Pedro Feliz Manuaku recuperou a naciolidade angolana para salvar masikilu

Por Sebastião Kupessa

É com o nome de Pedro Feliz Manuaku que o famoso guitarrista, referência da rumba africana, registou-se recentemente, como angolano, na sua comuna natal da Serra de Kanda, no município do Kwimba, na província do Zaíre. Com objectivo de evitar complicações nos postos fronteiriços, entre Angola e RDC, que o neto de Papa Manuel Mayungu de Oliveira, decide recuperar a nacionalidade angolana.

Em declarações a Rádio Nacional Angolana (RNA), no seu programa em língua francesa,  Manuaku Waku afirmou ser angolano de pai e mãe, ainda surpreendeu ao confirmar que nasceu na sede da comuna de Serra de Kanda, no dia 19 de Agosto de 1954, contrariando muitos textos escritos a seu respeito, que mencionam de ser natural de Leopoldville, de parentes angolanos.

No ano passado, Pedro Feliz Rodrigues Manuaku foi convidado especialmente, como filho da terra, para participar na primeira edição da Festi’Kongo, na cidade de Mbanza Kongo, onde pela primeira vêz, os seus dedos mágicos em contacto com fios de cobre da sua guitarra, produziram o som maravilhoso, que fêz dançar os seus habitantes.

Se na capital da província do Zaire foi recebido com pompas, Manuaku Waku não esqueceu as dificuldades que encontrou na fronteira de Lufu para poder passar em Angola, sua terra natal, o que ele achou insuportável e decidiu recuperar a nacionalidade angolana, por via legal, que levou-lhe na sua comuna natal tratar o Assento do Nascimento e Bilhete de Identidade na capital da província. Actualmente está em Luanda, para tratar o seu passaporte.

Questionado se tencionava residir permanentemente em Angola, o astro da Rumba Kongolesa respondeu que a sua intenção é de explorar as sonoridades angolanas, contribuindo segundo a sua experiencia, para a sua propagação no plano internacional e desejando ao mesmo tempo salvar o sagrado Masikilu, rítmo tradicional angolano em vias de extinção.

Sobre a sua carreira, Pepé Felly, o seu nome artístico, afirmou que já há muito tempo consagra-se na formação da nova geração, depois de criar o rítmo Cavacha em 1972, uma terceira escola nasceu na Rumba africana, entre as duas vertentes já existentes: o rítmo “Fiesta” animado pelo Tabu-Ley “Rochereau” e “Popular” dito Odemba, desenvolvido pelo Luambo Makiadi Franco. Reivindica ser autor de Cavacha que originou a terceira geração da música congolesa, que subsiste até hoje, com as suas variantes como Ndombolo ou Coupé Decalé, este último tocado nos países da África central e ocidental.

Citou o exemplo do agrupamento Grand Zaiko Wawa, criado por ele para o acompanhar na sua carreira solo, iniciado em 1980, formando artistas  músicos famosos como  Mumbata “Djo Poster”, o guitarrista Bansimba Barroza, ambos já falecidos, os cantores Shimita “El Diego”, Matumona Defao, Lukombo Djeffard e Edamo Ekula.

Pedro Feliz Rodrigues Manuaku salienta ainda que aprendeu tocar a viola, atravêz do seu avô Papa Manuel de Oliveira, que permitiu-lhe estudar, mais tarde, as melodias de vários guitarristas, em destaque, Franco e Dr. Nico, o que permitiu-lhe inovar, para satisfação da nova geração. 50 anos depois, o rítmo criado por ele, continua a ser tocado a nível continental.

Manuaku Waku, um guitarrista prestigioso com passado glorioso.

A maior parte das composições musicais da Rumba congolesa dividem-se em duas partes: a vocal e instrumental, esta última é composta de intrumentos de sopro (até a segunda geração), de percussão, do teclado (iniciado com a terceira geração) e guitarra. Ao longo do desenvolvimento da Rumba africana moderna , iniciada nos anos 30, a guitarra joga um papel importante porque é o instrumento que ocupa-se da dança.

Se os melómanos africanos admiram o domínio da guitarra pelos congoleses, são raros que atingem o nivél do Dr. Nico, Franco, Mavatiku, Dizzy Lengo, Mbumba Athel e Guivano Vango. Manuaku Waku, já na terceira geração, vai superâ-los, enviando muitos, apesar de respeito que nutriam por eles, para o aposento anticipado.

A sua carreira vai iniciar em Dezembro de 1969, quando exercitava no agrupamento Belguide, numa das residências na Comuna de Kasavubu, em Kinshasa. Papa Wemba (Jules Shungu Wembadio), de passagem no local, pede para interpretar uma canção da autoria de Tabu-Ley. O improviso, com Manuaku na guitarra, foi um sucesso, de tal maneira que os responsáveis do agrupamento decidem de dissolver o Belguide, e em seu lugar, formaram o Zaiko “Zaire ya ba koko”  (o rio Zaire dos nassos antepassados), Papa Wemba vai acrescentar o sufixo Langa Langa.

Rápidamente Manuaku vai impôr-se como o guitarrista principal, apesar de prostestos do artista da secção Pop e dançarino Mbuta Machakado, que considerava-o ainda como “amateur” sem experiência. Entre 1969 e 1972, Zaiko vai dominar a música da sua geração, com os seus membros quase adolescentes, largando no mercado duas dezenas de discos 45T. Mais o melhor estava para vir.

Numa das viagens realizada nos fins de 1971, em que o Zaiko deveria produzir-se na cidade da Ponta Negra, no Congo Brazzaville, o baterista Meridjo Ngekerme é desafiado pelos seus colegas de imitar o son produzido pelo comboio em movimento nos carris. Promessa feita, Meridjo acelara batidas, obrigando os outros instrumentalistas aumentar a rapidêz, assim nasce a famosa “Cavacha”. As canções como “MT c’est la verité “, “Chouchouna”, “Ngadiadia”, “Onassis ya Zaire”, “Vie ya Mosolo” sobretudo “Eluzam e Mbeya Mbeya”, tornaram-se clássicas da sua geração, Manuaku Waku vai assinar, com a sua guitarra, os melhores solos, entrando no clube dos maiores solistas da Rumba.

Paralelamente, em 1974, Manuaku participa na criaçao do agrupamento, “Ya Tupas” com o pianista Ray Lema, onde vai iniciar a carreira brilhante de um jovem estudante com o nome Antoine Agbepa Mumba, hoje conhecido por Koffi Olomide.

No mesmo ano, participa no festival internacional organizado em Kinshasa, em margem do combate dito do “Século” entre pugilistas americanos, Muhamad Ali e Geoges Foreman. Manuaku com o seu agrupamento musical, vai partilhar o palco com músicos como Célia Cruz, Johhny Pacheco, Carlos Santana, The Jackons Five, James Brown e B.B. King.

Em 1986, acolhe Jimmy Cliff em Kinshasa, onde o seu agrupamento vai acompanhar o astro jamaicano do Reggae, um disco vai sair deste encontro, com o título “Love-me”.

Em 1988, Manuaku Waku prossegue a sua carreira solo, instalando-se na cidade helvética de Lausanne, onde reside actualmente, acompanhando artistas como Manu Dibango, Papa Wemba, Ray Lema, Les Quatro, etc, participando em vários festivais na Europa e na América.

Há três anos, Manuaku viaja constantemente para Kinshasa onde criou uma escola privada que forma guitarristas.

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