SONGO “ÚNICO” MUNICÍPIO DO UÍGE ONDE OS ADMINISTRADORES ROUBAM

Por Alfredo Dikwiza

Uíge, 09/09 (Wizi-Kongo) – No intervalo de quatro (4) anos, isto é, 2019/2023, além do Songo, nenhum outro município, entre os 16 que compõem a província do Uíge, levou para cadeia mais de dois (2) ex-administradores, acusados na prática dos crimes de corrupção, nepotismo, peculato e associação criminosa.

Em quatro anos, foram constituídos arguidos três administradores do município do Songo, 40 quilómetros a norte da sede da cidade do Uíge, entre eles, dois titulrares e uma adjunta, nomeadamente, Adelina Alexandre Pinto/Gomes Ndinga Gaspar (titulares) e Gezumira da Felicidade Xavier Martins (adjunta), os dois últimos, presos este ano.

Entre os três, os crimes de suas prisões foram entre os mais citados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que, é, “corrupção”, “nepotismo”, “peculato”, “falsificação de documentos” e “associação criminosa”, contra quase nenhum outro caso de prisão registou-se no período em referência nos outros 15 municípios da região, mostrando que, os únicos administradores que roubaram do erário públicos, são os do Songo.

No ano de 2013, Adelina Alexandre Pinto, tinha sido nomeada administradora municipal do Songo, substituída em 2018 por Júnior Kudimuena e, meses depois, isto é, em Janeiro de 2019, acabava por ser detida na cidade do Uíge, pela Procuradoria-Geral da Republica PGR, acusada na prática dos crimes de peculato e falsificação de documentos durante o seu mandato no desvio de 69 milhões de kwanzas dos fundos alocados ao município para as despesas de bens e serviços.

Passado algum tempo, fora julgada e condenada. Hoje, já em liberdade, viu-se ser a única sacrificada (presa) da sua geração, entre os administradores nomeados em 2013. Porém, no intervalo de 2019/2023, Júnior Kudimuena, é o sortudo a siar ileso na “cova/Songo” dos administradores, já que, por outra razão, o seu substituto, João da Silva, tive morte em 2021, a frente do presidente de Angola, João Lourenço.

Gomes Ndinga Gaspar, o nome que soou com muita expectativa entre os jovens quadros da JMPLA nomeados na era José Carvalho da Rocha, actual governador do Uíge, que era tido como a pessoa certa ao cargo de administrador daquela circunscrição, mas, pouco tempo passou, as boas referências que antes tinha no seio dos camaradas e não só, terminaram com muita desilusão e em pouco menos de dois anos de mandato, foi exonerado.

Depois da sua exoneração, poucos dias ficou em liberdade, pois, em cumprimento de um mandado de detenção da PGR, em Maio último, terá sido preso, por ter sido acusado na prática de crime de peculato ao apropriar-se de mais de 20 milhões de kwanzas dos cofres públicos.

De acordo a PGR, em 2022, Ndinga, celebrou um contrato para a reabilitação do posto de saúde da aldeia Kimalalu com a duração de oito meses no valor de 30 milhões de kwanzas, quando na verdade, a referida obra estava orçada por apenas 5 milhões de kwanzas, tendo como uma diferença de 25 milhões de kwanzas, que, alegadamente, haviam sido desviados pelo acusado.

O destino estava reservado aos dois voltarem a ser colegas (Ndinga e Gezumira), desta vez de prisão, depois de o serem como administradores. Entretanto, a ex-administradora adjunta para o sector económico e financeiro do Songo, Gezumira da Felicidade Xavier Martins, de 38 anos de idade, acabou sendo presa recentemente, depois de um mandado de captura por via do Departamento de Combate aos Crimes de Corrupção juntos ao Tribunal da Comarca do Congo.

Gezumira Martins, pesam-lhe acusações sobre desvio e subfacturação de mais de 25 milões de kwanzas que eram destinados para reabilitação e apetrechamento de posto de saúde na aldeia Kimalalo, no município em referenciado. Porém, os dois antigos inclinos da administração municipal do Songo, aguardam pelo julgamento.

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