Exortação sobre Sexta-Feira Sangrenta

Voce é um N’kongo, filho desta terra legada pelos nossos antepassados. Se podemos considerar esta Angola, um país de Cabinda a Cunene, é porque nele estão inseridas todas as etnias do país incluindo os akongo sejam eles de Cabinda, do Soyo, do Uíge, Mbanza Kongo e outros, mas se essa realidade deixar de ser considerada, Angola deixa de ser aquilo que é, portanto vamos todos refletir…

Quermos que as autoridades, outros irmãos angolanos saibam que Angola é um mosaíco de tribos ou mesmo junção de tribos, nós temos a nossa terra, espaço-terra tal como outras tribos Kimbundo, Ovimbundos e outros têm também. Por isso não nos sentimos estrangeiros nesta Luanda, que a constituição do país estabelece como capital do mesmo. Não temos culpa que tenha sido escolhido uma cidade situada no espaço kimbundo. Bem podia ser Sumbe ou outra cidade, não deixaria de ser habitada por todas as etnias de Angola por ser capital, é preciso que esta ideia de ser natural de Luanda é ser angolano de primeira ou saber falar kimbundo seja categoria de mais angolanos que os outros. Que essa ideia saia da cabeça.

Mas se isso não acontecer, queremos apenas lembrar que os sentimentos que estão a criar, fará-nos aquilo BEN GURION preconizou para criação hoje o estado de Israel, consultem a historia, que ela é feita por homens, nós os bakongo já tinhamos o nosso estado, não precisamos de fundá-lo de novo, porque ele já existiu.

Nós não somos zairenses, o nome do Zaire provém do rio Zaire que Diogo Cão escreveu ao não conseguir pronunciar o nome Nzadi (consultam a história do Kongo). Não somos propriedade do Sr. Mobutu nem do Savimbi nem de ninguém, não somos. Temos a nossa história e cultura, e nunca cederemos à sua destruição por quem quer que seja: kinfwa-nfwa, mpinga-mpinga, vo ka mu ntekelo ko, mu muana. Portanto não nos sentimos estrangeiros, temos o nosso espaço terrestre dento do território angolano.

Que se saiba apartir de hoje que somos bakongo, filhos do Rei Nzinga-a-Nkuvu, do Kongo dia Ntotela, nem assassinatos, nem violações públicas farão nos recuar perante a nossa dignidade de africanos e de angolanos. É horrivel morrer porque és mukongo, afinal quem é o nativo que não pode viver na capital do seu país? Qual é o crime de ser bakongo? Ninguêm pode dizer que este petróleo de Angola que tanto se vangloria sai da terra dos kikongos, alguma vêz já pedimos uma contrapartida? Ou metemos isto em cheque, quem nos mata afinal? E porque nos matam afinal? Não somo seres humanos?

Exigimos uma tomada de posição clara, inequívoca sem subterfúgios nem aldrabices por parte das autoridades estatais, religiosas e partidos políticos. Será que devemos continuar a ver impacientemente os nossos irmãos a morrer só por não saber falar o português? Afinal entre o kikongo e português, qual é a lingua nacional? Entre Paulo Dias de Novais e Nimi a Lukeni quem é angolano? Qual é o crime de usar o pano afinal? Em África só os “retornados do Zaire” que usam panos? No Togo, Nigéria, Zámbia, Camarões, Congo, Zaire e mesmo Moçambique alguma vêz já se matou alguém por usar pano? Quando nós todos estamos cansados que na altura do Carnaval de Vitória, festa tradicional angolana, se dança com panos nos desfiles, porque não se faz com calças e “collants”que é cultura dos outros? ( é africano isto?) Afinal quem é contra o pano? Vamos refletir…

