuila-2016. Por: João Nougueira Garcia

  • William D. Grenfell, missão Baptista de Quibocolo – Informações relativas o assunto Simão Gonçalves Toco – datada aos 11 de Janeiro de 1950
  • PT-TT-PIDE-DA-C-3-731-1 Simão Gonçalves Toco
  • MU-GM-GNP-135-Pt 37 – 1949-1962, Missão do colonato vale do Loge
  • Pinto Morais, Relatório extraordinário Nº 20/62-S.R.- Chegada a Kimpangu (Congo) duma “Delegação” do “Governo provisório de Angola, no exílio”.
  • Relatório extraordinário Nº 20/62-S.R.- estadia de Simão Gonçalves Toco na área de Maquela do Zombo
  • Viagem ao norte de Angola do Simão Toco a fim de recuperar populações”!… Luanda, 24 de Setembro de 1962
  • Eduardo Alberto da Silva – Major – Visita do Simão Toco a Damba, Luanda, 11.07.1962
  • Simão Toco, Resumo da minha viagem para o norte de Angola com a minha comitiva, iniciada em 16/6/1962 a 2/8/1962, Luanda, 20 de Agosto de 1962

Depoimentos dos anciãos e sobas do Bembe/2018

 

[1] Literalmente falando a palavra Vunda, significa descansar ou repousar.

[2] Segundo anciã Amélia Henriques “Kuzulu”, Vunda também é uma sanzala que nos anos 20 evoluiu bastantes até chegar ao ponto de possuir um aeródromo e um hospital de referência para tratamento da doença de sono e lepra “Maladia ma Nkai” 

[3] Para Jean Cuvelier, Neloge e Nempaka, são denominações dos clãs ou tribos

[4] Comemoração das festas dos ancestrais

[5] Paracleto Mumbela, A importância e relevância que a comuna de Kibokolo representa para o Tocoismo, (2016), Luanda, Edições Mumbeliano Tocoista

[6] Vide a resolução dos problemas do ancião Sebastião Lucila em 1970-1973

 

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