DOM PEDRO V E DESMANTELAMENTO DO REINO DO KONGO

DOM PEDRO V “NLELO”. O Rei que assinou, por ignorância, o desmantelamento do KONGO.

Por John Marcum

Desmantelamento do Reino do Kongo

Os missionários protestantes entraram em cena na mesma altura em que os portugueses estabeleceram a sua presença permanente no Reino do Kongo.

Em 1878, o Rev. George Grenfell, enviado da Sociedade Missionária Batista, foi recebido pelo Rei Dom Pedro V em San Salvador, conhecida em Kikongo como “Ngunga Dia Kongo”, que era, no entanto, apenas uma pequena cidade de cerca de 200 e casas com uma população entre 1.500 e 2.000 pessoas.

A convite do rei, os missionários decidiram estabelecer uma estação missionária e por volta do ano de 1887 formaram uma igreja BMS completa.

Durante o mesmo período, o governo português utilizou a Igreja Católica como meio de garantir a sua autoridade secular na região do Congo.

Em 1884, por exemplo, um padre católico, padre Antonio José Manuel Barroso, convenceu o rei analfabeto Dom Pedro V a assinar uma nota que ele, o rei, acreditava ser uma expressão de gratidão pela doação de uma cadeira em ouro que veio do rei de Portugal. Pelo contrário, foi uma nova declaração de lealdade que apresentou ao Rei de Portugal.

Dom Luís, foi o pioneiro que foi efectivamente utilizado para as reivindicações dos direitos portugueses à superfície, ou terras do reino do Kongo

Nas décadas seguintes, a igreja protestante começou lentamente a se espalhar a partir dos centros, São Salvador, Kibokolo e Bembe. No entanto, as autoridades portuguesas prosseguiram ainda a sua agenda de preservação da instituição da realeza do Kongo, que usaram como um mecanismo de controlo político útil, pressionando o rei Dom Pedro V, e os chefes consuetudinários e agentes de recrutamento a reunir o Congo para irem fazer trabalhos forçados nas plantações de cana-de-açucar de Cabinda, São Tomé e Príncipe.

Com efeito, o rei Dom Pedro V, que, sem o saber, renunciou à liberdade do seu reino do Kongo pertencente a Kivuzi, e os seus sucessores seguiriam a sua iniciação e o seu rítmo.

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    “Mbemba Ngangu” foi um soba e herói local que mobilizou o seu povo e as aldeias vizinhas para a resistência contra a ocupação colonial portuguesa. A sua luta teve grande apoio das populações ribeirinhas do rio Lucunga, uma zona estratégica do antigo território.

    Mbemba Ngangu é um nome em Kikongo, um cognome dado pelo próprio povo em reconhecimento à sua liderança. Etimologicamente, significa: Mbemba (“Águia”) e Ngangu (“Visionário” ou “Astuto”). A águia representa a visão ampla do campo de batalha e a rapidez no ataque, enquanto Ngangu reflete a sua inteligência tática e capacidade de antever os movimentos do inimigo.

    Natural da região de Mbamba — território que hoje corresponde ao município do Bembe —, Mbemba Ngangu terá vivido entre os séculos XVI e XVII, período em que o Reino do Kongo enfrentava as primeiras incursões portuguesas no interior. A província de Mbamba era a mais militarizada do Reino do Kongo, responsável pela defesa sul.

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    OS BASUNDI: POVO DO KONGO CENTRAL E HERDEIROS DE UMA ANTIGA PROVÍNCIA DO REINO DO KONGO

    Por Kalunga Bisimbi 

    Hoje, gostaria de vos falar sobre um povo cuja história está diretamente ligada à organização política do antigo Reino do Kongo: os Basundi, por vezes chamados Ba-Nsundi.

    Origens e Importância Política

    O seu nome provém de Nsundi, uma antiga e importante província do Reino do Kongo. Esta província existia muito antes da colonização europeia e fazia parte da estrutura política do reino. Nessa organização, o território era dividido em várias províncias dirigidas por governadores ou representantes da autoridade real.

    A província de Nsundi ocupava um lugar estratégico. As fontes históricas explicam que era frequentemente governada por um membro da família real. Em certos casos, o governador de Nsundi podia até desempenhar um papel crucial na sucessão ao trono do Reino do Kongo. Isto demonstra que esta província estava longe de ser uma simples região periférica: fazia parte do coração político do reino.

    Geografia e Arqueologia

    A capital desta antiga província chamava-se Mbanza Nsundi. Situava-se no espaço que corresponde hoje à província do Kongo Central, na República Democrática do Congo, nomeadamente na zona próxima do rio Inkisi.

    Investigações arqueológicas realizadas nesta região permitiram encontrar vestígios de antigos centros políticos e túmulos pertencentes às elites locais, o que confirma a importância histórica desta província.

    Identidade e Território Atual

    Com o tempo e as transformações políticas do território, o nome Nsundi continuou vivo através das populações chamadas Basundi. Ainda hoje, várias comunidades do Kongo Central se reconhecem nesta identidade histórica. Encontramos os Basundi principalmente nos seguintes territórios:

    • Lukula e Tshela
    • Luozi e Songololo
    • Mbanza-Ngungu e Seke-Banza

    Em algumas zonas administrativas, o nome desta antiga província permaneceu presente na organização territorial, como, por exemplo, o setor Tsundi-Sud no território de Lukula.

    Cultura, Língua e Sociedade

    Como muitos povos Bakongo, os Basundi pertencem à grande família cultural Kongo. A língua mais difundida continua a ser o Kikongo, com várias variantes locais. Esta língua não é apenas um meio de comunicação, mas também um veículo fundamental de transmissão de tradições e da memória coletiva.

    A sociedade tradicional Basundi baseia-se num sistema matrilinear:

    1. Sucessão: O parentesco e os direitos passam pela linhagem materna.
    2. Clã (Mvila): Desempenha um papel essencial na organização de alianças e casamentos.
    3. Autoridade: Os chefes tradicionais e os anciãos são os guardiões da tradição e da palavra.

    “A nossa história não começa com a colonização. Ela existia muito antes. E a história dos Basundi faz plenamente parte dela.”

     

    História do Kongo

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