O RIO INKISI “NZADI KIVULU”

A princípio, o nome “Inkisi” significa o lugar onde repousam os mistérios (n’kisi). Na verdade, na RDC, o nome do rio Inkisi é MALAWU. De fato, os padres católicos maliciosamente pegavam as obras de arte e Mpungu de Batandu (do subgrupo kongo Mbata) deitavam neste curso de água, razão pela qual os moradores locais o batizaram posteriormente de “Nzadi Inkisi”, em português rio Inkisi. Um das importantes localidades que banha o rio era chamada INKISI, no tempo do reino do Kongo, com a chegada do catolicismo, a localidade foi baptizada de KISANTU, que é a congolização da palavra portuguesa SANTO. A região da sabedoria local, com a prática da religião ancestral “NKISI”, foi considerada como religião dos demónios e substituida pela religião dos SANTOS, a religião católica, a dos brancos. KISANTU dos brancos substituiu o INKISI dos africanos. Mais tarde foi criada nesta localidade, a Diocese de Kisantu.

O rio Inkisi (Kisantu para os católicos) nasce em Angola, na aldeia Kinzala, província de Uíge, município de Mukaba. De Nsoso passando por Damba, em Angola, o rio Inkisi é chamado de Nzadi (a Kivulu), e é na fronteira de Bambata, no Zombo, que ele recebe o nome de “Inkisi”. Ele corre de sul para norte, desaguando no rio Congo em Lukaya. Seu comprimento é de aproximadamente 555 km, e 600 km pelo rio Longe. O rio Inkisi (370 km na República Democrática do Congo e 80 km em Angola) é um grande afluente da margem sul do rio Congo, passando por um dos maiores jardins botânicos da RDC, em Kisantu.

O rio Inkisi abriga espécies marinhas inesquecíveis, com mais de 1500 espécies já catalogadas, embora nenhum inventário taxonômico das espécies da bacia deste rio tenha sido realizado. Entre as espécies mais registradas estão:

– Moreias

– Peixes-balão

– Peixes-lima

– Peixes-borboleta

– Tubarões

– Camarões

Além disso, deve-se acrescentar o pirarucu, um peixe gigante da Amazônia que pode pesar até 80 kg. O rio também é habitado por grandes répteis de todos os tipos, como jacarés, aligátores e as famosas jiboias (existentes em estado selvagem). Ao longo das margens, você tem uma chance em três de encontrar um crocodilo tomando sol.

Existem três barragens hidrelétricas na RDC que aproveitam as fontes do mesmo rio: a Barragem hidrelétrica de Sanga com 12 MW, a Barragem hidrelétrica de Zongo1 com 75 MW e a Barragema hidrelétrica de Zongo2 com 150 MW. Além disso, há um ponto turístico (um dos mais caros no Congo RD), a cachoeira de Zongo, com uma queda natural de 60 metros de altura, localizada a 56 km de Kisantu e 52 km de Sona Bata (Nsona Mbata).

No território de Madimba, o rio Inkisi é navegável de Kisantu até Ngidinga, totalizando 80 km, e de NZONGO SNEL até Kinshasa, uma distância de 33,23 km; a navegação não é possível devido à presença de cataratas e corredeiras.

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    ADMINISTRADOR MUNICIPAL RECEBE EQUIPA TÉCNICA DE ELECTRIFICAÇÃO PARA A DAMBA

    O Administrador Municipal da Damba, Octávio Barbeiro Diehi Homa, recebeu, na manhã desta terça-feira, uma equipa técnica da Empresa Mitrelli, ligada ao projecto de electrificação que irá beneficiar o município da Damba, Nsosso e Mucaba.

    A delegação foi chefiada pelo Engenheiro Alexandrino Afonso, coordenador do processo dê electrificação do Uige, e técnicos especializados do sector da energia, que se encontram na região para proceder ao levantamento das necessidades locais e à definição das prioridades de implementação da rede eléctrica.

    Durante o encontro, os técnicos explicaram que o projecto em curso contempla a construção e operacionalização de uma subestação eléctrica localizada no Município do Nsosso, infraestrutura que terá capacidade para fornecer energia aos três municípios abrangidos pelo programa. Neste sentido, foi esclarecido que a energia destinada à Damba será transportada a partir desta subestação, através das linhas de distribuição previstas no projecto.

    A Administração Municipal considera importante esclarecer a população de que a subestação actualmente em construção no Nsosso não beneficiará apenas aquele município. Trata-se de uma infraestrutura regional, concebida para alimentar igualmente os municípios da Damba e da Mucaba, permitindo o aumento da capacidade de fornecimento de energia eléctrica e a melhoria da qualidade do serviço prestado às comunidades.