Quando um francês do sul fala mal a sua língua natal alguma vêz é marginalizado por causa disso, ou quando o português do norte fala do binho em vêz do vinho, alguma vêz lhe mataram em Lisboa? E porque este sacrilégio, porque temos que ser nós os sacrificados, por sermos fracos? Menos fanatizáveis? Os que gostam da Bíblia? Nós não somos nacionalistas? Durante a luta contra a colonização, não houve kikongos nas fileiras do MPLA? A lista é longa dos heroís kikongos, mas vamos apenas lembra os comandantes Benedito, Bula, Emílio Mbidi, Ndonda e outros…na chamada segunda guerra de libertação, ninguém se lembra dos comandantes, Mawete hoje embaixador e Monimambu, afinal a nossa participação foi nula, e os comamdantes Fumu, Teca e outros foram brincar nas Fapla’s? Eram também retornados? Engolimos!

E agora falando de “retornados”, quem é que durante a opressão não foi ao Brazil, Portugal, Zâmbia, Zaire, Congo e mesmo Argelia a procura do sossego? Afinal quem é o retornado, será também a próxima categoria de crianças inocentes que fugiram ainda este mês no Soyo para o Zaire, assim como nas Lundas para o mesmo destino?  E por que é que todos nós não somos conotados com os regimes  dos países onde fomos procurar asilo, quando todos nós sabemos que o Dr Mário Soares, Presidente de Portugal, é amigo pessoal do Savimbi e é ele que lhe abre as portas do ocidente, algum português em Angola sofre represálias na praia ou na ponta final (ilha de Luanda)? Ou algum angolano retornado de Portugal lhe mandaram parar no táxi para lhe obrigar falar kimbundo como teste de salvação da vida. Isto é ódio e ultrapassa a justificação de “povo ou ira da população”, afinal que população, aquela mesma em que estámos inseridos e que alguns deles guardaram-nos da sexta feira sagrenta, protegeram-nos dos polícias malucos? NÃO, PURA MENTIRA, nenhuma vítima esquece o seu agressor, a título de exemplo, vimos a viatura da polícia “Nissan Patrol” a falar com altifalantes na praça da Asa Branca dizendo: VAMOS ACABAR COM RETORNADOS.

Não é por acaso, não são as populações os autores desta horripilante crimes têm a sua inspiraçâo na imprensa democrática, o educador popular que nunca soube desde 1976, distinguir quem é mukongo e quem é zairense, porque como consequência alguns dos mortos (Nsimba António… por exemplo) não conhecem onde fica a fronteira com Zaire, nasceram em Angola, lhes mataram em Angola, afinal eram retortarnos da onde? Mas o Vice-Ministro da Comunicação Social (Hendrick Vaal Neto) que controla tudo isto, deixa de ser “RETRO”, só porque não é do Uíge, não esteve no Zaire até na FNLA e depois nos EUA? Isto é perigoso. Será a vendetta contra os bakongos? Nós não podemos continuar a chorar sempre, nos agridem todos os dias, não há dia santo que um regressado não apanha chapada no mercado do Roque Santeiro ou que lhe recebam o dinheiro nas praças dos Kwanzas ou dos congoleses. Reflitam! 

Porque é que os polícias que vão fazer patrulha nos bairros da Mabor e do Palanca saem com bolsos cheios. Nós não temos jornal que nos acuda nem dirigentes que desminta e ensina aos nossos compatriotas de que não somos estrangeiros, só nas vésperas das eleições para ganharem votos, depois o esquecimento é total, nem mesmo aqueles que vivemos juntos em Brazzaville, na Ponta Negra, hoje não nos consideram como compatriotas, preferem os Simons, os Nobertos de Castro que mesmo exibindo dupla nacionalidade arroga-se na televisão  o direito de participar no Parlamento para decidir sobre Angola, porque? Será o medo? Ou a conivência e cumplicidade destes crimes, quem é que aceitaria uma mulher morta com uma faca na vagina, onde estão os direitos humanos, só porque meteu pano. Acreditam infelizmente além dos acidentes  impossíveis no nosso país, já há assassinatos imcompressíveis. Um retornado cortado a catanada só porque entendeu ir vender as suas coisas no Roque, onde está o civismo? A ordem pública? Quando a própria polícia em pleno mercado dos congoleses fuzila uma jovem de 20 anos, porque na teste para a salvação da vida, carregou o “r”  ao falar arroz, são coisas do nosso século afinal e em plena capital e fuzilada pelo agente da ordem pública, não é mentira, tal como também na Igreja Batista de Neves Bendinha queimaram as nossas Bíblias. Que raiva é essa? Porque apedrejar os crentes na Igreja da Samba, quando todos nós ouvimos os comprimissos do governo assumidos durante a visita do Papa João Paulo II e querem comprovar? Vão a Neves Bendinha e verão que o terreno da Igreja foi dividido por pessoas que fizeram as casa com as mesmas chapas da Igreja, e isso acontece perante o silêncio do governo.

