Reflexões sobre o termo e o Espírito NKUWU

Por Dr José Carlos de Oliveira

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O termo Nku’u aparece frequentemente grafado como Nkuwu e Kuwu . Porém, ao preferirmos a forma expressa no título deste subcapítulo, fazemo-lo por ter sido assim que Pedro Fuando Paulino, de origem zombo, o redigiu. Pedro Fuando Paulino é padre católico e exerce presentemente a sua profissão de fé na Diocese do Uije. É de salientar que quando dissertámos sobre as origens das kanda (a que curiosamente alguns zombo chamam as clãs, e não os clãs), fizemos referência ao termo Nku’u como sendo a fonte primacial da ideologia Kongo.

Para melhor compreendermos a fonte da filosofia kongo, teremos de considerar as inestimáveis informações facultadas por Pedro Fuando. De muito nos tem valido, a ambos, a noção de respeito mútuo, traduzida pelo conceito do termo Nku’u. Segundo Pedro Fuando,“Nku’u é um termo tão antigo quanto a própria existência Bakongo; é um sinal, senão gesto, baptizado pelos antepassados Bakongo para a resolução de todo o tipo de problemas. A sua compreensão é indispensável para se conhecer a realidade da vida Bakongo. Trata-se de uma tecla em que se toca a cada momento, ou circunstância, sejam elas festivas ou dolorosas. Pertence ao descortinar da vida Bakongo. Em qualquer ambiente é no Nku’u e pelo Nku’u que se abre e fecha o diálogo; por aqui se fazem os esclarecimentos sobre qualquer dado (evento, óbito, festa, doença…) que esteja em análise (…). Em qualquer lugar, falar (tomar a palavra) sem o N’ku’u é sinal de pura falta de respeito e orgulho desmedido.(…)”

Para cada tipo de celebração existe uma forma adequada de expressão verbal tal como, por exemplo, aquela que permite a abertura de um grande acto ou celebração“Nku’u yi gialwanga vena n’tanda nkongolo”.Do mesmo modo, ao proferir-se a frase Nku’uyoyo yi gialwanga kaka kwa mfumu a mbanza (yoyo vata, zunga, belo) está-se a advertir o interlocutor para o seguinte facto: aquele que estabelecer confusão ou for contra a orientação dada ao iniciar o Nku’u, fica desde logo sujeito a uma multa,“tornando-se uma espécie de escravo por aquilo que deverá pagar”.

Durante uma reunião, o zombo, tal como a generalidade dos membros do grupo Kongo, gesticula vivamente no início e no final da alocução ou tomada da palavra pelo “mais velho” (ou por alguém que esteja em sua representação). Gesticulará de igual modo quando quiser citar um ausente ou quando pretender dirigir-se a um representante do clã presente (ou representado) durante o acto que se está a celebrar. Porém, fá-lo-á com respeito, respeito esse demonstrado através do batimento de palmas.

Ao definir Nku’u, Pedro Fuando afirma que este “ (…) é um sinal, senão gesto (…)”35. De facto, é mesmo de um gesto que se trata e que só tem significado para os componentes do grupo étnico respectivo. O gesto tem alto significado entre os kongo, pois pressupõe, de imediato, o respeito ou a falta dele. Desses primeiros instantes da língua gestual depende a continuidade da colaboração, permissão e negociação a obter no acto interlocutório. Logo, o Nku’u é a única via permitida para se intervir em qualquer manifestação social do grupo étnico. O próprio Pedro Fuando afirma que “O Nku’u é o único modo através do qual se pode intervir em qualquer manifestação social, politica, ou religiosa dos kongo, sendo os bazombo, uma espécie de zelotas, altos escribas da cosmogonia do Universo kongo”Os zombo são intérpretes da cadeia da vida: desde o feto em gestação até ao nascimento, passando pela puberdade e pelos rituais de iniciação que propiciam o casamento, terminando nos rituais do Óbito.

O Nku’u abrange todas as dimensões da vida, incluindo a religiosa, e tem um alcance sociopolítico. Basta partir do pressuposto incontornável segundo o qual a cultura africana, particularmente entre os kongo, “é essencialmente caracterizada pelo termo «kimpovi»”. Compulsámos este termo na Nkand’a Nzambi37 e constatámos que corresponde, na Bíblia Sagrada, ao capítulo dos Livros Sapienciais, o Livro da Sabedoria.

