Município de MILUNGA com sede em SANTA CRUZ

Administração municipal de Milunga.

 

MILUNGA

LOCALIZÇÃO GEOGRÁFICA

O Município de Milunga com uma superfície de 7.733 km², está localizado à 235 quilómetros a nordeste da sede capital da província do Uíge. É limitado a norte pelo município do Quimbele, ao sul a província de Malanje, a Oeste pelos municípios do Sanza Pombo e Buengas e a Leste o rio Cuango (República Democrática do Congo).

Densidade populacional

Até 1970, a Circunscrição de Macocola, actual município de Milunga tinha uma população de 12.607 habitantes, distribuídos em 5 localidades (Santa Cruz, Macocola, Massau, Macolo e Quicua), 10 Regedorias e 43 Aldeias.

A Localidade de Santa cruz, Vila sede da Circunscrição possuía uma população estimada em 2.628 habitantes, agregados em duas (2) Regedorias e dez (10) Aldeias.

De acordo as estimativas oficiais do Gabinete Provincial de Planeamento INE/Uíge, em 1991 a população de Milunga cifrou-se em 63.954.

O último censo da população em Angola foi realizado em 2014, os resultados apurados apontaram para uma população total de 50.596 habitantes correspondendo 3,2 % da população da província, na sua maioria camponesa, distribuídos em 3 comunas e a Sede do Município: Santa Cruz, Macocola, Massau e Macolo; 16 regedorias e 218 aldeias. Dos 50.596 habitantes, 24.560 são do sexo masculino e 26.036 do sexo feminino.

Santa Cruz, a sede do município possui uma população de 14.824 habitantes, destes, 7.219 são do sexo masculino e 7.605 do sexo feminino.

HISTÓRIA

Origem do nome Santa Cruz.

Santa Cruz é a sede da ex- Circunscrição de Macocola, actual município de Milunga. Segundo o ancião José Muanza, o nome Santa Cruz foi aplicado pelos Portugueses a quando da sua chegada na localidade de Milunga, concretamente no espaço que hoje corresponde a sede do município.

Segundo (Ventura, 1981) Santa Cruz é um nome que assinala, quase sempre, a presença ou a passagem de um português numa determinada localidade:

Santa Cruz! Nome bonito para o gosto dos portugueses! Marcaram com ele as terras que foram berço da Grei e a esteira das caravelas, a toda a redondeza do mundo. A baptizar águas termais da ilha da Madeira, ou lindas cidades do Brasil, ou a sede dum concelho açoriano, ou uma pequena aldeia das Beiras, ou uma praia dos arredores de Torres Vedras, ou um pequeno povoado de S. Tomé, ou a vila mais moça de Angola – Santa Cruz é um nome que assinala, quase sempre, a presença ou a passagem de um português. Mas como os portugueses passaram por muitas e desvairadas regiões do globo, ao nome tantas vezes repetido foi necessária o acrescentar designações individualizantes, como quem ao nome do baptismo acrescenta o apelido de família. E assim foram surgindo, na geografia mundial, Santa Cruz das Flores, Santa Cruz da Graciosa, Santa Cruz do Sul, etc., etc.(…).

No entanto, foram os portugueses que baptizaram este nome à nova povoação por eles constituída naquela circunscrição territorial e para diferenciar das outras localidades com o mesmo nome, era acrescentado o apelido do no nome da circunscrição que era Macocola, chamando-se por muitas vezes de Santa Cruz de Macocola.

  • Origem do nome Milunga

A origem do nome do município de Milunga é apresentada em várias versões, incluíndo as fontes escritas e orais.

Durante as nossas pesquisas, consultamos dois documentos na Administração municipal de Milunga. Em relação ao primeiro documento, espelha que a origem do nome de Milunga acenta num acontecimento histórico, em que os chefes de diferentes grupos reuniram num morro para resolverem os seus conflitos. No final do encontro apelidaram o local de Mongo Milunga, que em portugues significa morro Milunga.

(…) O nome do município de Milunga tem origem num acontecimento histórico. Durante bastante tempo viveu-se no território hoje denominado Milunga uma época de confrontos entre vários grupos com identidades diferentes. Após anos de confrontação decidiram levar a cabo uma reunião de reconciliação com os chefes de todos os grupos. Essa reunião foi realizada num morro a cerca de três quilometros da actual sede municipal. No final da dessa reunião decidiram chamar ao morro Mongo Milunga. Foi a partir deste episódio histórico que o município adquiriu a sua denominação de Milunga.
A outra versão fala de pulseiras (Milunga) que os Chefes depositavam no morro sempre que sentavam aí para resolver os seus problemas. Foi nesta ordem que o morro ficou conhecido como Milunga.

