Cláudia Luísa apaixonada pela mecânica vai atrás do sonho

Por Alfredo Dikwiza

Negage, 08/09 (Wizi-Kongo) – Cláudia Luísa, é uma jovem apaixonada pela profissão da mecânica desde criança e, aos 20 anos de idade, decidiu ir atrás do sonho, com a meta de um dia ser enginheira mecânica.

Neste sábado (07), no município de Negage, 37 quilómetros a nordeste da cidade do Uíge, local onde Cláudia Luís vive com os pais, em declarações exclusiva ao Wizi-Kongo, disse estar motivada a seguir a mecânica na oficina de “Lopes N’vungi” por ser uma profissão que tanto almejou fazer desde que era pequena, tendo acrescentado que quando pequena as dificuldades de vária ordem, principalmente, as financeiras a impediram estar ligada a essa profissão, apenas agora com 20 anos procurou fazê-lo.

Com seis meses já na oficina Lopes N’vungi, Cláudia Luís, já domina a área da saralharia com habilidades de “abrir roscas” e “soldar”, enquanto prossegue com a sua aprendizagem nas outras especialidades de mecânica, pintura, bate chapa e torneamento, cuja meta é um dia desenvolver os estudos podendo ser a nível da província do Uíge ou numa outra região de Angola, quiçá fora do país. Sustentou, a espiante a mecânica, “nunca antes fiz formação na mecânica, nem um curso básico porque a localidade onde vivo não ministram esses cursos, nem nos privados, muito menos nas instituições estatais, e para ir noutras partes do país aonde dão esses cursos, a possibilidade financeira não permite, porque sou de uma família muito pobre, ainda assim, sinto-me estar preparada em ir aprendendo essa profissão cá na oficina e nos próximos tempos, caso haja disponibilidade financeira, procurar aprofundar os conhecimentos nesta área”.

Para ela, o que vai aprendendo na final é bom, cuja seu dia-a-dia no local de aprendizagem é muito agradável, proferindo mesmo passar o dia na oficina aprender, do que estar em outro lugar, ou em casa onde vive, porque entende que estar em casa de braços cruzados não é a melhor opção. Não tenho, afirmou, problemas em estar em contacto com o óleo, peças, ferros e não só, por ser ferramentas indispensáveis no exercício da sua profissão, tendo sublihado que “estou aqui na oficina com o consentimento dos meus pais e a minha relação com eles é tão boa, porque os meus pais gostavam muito que eu seguisse essa profissão um dia, já que eu mostrava sempre interesse desde meninice nesta profissão”.

Cláudia Luís, explicou que apesar ser a única mulher aprender a professão no local, a sua relação com os demais colegas de profissão é salutar, facto que foi confirmado pelos seus colegas que se encontravam ao lado na medida em que Cláudia Luís falava ao Wizi-Kongo, em plena manhã de sábado (07), a semelhança de outros dias, encontrava-se equipada de botas, fato macaco e com toda ferramenta a seu merecer, despunibilizados pelo dono da oficina Lopes N’vungi.

Instada sobre ter ou não vergonha quando depara-se pintada de óleo com outras jovens, tonto do gênero feminino e masculino, sem rodeios respondeu ” deveriam eles ter vergonha de si mesmo e não de mim, antes pelo contrário eu é quem tenho vergonha deles quando percebo que muitos jovens passam tempo todo de suas vidas roubando, a beber, prostituir-se e tantas outras acções negativas”, mas, continuo, no fim de cada dia, “pego na água e faço a higiene e horas depois fico toda limpa sem nenhum problema”.

Para as outras mulheres sustentou, “peço” que procurem abster-se de acções menos aceitáveis no seio das comunidades como bebedeira, prostituição, gatunice e não só, e sim optarem em formação, independente, do ramo do saber, porque, observou a também estudante da nona (9) classe, é na formação que as famílias encontra a sustentabilidade e mérito para o futuro deles, em geral do país.

Presente no local, o dono da oficina que prometeu conseder uma entrevista noutra ocasião ao Wizi-Kongo, deu seu testemunho sobre Cláudia Luís a quem considerou ser um exemplo vivo para sociedade e, admitiu ser uma jovem educada, humilde e a cima de tudo focada no objectivo que é aprender cada vez mais a profissão. A oficina Lopes N’vungi, localizada nas medições entre o cruzamento das ruas que ligam a praça da Feira local e do centro da vila de Negage, existe desde 1998, tendo já formado várias gerações de jovens e muito deles encontram-se bem sucedidos na vida.

Entretanto, neste momento, funciona com cinco especialidades que são “saralharia”, “mecânica”, “pintura”, “bate chapa” e “torneamento”, cujos serviços são assegurados por 15 funcionários, um técnico sénior por cada área. Dificuldades ao ferro e sub-salentes para viaturas foram apontadas como sendo os meios que vão causando dificuldades no funcionamento da oficina.

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