Os Bakongo de Angola: Os Azombo

Os Azombos. Imagem de Dr José Carlos de Oliveira

Por Ndombel Silva “Sabactani”

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Azombos é a designação de membros de um dos grupos etnolinguísticos do Reino do Kongo. Estâo localizados a nordeste deste reino.

Possuem características socioculturais em comum e algumas as diferenciam com outros subgrupos etnolinguístico deste reino, citando o seu gesto peculiar que é negócio como sua inclinaçâo predilecta. Povo humilde, solidário e hospedeiro. Vivem em harmonia com os outros povos, respeitando as autoridades sejam quais forem que se instalam no seu sobado.

Se a solidariedade é um valor estruturado coexistensivo à fámília, a hospitalidade é, pelo contr’ario, uma atitude de fundo mais espontánea. Ela estende-se ao homem enquanto homem. É uma disposição ao acolhimento e à assistência, inscrita no espírito de partilha que se cultiva no âmbito familiar. ela exprime a a confiança do homem que se sente solid’ario com seu semelhante nos desafios comuns da vida. Enfim, a gratuitidade e generosidade caracter´sticas da hospitalidade familiar forja.

Algumas cirncunstâncias concretas (doenças, morte, cessaçâo de luto, prisâo dum membro, casamento, nascimento, etc), revelam o caraácter jur´dico da solidariedade familiar. Elas exigem, de facto a contribuiçâo de todos. O provérbio: ole atu, umosi ninga (dois unidos valem, mas um isolado nâo passa de pura sombra) condensa a importancia que atribui à solidariedade na vida familiar. Ela é o motor da organização de entre ajuda que garante assistência e segurança aos indivíduos do mesmo grupo familiar e nâo graças a este valor deveras congénito à mentalidade deste povo que o órfão nunca se sente tal no interior do seu grupo familiar.

A triste c’elebre aventura colonial obrigou aos nativos a abandonar o seu “habitat” plurisecular e impulsionados a alinharem-se ao longo do traçado das estradas de penetração que eles próprios construíram com os seus meios rudimentarres ( enxadas, catanas…)

Antes do desenvolvimento deste programa de povoamento, a populaçâo vivia enm núcleos familiares no cimo das colinas que caracterizam a reografia da região, nas proximidade dos cursos de ‘agua. As encostas e matas circundantes constituíras as terras do grupo familiar. Eram inscrita na tradiçâo. Abasteciam a populaçâo nas suas exigências alimentares e de permuta.

Estes núcleos familiares abandonados, actualmente sâo designados de mabasi, fazendas, pequenas quintas e lavras individuais e colectivas dependendo de cada núcleo familiar, do soba ou dos membros de aldeia ou familiar mfumu a yala ou kyana, chefes das referidas parcelas representantes dos antepassados que por aí viveram secularmente onde sâo cultivados produtos agrícolas de subsistência e divididas as parcelas de acordo com o seu povoamento plurisecular. Servem de igual modo, hoje, como reservas naturais para a caça e pescas nos rios, segundo p crit’erio comprovada pela experiência inscrita na tradição.

“Hoje, a liquidaçâo das estruturas tradicionais das etnias angolanas aparece como o reflexo principal duma epopeia de quinheitos anos da missâo civilizadora” citando Boa vida, Américo.

Mas por quanto nefastos tenha sido os m’etodos da dominação colonial, eles nâo chegaram a eliminar as raízes profundas da mundivivências e da etnia Kikongo. As inlfências da lusitanidade diminuiram sim, nâo suprimiram a foraça vital que anima experiência plurissecular dos Bakongo.

Neste estudo, embora tudo nâo esgota aqui, surgimos como ponta de lança pioneiro, enfocando alguns aspecto sócios culturais deste povo Azombo.

Os Azombo como elite mercantil da Região Mbata

Por Dr. José Carlos de Oliveira

Este subgrupo étnico, também conhecido por Bazombo, Bambata (Ba Mbata), foi considerado como a elite mercantil da região de M’Bata e parte integrante do célebre Reino do Kongo . O seu chefe ancestral, Nsaku Ne Vunda ou Mani Mongo exerceu durante séculos o poder terreno sob o manto sagrado matrilinear da kanda Nsaku.

A sua privilegiada localização geográfica, entre o Norte de Angola e o Sul da RepúblicaDemocrática do Congo está implantada num extenso planalto situado entre 1000 a 1100 metros de altitude e esta prerrogativa terá estado na base da escolha das íntimas relações que vieram a estabelecer-se entre o mítico Nimi a Lukeni, o”mwana” de Nsaku (leia-se o primogénito) e a autoridade mítica do grupo Kongo. O seu chefe Mani Vunda era o legítimo herdeiro do poder religioso e o principal eleitor dos reis.

Usaram e usam ainda, o poder religioso como suporte fundamental do seu mando, porém,com uma singularidade: sublimaram esse mesmo poder no controle das rotas comerciais entre o rio Zaire ao Norte e o rio Kwanza ao Sul.

Foram e continuam a ser parceiros comerciais privilegiados entre outros, de Portugueses, Holandeses, Franceses, Belgas, Ingleses, Alemães, Americanos e ultimamente de Russos, Cubanos, Chineses e até Coreanos.

Os Zombo souberam aproveitar das situações diplomáticas e comerciais em que intervieram (e continuam a intervir), assumindo-se agentes activos privilegiados entre os povos do interior e do litoral das bacias do rio Zaire e Kuanza.

A sua apetência pelo tráfico de todo o tipo de mercadorias afectou profundamente a sua existência. O ambiente natural e a sua cultura imediatista, relacionada com o comércio de longa distância, levaram a que sejam considerados como comerciantes natos, daí, a sua sedução pelo comércio desde a mais tenra idade.

Eles não são atraídos por investimentos, o que significa uma longa espera para o lucro, pois eles investem hoje para lucrar no dia seguinte.

 

 

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