O Reino do Congo, fundado por volta do século XIV, foi um dos maiores Estados da África Central. No seu auge, abrangia um vasto território, incluindo o actual Congo Central, parte de Mai-Ndombe, grande parte de Kwango e Kwilu, bem como o norte de Angola e o sul do Congo-Brazzaville.
Os povos que vivem hoje nestas províncias da RDC são, portanto, descendentes diretos do Reino do Congo.
Os portugueses entraram em contacto com o Reino do Congo logo em 1482. Durante quase dois séculos, as relações foram diplomáticas, comerciais e religiosas. Os reis do Congo adotaram o cristianismo, mantendo as suas estruturas políticas e culturais.
Mas, muito rapidamente, o tráfico de escravos, imposto e intensificado pelos portugueses a partir de Luanda, provocou profundas tensões e desorganização na sociedade congolesa. No século XVII, o Reino do Congo tentou recuperar o controlo do seu território e do seu povo, sobretudo face à interferência portuguesa e dos seus aliados locais, incluindo grupos armados recrutados como mercenários (Yaka, Suku, etc.) que se deslocavam entre Angola, as actuais regiões de Kwango, Kwilu e zonas limítrofes.
⚔️ A Batalha de Ambuila (Mbwila) – 29 de outubro de 1665
A Batalha de Ambuila marcou um ponto de viragem decisivo. Colocou o exército do Reino do Congo, liderado pelo Rei António I Mvita ya Nkanga, contra as forças portuguesas vindas de Angola, apoiadas por mercenários africanos e equipadas com armas de fogo e artilharia. Mal preparado para um confronto puramente militar e ainda na esperança de uma solução diplomática, o Congo sofreu uma derrota esmagadora. O Rei António I foi morto e decapitado, juntamente com grande parte da nobreza e da administração do reino. Esta derrota levou ao colapso da autoridade central.
⚔️ 🔥 Consequências para os territórios da atual RDC. Após Ambuila, o reino do Congo fragmentou-se em várias entidades rivais.
Esta longa guerra civil provocou:
• Migrações maciças do povo Congo para o interior
• O estabelecimento de grupos Congo nas regiões hoje conhecidas por Kwango e Kwilu
• A recomposição política e étnica destas áreas, misturando o Congo, Yaka, Suku, Mbala e outros povos
• O enfraquecimento duradouro da soberania do Congo face às potências europeias
Kwango, Kwilu e o atual Congo Central tornaram-se, assim, terras de refúgio, mas também espaços de resistência cultural onde o património Congo se perpetua através da língua, dos costumes, das estruturas tradicionais e da memória coletiva. A Batalha de Ambuila não é meramente um acontecimento angolano ou colonial:
👉 diz diretamente respeito à história da RDC, particularmente à do Congo Central, Kwango e Kwilu, que são extensões vivas do Reino do Congo.
Compreender esta história significa compreender quem somos, de onde viemos e porque é que o nosso povo partilha uma memória comum marcada pela resistência, pela deslocação e pela sobrevivência.
📌 Bandundu na beto, Kongo na beto — a nossa história merece ser contada e transmitida

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