A primeira vez que obtivemos informações sobre o termo Nku’u foi quando visitámos Angola em 1991. No jornal diário da capital, Jornal de Angola, de 30 de Agosto desse mesmo ano, podia ler-se a seguinte notícia:

                                Acidente No Nóqui Motivo De Ritual Tradicional

“ (…) As autoridades tradicionais da província do Zaire, realizaram domingo, em Mbanza Congo, um ritual tradicional denominado “Lembo” “para pôr termo aos tristes acontecimentos que ocorrem na província” disse à Angop, o delegado da cultura, André José. Aquele delegado afirmou que na tradição local a quebra de um ramo da tradicional árvore “Yalankwo” significa a morte de uma autoridade da província. André José, acrescentou que dos contactos que manteve com os mais velhos da região, estes afirmaram que o incêndio
da árvore tradicional “Yalankwo” ocorrido em Julho último “esteve na origem do acidente de aviação que vitimou entidades do Governo da província e religiosas”. A “Yalankwo” é a árvore onde os antigos reis do Congo realizavam as suas reuniões sagradas. (…)”

Se atentarmos no texto transcrito, verificaremos que não encontramos o termo Nku’u. Na verdade, o vocábulo que nos prendeu a atenção e que nos remete para Nku’u é a palavra Yalankwo, cujo referente é a árvore da justiça do Ntotila. Na foto que apresentamos de seguida, é visível, em primeiro plano, a Yala Nku’u . O local retratado é o lumbu (antigamente quintal politico social, agora jardim) da residência dos reis do Kongo, reconstruída em finais do século XIX, em Banza Kongo, antiga S. Salvador.

 

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A célebre Yala Nku’u no lumbu da casa real. Foto do autor captada em 1965

Julgamos que o tronco que falta à direita da árvore seria aquele onde os que eram considerados culpados viriam a ser enforcados. De salientar que a pena de morte foi abolida pela autoridade portuguesa durante o desempenho de Faria Leal como Residente em Mbanza Kongo39, por muito que isso possa custar ao orgulho kongo. De facto, Os kongo não admitem que, em relação aos seus assuntos internos, intrusos ao seu seio familiar lhes digam que estão enganados.

As mortes atribuídas a acções mágicas abrangem casos frequentes de aplicação da justiça kongo . Os kongo acreditam veementemente em todo este sistema (das representações colectivas de Levy-Bruhl) o que os leva a aceitar, inclusive, a justiça dos ordálios. Esta submissão ao sistema judicial kongo tem como finalidade e último recurso provar a inocência do réu, com a possível descoberta do verdadeiro culpado, o que implica salvar a sua honra e a dos seus, beneficiando assim, do poder da sua árvore.

A primeira referência bibliográfica que encontrámos a Yala Nku’u deu-se através das palavras de António Fonseca (1989): (…) No dia combinado, os familiares do noivo dirigem-se a casa dos pais da rapariga, iniciando-se então o acto de sompar41. Após o Yala Nkuwo, por parte dos pais da rapariga, estes convidam os visitantes a tomar palavra (…) Começou então a tornar-se claro que Yala Nku’u se tratava de uma incontornável instituição kongo.

Sabemos, por lições há muito aprendidas entre os kongo, que para não afugentar o animal que queremos caçar, não devemos pronunciar o seu nome até ao momento oportuno (para não chamar a atenção dos oportunistas). Muitas vezes, temos seguido o preceito enigmático e, uma vez mais, este revelou excelentes frutos. Curiosamente, as informações que recolhemos sobre o espírito Nku’u chegaram-nos através de dois pastores religiosos: o já citado Pedro Fuando e um pastor42 da “Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo”, assembleia que tem no seu profeta Simão Gonçalves Toco a grande fonte de inspiração. Este último prestou-nos valiosas informações acerca do Alembamento e

da actualização das cerimónias do óbito. Acerca deste assunto, Gurvitch (1968) tem a seguinte apreciação:

“ (…) Com efeito, a interpretação, a realização e a concretização dos papéis sociais desempenhados por grupos, conjuntos e indivíduos numa conjuntura particular reservam as maiores surpresas se deixam uma margem muito considerável às explosões das atitudes não somente recalcadas mas por vezes directamente inovadores e criadoras (…).”

Ainda sobre árvores sagradas, devemos referir, para além da Yala Nku’u, a Mulemba, símbolo materno da protecção da vida, representante dum universo em permanente regeneração e fonte inesgotável de fertilidade cósmica que faz parte do sistema de justiça kongo (pelo lado matrilinear). Ela representa o equilíbrio da justiça no lumbu do rei, embora a sua localização geográfica (plantada por detrás da casa deste) possa dar a parecer alguma subalternidade em relação à Yala Nku’u. Contudo, tal não se verifica, uma vez que a Mulemba é a protectora da genealogia matrilinear kongo. Sobre este assunto, pode ler-se o artigo As Árvores Sagradas do Kongo , Oliveira (2001)44 .

Em resumo, a vida e a morte são fenómenos inextrincavelmente ligados por gestos quotidianos a que os provérbios e os mitos dão forma nos actos cerimoniais. A vida, a morte e o renascer estão sempre presentes nas danças rituais lideradas por iniciados. Com essas danças, os kongo acreditam que, através do ritual da morte, fazem renascer o seu mundo.