“(…) Numa altura de muitos conflitos, os reis locais procuraram uma forma de os resolver e de restaurar a paz e harmonia, juntaram-se todos no alto de um murro que fica a poucos quilómetrros da actual sede do município. Traziam consigo pulseiras, chamadas “Mulunga ou Milunga”, que depositaram no alto do morro, onde se sentavam, conversavam e resolviam os seus desentendimentos. Foi um hábito que mantiveram durante muito tempo,(…)”.

Algumas fontes orais apresentam a versão de mercado, isto é, havia um mercado junto ao morro onde comercializavam Milunga (pulseiras) durante muito tempo, o local passou a chamar-se de Milunga.
Segundo as fontes orais, foi no morro que hoje é Milunga onde os Chefes de diferentes Kanda (Tribos) entre os Kianvu dos Baiacas,Bassucos e os Bassossos fizeram acordos de paz e como símbolo da reconciliação tiveram que enterrar Milunga, que significara a unidade entre os povos. A partir daquela data o local passou a chamar-se Milunga.

Ainda de acordo a tradição oral, os conflitos que existiam entre os chefes das tribos eram de terras, para exercerem os seus domínios. Os chefes que mais destacaram entre os Maiacas, Bassucos e Bassosos são os seguintes: Kianvu Suá-Cabeia e Kalumbo (Baiaca); Panzo Teka, Mateka Zikakala e Mabanda (Bassuco) e Mateka Mbunga (vindo do Wamba).

Porém, a segunda versão oficial da administração local e a das fontes orais consultadas, parecem as mais seguras, pois que elas apresentam elementos comuns, pese embora todas as fontes falarem de pulseiras e o morro.

No entanto, podemos concluir que o nome do município de Milunga tem a sua origem no Mongo Milunga, o ponto mais alto da vila de Santa Cruz, sede do município.

AS PRIMEIRAS POPULAÇÕES DA REGIÃO DE SANTA CRUZ E AS SUAS ORIGENS

Segundo (Felgas, 1958), a antiga Circunscrição de Macocola, actual município de Milunga é habitada predominantemente por três subgrupos etno-liguistíco: Bassosos ou Nsosso, Baiacas (Maiacas, Yakas ou Jagas) e os Mussucos ou Bassucos.

Já o Governo do Distrito do Uíge, alude quatro, acrescendo mais um dos já acima referenciados, isto é, Nsosso, Baiacas, Mussucos e os Pombos.

As fontes orais confirmam também a existências destes quatro subgrupos, pese embora algumas delas empregarem outras terminologias, associando-os as suas áreas de origem como é o caso dos Mussucos. Muitas das fontes orais consideram Mussucos de Lundas, por estes terem vindo da região Lunda. Encontramos ainda, embora em números reduzidos, os Mpunas ou Punas.

No entanto, são estes povos que constituíram o actual município de Milunga com maior impactos os Mussucos, Nsossos, e Baiacas.

Segundo as fontes orais, os Bassossos ou Nsossos são originários de Mbata, antiga província do Reino Kongo, que hoje corresponde à actual Município da Damba, concretamente na Comuna de Sosso, que foram marchando em direcção ao leste da província, passando pelo Sanza Pombo e Buengas.

Os Baiacas, estes vieram da outra margem do rio Cuango, território da actual República Democrática do Congo, dirigidos por um soba grande, o chamado Kianvu, titulo dos reis Baiacas, concentrando na região da Circunscrição do Cuango, actual município de Quimbele. Segundo o Major Hélio Felgas, então Governador do Distrito do Uíge no período entre 1956-1960, quando os europeus entram em contactos com os Baiacas “portugueses” como eram considerados, era o chefe deste grupo o Kianvu Burgi que viveu até 1915, tendo-lhe sucedido o Kianvu Suá-Cabeia que era o soba grande da região do rio Mbamba ou Bamba, zona limítrofe entre Quimbele e Milunga. Quando o rei Suá-Cabeia se apercebeu da presença portuguesa (Capitão Lemos), resolveu fugir para o Congo Belga, actual RDC. Para não haver vazio na hierarquia Baiaca, os portugueses convidaram o Kianvu Kalumbo para exercer o cargo da chefia Yaca, tornando assim no terceiro rei deste grupo, nos anos 1917. O Kianvu Kalumbo faleceu em 1952, sucedendo-lhe pelo Kianvu Suá-Cabeia, neste caso seria o Suá-Cabeia II, que desconhecemos a data da sua morte. Os Baiacas ocuparam a outra margem do rio Cunhu e nas zonas fronteiriças entre Macocola e Quimbele, embora em números reduzidos.

