HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR ANGOLANA: Paternidade e omissões criam maka

Por ALBERTO PEDRO

A provocação do moderador do debate, quanto à produção discográfica sustentável e forte destes angolanos, que residiam fora, anteceder a de Liceu Vieira Dias, considerado o pai da música moderna angolana, e do seu Ngola Ritmos, gerou aceso debate. Aliás, já dias antes, em declarações ao portal Marimba, Makuta Nkondo não teve meias medidas e afirmou que a Rumba é angolana e que os grandes mestres da música congolesa foram ensinados pelos angolanos.

O político questionou o estatuto de Liceu Vieira Dias como pai da música moderna angolana, considerando isso “uma mentira”, atribuindo tal estatuto a Manuel Oliveira. Makuta Nkondo defendeu que os angolanos residentes no Congo começaram a sua produção musical antes dos que residiam em Angola.

No painel do Conversa à Sombra da Mulemba, Ras Kilunji alertou que esta abordagem, aparentemente musical e cultural, é um revés no nacionalismo angolano, pois, segundo disse, o processo migratório deixou marcas na consolidação dos nacionalismos angolano e congolês. Garantiu que a omissão de certas figuras é “motivada por interesses políticos e para salvaguardar alguns grupos e famílias, que pensam que são os detentores da história do nacionalismo e de todo o movimento cultural angolano”.

O activista cultural disse acreditar que se trata de uma omissão “quase propositada”, ao centrar-se tudo na cidade de Luanda, mais precisamente no Bairro Operário. Os responsáveis dessa omissão seriam as “elites assimiladas”.

Mais adiante afirmou que, assim, passa-se a percepção de que nada se produziu noutras áreas naquele período histórico. Masaka, em contrapartida, optou
por defender que “falta uma investigação séria” sobre o assunto.

Filho da Damba

Sebastião Kupessa, o filho da Damba residente há mais de duas décadas na Suiça, é um pesquisador não apenas da música, mas da cultura Kongo e do nacionalismo angolano. A falta de informação sobre a história angolana o motivou a criar conteúdos que,mais tarde, deram origem ao Wizi-Kongo.com , um portal que não tem passado despercebido.

Nos últimos três anos tem feito parceria com o programa Conversa à Sombra da Mulemba. Kupessa gosta de recordar os seus bairros do coração: Samba, Kinanga, Chabá, Katambor e Bairro Azul, onde mais tempo viveu. Gosta ainda de recordar o período em que os pais regressaram para Angola e, na altura, eram chamados Langas e Regressados.

Olhando para o passado, retém algumas questões que hoje considera “interessantes”: o respeito que os colegas tinham pelo domínio da matemática, a habilidade no futebol, e, claro, as roupas de marca que traziam de Kinshasa.

O miúdo que chorou quando Vicy saiu do clube Construtor do Uíge para o África Têxtil /1º de Maio de Benguela, quer dar o seu contributo ao país que ama e, agora, o seu interesse é fazer projectos e regressar com mais regularidade.

Kupessa promete que a parceria com o prog rama Conversa à Sombra da Mulemba é para ficar.

 

 

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