Activistas do Uíge detonam-se e tudo chega na hasta pública

Imagem do arquivo, Wizi-Kongo

Por Alfredo Dikwiza

Uíge, 21/03 (Wizi-Kongo) – Destamparam-se as cubas, o tempo encarregou-se em revelar tudo. Entre os activistas, os três nomes mais sonantes nos últimos anos no Uíge, Jorge Kisseque, Leo Paxi Kenyatta e Libertador de Mentes Aprisionadas, mas um ainda está silêncio (Jorge Kisseque), dois detonam (Leo Kenyatta e Libertador Aprisionado) e tudo chegou, neste sábado e hoje, domingo, na hasta pública, por via da rede social faceboock, em virtude das manifestações do fim-de-semana.

Neste sábado (20/03), duas manifestações tinham sido agendadas. A primeira convocada por Libertador de Mentes Aprisionada, que exigia a asfaltagem das estradas de três municípios: “Buengas”, “Milunga” e “Bembe” e a outra convocada por Jorge Kisseque, com objectivo de exigir a exoneração dos administradores municipais. Aqui, começou o cerne da questão, segue a baixo os retractos dos protagonistas, segundo acompanhou o Wizi-Kongo, nos seus perfis.

Leo Kenyatta, o primeiro a entrar em acção no sábado a noite, começou por descrever: “As manifestações e as falsas detenções/Uíge”.

“Hoje estava marcada duas manifestações no mesmo local, hora e com o mesmo roteiro, uma visava exigir construções de estradas dos municípios dos Buengas, Milunga e Bembe, está foi convocada por activistas como Libertador De Mentes Aprisionadas e outros, a outra foi por Jorge Kisseque, manifestação essa que visava exigir a exoneração de todos administradores municipais, manifestação está que foi considerada boicote por activistas que outrora haviam convocado a manifestação das estradas dos municípios”, esclarece.

Ora bem, continua, todos estavam concentrados no local (Bombas do Candombe Velho, 10 horas) de um lado os que pediam a exoneração de todos administradores e por outro os que exigiam a construção de estradas dos municípios citados, este resolveram não a avançar para poder deixar o outro grupo. E disse, Leo Kenyatta, o município do Songo tinha também uma marcha e aí resolveu-se dar uma ajuda a aqueles manos corajosos, que acabou por começar mas sem o término porque foi impedida, desde já reconhecer os esforços dos bravos rapazes (nas imagens).

Quanto as detenções no Uíge: Explica, o activa no seu póster:

  1. As detenções foram simuladas pelos organizadores no caso, Kisseques , Nitos e resto, nem nos comandos tanto municipal da polícia como o provincial, eles não chegaram.
  2. Fizemos uma ronda nas mesmas unidades a fim de averiguar os factos, ficou patente que ninguém foi detido e por outro, no Uíge está em vigor de forma coersiva o uso da máscara facial que poderá vir a ser o motivo dos mesmo terem sido levados e por outro pode vir ser uma simulação arquitetada em conjunto com o Comando Provincial para poderem dizer que foram detidos por isso a marcha não teve sucesso, até porque a mesma não teve aderência.

“Dizer que, os mercenários ainda estão dentro do activismo e esses tudo fazem para poder ludibriar e confundir a opinião pública. Em kikongo se diz: “KANA KU YIDIDI, KIA KU KIA” traduzindo, ainda que vem a noite, vai chegar o dia. Que fique patente: NINGUÉM FOI DETIDO”, conclui, Leo Paxi Kenyatta.

Guimarães Domingos, simplesmente, Libertador de Mentes Aprisionadas, outro activista, remata: “AINDA SOBRE O ACTIVISMO NO UIGE

O QUE ACONTECE E O QUE ACONTECEU NO UIGE”

Diz: Pouco ou nada se sabe sobre os “Activistas” no Uíge, tudo porque existe, de facto, uma gestão interna de todos os acontecimentos. Foi precisamente nos meados do ano 2017 que se deu início as primeiras lutas de Ruas, depois de várias tentativas falhadas em que eu fui uma dessas pessoas que dera o início desta tão difícil tarefa. Depois daí, o facto ficou notório em toda Angola e não.

