NUMEROS CARDINAIS EM KIKÔNGO

 

Por Matadidi Miguel

NUMEROS CARDINAIS EM KICONGO
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0-mpavala
1-mosi
2-Zole
3-Tatu
4- Gya
5- tanu
6-Sambanu
7-Nsambuadia
8-Nana
9-Vua
10-Kumi
11- Kumi ye mosi
12- Kumi ye Zole
13-Kumi ye tatu
14- Kumi ye ya
15- Kumi ye tanu
16-Kumi ye Sambanu
17-kumi ye Nsambudia
18-kumi ye Nana
19-Kumi ye Vua
20-Makumole
21-Makumole ye mosi
22-Makumole ye Zole
23-Makumole ye tatu
24-Makumole ye ya
25-Makumole ye tanu
26-Makumole ye sambanu
27-Makumole ye Nsambuadia
28-Makumole ye Nana
29-Makumole ye Vua
30-Makumatatu
31-Makumatatu ye Mosi
32-Makumatatu ye Zole
33- Makumatatu ye tatu
34-Makumatatu ye ya
35-Makumatatu ye tanu
36- Makumatatu ye Sambanu
37- Makumatatu ye Nsambuadia
38-Makumatatu ye Nana
39-Makumatatu ye Vua
40- Makumaya
41- Makumaya ye Mosi
42-Makumaya ye Zole
43-Makumaya ye tatu
44- Makumaya ye ya
45-Makumaya ye tanu
46-Makumaya ye Sambanu
47-Makumaya ye Nsambuadia
48-Makumaya ye Nana
49-Makumaya ye Vua
50-Makumatanu
51-Makumatanu ye Mosi
52-Makumatanu ye zole
53-Makumatanu ye tatu
54- Makumatanu ye ya
55- Makumatanu ye tanu
56-MaKumatanu ye Sambanu
57-Makumatanu ye Nsambuadia
58- Makumatanu ye Nana
59-Makumatanu ye Vua
60- Makumasambanu
61-Makumasambanu ye Mosi
62-Makumasambanu ye Zole
63-Makumasambanu ye Tatu
64- Makumasambanu ye ya
65- Makumasambanu ye Tanu
66-Makumasambanu ye Sambanu
67-Makumasambanu ye Nsambuadia
68- Makumasambanu ye Nana
69- Makumasambanu ye Vua
70- Lusambuadia
71- Lusambuadia ye Mosi
72-Lusambuadia ye zole
73-Lusambuadia ye Tatu
74- Lusambuadia ye ya
75- Lusambuadia ye Tanu
76- Lusambuadia ye sambanu
77- Lusambuadia ye Nsambuadia
78- Lusambuadia ye Nana
79- Lusambuadia ye Vua
80- Lunana
81- Lunana ye Mosi
82- Lunana ye Zole
83- Lunana ye Tatu
84- Lunana ye ya
85- Lunana ye Tanu
86- Lunana ye Sambanu
87- Lunana ye Nsambuadia
88- Lunana ye Nana
89- Lunana ye Vua
90- Luvua
91- Luvua ye Mosi
92-Luvua ye Zole
93- Luvua ye Tatu
94- Luvua ye ya
95- Luvua ye Tanu
96- Luvua ye Sambanu
97- Luvua ye Nsambuadia
98- Luvua ye Nana
99- Luvua ye Vua
100- Nkama

150- Nkama ye Makumatanu

200- Nkama zole

900- Nkama Nana

1000- Funda dimosi
1550- Funda ye Nkamatanu ye Makumatanu
5000- Mafunda tanu
10.000- Mafunda kumi ou kumi dia Mafunda
50.000- Mafunda Makumatanu
100.000- Nkama Mafunda
500. 000- Nkama tanu za Mafunda
1000.000- Kiazi kia Mafunda ou Zunda dia Mafunda
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    OS BASUNDI: POVO DO KONGO CENTRAL E HERDEIROS DE UMA ANTIGA PROVÍNCIA DO REINO DO KONGO

    Por Kalunga Bisimbi 

    Hoje, gostaria de vos falar sobre um povo cuja história está diretamente ligada à organização política do antigo Reino do Kongo: os Basundi, por vezes chamados Ba-Nsundi.

    Origens e Importância Política

    O seu nome provém de Nsundi, uma antiga e importante província do Reino do Kongo. Esta província existia muito antes da colonização europeia e fazia parte da estrutura política do reino. Nessa organização, o território era dividido em várias províncias dirigidas por governadores ou representantes da autoridade real.

    A província de Nsundi ocupava um lugar estratégico. As fontes históricas explicam que era frequentemente governada por um membro da família real. Em certos casos, o governador de Nsundi podia até desempenhar um papel crucial na sucessão ao trono do Reino do Kongo. Isto demonstra que esta província estava longe de ser uma simples região periférica: fazia parte do coração político do reino.

    Geografia e Arqueologia

    A capital desta antiga província chamava-se Mbanza Nsundi. Situava-se no espaço que corresponde hoje à província do Kongo Central, na República Democrática do Congo, nomeadamente na zona próxima do rio Inkisi.

    Investigações arqueológicas realizadas nesta região permitiram encontrar vestígios de antigos centros políticos e túmulos pertencentes às elites locais, o que confirma a importância histórica desta província.