    De acordo com a equipa técnica, os trabalhos já se encontram em execução, tendo sido iniciadas as obras da primeira fase do projecto. Nesta etapa, serão contempladas as localidades situadas ao longo do traçado Nsosso–Damba, incluindo a sede municipal e diversas povoações seleccionadas com base em critérios técnicos, entre os quais a densidade populacional, a localização geográfica e a viabilidade da extensão da rede.

    Entre as zonas inicialmente abrangidas destacam-se a Vila da Damba, Mbanza Damba, Kimazebo, Kazumbi, Kicazeza, Mavito, Kitietie, 200 focos, Bairro 16, Salabongui e outras localidades inseridas no corredor de distribuição.

    Na ocasião, o Administrador Municipal manifestou a sua satisfação pelo avanço do projecto, sublinhando que a electrificação constitui um dos maiores anseios da população da Damba.

    A chegada desta equipa técnica reforça a esperança das nossas comunidades. A energia eléctrica é um factor determinante para o desenvolvimento económico e social do município e acreditamos que este projecto trará benefícios significativos para a população”, afirmou.

    Os técnicos permanecerão no Município da Damba durante aproximadamente uma semana, período durante o qual serão realizados levantamentos de campo, estudos técnicos e acções de planeamento para a implementação das infraestruturas previstas.

    Importa ainda salientar que as aldeias e povoações que não forem contempladas nesta fase inicial não ficarão excluídas do processo de electrificação. Estas localidades deverão ser integradas em futuras etapas de expansão da rede, no âmbito das políticas do Governo voltadas para o aumento gradual do acesso à energia eléctrica em todo o território nacional.

    GABINETE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL DA DAMBA

    OS BASUNDI: POVO DO KONGO CENTRAL E HERDEIROS DE UMA ANTIGA PROVÍNCIA DO REINO DO KONGO

    Por Kalunga Bisimbi 

    Hoje, gostaria de vos falar sobre um povo cuja história está diretamente ligada à organização política do antigo Reino do Kongo: os Basundi, por vezes chamados Ba-Nsundi.

    Origens e Importância Política

    O seu nome provém de Nsundi, uma antiga e importante província do Reino do Kongo. Esta província existia muito antes da colonização europeia e fazia parte da estrutura política do reino. Nessa organização, o território era dividido em várias províncias dirigidas por governadores ou representantes da autoridade real.

    A província de Nsundi ocupava um lugar estratégico. As fontes históricas explicam que era frequentemente governada por um membro da família real. Em certos casos, o governador de Nsundi podia até desempenhar um papel crucial na sucessão ao trono do Reino do Kongo. Isto demonstra que esta província estava longe de ser uma simples região periférica: fazia parte do coração político do reino.

    Geografia e Arqueologia

    A capital desta antiga província chamava-se Mbanza Nsundi. Situava-se no espaço que corresponde hoje à província do Kongo Central, na República Democrática do Congo, nomeadamente na zona próxima do rio Inkisi.

    Investigações arqueológicas realizadas nesta região permitiram encontrar vestígios de antigos centros políticos e túmulos pertencentes às elites locais, o que confirma a importância histórica desta província.

    Identidade e Território Atual

    Com o tempo e as transformações políticas do território, o nome Nsundi continuou vivo através das populações chamadas Basundi. Ainda hoje, várias comunidades do Kongo Central se reconhecem nesta identidade histórica. Encontramos os Basundi principalmente nos seguintes territórios:

    • Lukula e Tshela
    • Luozi e Songololo
    • Mbanza-Ngungu e Seke-Banza

    Em algumas zonas administrativas, o nome desta antiga província permaneceu presente na organização territorial, como, por exemplo, o setor Tsundi-Sud no território de Lukula.

    Cultura, Língua e Sociedade

    Como muitos povos Bakongo, os Basundi pertencem à grande família cultural Kongo. A língua mais difundida continua a ser o Kikongo, com várias variantes locais. Esta língua não é apenas um meio de comunicação, mas também um veículo fundamental de transmissão de tradições e da memória coletiva.

    A sociedade tradicional Basundi baseia-se num sistema matrilinear:

    1. Sucessão: O parentesco e os direitos passam pela linhagem materna.
    2. Clã (Mvila): Desempenha um papel essencial na organização de alianças e casamentos.
    3. Autoridade: Os chefes tradicionais e os anciãos são os guardiões da tradição e da palavra.

    “A nossa história não começa com a colonização. Ela existia muito antes. E a história dos Basundi faz plenamente parte dela.”

     

    História do Kongo

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