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Por João Niongo Ngombo Kina

A pele que atravessa os milénios

Como podem ver na imagem, por um lado uma figura sacerdotal Kemetic “egípcia” famosa pintura mural, localizada na Tumba de Sennefer (TT96), também conhecida como a “Tumba das Vinhas”, na Necrópole de Tebas (atual Luxor). O indivíduo retratado é o filho de Sennefer, o qual preside a um banquete fúnebre enquanto veste a característica capa de pele de leopardo. Também descrito como um (Sem) , sacerdote dos rituais funerários. Não era moda. Era poder sagrado.

Em Kemet (o Antigo Egito), a pele de leopardo era símbolo de “Iunu” (Heliópolis), associada ao Deus “Ptah” e aos governantes faraós. Quem a vestia canalizava força divina, proteção ancestral e autoridade cósmica. O leopardo não decorava ele transformava quem o usava.

4.000 anos depois, no nesmo continente.

A seleção da República Democrática do Congo chega ao Mundial FIFA 2026 com blazers negros rasgados por uma diagonal de pele de leopardo o “Léopard”, seu nome e símbolo nacional.

Não é coincidência. É memória civilizacional.

O leopardo sempre foi, da bacia do Congo ao vale do Nilo, símbolo de realeza afrikana, coragem e força espiritual. Os faraós negros de Kemet e os reis do Congo beberam da mesma fonte simbólica. Enquanto o mundo vê uma equipa de futebol bem vestida, quem conhece Kemet vê outra coisa: “Guerreiros sagrados descendo ao campo como os sacerdotes desciam ao templo com a mesma pele, o mesmo animal, a mesma Afrika.

O blazer é o novo kalasiris. O campo é o novo Per-aa. E o leopardo… o leopardo nunca saiu.

Afrika não imita o passado. Afrika é o passado a continuar a andar.

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