Aos 49 anos, município do Negage continua a luta pela recuperação

Por José Bule e Valter Gomes

O município do Negage está em festa. Completa hoje 49 anos de existência. A localidade foi fundada em 1925 e pertencia ao Posto do Dimuca, Concelho de Ambaca. Tornou-se sede do Posto de “Ngage”, pertencendo ao Concelho de Ambaca, Distrito do Cuanza Norte, e, em 1955, passou para o Concelho do Bembe, no antigo Distrito do Uíge. Em 1956, foi criado o Concelho do Negage, elevado à categoria de Vila em 1958 e à categoria de Cidade a 26 de Junho de 1970 (na Portaria n.º 19 076 de 15/3/62 Boletim Oficial n.º 13/62).

Negage é considerada a cidade económica do Uíge. Localiza-se a 37 quilómetros da sede provincial. A sua população estima-se em mais de 159 mil habitantes, distribuídos pelas comunas de Quisseque e Dimuca, 27 regedorias e 82 aldeias.

Hoje, o Negage já não apresenta a mesma beleza do passado. A maioria dos principais edifícios necessita de obras de requalificação e as vias de acesso estão muito degradadas, o que dificulta as acções de escoamentos dos produtos cultivados na região, dos campos agrícolas para os grandes centros comerciais.
“A cidade precisa de requalificação, desde as suas ruas até vários edifícios públicos e privados. Temos energia de Capanda e água canalizada, mas a maioria da população não beneficia destes serviços, porque as redes de distribuição carecem de obras de reabilitação”, disse o administrador Carlos Mendes Samba.

A antiga captação de água já é insuficiente para atender a demanda da população e, por essa razão, a administração local realiza estudos para a construção de uma nova. “Enquanto decorre este processo, serão desenvolvidos trabalhos de manutenção e ampliação da actual captação”, afirma o administrador, que reconhece haver ainda muito por fazer no sector da Saúde, devido à insuficiência de postos, centros e técnicos de saúde. Quanto à energia proveniente de Capanda, o administrador Carlos Samba explicou que a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) está com dificuldades para expandir a rede ao interior dos bairros. A falta de Postos de Transformação de Energia (PTE) contribui para que muitos habitantes continuem sem luz eléctrica.

“Estamos a estabelecer contactos com o executivo central, no sentido de se encontrar uma solução imediata para a execução e concretização de alguns projectos, que visam o alargamento da rede sanitária do município”, disse.

Carlos Samba afirmou que o Negage produz de tudo um pouco; possui terras muito férteis para a prática agrícola e que, na região, a fazenda Girangola destaca-se no desenvolvimento da agricultura mecanizada. Esta produz grandes quantidades de alimentos e aposta na criação do gado bovino, ovino, caprino e suíno.
A administração está a cadastrar os produtores agrícolas, para se saber quantos são, como produzem, quais as dificuldades que enfrentam e quais as suas necessidades reais. O objectivo é facilitar, direccionar melhor os apoios e formar os agricultores da região.

“Queremos apostar na me-canização da produção agrí-cola, potenciar os camponeses associados com máquinas de lavoura e outros equipamentos, para que nos próximos mo-mentos possam produzir alimentos com maior qualidade”, sublinhou o administrador municipal.

Negage faz parte da Associação dos Criadores de Gado do Planalto de Camabatela. O maior matadouro da região funciona no interior da fazenda Girangola, onde são abatidas, diariamente, dezenas de cabeças de gado bovino.

Reabilitação do aeroporto

O administrador do Nega-ge, Carlos Samba, afirma que o aeroporto local tem uma grande história e importância no desenvolvimento do mu-nicípio. A província teve, no passado, uma das melhores escolas de aviação do país e das maiores pistas da região Norte de Angola.

É no aeroporto do Negage onde decorriam as feiras dos criadores de gado do Norte de Angola, da África do Sul e de outros países. Hoje, a infra-estrutura necessita de obras profundas de reabilitação, para que volte a contribuir no desenvolvimento do município, e facilite a mobilidade das populações locais.
O Pólo Industrial do Uíge localiza-se no Negage. No local, já funcionam as fábricas de tijolos, colchões e de água.

Oito médicos garantem assistência

O sector da Saúde necessita de pelo menos 130 médicos de diferentes especialidades, para assegurar o funcionamento das 28 unidades sanitárias em funcionamento no município. Actualmente, apenas oito médicos e menos de 200 enfermeiros asseguram as acções de assistência médica e medicamentosa dos mais de 159 mil habitantes da região.