Porque conotar-nos com Mobutu ou Savimbi? Alguêm de nós já viveu a custa desses senhores? E por falar nisso, desses dirigentes sob custa do governo, quantos  retornados estão aí? Exibam-os na televisão, os senhores Adão da Silva, Norberto, Fátima Roque, são retornados? Ou são Kikongos? Ninguém conhece as suas etnias? Quando é que vão pagar a pertença destes a UNITA? Vamos refletir…

Porque então essa raiva, o voto? Será que nas províncias do Uíge, Zaire e Cabinda, o Sr, Savimbi venceu as eleiçes ou a UNITA ganhou? Mas quem nos acusa de ter votado na UNITA, desde quando é crime para aqueles que o fizeram. Hoje em pleno Jornal  de Angola, nos acusam de vir em Luanda de chinelos e hoje temos casa e vídeos, o mesmo jornal permanece calado quanto à origem dos vários Nissan Patrol, Seat Toledos, VW Passat, Mercedes e casas reparadas com a moeda estrangeira e por empresas estrangeiras, afinal de quem é esse apartamento na cidade do Porto, onde vive durante as férias a ex-Vice Ministro da Educação, também é retornada? A imprensa angolana já disse alguma vêz ao povo angolano o castigo que o Monty, que de seu palmarés, consta a queimadura de um paiol inteiro de armamento das FAPLAS, aquando do avanço sul africano, mas que depois subiu ao Ministro de petróleos que sai da terra dos bakongos, robou o dinheiro, foi à França e declarou que estava cansado de trabalhar com os burros angolanos, toda a imprensa angolana estava ao corrente, mas que no seu reaparecimento em Luanda, tem estado a modificar a sua mensão junto na DNEFA, nas barbas do Jornal de Angola, também é retornado? Hoje é membro do Partido (diz-se). Vamos refletir…

Somos Bakongo, nos obrigam a considerarmo-nos como tal porque não vemos outros crimes. Se é facto de ser, o porque não invadir a embaixada zairense que fica bem localizada na Vila Alice, em vêz de procurá-los na praça que certamente não os encontrarão, senão confundí-los com os bakongos (?), 40 mortos não é o saldo dos massacres da sexta-feira sangrenta nem três feridos, nós conhecemos as vítimas, porque a maioria são nossas mães, tias e irmãs; o luto é de todos bakongos, se não, reparem nas caras tristes dos bakongos…não vale apena chorar, a democracia virá um dia e teremos outros jornalistas. não os Kukas e Kokas cujas as biografias não nos interessam de citar. Ninguém desconhece o autor psicológico destes crimes, o educador popular. Que cada um reflita sobre as anedoctas caricaturas aparecidas no Jornal de Angola, jornal de todos angolanos de Cabinda ao Cunene mas que insulta e alveja sempre os bakongos perante o silêncio do estado angolano… Ai se nos pudesse nos emprestar um Nelson Mandela! Em casa, no seu trabalho, na rua, na Igreja, na praia, e em tudo quanto é canto sobre o próximo massacre, estaremos vivos? Já que a polícia é aquipada como polícias modernas no planeta, e sem a UNITA na capital, revelou-se incapaz e ainda por cima ajudou matar, não é coincidência nem crimes dos lúmpenos como se pretende atribuir, como é que se compreende a coordenação dos crimes na mesma hora, no mesmo dia, coincidindo milagrosamente com o cerco dos bairros  Palanca, Petrangol e Mabor até Rocha Pinto onde vimos polícias de transito armados de AKM, vamos refeletir…