No cerne de todas as preocupações dos minkisi (os iniciados, que entre nós podem ser considerados mágicos exorcistas) estão os que hão-de vir. Por isso, a comunidade observa os actos dos iniciados, procurando “adivinhar”, através do seu sistema sociopolítico, o verdadeiro significado da vida comunitária e a forma mais adequada de exercer o poder.

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    OS BASUNDI: POVO DO KONGO CENTRAL E HERDEIROS DE UMA ANTIGA PROVÍNCIA DO REINO DO KONGO

    Por Kalunga Bisimbi 

    Hoje, gostaria de vos falar sobre um povo cuja história está diretamente ligada à organização política do antigo Reino do Kongo: os Basundi, por vezes chamados Ba-Nsundi.

    Origens e Importância Política

    O seu nome provém de Nsundi, uma antiga e importante província do Reino do Kongo. Esta província existia muito antes da colonização europeia e fazia parte da estrutura política do reino. Nessa organização, o território era dividido em várias províncias dirigidas por governadores ou representantes da autoridade real.

    A província de Nsundi ocupava um lugar estratégico. As fontes históricas explicam que era frequentemente governada por um membro da família real. Em certos casos, o governador de Nsundi podia até desempenhar um papel crucial na sucessão ao trono do Reino do Kongo. Isto demonstra que esta província estava longe de ser uma simples região periférica: fazia parte do coração político do reino.

    Geografia e Arqueologia

    A capital desta antiga província chamava-se Mbanza Nsundi. Situava-se no espaço que corresponde hoje à província do Kongo Central, na República Democrática do Congo, nomeadamente na zona próxima do rio Inkisi.

    Investigações arqueológicas realizadas nesta região permitiram encontrar vestígios de antigos centros políticos e túmulos pertencentes às elites locais, o que confirma a importância histórica desta província.

    Identidade e Território Atual

    Com o tempo e as transformações políticas do território, o nome Nsundi continuou vivo através das populações chamadas Basundi. Ainda hoje, várias comunidades do Kongo Central se reconhecem nesta identidade histórica. Encontramos os Basundi principalmente nos seguintes territórios:

    • Lukula e Tshela
    • Luozi e Songololo
    • Mbanza-Ngungu e Seke-Banza

    Em algumas zonas administrativas, o nome desta antiga província permaneceu presente na organização territorial, como, por exemplo, o setor Tsundi-Sud no território de Lukula.

    Cultura, Língua e Sociedade

    Como muitos povos Bakongo, os Basundi pertencem à grande família cultural Kongo. A língua mais difundida continua a ser o Kikongo, com várias variantes locais. Esta língua não é apenas um meio de comunicação, mas também um veículo fundamental de transmissão de tradições e da memória coletiva.

    A sociedade tradicional Basundi baseia-se num sistema matrilinear:

    1. Sucessão: O parentesco e os direitos passam pela linhagem materna.
    2. Clã (Mvila): Desempenha um papel essencial na organização de alianças e casamentos.
    3. Autoridade: Os chefes tradicionais e os anciãos são os guardiões da tradição e da palavra.

    “A nossa história não começa com a colonização. Ela existia muito antes. E a história dos Basundi faz plenamente parte dela.”

     

    O KISOLONGO É UMA VARIANTE DO KIKONGO

    O kisolongo é uma variante do Kikongo, há evidências baseadas em alguns estudos que passo a citar na minha abordagem abaixo.

    Começo por dizer que “kikongo puro não existe”, todas as formas e variedades oriundam no que os especialistas chamam por proto-kikongo, há estudos abaixo referenciados que esclarecem isso.

    Há momentos em que a emoção identitária é legítima. O problema começa quando ela tenta substituir a evidência científica. E aqui precisamos ser responsáveis.

    A questão é simples: o Kisolongo é uma língua independente ou uma variante do Kikongo? A resposta é simples, variante. E isso não é opinião.

    A linguística bantu moderna não reconhece “Kisolongo” como língua autónoma separada do complexo Kikongo. O que a investigação descreve é um “continuum dialectal”, isto é, um conjunto de variantes regionais estruturalmente aparentadas.

    O Kikongo não é uma língua única e homogénea. Ele é um grupo linguístico com dezenas de variedades históricas.

    Entre essas variedades aparecem formas como Kisolongo, Kisikongo, Kiyombe, Kizombo, entre outras.

    E “Kisolongo” corresponde justamente a uma dessas formas dialectais historicamente documentadas.

    Documento de referência que gostaria que muitos lessem é do conceituado investigador e linguista Sebastian Dom, Reflexive Morphology in the Kikongo Language Cluster (2024), tem tradução em português.

