Director da Cultura quer maior participação no FestiKongo

Por Víctor Mayala | Mbanza Kongo

A valorização da cidade de Mbanza Kongo, como Património Mundial da Humanidade, é um trabalho que requer a participação de todos os habitantes da “antiga capital dos reis”, em particular agora que se avizinha o FestiKongo, como defendeu, hoje, o director do Gabinete Provincial da Cultura do Zaire.

Biluka Nsakala Nsenga disse que apenas com o contributo de todos, em particular dos habitantes da cidade, o património e a riqueza cultural de Mbanza Kongo vão poder ser mais protegidos e difundidos pelo Mundo.

O director da Cultura acredita que é com pequenos gestos, como a participação dos habitantes nas campanhas de limpeza, que se pode atrair mais turistas e com isso garantir que o património local seja melhor conhecido.

O FestiKongo, adiantou, é realizado de 5 a 8 de Julho, e vai servir para mostrar o potencial da capital do Zaire, não só em termos culturais, mas também turísticos. A “festa”, que acontece em celebração ao 8 de Julho, data da sua elevação a Património Mundial pela Unesco, está já na sua última fase, faltando acertar algumas questões financeiras.

Neste momento, disse, decorrem os trabalhos de requalificação de alguns locais históricos da cidade, como o Museu dos Reis do Kongo, o Kulumbimbi (a primeira Igreja Católica na África Subequatorial) e o Cemitério dos Reis. Além disso, também estão a ser concluídos os trabalhos de construção de lancis e a instalação de novos postos de iluminação.

O programa de actividades, adiantou, inclui a realização de várias actividades, que contam com a participação de especialistas da República Democrática do Congo (RDC), Congo Brazzaville e Gabão.

No dia 1 de Julho, explicou, é realizado o “Lembo”, um ritual tradicional feito à noite, que vai servir para homenagear algumas das heroínas mais conhecidas do Kongo, como Ndona Mpolo (mãe do primeiro rei do Kongo, Nvemba-a-Nzinga, baptizado pelos portugueses como D. Afonso I). Ndona Mpolo, esclareceu, é uma referência local, assim como a profetiza Kimpa Vita, queimada viva com o filho ao colo, pelos missionários portugueses, por reivindicar o fim da escravatura. O referido ritual, disse, é testemunhado por autoridades tradicionais. “Convidámos algumas das províncias do Uíge, Bengo e Cabinda, assim como da RDC, Congo Brazzaville e Gabão.”

Um dos pontos altos das actividades programadas para o festival é a realização, no Largo António Agostinho Neto, do “Show Kongo”, onde vão actuar músicos nacionais e estrangeiros. O programa inclui ainda a realização de três feiras, uma do Livro, outra do Disco e uma de Artes. Além destas, está ainda prevista a realização de uma Feira de Gastronomia, assim como um desfile de moda, com o objectivo de mostrar ao mundo a riqueza e a beleza dos trajes do Kongo.
Durante a realização do festival, contou, acontece também um seminário sobre “Mbanza Kongo -turismo, cultura, artes e negócios, para um desenvolvimento multicultural”. No final, disse Biluka Nsenga, “espera-se com o festival internacional uma maior difusão das realidades sócioculturais, económicas e histórica do Zaire.”

Angola e Gabão

A secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, conversou com o conselheiro da Embaixada do Gabão, Wilfrid Ndunjdi Mundungue, aspectos relacionados com a participação do seu país na primeira edição do Festival Internacional do Kongo (FestiKongo’2019).

A realização regular do FestiKongo é uma das exigências da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a par de outras que estão a ser executadas pelo Executivo angolano, no quadro da inclusão de Mbanza Kongo na lista do Património Mundial.

Maria da Piedade de Jesus afirmou, à Angop, que Angola pretende ainda que haja uma participação directa e activa dos vizinhos Congo Brazzaville, Gabão e Congo Democrático, por ser uma actividade que tem como particularidade a promoção e a valorização da cultura dos quatro países.
Por sua vez, o diplomata gabonês, que confirmou a sua presença no festival, informou que o Gabão vai trazer o seu melhor em termos de produção cultural.

Congo Democrático

O Ministério da Cultura e a representação diplomática da RDC analisaram também aspectos relacionados com a realização do FestiKongo, noticiou a Angop. Durante um encontro com a secretária de Estado da Cultura, o primeiro conselheiro da Embaixada da RDC em Angola, Ngalusay Mfidi Thomas, recebeu informações sobre a realização do festival, que junta a cultura de quatro países.