Nós temos a nossa terra e as nossas cidades. Cabinda, Lândana, Soyo, Mbanza Kongo, Kimbele, Sanza-Pombo, Zombo, Damba, Bembe, Negage, Cangola e outras são terras bakongos e nessas nunca fomos considerados estrangeiros. Apenas queremos interrogar-nos e que nos expliquem se o petróleo que sai de Cabinda e do Soyo, não é terra dos bakongo? Como nós podemos ser vítima desse petróleo das armas compradas com o dinheiro deste petróleo? Nós ouvimos os tais ditos defesa civil falar: vamos correr com todos zairenses, vamos dizimar todos “retrós”. Todo o mundo sabe que em Luanda não há distinção entre entre as duas categorias  zairenses e bakongo de Angola), apesar os segundos terem também sidos vítimas dos primeiros, quando do asilo na Zaire e no Congo. Vamos aonde? Nós estaremos de acordo evacuar Luanda, mas o governo da unidade nacional que cumpra com as seguintes condições:

1° – A saída de todos bakongo nas FAA, porque nenhum estrangeiro morre na terra alheia e em nenhum país do mundo é admitido nas suas forças armadas.

2° – Disponibilizar meios de transporte, aviões, e camiões, barcos a serem alugados com o dinheiro do nosso petróleo e do nosso café para regressarmos às nossas provincias da origem.

3° – O registo daqueles que não quiserem voltar às províncias, com cartões de estrangeiro residentes, com processo da DNEFA para ganharem também em devisas como outros que não podemos citar aqui.

Nós não queremos brincar com as almas nos nossos entes queridos. Temos a religião e cultura. Por isso qualquer mukongo angolano onde se encontra, lembre-se da SEXTA FEIRRA SANGRENTA COMO DIA DA REFLEXÃO, mais um massacre acaba de acontecer no país, começou a tão desejada exterminação bakongo devido a rigidez da nossa cultura e tradição. Eles nos consideram “RETRÓS”, os massacres em Malange, no Lubango (Bairro Mitcha) e no Kuito (Hotel Girão) onde as vítimas foram confundidas propositadamente com a UNITA. compreende-se, a zona cinzenta da guerra. Mas no dia 22 de Janeiro de 1993, não se justifica porque há muito tempo o governo controla a ordem pública na cidade-capital. Que cada um tira as suas conclusões

Quem é que nos quer exterminar? Nós incomodamos quem? Não durmam irmãos! Somos “Por enquanto angolanos”, falem e expliquem aos outros compatriotas essa realidade, os alunos com os seus colegas, professores com alunos, médicos com os doentes, militares, funcionários, jornalistas, comerciantes, políticos, entidades eclesiasticas, etc… Todos expliquem os crimes que acabam de se cometer, de forma evitar (se é que se pode evitar a balkanização de Angola como a jugoslávia, URSS, Tchecoslováquia e talvêz dentro de pouco tempo a Etiopia e o Sudão, este tratamento de estrangeiros que nos dão no nosso próprio país, que não aceita a diversidade de culturas, levam certos radicais bakongos  a pensar numa guerrilha para formar o nosso estado, porque a UNITA não é unica que sabe disparar, podemos  vir a coroar o nosso rei, porque o herdeiro do trono bakongo ainda existe e conhecêmo-lo, lembrem-se  que ainda temos a cópia da carta enviada pelo Papa Eduardo Pinnock ( não o famoso Johnny E. Pinnock, o filho ), ao Departamento do Estado dos EUA, no dia 20 de Maio de 1956, assinado pelo Barros Nekaka e outros – isso não nos conota com a UPA – ainda temos também o manisfesto do movimento de reagrupamentos das populações congoleses do Fulberto Youlou e mesmo os alicerces do Congo Português que se juntou justa ou injustamente à Angola em 1884, como vêem, temos onde começar porque a história não vai nos perdoar  essa fraqueza, o Estado do Congo já existiu e pode a vir a sê-lo se o caracter unitário de angola continuar a ser propriedade daqueles que pensam ser OS SUBSTITUTOS NATURAIS DOS COLONOS PORTUGUESES e pensarem ser os dominadores comuns da unidade nacional.