    O estudo de Sebastian Dom demonstra que o chamado “Kikongo language cluster” é composto por mais de 40 variedades geneticamente relacionadas. Essas variedades partilham morfologia nominal bantu, sistema de classes nominais, estrutura verbal e fonologia histórica comum.

    Quando uma variedade partilha:

    sistema de classes nominais idêntico

    morfologia verbal correspondente

    léxico de base cognato

    evolução fonética previsível dentro do grupo

    ela não é considerada língua isolada. É considerada variedade interna.

    O que diferencia uma língua de um dialecto, segundo a linguística histórica, não é orgulho regional. É estrutura, genealogia e comparação sistemática.

    E o Kisolongo encaixa-se estruturalmente no grupo Kikongo. (Sebastian Dom, 2024), em Reflexão morfológica da lingua Kikongo.

    Não estamos a falar de opinião. Estamos a falar de classificação genética de línguas.

    A própria tradição missionária já documentava o “dialecto Kisolongo” no início do século XX. Não como língua separada, mas como variante regional do “Congo”.

    Há uma obra clássica de José Lourenço Tavares intitulada Gramática da Língua do Congo (Dialecto Kisolongo), publicada em 1915. Repara no título: “Língua do Congo”, dialecto Kisolongo. Só este parágrafo resolve a inquietação, salvo um argumento melhor (fundamentado).

    Se fosse língua independente, a designação teria sido outra. Mesmo na época em que os missionários tinham liberdade para nomear línguas, o kisolongo não foi classificado como sistema separado. Falar de missionário é só um exemplo histórico.

    Deixo aqui mais uma referência em José Lourenço Tavares, Gramática da Língua do Congo (Dialecto Kisolongo) (1915),

    Em classificações académicas recentes sobre as línguas nacionais angolanas, incluindo dissertações defendidas na Universidade de Évora, o Kikongo aparece como grupo linguístico estruturado e reconhecido. Para não ser generalista, ai está de uma das dissertações, que tenho em pdf para quem precisar.

    O que não aparece?

    Kisolongo” como língua autónoma. E porquê?

    Porque ele é classificado como variante interna do grupo Kikongo.

    Se fosse língua independente, teria:

    código ISO próprio

    reconhecimento em bases como “Ethnologue ou Glottolog”

    descrição estrutural autónoma- classificação fora do cluster Kikongo

     

    Nada disso acontece. Ele surge sempre inserido no grupo Kikongo. Esse entendimento extrai-se da citada dissertação. Toda língua viva tem variação, meus caros. Mas variação não é ruptura genética.

    Dizer que o Kisolongo é uma língua completamente distinta implica provar que:

    não deriva do proto-Kikongo

    não partilha o sistema bantu de classes do grupo

    • não apresenta correspondência lexical sistemática

       

    Até hoje, nenhum estudo sério demonstrou isso. Quem o tiver, pode publicá-lo e vamos aprender. Mais uma vez, volto a citar o Sebastian Dom, 2024. Nas redes sociais há uma tendência perigosa: transformar identidade em argumento científico.

    Mas ciência não funciona por aclamação.

    Funciona por comparação linguística sistemática, reconstrução histórica e classificação genética. Não sou linguísta nem historiador, mas investigador, portanto, sei comparar fontes e produzir um entendido unificado.

    Portanto, se amanhã alguém provar, com método comparativo rigoroso, que o Kisolongo tem origem fora do cluster Kikongo, a ciência aceita. Mas até agora, as evidências apontam no sentido contrário.

    O Kisolongo é uma variedade interna do grupo Kikongo. Negar isso exige prova estrutural, não discurso emocional. Quem escreve para o público deve ter responsabilidade histórica.

    Nós não podemos deixar uma narrativa distorcida por falta de rigor. Identidade merece respeito. Mas história e linguística exigem método, como qualquer outra área científica.

    Algumas fotos de sites contendo artigos, dissertações e dicionários de estudos especificados do proto-kikongo.

    Fonte: PATER – Liberdade e Cultura/facebook

    História do Kongo

    OS BASUNDI: POVO DO KONGO CENTRAL E HERDEIROS DE UMA ANTIGA PROVÍNCIA DO REINO DO KONGO

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    OS DIALECTOS KONGO DO GRANDE BANDUNDU

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    Os LAçOS ENTRE A PROVÍNCIA DO KWILU MA RDC E OS KONGO

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    DO REINO DO KONGO A BANDUNDU: UMA HISTÓRIA POUCO CONTADA

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    GRUPOS ÉTNICOS BAKONGO NA REGIÃO DE BANDUNDU/RDC (Kwango e Kwilu)

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    DOM PEDRO VIII, REI DO CONGO (1923–1954)

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