Armando Brazzos, a legenda viva do African Jazz

Armando Brazzos com African Jazz, em 1960, na segunda posição, terceira pessoa apartir da esquerda, com viola contra-baixo, entre Dr. Nico e Dechaud Muamba.

Por Sebastião Kupessa

Princípio do ano 1960, no ex-Congo-Belga soprava ventos de liberdade. Com efeito, a Bélgica decidiu transmitir o poder aos congoleses que reclamavam já, há algum tempo, a indepedência nacional. Para discutir as modalidades da transferência do poder, Bruxelas, capital do reino da Bélgica, organiza uma mesa redonda (Table Ronde de Bruxelles) que realizou-se entre os dias 20 de Janeiro e 20 de Fevereiro.

A Table Ronde de Bruxelas que reuniu políticos Belgas e congoleses, foi acompanhada por um conjunto musical, dirigido por Kabasele Tshamala “Grand Kallé”, constituído na sua maioria, pelos músicos de African Jazz. Alguns políticos, como Papa Kanza, do ABAKO, sugere a inclusão na comitiva africana, elementos de outro agrupamento musical, rival do African Jazz, o OK Jazz. Luambo Makiadi “Franco” o responsável do OK Jazz recusa o convite, para não ser subordinado pelo seu grande rival do African Jazz.

Com objectivo de relaxar os políticos, nos momentos livres das discussões durante um mês que dourou a conferência, o Grand Kallé chega em Bruxelas com o seu African Jazz, inserindo dois músicos de OK Jazz que decidiram viajar sem o consentimento do seu patrão, um é vocalista ou outro é guitarrista. Se a presença do vocalista foi motivo de regozijo na comitiva, pois Vicky Longomba, possuia a vôz mais aguda da rumba congolesa naquele momento, mas a a existência do guitarrista causou inquietações. O conjunto contava com três guitarristas, um é solista, os dois rítmicos, faltava viola baixo.

Os dois guitarristas são os famosos irmãos Kasanda wa Mikolau “Dr. Nico” solista e Dechaud Muamba, rítmico, o guitarrista vindo do OK Jazz também é rítmico, mas este último, vai se propôr tocar viola baixo, mostrando na ocacião, a sua polivelância, no domínio da viola. O guitarrista é o angolano Armando Brazzos.

Grand Kallé com o seu conjunto assim constituído, aproveita a estadia na Europa para registar as famosas canções: “Naweli Boboto” e sobretudo “Independance Tcha-Tcha”, que será adoptada como hino da independência da África Negra. Ambas canções beneficiaram a participação do angolano Armando Brazzos na viol-baixo.

Biografia e carreira

Segundo a sua biografia oficial, Armando Mwango Fwadi-Maya, o seu nome verdadeiro, nasceu em Léopoldville, no dia 21 de Abril de 1935, de parentes angolanos originários de São Salvador, em Angola. Armando Brazzos vai aproveitar a presença do quartato “San Sarvador” constituído de Manuel de Oliveira, Enrique, Freitas e Jorge Eduardo que ensaiava no quintal onde vivia, para aprender tocar viola, ao mesmo tempo frenquentando o ensino secundário numa escola num instututo da Missão católica localzada na comuna em que vivia.

Em 1950 coopera com as edições “Opika”,  onde conheceu Dr. Nicó e Dechaud Muamba, colaboração de curta duração, visto que Armando Brazzos vai iniciar a sua vida profissional, trabalhando numa empresa de transporte público estatal. Em paralelo, continou  exercendo a sua paixâo como amador, ao lado do guitarrista Dula, onde vai aperfeçoar as téchnicas do acompanhamento.

Em 1952, as edições CEFA (Compagnie d’Enregistrement du Folklore Africain) do famoso guitarrista belga Bill Alexandre , o primeiro a introduzir uma guitarra eléctrica no Congo, convida Armando para apefeiçoar o seu domínio da guitarra, onde vai ser alcunhado de “Brazzos” pela primeira vêz, o que significa “L’homme aux bras des os” ( Homem com braços de ossos).

É com CEFA que a carreira musical do Armando Brazzos vai arrancar realmente, ao lado de Roger Izeidi, Roitelet, Moniania, Vicky Longomba, Fylla e outros. Contribui, de maneira significativa, no sucesso deste estábulo musical congolês até 1956, ano que vai cessar actividades. Armando Brazzos vai entrar nas edições “Loningisa” onde colaborou como um músico de estúdio.

Em Junho de 1956, Luambo Makiadi funda o famoso Ok Jazz, seis meses depois, com o sucesso alcançando, graças às canções produzidas na edição Loningisa, a mai0ria parte dos seus músicos abandonou este agrupamento, para formar Rock-A-Mambo, contratado pelas edições Esengo. Para preencher a vaga deixada por Essous, Rossignol Landu, Moniana Roitelet, Pandi e tantos outros, Francó vai recrutar novos músicos, com Brazzos na viola rítmica. Os outros músicos seão: Nganga Edo, Celestin Kunka e Nino Malapet.

Brazzos vai evoluir no Ok Jazz até prncípio do ano 1960, ano que integrou o African Jazz nas condições já referenciadas. Durante a sua estadia no OK Jazz, Brazzos participou, de maneira clandestina, no nascimento de Bantous de Capitale, agrupamento formado pelos dissidentes do OK Jazz, os mesmos citados músicos que substituiram os primeiros dissidentes, a maioria,  orignários do Congo Brazzaville.

Entre 1960 e 1962, Brazzos evoluiu como viola baixo no African Jazz e ao mesmo tempo colaborou, em paralelo,  com agrupamento musical criado por Manu Dibango em Kinshasa. Ambos faziam parte, de maneira oficial, do African Jazz.

Em 1962, Ok Jazz consegue reconciliar os intigos dissidentes, reintegrando Vicky Longomba, Lubelo “De la Lune”, Edo Nganga e Brazzos. Mas Vicky vai sair de novo para formar com Johnny Eduardo Pinnock, o mesmo que foi primeiro-ministro no governo de transiçâo de Angola em 1975, o agrupamento “Negros Succès”, a primeira versão.

Em 1967, Brazzos vai ajudar Kwamy, Boyibanda e Mujos que decidiram deixar o OK Jazz para formar o agrupamento “Révolution” e será suspenso pelo Franco que vai o reintegrar, de novo, dois anos depois. Brazzos ficará no Ok Jazz até 1976, ano que decide trabalhar para uma empresa privada em Kinshasa. Em 1984, o seu nome aparece como guitarrista-acompanhador do Afrisa Internacional, chegando mesmo a reivindicar a autoria da célebre canção “Nadine”, interpretada por Mbilia a Bel com a assinatura do Tabu-ley Rochereau.

Em 2004, um conjunto denominado *African Ambiance”, regrupando a velha guarda da Rumba congolesa, foi referenciada na imprensa musical, como sendo um agrupamento de aposento para muitos musicos da glória antiga. Brazzos passava o seu tempo neste agrupamento antes de adoencer gravemente.

Actualmente vive em Kinshasa, abandonado e esquecido, gravemente doente, quase em agonia, com 85 anos de idade, implorando ajuda de gente generosa!

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