  • Que se pare com os massacres, que se eduque a população no sentido da unidade nacional, substituir os editorais fofoqueiros, notas de abertura zongolas para cimentar a unidade de tribos angolanos atravêz da imprensa que falsifica os factos impunentes, confundindo factos sociais com posicionamento político, jornalistas medrosos e mentirosos, inimigos da verdade, aldrabões do nosso povo.
  • Que se diga ou se educa tal franja da população, quem é zairense, quem é retornado, mas não só, quem é santomense, indiano, cabo-verdeano,  e que somos obrigados a viver juntos, sem xenofobia, mas vigilância quanto ao destino das riquezas de Angola.
  • Que se eduque a população falando-lhes a verdade, quem leva dinheiro do petróleo para comprar apertamento fora do país nas cidades mais caras do mundo, e quem quer desenrascar com o seu suor a vida para construir a sua casa, quando nós todos soubemos que  os mesmos senhores impediam qualquer negro construir uma casa definitiva com blocos a não ser casas de madeira. Nós não podemos tolerar isto. Foi com o nosso esforço que o governo começou que o negro igual tivesse terreno para construir uma casa em Luanda. Quem é que não se lembra das inúmeras demolições? Dexiam-nos a oportunidade de falar porque não somos políticos. Por isso não esperámos nenhuma vantagem particular dessa nossa tomada de posição, apenas a compreenção daqueles angolanos por quem nós mesmo como refugiados no estrangeiro, mesmo como guerrilheiros nas matas da primeira região ou do leste lutamos e rogamos a Deus para que protegesse porque estavam na boca do leão salazista e do Marcelo Caetano
  • Quem é que rouba o dinheiro não lhe fazem nada mas hospeda-se nos hotéis mais caros do mundo, nós conhecemos, não são retornados, muito menos bakongo. Esses, alguns deles são portugueses lá e angolanos aqui.
  • É preciso ser universitário para entender que existe angolanos que passam fronteiras dos aeroportos europeus  e internacionais  nas portas reservadas aos paises da CEE ( hoje União Europeia)? São retornados? São bakongo ?
  • Não esperámos nada da imprensa, ela tem que progredir, ser uma imprensa responsável, com  provisão da sociedade que vai (in) formando e os seus resultados futuros.. Somos contra a filtragem da informação submetida ao nosso povo, por isso nos confundem com os estrangeiros. Os jornalistas da informação nacionais não conseguiram reportar o massacre até que um estrangeiro da BBC, Jorge Araújo, conseguiu falar a verdade, os nacionais bico calado, preferem carros de luxo, sacrificando as mães que lhes trouxeram neste mundo. Não faz mal… a independência virá um dia. Essa é a esperança dos bakongo e de todo povo angolano. Vamos reclamar nossos direitos porque temos cumprido os nossos deveres.
  • Se o problema é Zaire, porque não se queixa na ONU? O que faz a força aérea para bombardear as bases do Kitona, Kinkuzu, Muanda ou mesmo Gbadolite, porque os procuram nos mercados do Roque Santeiro, dos congoleses, dos Kwanzas, do Kilamba Kiaxi? Já viram americanos nessas zonas a treinar militar da UNITA?  Será que a base zairense de Kamina fica no Rocha Pinto? Porque distrair a nossa população quando soubemos que a missão da polícia era de guardar bem a estação de tratamento de Kifangondo! Até quando esse mentira informativa.
  • Cada angolano deve procurar esforçar -se para ganhar a sua vida. O nosso pais é rico em recursos natuarais a pobreza no nosso pais não é um acaso, o dinheiro não vai para os “Retrós”. Quantos morram no Alvalade, Miramar ou no bairro Azul e têm estado reparar as suas casa com a Soares da Costa? Neste país alguma vêz já se nomeou um governador do Banco mukongo? (Isto é não falar de retornado). O Kumbu não vai nos bolsos dos bakongo. Já se perguntou quanto ganha um oporário da Sores Costa ou Teixeira Duarte? E um médico angolano seja ele retornado ou não? É ali onde se deve procurar o Kumbú. Nós não precisamos de Soares da Costa para nos construir casas na Mabor, mas soubemos quanto é que eles ganham aldrabando o povo angolano, não procurem vídeos na casa dos retornados, nós sofremos como o resto de angolanos os efeitos da guerra, a falta da água não faz sentir só no Palanca, pelo contrário! Outrossim, contetor da Elisal que nunca se lembram meter muito menos na Mabor.

