DECADÊNCIA DA FÁBRICA DE CAFÉ ENVERGONHA SLOGAN “BAGO VERMELHO”

Por Alfredo Dikwiza/Jeremias Kaboco

Uíge, 02/10 (Wizi-Kongo) – Uíge é apelidada como província do “Bago Vermelho”, fruto do estatuto que granjeou num passado recente através da produção em massa de café, produto este que era tido como uma das riquezas de Angola, mas a proclamação da independência, em 1975, mudou o curso desta realidade e, hoje, a região conta apenas com uma fábrica em estado de decadência, numa autentica demonstração vergonhosa por continuar a ostentar esse slogan.

“Bago Vermelho”, ficou apenas para o passado. A província perdeu-se no tempo e no espaço em reactivar a cadeia da cultura do cultivo de café, produto que já foi considero como “ouro negro de Angola”, que o diga, em 1970, período em que Angola alcançou o 3º lugar no reking mundial de um dos maiores produtores do café.

Naquele período, Angola produzia 225 mil toneladas, ano, boa parte deste produto era colhido nas grandes fazendas do Uíge, para isso, era considerado como bastião de café do país, aliás foi por conta da sua produção que é apelidada: “Bago Vermelho”. Nos dias actuais, a situação é irrisória: “quem te viu, quem te vê, café”.

Pelos visto, a odisseia que Uíge granjeou naquele tempo, foi fruto de uma aposta séria neste sector do colono português, que começava por valorizar primeiro o produto “café”, os camponeses, fazendeiros de pequena e grande escala, melhoria das estradas segundarias e terceirais, bem como nas industria para tratamento do referido “ouro negro”.

O paradigma mudou tão logo o colono deixou o solo nacional, algumas fazendas substituíram a plantação de café em outras culturas, como bananal, mandioca, apenas para citar, por essa razão, a única industria ainda em vida, existente no centro da cidade do Uíge, nas imediações do mercado municipal “Praça Grande”, que, tenta espalhar no ar o aroma do “tumbwaza”.

Com quase um século de funcionamento, algumas máquinas já não trabalham e as que estão operantes, é a meio gás, disse, hoje, segunda-feira, ao Wizi-Kongo, o gerente da Sociedade Comercial e Industrial de Café do Uíge (SOICAFÉ), Daniel Mbalazau. Entretanto, a empresa tem como fundador Rimaga, nos 1930, tendo passado por um tempo sob gestão da Wizi-Mexe, associado da Bozo Angola e, em 2002, foi redimensionado para SOICAFÉ até os dias actuais.

A Wizi-Mexe, naquela altura, era a maior empresa que comprava e exportava o café a nível da região, apesar que, além desta fábrica, como disse, Daniel Mbalazau, existiam outras no Uíge, recordando como a do Café Tomboco e, disse que, há 21 anos na fábrica SOICAFÉ, nunca beneficiaram de apoios financeiros capaz de recuperar as máquinas e aumentar os níveis de produção do café.

Disse que a descasca é feita no INCA, mas a única fábrica que cuida da trituração a embalagem do café a nível do Uíge, é, a SOICAFÉ, que se encontrada assegurada por dez (10) funcionários e, lamentou, a avaria do carro há cinco anos, empobrecendo ainda mais a fábrica, porque já não conseguem ir comprar o produto nas aldeias.

 

Neste momento, dispõem de dois tipos de café, em grão e em pó, mas a qualquer momento, Uíge ficará sem nenhuma fábrica de café, porque essa encontra-se em estado avançado, avisou, Daniel Mbalazau, que, lembrou terem dirigido várias cartas as instituições bancarias, empresas públicas e privadas, mas sem sucesso, tendo, igualmente, lamentado que, nenhum governador titular chegou de visitar a fábrica nestes 21 anos sob responsabilidade da SOICAFÉ.

