Os LAçOS ENTRE A PROVÍNCIA DO KWILU MA RDC E OS KONGO

I. Um clã real kôngo com o nome de « Kwilu » de 1568 a 1636

Entre 1568 e 1636, a casa real Kwilu governou o Kongo dya Ntotila (Reino do Congo). O nome deste clã real tem uma ligação directa com a província do Kwilu da actual RDC (Bandundu), visto que a influência territorial do Kongo dya Ntotila estendia-se, no seu auge, até à região do Kwango-Kwilu.

Citação: « A casa de Coulo (Kwilu) era provavelmente a kanda de Álvaro I, uma vez que a tradição reza que ele nasceu no pequeno distrito do Kwilu (ao norte de São Salvador). » Fonte: Elite Women in the Kingdom of Kongo: Historical Perspectives on Women’s Political Power, John K. Thornton. The Journal of African History, Vol. 47, No. 3 (2006), página 449.

II. Algumas populações do Kwilu têm parentesco com os Kongo

De facto, um número considerável de povos que vivem na periferia dos territórios que constituíram o Kintotila kya Kongo possuem um parentesco directo com os Kongo. Existem três (3) povos, em particular, que se encontram na província do Kwilu e que têm um parentesco próximo com os Kongo:

  • 1/ Os Mbuun/Bambunda: Os Mbuun ou Bambunda acreditam em Nzeem-a-mpong (Deus supremo), semelhante a Nzambi a Mpungu. São também matrilneares como os Kongo.

  • 2/ Os Tsamba: « Se o clã Lukeni funda o parentesco entre os Bakongo e os Batsamba, por um lado, e entre os Batsamba e os Basuku, por outro, é particularmente interessante assinalar aqui um laço de parentesco entre os Bambunda e os Bakongo […] ».

    • Os clãs Ambuun (Bambunda) segundo a sua literatura oral, por J. M. de DECKER, S. J. Página 49.

  • 3/ Os Suku: No tempo do Kintotila kya Kongo, na sua extensão máxima, os Suku habitavam o distrito de Suku, que era um território Kongo na periferia do Kongo dya Ntotila. O território de Suku situava-se a leste da província de Mbata. O chefe dos Suku (Mwene Suku) chama-se Meni Kongo ou Mini Kongo. O seu título é uma homenagem directa ao soberano Kongo, o Mani/Mwene Kongo (Rei do Congo). O chefe dos Suku era um vassalo do Rei do Congo, o que significa que reconhecia o poder supremo de Mbanza Kongo, devido à sua força política e ao laço de parentesco que liga os Suku e os Kongo.

III. Os antigos territórios kongo do Kwango-Kwilu: Suku, Kundi, Songo, Lula e Okango

Como visto anteriormente, o território de Suku é um antigo território kongo à margem do Kongo dya Ntotila. Os Suku, Tsamba, Pende e Mpindi habitavam o distrito de Suku.

Entre os outros territórios kongo ligados ao Kongo dya Ntotila, encontra-se o distrito de Songo, que faz referência aos Basongo, povo presente na província do Kwilu. O distrito de Kundi era habitado pelos Humbu/Bahumbu, uma população Kongo autóctone de Kinshasa, também presente no território de Kasangulu (Kongo Central) até ao Kwango (Kenge) e Kwilu (Bagata).

Igualmente, o distrito de Lula refere-se aos Lula, um subgrupo étnico Kongo presente no leste do Kongo Central (Madimba e Kimvula) e na província do Kwango (Popokabaka). Por fim, temos o distrito de Okango, também chamado Kongo dia Okango. O próprio nome de Kwango, topónimo de uma província actual, seria derivado de Okango.

Fonte: Notes sur L’Origine du Royaume de Kongo, J. Vansina, The Journal of African History. Vol. 4, No. 1 (1963), página 37.

Assim, é incorrecto limitar os territórios do Kintotila kya Kongo apenas à região de Mpumbu (Kinshasa) e do Kongo Central. No que diz respeito à RDC, o espaço cultural Kongo vai de Kinshasa, passando pelo Kongo Central, até ao Kwango-Kwilu.

IV. A aproximação da ABAKO aos naturais do Kwango-Kwilu nos anos 50

Conscientes desta proximidade cultural com as populações do Kwango-Kwilu, os líderes da ABAKO, nos anos 1950, tentaram aproximar-se e alargar a organização às estruturas que representavam os naturais (ressortissants) do Kwango-Kwilu.

« A Abako utilizou, desde o primeiro manifesto de 1950, o termo “Bakongo” no sentido lato e confirmou esta opção incluindo personalidades do Kwango e do Kwilu no seu comité central. Apesar desta abertura, o papel desempenhado pelos representantes do Kwango e do Kwilu permaneceu puramente nominal […] » Fonte: L’ABAKO et l’indépendance du Congo belge, Benoît Verhaegen, páginas 169-170.

Conclusão

Em suma, é fundamental que, enquanto Kongo, tenhamos uma visão global do que o Congo representa em termos de identidade e extensão geográfica, que não seja determinada pelas fronteiras administrativas definidas pelas autoridades coloniais e pós-coloniais.

Reduzir o Congo apenas às suas seis províncias principais (Mpemba Kasi, Nsundi, Soyo, Mpangu, Mbata e Mbamba) é um erro. O Kintotila kya Kongo estava estruturado em torno destas províncias centrais, mas estendia-se muito além, com numerosos distritos (kimbuku) afiliados que reconheciam a influência do Manikongo.

Foi por isso que os líderes da ABAKO agiram bem ao desejar estender a identidade Kongo aos povos do Kwango-Kwilu, com os quais partilhamos não apenas uma afinidade cultural e linguística, mas com os quais vivíamos no seio do Kongo dya Ntotila antes do seu declínio e da colonização.

Escrito por MukongoWaNkento.

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