O SIGNIFICADO DOS NOMES DOS BAKONGO

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Por Kalunga Bisimbi — Pesquisadora independente

Entre os Akongo, o ser humano é composto por cinco elementos: o corpo (nitu), o sangue (menga), a alma (lunzi), o mfumu kutu (uma espécie de segunda alma), e finalmente o nome (nkumbu).

É esse nome que dá à pessoa toda a sua personalidade e a torna um “homem completo”. Por isso, o nome dado a uma criança Kongo sempre carrega um significado profundo.

Alguns nomes vêm do que se observa no momento do nascimento. Por exemplo, se um menino nasce com a mão sobre a cabeça, ele é chamado frequentemente de “MUKOKO”. Se uma menina espirra logo após nascer, recebe o nome “NSONA”. E se nasce de pés primeiro, é chamada ” SUNDA”.

Outros nomes estão ligados a características particulares da criança ou a eventos ocorridos no dia do nascimento. É o caso de “MABUAKA” ou “MABUEKI”, dados a uma criança de pele mais clara ou diferente das demais.

Há também nomes relacionados aos cuidados ou remédios usados durante uma gravidez difícil: LEMBA, NKENGE, WUMBA. E alguns nomes refletem as dificuldades ou emoções vividas pelos pais: LUZOLO (AMOR), MPASI (SOFRIMENTO), MPIAKA (MALDIÇÃO).

Existem nomes especiais para gêmeos, de acordo com a ordem de nascimento: “BANZUZI e BANSIMBA” para os primeiros gêmeos, “MILANDU” para o filho que nasce depois deles, “BIKOYI E MINKALA” para os gêmeos seguintes, e “MALANDA” para o que vêm depois. Essa lógica segue uma tradição familiar bem definida.

Certos nomes são exclusivos para meninos, como Massamba (aquele que abre o caminho), NGANGA (SÁBIO, INICIADO), e outros apenas para meninas, como LUTAYA, MPOLO, NDUNDU, NSANGA, NZUMBA.

Infelizmente, hoje algumas práticas têm alterado essa tradição. Dá-se nomes de gêmeos a crianças que não o são, nomes masculinos a meninas e vice-versa. Isso gera confusão e faz perder o sentido original dos nomes.

Com a colonização e a predominância do francês e português, muitos nomes foram modificados, perdendo sua estrutura e significado. As consoantes duplas como Mb, Mf, Mp, Nd, Ng, Nk, Ns, Nt, Nz muitas vezes perderam suas letras iniciais M e N. Por exemplo: MBEMBA virou BEMBA, NGANGA virou GANGA, MPOLO virou POLO, NDALA virou DALA, NZOBADILA virou ZOBADILA.

Essas mudanças não são neutras: alteram profundamente o sentido dos nomes na língua Kikongo. Por exemplo, MBEMBA (ÁGUIA) vira BEMBA (TOCAR), e NGANGA vira GANGA, que não significa nada nessa língua.

Alguns foram ainda mais longe, europeizando os nomes: NGOMA virou GOMES.

Outros ainda mudaram seus nomes por questões administrativas ou para evitar confusões. Outros adotaram nomes europeus ou apelidos ligados ao trabalho ou ao status.

Antes da colonização e do cristianismo, os NE KONGO também usavam prenomes KONGO ligados aos nomes de família com pequenas partículas como ba, bia, dia, kia, lua, ma, mia. Essas partículas davam um sentido preciso à filiação. Por exemplo: LEMBA DIA NKOMBO (LEMBA, FILHA DE NKOMBO), BABOTÉ BA NKOMBO, KIMBEMBE KIA MASSAMBA.

Os AKONGO também tinham nomes compostos como BUETA-MBONGO, KASA-VUBU, SAMBA-NDONGO, NGOMA-ZEMBO, que carregavam forte significado cultural.

Hoje, essa riqueza está em perigo. Os nomes são deformados, as estruturas desaparecem, e a língua Kongo se enfraquece cada vez mais.

Nas conservatórias não aceitam os nossos nomes, obrigam ter nome em português, escrevem mal nossos nomes. Nesse tipo de instituição teriam pessoas que Dominam a cultura dos dos nomes KONGO.

Cabe aos próprios AKONGO proteger esse patrimônio, retornar às origens e transmitir esse saber às novas gerações. Pois, através dos nomes, passa-se de uma geração a outra uma visão de mundo, uma identidade e uma memória.

KINKULU KYETU KE TU VILAKANI KO

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