Na nossa impressa esquece-se a reportagem quando chega um avião de Lisboa ou de Paris  com inúmeras malas cheias de roupas mas que procura retornados e retornadas para as vender no Roque Santeiro e em seguida dividir o dinheiro. Desde que entrou muita coopera na nossa imprensa a coisa ficou muita feia. Não somos nós, nós não podemos morrer por nosso silêncio.

Afinal quem nos engana, nós todos retornados ou não? Quem nos manda matarmo-nos? Quando o problema de direitos humanos em Angola já faz movimenter a Comissão das Nações Unidas, quem beneficia isto? Não continuaremos calados. Não se justifica hoje de casas de pau a pique nos muceques de Luanda quando por tudo é um canto de Luanda, vemos viaturas cujo o preço equivale a uma csasa de três quartos. Afinal que é aldrbão? É o mukongo? Quem condena o povo à miséria? Conhecem un regressado comprar uma vivenda no Alvalade ou no Miramar? Já viram nome de alguém na lista dos que vão comprar as tais fábricas , industrias, farmácias, etc, que se vendem? Afinal qual é a razão dessa raiva?

Peça a Deus para que nos abençoa e que Angola não se divida, nem com armas se poderá evitar o que hoje se pretende fazer com palavras.  As armas nada resolve contra a razão e nós temo-la. Apenas lamentamos que os nossos compatriotas, negros como não, não tenha descoberto ainda quem são os verdadeiros ricassos desse país enquanto continuam nos matar dando-nos argumentos para a nossa futura definição.

Vamos refletir, Bakongo defendam-se, povo angolano, proteja a sua uinidade, defendo-se de todos e de tudo. Todas as partes que forma o todo. Todas as etnias que formaram Angola.

Associação dos Bakongo de Angola

Luanda, as 26 de Janeiro de 1993

 

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    MBEMBA NGANGU: O HERÓI DO BEMBE QUE SALVOU UÍGE

    Por Filho do Kivuzi (Vamba)

    “Mbemba Ngangu” foi um soba e herói local que mobilizou o seu povo e as aldeias vizinhas para a resistência contra a ocupação colonial portuguesa. A sua luta teve grande apoio das populações ribeirinhas do rio Lucunga, uma zona estratégica do antigo território.

    Mbemba Ngangu é um nome em Kikongo, um cognome dado pelo próprio povo em reconhecimento à sua liderança. Etimologicamente, significa: Mbemba (“Águia”) e Ngangu (“Visionário” ou “Astuto”). A águia representa a visão ampla do campo de batalha e a rapidez no ataque, enquanto Ngangu reflete a sua inteligência tática e capacidade de antever os movimentos do inimigo.

