O longo silêncio do ANGO-STARS

Ango-Stars em Zurique, Junho de 2015, com Zinago de Makulusu, Rive Nkono e Dersous Nzuama. Imagem de Afriquechos.ch
Por Sebastião Kupessa
 
Problemas de liderança condena ao desaparecimento defenitivo do agrupamento musical mais popular da diáspora angolana na Europa, revelou recentemente Zinago de Makulussu ao Portal do Uíge e da Cultura Kongo. O antigo vocalista e autor-compositor do Ango-Stars lamenta não conseguir reunir os seus antigos colegas, alguns dos quais cheios de talentos, em torno do Ango-Stars, preferem ficar nos seus “cantos” a não fazer nada por razões banais como as de “saber quem é o chefe ou quem iniciou este movimento musical”.
 
Entre 1976 e 1983, Matadidi Mário reinou na música angolana dita revolucionária. Para seguir os seus traços, muitos angolanos retornados do ex-Zaire (hoje RDC), formaram agrupamentos musicais. Alguns conheceram sucessos, como o Olympia do Simão Nsimba Diana; 1° de Maio do baixista Mogue; Fapla-Povo com Nono Manuela e Pepe Pepito; Raizes de Angola; Viva la Mussule e Ango-Stars. Este último foi constituído por jovens de 15 à17 anos, com a sede na casa Wembo, no Largo Serpa Pinto na Mayanga, em Luanda.
 
Apesar de partilhar os palcos com os conjuntos angolanos como Merengues, Inter-Palanca, os Kiezos ou Jovens do Prenda, Ango-Stars foi um agrupamento muito conhecido nos bairros periféricos de Luanda habitado maioritáriamente pelos bakongo. Os músicos desta “orquestra” liderada pelo João Maria “Djo Mali” (hoje Dersou Nzuama), fascinavam o público, porque tocavam a Rumba Congolesa com perfeição, também contou com Zimbabwe, Zeca Mannuel “Rive Nkono”, Dido Loreiro “Pacha” como vocalistas e Amy Eliano como solista.. Tempos mais tarde, a maioria dos músicos emigrou para a Europa, onde continou com a actividade musical.
Descoberto por Papa Wemba, nos fins dos anos 80, este faz do Ango-Stars, o seu conjunto de acompanhamento na Europa, sobretudo na Suiça, onde contava com a colaboração do Dido Loureiro “Pacha Mikili” e Rive Kono.
 
Muitos artistas congoleses famosos, beneficiaram o acompanhamento do Ango-Stars na Europa, como o falecido Mombele Ngantshé “Nyarkos” ou ainda Koffi Olomide.
 
Os angolanos vão aproveitar a presença do príncipe da Rumba congolesa para produzir canções que farão sucesso como ” Dans l’Evolution et Felisance” ou “les Jeune en Vogue”. Rive Kono vai tentar a sua sorte no World Music, com o nome Mc Rive, onde produz algumas obras, em passagem, uma excelente prestação no Festival de Jazz do Montreux, antes de converter-se nos negócios, criando uma empresa especializada na reciclagem em Genebra, cidade helvética, onde reside há mais de 30 anos.
 
Dido Loureiro Pacha Miliki Ayatola, vai produzir ainda um album com papa Wemba, antes de “montar” o seu agrupamento intitulado de “La Geneva”, que o acompanha na produçâo de mais dois CD’s em 1998 e 2002.(ver: Entrevista com Pacha Mikili)
 
Zinago de Makulussu, por sua vêz, vai produzir um CD com os dissidentes do agrupamento do Papa Wemba, Viva la Música, os chamados “Nouvelle génération”, liderados pelo Demingongo Luciana e José Fataki.
 
Depois de longos anos de silêncio Ango-Stars tenta ressucitar, sob iniciativa de Zinago de Makulussu, surpreendendo os melómanos no mês de Junho de 1995, em Zuirch. O cunjunto será convidado para acompanhar as celebrações do 40° aniversário da independência em Paris, pela Embaixada angolana na França.
 
Estando na capital gaulesa no dia 11 de Novembro de 2015, para honrar o convite, o Ango-Stars apresenta um outro espectáculo, longe de ser musical, mas de interminável briga entre os artistas, o que vai provocar a indignação dos festejantes. (Ver; Rive Kono revela: “Ango-Stars está cheio de músicos embriagados pelo sucesso, vou concentrar-me na minha carreira solo”.)
 
Desde entâo então nenhum produtor musical ousa celebrar contrato com Ango-Stars que “perdeu traços dos seus artistas e pior ainda, não se comunicam uns aos outros”, lamentou Zinago de Makulusu.
 
E concluiu: ” Sou pessimista quanto ao projecto de Ango-Star, penso que pertence ao passado, está sepultado definitivamente, visto que, como o meu caso, muitos dos meus colegas estão evoluir em outros universos, seguindo carreira-solo”.
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