Um tempo depois, avança no seu póster, “recebemos outros jovens que queriam juntar-se connosco na luta e os recebemos e instruímos noções sobre a luta que desencadeávamos. Meses depois, um dos companheiro de luta (não vou citar o nome), recebeu umá solicitação de um Jovem que também pretendia fazer parte dos activistas no Uíge, este Jovem é o “ JORGE KISSEQUE”.

Apareceu o jovem Kissique e apareceram os problemas no activismo.

Apresentou-se no meio de nós e o recebemos sem sequer termos a noção quem realmente é e que traria no seio de nós. Reuníamos juntos. Demos instruções teóricas e práticas sobre o activismo, riscos e benefícios. Parecia um bom jovem que iriamos lutar juntos uma Angola melhor para todos, sublinha. Não passou muito tempo, demos conta que tinha relações com alguns membros do Governo Provincial do Uíge. Logo, ficamos em alerta com ele, esclarece.

Dias depois, continua, aparece com uma sugestão de uma Manifestação contra o Administrador do Uíge, nós recusamos a ideia, pois, julgávamos nós que ele foi um dos poucos que tentava fazer algo em prol do povo Uigense. Não tardava, vinha com a ideia de atacarmos o Vice – Governador Afonso Luviluco, nós recusamos, pois, ele não era o top das decisões no Uíge. Tinha conversas com Membros do Governo (MPLA), apareceu no meio de nós com propostas de Empregos (Quatro vagas para Inspecção Geral do Trabalho – IGT), vindos do Governo. Recusamos essa prática Corrupta, dissemos para ele dizer aos seus aliados afim de anunciarem um concurso público e não empregos para activistas.

Segundo ele, a prática continua… dias depois veio com propostas de casas na Centralidade do Kilumosso para os activistas. Nós negamos categoricamente receber casas em troca da nossa luta. Numa noite, a Equipa de Protecção e Planeamento Estratégico dos Activistas no Uige, flaga o Jorge Kisseque entrando no Palácio do Governo Provincial do Uige (em temos normais o governo não aceita nem aceitaria activista entrar no Palácio aquelas horas) e saiu com muitos materiais, fez-lhe um vídeo e chegou ao nosso conhecimento. Perguntamos para ele o que estava a fazer no Palácio do Governo no período de noite? Ele disse que ía buscar máquina de Limpeza, gasolina e outros materiais.

Como disse no seu póster, que, a “confiança toda por nossa parte havia sido retirada. Mas ninguém entre nós vinha ao público atacar o Jovem, sob pena de trazermos fraqueza no activismo. Chamamoss-lhe e demos conselhos, mas sem sucesso. Aparece, dias depois, anunciando que o seu Pai havia recebido uma casa na Centralidade do Kilumosso, esquecendo-se que aquando da sua apresentação no grupo, havia dito que o seu pai havia sido morto pelo MPLA faz tempo”.

OUTRA MAKA MAIS

A luta que desencadeava contra o Vice – Governador, foi perpetrado pela ala que lutava para o cargo do Vice – Governador e viam o Sr Luviluku como um empasse, depois o Luviluku sentiu-se caluniados e difamado e queixou-se contra o Jovem no Tribunal e desfecho foi a favor do Jovem (isso carece de uma investigação profunda), observa, Guimarães Domingos.

“Apresentou-se com sendo o chefe de activistas no Uíge e por meio destes, poderia se combater o Luviluku e facilitar corromper os activistas. Recebeu do Governo do MPLA, uma casa na Centralidade do Kilumosso, Bolsa de Estudo Interno, para além de outros valores que recebia mensalmente, para além da ajuda monetária que pediu na UNITA”, explica.

Prossegue, esse negócio terá sido o motivo dos 5 tiros dados nos seus membros inferiores, e não 7 como ele afirmava, pois, fui pessoalmente ver ele no hospital. Ficamos com actividades separadas, fazia cartas de Manifestações incluindo nossos nomes sem o nosso consentimento, mas nós nunca tínhamos ataques com ele no Público e nunca demonstramos o nosso descontentamento para não despertar o MPLA.