    Natural da região de Mbamba — território que hoje corresponde ao município do Bembe —, Mbemba Ngangu terá vivido entre os séculos XVI e XVII, período em que o Reino do Kongo enfrentava as primeiras incursões portuguesas no interior. A província de Mbamba era a mais militarizada do Reino do Kongo, responsável pela defesa sul.

    Para perpetuar a sua memória, o herói foi homenageado na cidade do Uíge com um busto e com o topónimo de um bairro: o Bairro Mbemba Ngangu. Morreu em combate, defendendo as terras do seu povo, tornando-se um símbolo eterno da resistência Kongo.

    5 de MARçO de 1965

    Por Sousa Jamba

    Há datas que não entram apenas na história: entram na carne moral de um povo. O 15 de Março de 1961 é uma dessas datas severas, dessas datas que deixam de pertencer ao calendário para passarem a pertencer à consciência. Foi nesse dia, no Norte de Angola, que a contestação ao colonialismo português deixou de ser murmúrio clandestino, conspiração fragmentária ou esperança sem armas, para se converter em guerra. A UPA, operando a partir de bases no Congo-Léopoldville, desencadeou a insurreição que transformou o nacionalismo angolano numa rebelião rural de massas. Milhares de homens atravessaram a fronteira; a autoridade colonial foi atingida com violência; e o império português descobriu, de súbito, que Angola já não cabia na ficção burocrática das «províncias ultramarinas». A partir desse momento, a questão angolana impôs-se, com urgência própria, como problema africano e internacional.

    É precisamente por isso que o silêncio em torno da FNLA, herdeira directa da UPA, tem qualquer coisa de excessivamente útil para ser inocente. Não se trata de simples esquecimento, nem de uma modesta economia pedagógica. Trata-se, antes, de uma operação mais funda e politicamente mais rentável, pela qual uma parte decisiva da história de Angola foi sendo empurrada para a margem, depois para a penumbra, e por fim quase para a inexistência. Ora, a FNLA não foi um acidente periférico da libertação angolana, nem um episódio menor que a marcha ulterior dos vencedores pudesse legitimamente reduzir a nota de rodapé. Em meados da década de 1960, FNLA, MPLA e UNITA eram reconhecidos como os três movimentos principais na disputa da liderança nacional; e foram precisamente esses três que surgiram inscritos no processo de transição consagrado em Alvor. O rebaixamento retrospectivo da FNLA não nasceu dos factos. Nasceu, isso sim, da vitória posterior de uma narrativa de Estado, mediante a qual um poder triunfante converte a contingência da sua ascensão em necessidade histórica e a vantagem militar em superioridade moral.

    A caricatura mais repetida sustenta que a FNLA não passou de uma expressão bakongo, étnica e circunscrita. É evidente que a espinha dorsal do movimento se encontrava no Norte e nas comunidades exiladas do Congo. Mas reconhecer esse dado não equivale a desqualificar o movimento; identificar uma origem não é o mesmo que decretar um cativeiro. A UPA nasceu nesse espaço porque ali existia uma base social efectiva, uma memória política anterior ao traçado colonial e uma experiência concreta de mutilação territorial. O antigo Reino do Kongo precedera as fronteiras coloniais. Numerosas famílias bakongo viviam a linha Angola-Congo não como verdade histórica, mas como corte administrativo imposto de fora. E a repressão portuguesa tornava quase impossível qualquer forma de organização legal dentro de Angola, empurrando activistas para o exílio, onde podiam recrutar, treinar, imprimir propaganda e estabelecer contactos. Nada disto diminui a legitimidade da UPA. Pelo contrário: inscreve-a num padrão mais vasto da história africana do século XX, no qual diversos movimentos de libertação se organizaram fora do território colonialmente dominado. Uma raiz não é uma prisão.

