A origem do Reino do Kongo segundo BUNDU DYA KONGO

Por Patrício  Batsikama

 

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Existe uma lista dos reis que terão reinado no trono do Kôngo desde a sua fundação, de autoria do movimento bûndu dya Kôngo liderado  pelo Ne Mwânda Ñsêmi, também chamado de Ñlôngi’a  Kôngo.

Apesar do carácter religioso desta lista, o texto merece uma atenção especial por coincidir com outros suportes antropológicos conhecidos. Com base nesta lista podemos afirmar, desde já, que a versão religiosa da origem do reino do Kôngo parece – numa leitura justaposta ao calendário kôngo – uma reinterpretação cosmogónica que dinamiza o suporte funcional no qual são produzidas outras versões abordadas no primeiro volume do nosso estudo. Passemos a analizar alguns aspectos fundamentais desse texto.

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Para salvaguardar o valor semântico do seu autor reproduzimos a seguir o texto na sua língua original, provavelmente uma tradução, tendo em conta que a primeira versão da lista terá sido provavelmente redigida em kikôngo. Damos a tradução portuguesa, de nossa autoria, no rodapé desta página.

“No ano de 320 da Era do Peixe (isto é, Era Cristã):

Sob égide do Mago NIMI A LUKENI, os Kôngo ocupam a região banhada pelos rios chamados Kwându, Kubângu,  Okavângu, Kunene e fundam o primeiro Território Nacional Kôngo chamado Kôngo dya Mpângala.

No ano de 424 da Era do Peixe:

Sob liderança do Mago  KODI PUANGA, os Kôngo ocupam a região onde correm os pequenos rios aos quais dão os nomes de Kwângu, Lwângu, Luluwa e fundam um segundo Território Nacional Kôngo: Kòngo dya Mulaza. Este lar acabou por espandir-se até ao lago Mandombe (Mayi Ndombe) e do bushongo. No ano 529: sob a liderança do grande guerreiro TUTI DYA TIYA, os Kôngo oriundos de Kwângu e Kwîlu ocupam o planalto de Batêke, atravessam o rio ao qual dão o nome de Mwânza, e fundaram o terceiro Território Nacional: Kôngo dya Lwângu ou também Kôngo dya Lwângu. Kôngo dya Lwângu acabou por estender-se até ao actual Gabão e ao Sul de Camarões no Nkôngo Samba.

No ano de 690 da mesma Era:

Sob a conduta do grande Mago Na NKULUNSI, os Kôngo chegaram na região constituída entre-os-rios Mwânza e Kwânza e Kwângu. Os Magos Kôngo chamarão essa região NTIMANSI, NTIMANKOSI (coração do leão)…
Ao Norte de Zita dya Nza localiza-se na montanha de Kôngo dya Ntôtila que é um grande planalto sobre o qual construiu-se a cidade de MBÂNZA KÔNGO

NTÓTILA.

Assim, no sétimo século da Era do Peixe, os Kôngo ocupavam já o vasto território africano que vai do Norte da Namíbia até o Sul dos Camarões.

No ano 691 da Era do Peixe:

“Fim da construção da cidade de Mbânza Kôngo seguindo o plano do grande artesão MASEMA NTOKO. Também, inicia-se os trabalhos da construção dos sete (7) “Nzîla Kôngo”, caminhos que levavam a Mbânz’a Kôngo.

Desde 698 a 1200: sucederam-se ao trono da capital de MbANZA KONGO :

O rei Muabi Mayidi

O rei Zananga Mowa

O rei Mbala lukeni

O rei Mbama bakota

O rei Ngongo Masaki

O rei Kalunga Punu

O rei Nzinga Sêngele

O rei Nkanga Malûnda

O rei Ngoyi Malanda

O rei Nkulu Kyângala

O rei Ngunu Kisama.

No ano de 1227 da Era do Peixe: o rei Mandyângu Vuzi acede ao poder a MBÂNZA KÔNGO. Depois da lei sagrada ter sido transgredida, surge uma grande seca no país. O profeta KIMOSI levanta-se contra esta desordem social.

No ano de 1230 da Era do Peixe: o rei Nânga Katânga normaliza a situação social. O fim da seca possibilita a abundância espiritual e material. Apois disso, o rei Ntênde Kabînda e o grande Mwâbi Kunene enviam o grande mago Kôngolo a leste, onde a lei sagrada foi transgredida sob reinado do rei Wôyo MPâlanga. O Anjo de Deus Mwânda Kôngo elevou o Profeta KUTUMI que se levanta contra esta desordem e promove um renascimento espiritual no país.

“Do ano de 1300 ao de 1369: sucederam-se à cidade de MBÂNZA KONGO :

O rei Mutênde Ngidi

O rei Nanga Mutombo

O rei Nzinga Nzuma

Do ano de 1370 a 1482: sucederam-se a cidade de MBÂNZA KONGO

O rei Nkanga Nimi
O rei Nkuwu Mutinu
O rei Nzinga Nkuwu”

 

Extrato do Livro: A origem meridional do Reino do Kongo

 

 

 

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