COMEÇOU O BOICOTE

Começou as manobras perigosas depois da sua confirmação de estar aliado com o Governo. Cada vez que anunciávamos uma Manifestação, ele também anunciava uma outra. Muita das vezes, recuávamos para evitar descoordenação. Em alguns casos ele também não realizava e ficávamos todos sem acção, diz, Mentes Aprisionadas.

“Anunciava-se uma Marcha nacional, mas ele no Uíge queria antecipar. Conversamos com ele, já em Agosto a sua atitude, mas sem sucesso. Dias depois foi baleado. Mostramo-nos solidários com ele, fizemos denúncias e fomos visitá-lo no Hospital. Para mim, os disparos sofridos devem ser esclarecidos profundamente por ele, pois, a história é estranha e a forma como as 5 balas perfuraram as pernas sem atingirem nos ossos é estranho”, disse.

“Sempre que houvesse uma manifestação, ele também convocava, que por último, a polícia proibiu-o de realizar uma manifestação considerando-o uma pessoa corrupta e sem direcção. A penúlma manifestação convocada por ele, em que alguns manos participarem, foi negociada com a polícia, quando voltou no local não deu satisfação aos manos e limitou-se em dizer: Manos a manifestação já não vai sair. Tudo indicava ter vendido a Manifestação”, avança.

O QUE ACONTECEU NO DIA 20 DE MARÇO

Um grupo de jovens dos Município de Buengas, Bembe e Milunga, residentes na cidade capital do Uíge, pretendiam realizar uma manifestação para exigirem asfaltos das vias de acesso. Abraçamos a causa e escrevemos carta para o GPU, demos entrada no dia 5 do mês em curso. Passados uns três ou quatro dias, tinha uma conversa com o Governador a porta fechada e fizeram fotos, onde proferiu palavras boas para o Sr Governador, sublinha.

“Daí anunciou uma outra para o mesmo dia, hora, local e trajecto. Falei com ele no telefone, disse-me que a dele se tratava de exoneração dos Administradores e que não iria recuar, sublinha. Depois ataquei-o no off via facebook, ele disse que a manifestação convocada por ele tinha como tema MPLA FORA, 45 É MUITO. Aquilo não cheirou bem”, conta.

O QUE ACONTECEU DEPOIS

Adianta, “o dia se aproximava e a polícia não se pronunciava a respeito das possíveis conversas antes duma manifestação, como tem sido hábito. No dia 19, um dos meus amigos disse-me que tinha que solicitar a Polícia se tinham conhecimento da Marcha. Liguei para o Sr Comandante Provincial da PN no Uíge, falei da Manifestação ele disse-me: Não fala mais desse assunto, pois os dois grupos que deram cartas de Manifestações já falamos e tudo está ultrapassado”.

“Fiquei admirado! Solicitei outros manos confirmaram que nenhum deles havia recebido chamada da PN. Falei com o Jorge Kisseque via telefone disse que acava de conversar com a PN daqueles tipos e a marcha poderia sair, pedindo que eu e outros manos juntássemos com ele e que já estavam em casa com a TURMA DO NITO ALVES. Aquilo não caiu bem para nós. No dia 20, ele e a turma do Nito, já estavam no local muito cedo. Fomos para lá, para a nossa surpresa não havia polícia para negociações, asseguramento nem repreensão”, admite.

“Pediram que se fossemos activistas de verdade tínhamos que nos juntar com eles. Simplesmente nos afastamos deles e não queríamos ter duas manifestações. A Turma do Nito e kisseque queriam uma conversazinha e pequenas acusações de divergência, eu disse sim e se o Jorge quisesse iria revelar tudo ele não disse nada. Saímos do local e fomos para o songo ajudar outros manos que se manifestavam naquele Município”, explica.

AGORA PERGUNTO:

“O que terá sido abordado com a Polícia para não assegurarem nem reprimirem a manifestação? Que conversa tinham com o Governador? Por que razão ele e a sua turma terão respondido numa carta que eles não foram subscritores? O que a Turma do Nito foi fazer na reunião no Comando da PN? Por que simularam detenções?, deixa, Guimarães Domingo, essas interrogações no ar!

Ouve sim algo anormal e Boicote a uma Manifestação tão importante para aqueles cidadãos que clamam por ajuda, finaliza, Guimarães Domingos Kanga – Libertador de Mentes Aprisionadas.

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