    A transformação da UPA em FNLA constituiu, justamente, o esforço deliberado de conferir ao movimento uma moldura mais ampla, mais articulada e mais nacional. Sob Holden Roberto, a causa angolana adquiriu contactos, voz diplomática, presença em fóruns internacionais e uma estrutura política que lhe deu contorno, consistência e duração. Em 1962, a criação do GRAE, o Governo Revolucionário de Angola no Exílio, representou um passo decisivo: pela primeira vez, uma estrutura angolana apresentava-se não apenas como movimento de resistência, mas como autoridade que reivindicava representar Angola perante o exterior. Estados africanos e a Organização da Unidade Africana reconheceram essa estrutura e trataram-na como interlocutora legítima da causa angolana. Não se concede semelhante estatuto ao que é irrelevante. Não se reconhece, com tal solenidade, aquilo que não pesa.

    A FNLA construiu igualmente uma máquina política e militar real. Nos campos de treino próximos de Kinshasa, milhares de combatentes foram preparados para a guerra de guerrilha; a ELNA não era uma ficção musculada para consumo externo, nem uma cenografia ideológica erguida para iludir observadores estrangeiros. O movimento organizou, além disso, assistência a refugiados e programas médicos destinados aos deslocados. E, apesar da sua forte implantação bakongo, a FNLA não foi um corpo etnicamente selado. Entre os nomes ligados ao governo no exílio figuram José Lihauca, médico na área da Saúde, e Dr Jonas Malheiro Savimbi, que desempenhou funções relevantes na representação externa antes da ruptura que o afastaria de Holden Roberto. A composição do movimento era, portanto, mais larga do que a caricatura permitiu admitir, e mais complexa do que a simplificação escolar se mostrou disposta a tolerar.

    Digo tudo isto também a partir de uma memória pessoal, que não substitui a história, mas por vezes a ilumina. O meu pai, Tavares Hungulu Jamba, pertenceu à UPA, tendo sido recrutado por quadros enviados do Norte para o Planalto Central, concretamente para a Missão do Dondi. A minha irmã, Altina Flora Jamba, foi membro sénior da Ala Juvenil da FNLA no Planalto Central. Lembro-me dos homens vindos do Norte, sentados em nossa casa, entregues a conversas longas, densas e tensas, como se cada frase transportasse, ao mesmo tempo, um segredo e um risco. Vários familiares próximos, depois do exílio de 1961, acabaram integrados na UPA. A FNLA teve braços, fidelidades e circuitos humanos muito para além da caricatura escolar. Passou por casas, atravessou geografias, tocou famílias, deixou marcas. Não foi, para muitos angolanos, uma abstração; foi uma presença.

    A caricatura persistiu porque era útil. A verdade complicava em excesso a liturgia dos vencedores. Implicaria reconhecer que a UNITA emergiu, em parte, do mesmo tronco histórico; que figuras posteriormente denunciadas como traidores haviam sido, em certo momento, jovens angolanos movidos por impulsos nacionalistas inteligíveis; que atravessaram fronteiras não por venalidade, mas porque queriam juntar-se à luta. A história real raramente oferece a pureza moral com que os regimes sonham educar os seus catecismos. É sempre mais ambígua, mais desconfortável, mais resistente à pedagogia do poder. A FNLA não precisa de hagiografia. Precisa, simplesmente, de lugar histórico. Negar-lhe esse lugar não é fazer história; é administrar o esquecimento como se ele fosse património privativo de um partido, prolongando, em tempo de independência, a mesma lógica de mutilação selectiva que o colonialismo exercia sobre os corpos, agora exercida sobre a memória.

    Angola merecia melhor. Merecia que o 15 de Março pudesse ser pronunciado sem catecismos nem reflexos condicionados; que a UPA fosse reconhecida como a faísca que incendiou o Norte e obrigou o império a despertar da sua arrogância; e que a FNLA regressasse ao lugar que lhe cabe, não o de remorso incómodo da historiografia oficial, mas o de um dos actores centrais da libertação, com grandezas e misérias, como todos os outros. Um país que consente semelhante fraude contra a sua própria memória empobrece o seu futuro, porque ensina os vivos a venerar, não a verdade, mas a versão autorizada dela.

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