O diplomata considerou “uma grande recompensa” a classificação de Mbanza Kongo e confirmou a presença do seu país no festival.
O ministério está igualmente apostado em transformar Mbanza Kongo em produto turístico cultural, promovendo, para o efeito, uma mega campanha de valorização da cidade.

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    OS BASUNDI: POVO DO KONGO CENTRAL E HERDEIROS DE UMA ANTIGA PROVÍNCIA DO REINO DO KONGO

    Por Kalunga Bisimbi 

    Hoje, gostaria de vos falar sobre um povo cuja história está diretamente ligada à organização política do antigo Reino do Kongo: os Basundi, por vezes chamados Ba-Nsundi.

    Origens e Importância Política

    O seu nome provém de Nsundi, uma antiga e importante província do Reino do Kongo. Esta província existia muito antes da colonização europeia e fazia parte da estrutura política do reino. Nessa organização, o território era dividido em várias províncias dirigidas por governadores ou representantes da autoridade real.

    A província de Nsundi ocupava um lugar estratégico. As fontes históricas explicam que era frequentemente governada por um membro da família real. Em certos casos, o governador de Nsundi podia até desempenhar um papel crucial na sucessão ao trono do Reino do Kongo. Isto demonstra que esta província estava longe de ser uma simples região periférica: fazia parte do coração político do reino.

    Geografia e Arqueologia

    A capital desta antiga província chamava-se Mbanza Nsundi. Situava-se no espaço que corresponde hoje à província do Kongo Central, na República Democrática do Congo, nomeadamente na zona próxima do rio Inkisi.

    Investigações arqueológicas realizadas nesta região permitiram encontrar vestígios de antigos centros políticos e túmulos pertencentes às elites locais, o que confirma a importância histórica desta província.

    Identidade e Território Atual

    Com o tempo e as transformações políticas do território, o nome Nsundi continuou vivo através das populações chamadas Basundi. Ainda hoje, várias comunidades do Kongo Central se reconhecem nesta identidade histórica. Encontramos os Basundi principalmente nos seguintes territórios:

    • Lukula e Tshela
    • Luozi e Songololo
    • Mbanza-Ngungu e Seke-Banza

    Em algumas zonas administrativas, o nome desta antiga província permaneceu presente na organização territorial, como, por exemplo, o setor Tsundi-Sud no território de Lukula.

    Cultura, Língua e Sociedade

    Como muitos povos Bakongo, os Basundi pertencem à grande família cultural Kongo. A língua mais difundida continua a ser o Kikongo, com várias variantes locais. Esta língua não é apenas um meio de comunicação, mas também um veículo fundamental de transmissão de tradições e da memória coletiva.

    A sociedade tradicional Basundi baseia-se num sistema matrilinear:

    1. Sucessão: O parentesco e os direitos passam pela linhagem materna.
    2. Clã (Mvila): Desempenha um papel essencial na organização de alianças e casamentos.
    3. Autoridade: Os chefes tradicionais e os anciãos são os guardiões da tradição e da palavra.

    “A nossa história não começa com a colonização. Ela existia muito antes. E a história dos Basundi faz plenamente parte dela.”

     

    OS DIALECTOS KONGO DO GRANDE BANDUNDU

    No espaço do Grand Bandundu, mais dialectos pertencentes à grande família do Kikongo.

    Parmi eux, nous retrouvons:

    Kiyaka (Giyaga)
    Kisuku
    Kin’vungani (Kivungani / Kihungani)
    Kingongo
    Kinsongo
    Kiwolo (Kivolo / Kiholo)
    Kipendé
    Kilonzo
    Kiwumbu
    Kinsamba (Kitsamba)

    Estes dialectos constituem uma importante riqueza linguística da nossa região.

    Observe

    Le Kiyansi, le Kiteke, le Kitende, le Kisakata, le Kimbunda, le Gimbala, le Kipindi, le Gipende, le Kikwese, etc., são consideradas como as línguas modernas derivadas do Kikongo.

    Ao longo do tempo, estas línguas estão sujeitas a influências e misturas com outras línguas que dizem que:

    Lomongo
    Lonkundo
    Kiluba
    Kilunda

    … e muito bem.

    Nos langues évoluent, se transforment, s’adaptent…
    Mais elles gardent toutes une racine commune et une valeur inestimável.
    Preservar os nossos dialectos, c’est preservar a nossa identidade

    Fonte: Bandundu na beto

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