Diana Nsimba “Spray” – O cantor de “charme” do African Fiesta

Por Sebastião Kupessa

 

DIANA nasceu em Makela do Zombo no dia 3 de julho de 1946. Em 1961 seguiu os seus pais como refugiados no Ex Congo Belga, onde permaneceu até 1976, ano que ele regressou em Angola. Já no Congo, mais tarde Zaire, foi famoso como cantor e autor compositor de talento.

Descoberto nos meados dos anos 60, pelo outro músico angolano, também refugiado no Congo, Sam-Mangwana, este o presenta ao senhor Rochereau aliás Tabu-Ley, que, ao ser convecido pelo seu imenso valor artístico, incorpora-lhe no famoso conjunto AFRICAN-FIESTA NATIONAL.

Na African Fiesta nacional, Diana será um dos suportes vocal do Tabu-Ley em conflito com outra ala, designada de African Fiesta Sukisa do conhecido guitarrista Kasanda wa Mikalayi “Dr Nico. Tendo contribuido, em 1968, no sucesso nas canções como “libala ya huit heures du temps”, Bonane na Noël, Café Rica, etc.

Nos princípios dos anos setenta, seguindo a experiência com os maquisards (guerrilheiros) angolanos na luta contra o colonialismo português, Sam Mangwana funda o agrupamento Musical FESTIVAL DE MAQUISARDS. Um grupo de músicos do African Fiesta Nacional vai seguir o Sam Mangwana, entre outros, o guitarrista Mavatiku Visi, também da origem angolana. Nsimba DIANA parmanece fiel ao Tabu-ley, estámos nos fins do 1968.

Em 1971, Diana  funda com os outros dissidentes do Festival do Maquisards, o inesquecível GRAND MAQUISARDS, onde mais uma vêz, vai demonstrar o seu talento como cantor de “charme” e autor compositor. Este conjunto foi constituido por Ntesa Dalienst, Kiese Diambu, Lokombe, Dizzy Madjeku, Mageda, entre outros. Grands Maquisards vão produzir canções antológicas como Jaria, Lisolo ya Adamu na Nzambe, Maria Mboka, Esese (Diana), Tokosenga na Nzambe, Deliya, Mado, Ida sambela ngai, Nsiona (Diana), Nalela ndenge nini.

Em 1974, o GRAND MAQUISARDS não sobrevive às intrigas fomentadas pelos outros músicos invejosos, Diana será recuperado pelo Tabu-ley, onde reencontrará, por um breve momento Sam- Mangwana, no agrupamento AFRISA. As canções de antologia como,  “Santa wa ngai” e “Diamante” da sua autoria, animaram bares do Nairobi, Freetowm, Dakar, Lagos, Brazzaville, Kinshasa. O ano de 1974 foi muito produtivo por Tabu Ley, no momento do combate histórico de Boxe entre Muhamed Ali e George Foreman, em que os  angolanos Sam mangwana, Bovick Bondo, Diana e Mavatiku Visi contribuiram muito para o sucesso continental. As canções como Kaful Mayay, Omanga, Nzale, Mimy Ley, Mosekonzo, Aon-Aon, Lisala Ngomba e outras, foram referenciadas no mundo inteiro.

Em 1976, Diana regressa definitivamente em Angola. Em Luanda é acolhido pelo Eliás Diakimuezo, do qual obtém um apoio artístico para a sua inserção no meio cultural angolano.

Na ocasião das comemorações do 1° aniversário da proclamação da independência, os cantores angolanos regressados do ex Zaire improvisam um conjunto musical convista a participar nas celebrações, no pavilhão da cidadela, assim  nasce a orquestra INTERNACIONAL (INTER) PALANCA, dirigido pelo cantor MÁRIO MATADIDI MABELE. Diana é recrutado e acompanhará Matadidi no estúdio, na gravação das canções de índolo revolucionário como: “Volta camarada , Angola nossa terra, Café, Bakokosa yo bakokosa, o camarada presidente disse”.

Uma parte de músicos integrantes da orquestra Inter -Palanca, entre os quais Otis Mbembay, Elvis, Diana, etc, entram em conflito com Matadidi, vão fundar um conjunto designado “Os Malucos”, mais tarde Diana vai baptizá-lo em OLIMPIA. Na ocasião, compõe uma canção em memória do lendário comandante do MPLA, Valódia, apesar se ser composta em lingala, a canção vai conhecer un sucesso sem precedentes em Angola e obtém, por parte da então Secretaria de Estado da Cultura, o apoio necessário, que lhe permitiu arrancar a sua carreira musical em angola. Com a Olimpia, Diana vai produzir canções que vão atravessar a fronteira de Angola. “Kanducha”, “Sim senhora” , “Marguerida”, “Cherie Mena simba munu”, “Diana mama”, etc, conhecerão sucesso não só em Angola mas também a nível de África Central.

Faleceu em Luanda, aos 31 de Agosto de 2011.

 

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