UPA ARQUITECTA DO 4 DE FEVEREIRO

Em Maio de 1954, dois meses antes da fundação da UPNA, Manuel Barros Nekaka (tio de Holden Roberto) efetuou uma visita à Angola, onde estabeleceu vários contactos, que mais tarde se tornaram determinantes na ação de conscientização política dos patriotas que participaram da ação de 4 de Fevereiro de 1961, em Luanda.

Os emissários da UPA, Costa Nkodo Kimpio “Kimpiololo” e João César Correia “Mekuiza Mekuenda” tiveram tarefa facilitada pela abertura de corredores feita por Barros Nekaka. Estes passaram a actuar em estreita colaboração com os activistas em Luanda, no caso de Luís Inglês, Viegas Paulo, Francisco Pedro Miguel “Nzau”, Herbet Pereira Inglês, Pedro Benge, Zacarias Antonio Amaro, Antonio Mateta, este último Coordenador da Célula do Sambizanga.

Segundo Francisco Pedro Miguel “Nzau”. os nacionalistas que protagonizaram o levantamento de 4 de Fevereiro de 1961 faziam a preparação combativa na montanha de Kifangpndo (local onde foi erguido o monumento), orientada pelo Neves Bendinha, que era o Instrutor do grupo.

Maria Landinha, esposa de Francisco Pedro Miguel ” Nzau”, tinha a tarefa de preparar a refeição dos nacionalistas que estavam a treinar em Kinfangondo, que seu marido levava todos os dias de bicicleta e que participava algumas vezes dos treinos. A família Nzau adquiria os gêneros alimentícios por meios próprios.

Na madrugada de 4 de Fevereiro de 1961, o grupo comandado por Neves Bendinha, concentrou-se no embondeiro do Cazenga e distribui-se em núcleos de combate, vestidos de camisolas pretas e de calções de ganga pretos, escritos por baixo UPA, trajo confeccionado por Francisco Pedro Miguel “Nzau”, empunhavam catanas adquiridas por este na casa de Ferragens Castro Freire e estavam a guarda de Cónego Manuel das Neves na Se Catedral.

Depois dos assaltos a Cadeia de S. Paulo, a 7 Esquadra, os Correios, a Casa da Reclusão e a tentativa de ataque ao Palácio do Governador Geral, as autoridades coloniais reagiram de imediato, a PIDE começou caça ao homem nos bairros de Luanda, com o apoio de destacamentos do General Liborio Monteiro, que planeou a destruição dos bairros a fogo de artilharia. O Dr. Álvaro Rodrigues da Silva Tavares, Governador Geral de Angola, teve de intervir imediatamente para evitar um massacre dos citadinos da capital.

Preocupado com a tensão reinante em Luanda, resultante das ações de 4 e 11 de Fevereiro de 1961, Cónego Manuel das Neves pediu a Costa Neto, seu elemento de confiança e a João César Correia “Mekuiza Mekuenda”, que abandonassem a capital e levassem o relatório de 4 de Fevereiro de 1961, ao Comitê Director da UPA, em Leopoldville.

Costa Neto e César Correia divergiram na rota que deviam seguir para Leopoldville. O primeiro sugeriu a via de Carmona e o segundo, de Ambrizete passando pela aldeia Kikando, onde tinha o incondicional apoio do seu amigo Soba José Pinheiro que facilitava as suas deslocações de Leopoldville/Luanda, vice versa. Cada um manteve a sua posição e saíram separados.

A PIDE informada da saída dos dois emissários, foi ao encalço dos mesmos. Costa Neto passou a noite em um hotel de Carmona, onde foi detido pela secreta portuguesa e apreendido o correio (relatório) sobre a ação de 4 de Fevereiro. César Correia conseguiu chegar a aldeia KIicando/Ambrizete e esconder-se em casa do Soba Pinheiro.

Na sequência da detenção e morte de Costa Neto em Carmona, Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves, Vigário Geral da Diocese de Luanda, é preso no dia 31 de Março de 1961. às 11h30, na Se Catedral, em Luanda, acusado de “ser o chefe da organização responsável pelos actos de terrorismo ocorridos em Angola”. e deportado para Portugal e posto na cadeia de Aljube.

No mesmo dia ocorreu a prisão e deportação para Portugal de mais oito padres católicos angolanos, acusados de ligações com os movimentos nacionalistas Franklin da Costa, Joaquim Pinto de Andrade, Martinho Sambo, Alfredo Osorio Gaspar, Lino Guimarães, Domingos Gaspar, Vicente Jose Rafael e Alexandre do Nascimento, actual Cardeal.

Holden Roberto reage a prisão de Cónego Manuel das Neves e envia ao Vaticano, Rosário Neto e Manuel Andre Miranda portadores de uma carta a solicitar a intervenção do Papa Paulo VI, para obter a sua libertação e dos Padres Nacionalistas Angolanos presos em Portugal, Franklin da Costa, Joaquim Pinto de Andrade, Martinho Sambo, Alfredo Osorio Gaspar, Lino Guimarães, Domingos Gaspar, Vicente Jose Rafael e Alexandre do Nascimento, actual Cardeal.

Na carta ao Sumo Pontífice, Holden Roberto sublinha a qualidade de prisioneiro político de Cónego Manuel das Neves, que era ao mesmo tempo Vice-presidente Honorário dá UPA e Vice-primeiro-ministro do GRAE. Reserva cópia da carta ao Primado de Portugal, Sua Eminência Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, que igualmente participa do Concílio, na qual solicita a sua intervenção nos dois casos. Os enviados de Holden Roberto mantém igualmente encontro com o Arcebispo de Luanda Dom Moisés Alves de Pinho que também participa do evento.

Após a intervenção de Holden Roberto, os Padres beneficiam de uma certa liberdade mas o Cónego Manuel das Neves não teve a mesma sorte, acabando por morrer em 11 de Dezembro de 1966 na Casa dos Jesuítas de Soutelo em Portugal, aos 70 anos. Na sequência do anúncio da morte do Cónego das Neves, a família e a Arquidiocese de Luanda pedem o corpo para ser sepultado em Angola, a PIDE nega e às 20 horas leva e enterrou-o.

Autor desconhecido

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