“A insuficiência de médicos e enfermeiros provoca sérios constrangimentos no atendimento normal dos doentes”, afirma o director municipal da Saúde, Afausto Manuel Coxe. Acrescenta que a circunscrição necessita de mais de 400 enfermeiros especializados para melhorar o funcionamento dos postos de saúde construídos nas comunas, aldeias e regedorias.

“Por falta de enfermeiros, temos, neste momento, seis postos de saúde encerrados, porque grande parte dos técnicos que assegurava o funcionamento das unidades era contratada”, esclareceu.

Sem vedação

Construído há mais de 10 anos, numa extensão de mais de mil metros quadrados, o Hospital do Negage continua sem muros de vedação. Animais vadios, doentes e acompanhantes entram por onde acharem conveniente.

“Há alguns meses, internamos aqui uma criança que foi apanhada na lixeira pela Polícia. O menino, que aparentava ter dois meses, é filho de mãe demente. Quando os familiares do bebé se aperceberam, invadiram o perímetro hospitalar. Queriam levar a criança sem a devida autorização dos técnicos. Mas a segurança esteve atenta e não permitiu que a levassem”, contou o director administrativo.

Zacarias Gastão disse que a maioria dos familiares com doentes internados no hospital não respeitam os seguranças em serviço. “Entram e saem de qualquer maneira. Isso preocupa-nos bastante. Pedimos às entidades de direito que encontrem soluções rápidas para os problemas do nosso hospital”, apelou.

Por motivos desconhecidos, o hospital do Negage deixou de estar ligado à rede pública de águas. Diariamente, a instituição compra 25 mil litros para garantir o seu normal funcionamento. A unidade atende mais de 200 pacientes por dia e tem disponíveis os serviços de Ortopedia, Pediatria, Maternidade, banco de urgência para adultos e crianças, Psiquiatria, laboratórios de análises clínicas. A instituição tem lavandaria e uma morgue com capacidade para 12 corpos.

As ambulâncias disponíveis para evacuar os doentes em estado grave são seis e o hospital tem capacidade para 80 camas de internamento. Um total de 140 trabalhadores, sendo oito médicos, mais de 100 técnicos de enfermagem e de diagnóstico, além do pessoal administrativo e auxiliares de limpeza, assegura o funcionamento do hospital.

O director administrativo, Zacarias Gastão, afirma que a unidade de saúde necessita de mais de 40 enfermeiros, 10 médicos de várias especialidades e igual número de técnicos de diagnóstico. Malária, diarreias, febre tifóide e ferimentos por acidentes de viação são os casos mais frequentes.

Município precisa de 424 salas

Catorze mil e 224 crianças deixaram de estudar por falta de salas de aula e de professores. Sobre o assunto, o di-rector municipal da Educa+ção, Afonso Kianguila, disse ao Jornal de Angola que a maioria delas reside nas zonas de difícil acesso, principalmente nas localidades de Gozolo, Kimbanzi, Bula, Piri, Dimuca, Tuti, Panzo, Wemba, Zamba, Canhoca e na comuna do Quisseque.

Para resolver a situação, o município necessita de 424 novas salas e de pelo menos 296 professores. “A insuficiência de professores e de salas de aula preocupa-nos bastante, porque temos muitas crianças fora do sistema de ensino e aprendizagem”, lamentou.

Afonso Kianguila lembrou que, no último concurso público de ingresso, o Negage beneficiou de 69 professores, sendo 32 para o Ensino Primário, 12 para o Primeiro Ciclo e 25 para o Segundo Ciclo do Ensino Secundário.

A rede escolar do município é composta por 73 estabelecimentos de ensino, entre primárias, do primeiro e do segundo ciclos, e dois institutos técnicos profissionais (ADPP e o Instituto Médio Agrário do Negage).

No presente ano lectivo, estão a estudar, da iniciação à 13ª classe, 48.843 alunos, cuja formação é assegurada por um total de 1.604 professores. “Este número não corresponde à demanda de alunos matriculados”, disse o responsável.

Segundo Afonso Kianguila, no Negage, uma em-presa contratada pela Direcção Municipal da Educação distribui merendas aos alunos de várias escolas do Ensino Primário, enquanto a instituição que dirige assegura o fornecimento do material didáctico.

Via JA

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