Os Mussucos são originários da região de Nsuku Ngudi Nkama, situada entre os rios Kuango e Loremo, no Município do Cuango, província da Lunda Norte. Segundo o Centro de Estudos Angolanos (1965),
Este grupo ocupa quase todo território de Massau e aproximadamente dois terços na comuna de Macolo. Ainda encontramos os Bassucos na Vila de Santa Cruz e no território da comuna de Macocola.

Segundo as fontes orais locais, o primeiro chefe dos Bassucos que se instalaram no actual município de Milunga foi o Mateka Zikakala, que era o proprietário das terras que hoje compreendem as comunas de Macolo, Vila de Santa Cruz até o rio Cunhu e uma parte de Macocola, depois o seu filho Mateka Panzo ocupou a área de Massau. Mais tarde Mateka Zikakala cedeu uma parte das suas terras ao Mabanda, em troca, teve que sacrificar duas vidas humanas, como sinal de agradecimento (sobre Mateka Zikakala, PAnzo Teka e Mabanda, são dados que ainda carecem de investigação profunda). “”Deixamos em aberto este ponto e aguardamos as vossas contribuições””

Os Pombos e os Punas são de origem do Sanza Pombo no geral e alguns no território do Wamba e Cassamba.

A vila de Santa Cruz, sede do Município é maioritariamente habitada pelos Bassucos, Bassossos e Baiacas, estes últimos em números reduzidos.

A língua dos povos de Santa Milunga Santa Cruz

A população de Milunga em geral e Santa Cruz em particular comunicaram-se na sua maioria na língua Kicongo, diferenciando-se apenas pelo sotaque e alguns termos, tendo em conta a origem de cada falante. O sotaque ou pronúncia não influenciam na comunicação entre os povos. Seja os falantes das variantes Kissuco (Mussucos), Kissosso (Nsossos), Kiyaka(Baiacas) ou Kipombo (Pombo) todos entendem-se normalmente sem grandes dificuldades, levando em consideração o tempo que estes povos coabitam. A língua portuguesa é falada como segunda opção no seio das populações. Este quadro só é invertido no pessoal da administração do Estado com destaque os da função pública e os do Sistema Ensino e Aprendizagem.

RESUMO DE ALGUMAS DATAS IMPORTANTES

 26 de Novembro de 1917, foi criado o Posto Militar de Macocola.

 14 de Dezembro de 1921, o Posto Militar de Macocola passa para a categoria de Posto Civil.
 30 de Outubro de 1925, transferiu-se a Sede de Macocola para Quimata e no mesmo ano mudou para Morro do Zundo.

 19 de Fevereiro de 1955, foi criada a Circunscrição de Macocola, deixando de ser Posto civil do Sanza Pombo e passa a ser Circunscrição administrativa, com sede em Macocola, compreendendo os seguintes Postos civis: Posto Sede, Uamba e o Posto do Macolo.

 25 de Julho de 1956, cria a Povoação de Santa Cruz e a sede da Circunscrição de Macocola é transferida para Santa cruz.

 27 de Julho de 1960, nova reestruturação no Distrito. A Circunscrição de Macocola sofreu as seguintes mudanças:
– O Posto de Uamba passa a pertencer o Concelho do Pombo e criou-se dois (2) novos Postos administrativos de Massau e da Povoação de Macocola. Sendo assim, a Circunscrição de Macocola passou a ser constituída por Postos Sede, Macolo, Macocola e Massau.

 15 de Março de 1962, foi atribuído o Escudo de Armas com a Categoria de Povoação.

 

Fonte: Facebook/Milunga Santa Cruz

Contactos: 912 419102

Email: almeidapindi@hotmail.com

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