Encantos naturais à espera para serem admirados

Por Valter Gomes

Uíge tem maravilhas de perder a conta. São variadíssimos os encantos naturais, que podem tornar a província numa potência no turismo nacional e internacional. Do grande leque de locais sobressaem as cachoeiras do rio Cawale, na comuna de Caiongo, município de Cangola, as Quedas de Caca Luidi, uma réplica em miniatura das Quedas de Calandula, além de variadíssimas grutas.

As Quedas do rio Cuílo, na comuna de Alfândega, em Sanza Pombo, as grutas de Cabala, as lagoas e nascentes do rio Lucala, que formam as quedas de Kalandula na província de Malanje, assim como a dos rios Ndange e Luquixi, localizados no município de Negaje, constituem outros dos muitos pontos turísticos do Uíge, uma circunscrição habitada fundamentalmente pelos Bakongo, Hungu e Ngola. O rio Lucala, que atravessa as províncias do Uíge, Malanje e CuanzaNorte, antes de ser o principal afluente do rio Kwanza, nasce na localidade do Kazanga, no município do Negage, a mesma aldeia que vê “germinar” o rio Ndange, que já na província do Bengo é tratado por Dande, antes de se lançar ao oceano Atlântico. Separa o território do Uíge com o Cuanza-Norte, assim como limita essa circunscrição com o Bengo.

GRUTAS DE NKOSI

Ainda em Ambuíla, estão adormecidas as imponentes Pedras de Nkosi, que se alojam em altas montanhas, que, de longe, se parecem com edifícios urbanos. Essas grutas possuem uma altitude e largura enorme com quartos em forma de apartamentos onde nem mesmo os pingos de chuva podem atingir. Animais, pássaros e morcegos habitam também nessas grutas. Ao cair da tarde, o sol bate sobre as pedras e cria um reflexo que dá prazer desfrutar a natureza local, como um verdadeiro encanto turístico adormecido no meio do deserto, conforme estimou o soba da aldeia de Kinzambi.

Manuel Casumo Domingos contou que as grutas parecem estar bem perto da estrada. Mas na verdade estão distanciadas e para lá chegar, só com auxílio dos mais velhos. “Na era colonial o local era também frequentado pelos portugueses, mas depois de longos anos de guerra, as grutas foram cobertas pelo matagal ”.

GRUTAS DAS MARAVILHAS

O município de Ambuíla é terra de turismo, mas este potencial está adormecido. Nesta região estão localizadas as famosas grutas do Nzenzo na regedoria do Bombo, que constam entre as sete maravilhas de Angola, a 17 quilómetros da vila. As grutas do Nzenzo são um encanto irresistível e adormecido.

Constituem um local de encher os olhos e arrepiar os cabelos. A pedra foi descoberta em tempos remotos. O local só pode ser visitado com a permissão das autoridades tradicionais. E é preciso cumprir um ritual para que “nenhum mal aconteça aos visitantes”. Quem desobedecer pode desaparecer para sempre, segundo conversa popular. “Nas grutas do Nzenzo tudo é possível até encontrar sereias a tomar banho ou ver cobras misteriosas”.

Nas cavernas cai água de um pequeno orifício localizado no tecto. Ninguém sabe dizer de onde vem aquela água, porque nenhum rio passa próximo da gruta. No período nocturno, animais como pacaças, burros do mato, javalis, veados, gazelas e cabras vão descansar na gruta.

O administrador municipal, Garcia Pedro Zó, disse que a gruta precisa de investimentos adequados para atrair turistas, desde a melhoria do acesso, construção de infraestruturas como resorts, lanchonetes, dormitórios e outros espaços de lazer. “Temos um campo aberto para investimentos. Por isso não nos cansamos de convidar os interessados a investirem neste sector. Um único senão evocado pelo administrador é o problema da estrada que precisa de ser melhorada para permitir a construção dos empreendimentos turísticos na área.

Lembrou que antes da pandemia o local já era frequentado por inúmeros visitantes provenientes de vários pontos do país. De recordar que a imagem da Gruta do Nzenzo já faz parte da nova família de notas de kwanzas, facto que alegra a população uigense.

Gomes Costa avançou que quem visitar a província do Uíge, não se vai arrepender, ao desfrutar da beleza da lagoa do Mufututo no município do Songo, onde a rainha dos bagres saúda os visitantes, não permitindo que o lixo se concentre na lagoa, cujas águas se encarregam de o drenar para outras paragens. O director interino do Turismo no Uíge, referiu que a maior dificuldade do sector do Turismo é a falta de investimentos nas áreas já identificadas, o que faz com que muitos turistas não desfrutem das potencialidades turísticas do Uíge.

Na verdade, a província tem condições e recursos para a formação de guias turísticos que podem mostrar as belezas da terra, com regularidade. Convidou a classe empresarial a investir no sector do turismo como meio de promoção do desenvolvimento da região e da economia do país. “O turismo na província é um sector adormecido. Por isso, consideramos prioritários os investimentos dos empresários e empreendedores”, concluiu.

PORTAL DO TURISMO

A província do Uíge vai, em breve, contar com um portal do Turismo, a ser lançado pelo gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos no Uíge. A ideia é facilitar a identificação e divulgação dos pontos turísticos da província, bem como incentivar os turistas nacionais e estrangeiros a desfrutarem da beleza e potencialidades adormecidas.

No portal, os turistas vão encontrar informações claras sobre a localização geográfica de cada ponto turístico, distâncias a percorrer, imagens ilustrativas sobre a realidade da região, os seus encantos e outros elementos informativos da região. Além do portal, localmente serão instalados postos fixos de informação para fornecer a informação adequada aos excursionistas.

O director interino do Gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos no Uíge, Gomes Costa, assegura que todas as condições para a abertura do portal do turismo estão criadas, aguarda-se apenas o levantamento das restrições ligadas à pandemia. “Temos toda a máquina preparada para a fase pós – Covid – 19.

O portal é convidativo. Aguardamos apenas a reabertura oficial das vias, para que possamos acolher os turistas interessados, a visitarem a região, bem como investir neste sector”, disse. “Queremos com esta iniciativa encontrar mecanismos que permitam aos turistas de várias latitudes visitar a província do Uíge e contemplarem as suas belezas naturais.

Com uma bacia hidrográfica composta por rios e lagoas ricos em peixe, nomeadamente o bagre, a província do Uíge possui uma série de quedas de água, entre cascatas e outros atractivos de grande importância turística.

Via Nkanda

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