O QUE SIGNIFICA AS 3 PALMAS NA CULTURA BAKONGO?

Entre os Bakongo têm o costume de bater palmas antes e depois de tomar a palavra.

Trata-se de um acto profundamente simbólico, presente em óbitos, casamentos, encontros familiares e em todas as cerimónias tradicionais.

Esse gesto chama-se MAKONZO, também conhecido como LUKOFI, expresso em Kikongo pelas formas ” BULA MAKONZO” ou “VANA LUKOFI”.

O Makonzo nasce de um princípio central da cultura Bakongo: O RESPEITO. Na visão tradicional, ninguém tem o direito de falar sem pedir licença à comunidade. A palavra não é propriedade individual; ela pertence ao colectivo e carrega um peso moral, social e espiritual. Bater palmas para pedir o silêncio:

“SIMA KWA MBUTA MUKONZO”. Ou “SIMA KWA MBUTA MU LUKOFI”,

Bater palmas antes de falar significa pedir permissão, reconhecer a autoridade do espaço comunitário e demonstrar apreço por quem vai escutar. Esse respeito estende-se a todos, incluindo as mulheres. Na cultura Bakongo, a palavra feminina sempre teve valor nos assuntos da comunidade, sendo reconhecida como portadora de equilíbrio, sensatez e continuidade social: “NDOLO KU FULU TUA YUVULA BANKETO”

Quando as palmas são batidas no final da fala, o gesto assume outro sentido: o agradecimento. É a forma de reconhecer a atenção recebida e de honrar o tempo e a escuta da comunidade. Bater Palmas quando acabar de falar:

” MAKONZO MU TONDA BA TU BENA BAKUWIDI”.

Por essa razão, o Makonzo não deve ser confundido com aplauso. O aplauso, chamado “BULA MOKO”, serve para elogiar alguém ou demonstrar admiração. O MAKONZO, ao contrário, é ética da palavra, não exaltação.

Na cerimónia tradicional Bakongo, as três palmas ocupam um lugar central. Elas expressam, numa sequência simbólica, o respeito que legitima a fala.

1- A primeira palma corresponde ao pedido de licença aos presentes “LOMBA NDINGA OVO LOMBA M’VOVO”

2- A segunda refere-se à solicitação do direito à palavra.

3- A terceira confirma que a pessoa está autorizada a falar.

Em termos simples: peço licença, concedam-me a palavra, estou autorizado a falar. Sem esse ritual, não existe fala legítima no espaço tradicional.

Após as três palmas, não se fala de qualquer maneira. As primeiras palavras devem ser sempre um provérbio, conhecido em Kikongo como INGANA.

O provérbio não é um ornamento retórico; ele é a raiz da fala. Na cultura Bakongo, os provérbios condensam a experiência da vida, a memória colectiva e a sabedoria ancestral. São expressões metafóricas que orientam o comportamento, sustentam argumentos, corrigem excessos e ajudam a alcançar consenso. Embora estejam presentes no quotidiano, o seu uso mais profundo ocorre em momentos sérios, quando a palavra exige responsabilidade.

Por essa razão, não existe cerimónia tradicional Bakongo seja festiva ou fúnebre sem Makonzo e sem Ingana. Ambos caminham juntos. A palavra que não nasce do respeito e da sabedoria é considerada vazia e perigosa.

Antes de iniciar qualquer cerimónia, o mestre de cerimónias ou o chefe tradicional anuncia “NVUTULA MAKONZO MA”, abrindo oficialmente o espaço da palavra, seguido das três palmas. É assim que se honra os antepassados, se pede licença aos vivos e se estabelece um compromisso com a verdade e a integridade.

Em cada batida há uma reverência. Em cada provérbio, uma lição. Em cada palavra, a alma da comunidade Bakongo.

MAKONZO kama solanga Muntu ko Mbuta, nleke, nketo ovo nfumu) feti bula lukofi va ndonga bonso baka ndinga.

Fonte: Oficina Cultural Kongo

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