  • Related Posts

    MBEMBA NGANGU: O HERÓI DO BEMBE QUE SALVOU UÍGE

    Por Filho do Kivuzi (Vamba)

    “Mbemba Ngangu” foi um soba e herói local que mobilizou o seu povo e as aldeias vizinhas para a resistência contra a ocupação colonial portuguesa. A sua luta teve grande apoio das populações ribeirinhas do rio Lucunga, uma zona estratégica do antigo território.

    Mbemba Ngangu é um nome em Kikongo, um cognome dado pelo próprio povo em reconhecimento à sua liderança. Etimologicamente, significa: Mbemba (“Águia”) e Ngangu (“Visionário” ou “Astuto”). A águia representa a visão ampla do campo de batalha e a rapidez no ataque, enquanto Ngangu reflete a sua inteligência tática e capacidade de antever os movimentos do inimigo.

    Natural da região de Mbamba — território que hoje corresponde ao município do Bembe —, Mbemba Ngangu terá vivido entre os séculos XVI e XVII, período em que o Reino do Kongo enfrentava as primeiras incursões portuguesas no interior. A província de Mbamba era a mais militarizada do Reino do Kongo, responsável pela defesa sul.

    Para perpetuar a sua memória, o herói foi homenageado na cidade do Uíge com um busto e com o topónimo de um bairro: o Bairro Mbemba Ngangu. Morreu em combate, defendendo as terras do seu povo, tornando-se um símbolo eterno da resistência Kongo.

    DETIDOS QUATRO CIDADÃOS QUE MANTIVERAM FAMÍLIA DE AGENTE DO SIC COMO REFÉM NO UÍGE

    O Serviço de Investigação Criminal no Uíge, no âmbito das acções de combate aos crimes violentos, procedeu, nesta terça-feira, 26 de Maio de 2026, à detenção de quatro cidadãos nacionais, por factos que configuram o crime de sequestro, no bairro Mbemba-Ngango, nos arredores da cidade do Uíge.

    O incidente ocorreu quando os acusados, integrantes de uma associação criminosa denominada “DPP”, ao tomarem conhecimento da detenção do seu líder, em cumprimento de um mandado emanado pela PGR, pelo crime de roubo qualificado, e posteriormente submetido à medida de coação de prisão preventiva pelo Juiz de Garantias, tendo sido conduzido ao Estabelecimento Penitenciário do Kongo, decidiram retaliar contra um efectivo do SIC que, alegadamente, participou na sua captura.

    Na sequência, enquanto o referido agente se encontrava em serviço, os implicados, em número de oito e munidos de armas brancas, designadamente catanas e facas, dirigiram-se à residência do oficial, onde mantiveram como reféns a esposa e os seus três filhos, exigindo a libertação do referido líder da associação criminosa.

    História do Kongo

    MBEMBA NGANGU: O HERÓI DO BEMBE QUE SALVOU UÍGE

    MBEMBA NGANGU: O HERÓI DO BEMBE QUE SALVOU UÍGE

    OS BASUNDI: POVO DO KONGO CENTRAL E HERDEIROS DE UMA ANTIGA PROVÍNCIA DO REINO DO KONGO

    OS BASUNDI: POVO DO KONGO CENTRAL E HERDEIROS DE UMA ANTIGA PROVÍNCIA DO REINO DO KONGO

    OS DIALECTOS KONGO DO GRANDE BANDUNDU

    OS DIALECTOS KONGO DO GRANDE BANDUNDU

    Os LAçOS ENTRE A PROVÍNCIA DO KWILU MA RDC E OS KONGO

    Os LAçOS ENTRE A PROVÍNCIA DO KWILU MA RDC E OS KONGO

    DO REINO DO KONGO A BANDUNDU: UMA HISTÓRIA POUCO CONTADA

    DO REINO DO KONGO A BANDUNDU: UMA HISTÓRIA POUCO CONTADA

    GRUPOS ÉTNICOS BAKONGO NA REGIÃO DE BANDUNDU/RDC (Kwango e Kwilu)

    GRUPOS ÉTNICOS BAKONGO NA REGIÃO DE BANDUNDU/RDC (Kwango e Kwilu)