FNLA volta a ter dois presidentes e instala-se nova crise na liderança

Realização de dois congressos extraordinários na FNLA volta a certificar a «eterna» divisão entre os militantes do partido fundado por Holden Roberto.
A Frente Nacional para a Libertação de Angola (FNLA) volta a ter dois presidentes, tal como já aconteceu em épocas anteriores na mesma formação política e asituação abre porta a nova crise interna.

Em causa está a realização, neste mês, de dois congressos extraordinários do mesmo partido cujos membros, há 20 anos, não conseguem encontrar solução
para o fim do conflito que os divide. Hoje termina a reunião convocada por alguns membros do Comité Central, na qual os militantes vão eleger  nova liderança dos «irmãos». Entre os candidatos constam os nomes do docente universitário Pedro Gomes e do sindicalista Miguel Alberto.

E, na segunda-feira, terá início, na província do Huambo, um outro congresso extraordinário convocado por Lucas Ngonda, actual presidente da FNLA.

O encontro visa revisar apenas os estatutos do partido, onde cerca de 244 membros do Bureau Político e do Comité Central da FNLA vão ser afastados dos órgãosde direcção, segundo o porta-voz da ala de Lucas Ngonda, Jerónimo Makana. Entretanto, a outra ala é encabeçada por Ndonda Nzinga. O seu porta-voz,
Laiz Eduardo, em declarações ao Novo Jornal, disse que o congresso que teve início na quarta-feira, 20, visa pôr “ordem no partido em função da crise que aFNLA vive há 20 anos”.

São, no entanto, perto de 800 delegados que vão eleger novo president para FNLA. Estes militantes acusam Lucas Ngonda de violar as normas do partido e promover a corrupção na formação política. “Os grandes aspectos que prejudicam a FNLA têm a ver com a falta de acção, o presidente do partido, Lucas Ngonda, viola sistematicamente os princípios normativos dos estatutos do partido. Há, portanto, no seio do partido a corrupção e a gestão danosa. O presidente toma decisões sem consultar o Comité Central. O presidente fez do partido sua propriedade privada. Por isso é que os membros do Comité Central que correspondem os  50% +1 decidiram convocar o congresso porque têm respaldo estatutário”, afirmou Laiz Eduardo.

Carlitos Roberto, filho do fundador da FNLA, também foi anunciado como um dos candidatos. Mas um militante do partido confidenciou ao NJ que o
descendente de Holden Roberto optou pelo princípio da neutralidade, dizendo que “só será candidato num congresso onde todos forem representados”.
Carlitos Roberto, segundo a fonte, vai nos próximos dias fazer um pronunciamento sobre o conflito no partido.

No meio da contenda, estão também outros membros do Comité Central apoiados pela juventude e pelo braço feminino da FNLA. Estes, por sua vez , prometem impugnar os dois congressos.

Via NJ

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