    Identidade e Território Atual

    Com o tempo e as transformações políticas do território, o nome Nsundi continuou vivo através das populações chamadas Basundi. Ainda hoje, várias comunidades do Kongo Central se reconhecem nesta identidade histórica. Encontramos os Basundi principalmente nos seguintes territórios:

    • Lukula e Tshela
    • Luozi e Songololo
    • Mbanza-Ngungu e Seke-Banza

    Em algumas zonas administrativas, o nome desta antiga província permaneceu presente na organização territorial, como, por exemplo, o setor Tsundi-Sud no território de Lukula.

    Cultura, Língua e Sociedade

    Como muitos povos Bakongo, os Basundi pertencem à grande família cultural Kongo. A língua mais difundida continua a ser o Kikongo, com várias variantes locais. Esta língua não é apenas um meio de comunicação, mas também um veículo fundamental de transmissão de tradições e da memória coletiva.

    A sociedade tradicional Basundi baseia-se num sistema matrilinear:

    1. Sucessão: O parentesco e os direitos passam pela linhagem materna.
    2. Clã (Mvila): Desempenha um papel essencial na organização de alianças e casamentos.
    3. Autoridade: Os chefes tradicionais e os anciãos são os guardiões da tradição e da palavra.

    “A nossa história não começa com a colonização. Ela existia muito antes. E a história dos Basundi faz plenamente parte dela.”

     

    O KISOLONGO É UMA VARIANTE DO KIKONGO

    O kisolongo é uma variante do Kikongo, há evidências baseadas em alguns estudos que passo a citar na minha abordagem abaixo.

    Começo por dizer que “kikongo puro não existe”, todas as formas e variedades oriundam no que os especialistas chamam por proto-kikongo, há estudos abaixo referenciados que esclarecem isso.

    Há momentos em que a emoção identitária é legítima. O problema começa quando ela tenta substituir a evidência científica. E aqui precisamos ser responsáveis.

    A questão é simples: o Kisolongo é uma língua independente ou uma variante do Kikongo? A resposta é simples, variante. E isso não é opinião.

    A linguística bantu moderna não reconhece “Kisolongo” como língua autónoma separada do complexo Kikongo. O que a investigação descreve é um “continuum dialectal”, isto é, um conjunto de variantes regionais estruturalmente aparentadas.

    O Kikongo não é uma língua única e homogénea. Ele é um grupo linguístico com dezenas de variedades históricas.

    Entre essas variedades aparecem formas como Kisolongo, Kisikongo, Kiyombe, Kizombo, entre outras.

    E “Kisolongo” corresponde justamente a uma dessas formas dialectais historicamente documentadas.

    Documento de referência que gostaria que muitos lessem é do conceituado investigador e linguista Sebastian Dom, Reflexive Morphology in the Kikongo Language Cluster (2024), tem tradução em português.

    O estudo de Sebastian Dom demonstra que o chamado “Kikongo language cluster” é composto por mais de 40 variedades geneticamente relacionadas. Essas variedades partilham morfologia nominal bantu, sistema de classes nominais, estrutura verbal e fonologia histórica comum.

    Quando uma variedade partilha:

    sistema de classes nominais idêntico

    morfologia verbal correspondente

    léxico de base cognato

    evolução fonética previsível dentro do grupo

    ela não é considerada língua isolada. É considerada variedade interna.

    O que diferencia uma língua de um dialecto, segundo a linguística histórica, não é orgulho regional. É estrutura, genealogia e comparação sistemática.

    E o Kisolongo encaixa-se estruturalmente no grupo Kikongo. (Sebastian Dom, 2024), em Reflexão morfológica da lingua Kikongo.

    Não estamos a falar de opinião. Estamos a falar de classificação genética de línguas.

    A própria tradição missionária já documentava o “dialecto Kisolongo” no início do século XX. Não como língua separada, mas como variante regional do “Congo”.

    Há uma obra clássica de José Lourenço Tavares intitulada Gramática da Língua do Congo (Dialecto Kisolongo), publicada em 1915. Repara no título: “Língua do Congo”, dialecto Kisolongo. Só este parágrafo resolve a inquietação, salvo um argumento melhor (fundamentado).

    Se fosse língua independente, a designação teria sido outra. Mesmo na época em que os missionários tinham liberdade para nomear línguas, o kisolongo não foi classificado como sistema separado. Falar de missionário é só um exemplo histórico.

    Deixo aqui mais uma referência em José Lourenço Tavares, Gramática da Língua do Congo (Dialecto Kisolongo) (1915),

    Em classificações académicas recentes sobre as línguas nacionais angolanas, incluindo dissertações defendidas na Universidade de Évora, o Kikongo aparece como grupo linguístico estruturado e reconhecido. Para não ser generalista, ai está de uma das dissertações, que tenho em pdf para quem precisar.

    O que não aparece?

    Kisolongo” como língua autónoma. E porquê?

    Porque ele é classificado como variante interna do grupo Kikongo.

    Se fosse língua independente, teria:

    código ISO próprio

    reconhecimento em bases como “Ethnologue ou Glottolog”

    descrição estrutural autónoma- classificação fora do cluster Kikongo

     

    Nada disso acontece. Ele surge sempre inserido no grupo Kikongo. Esse entendimento extrai-se da citada dissertação. Toda língua viva tem variação, meus caros. Mas variação não é ruptura genética.

    Dizer que o Kisolongo é uma língua completamente distinta implica provar que:

    não deriva do proto-Kikongo

    não partilha o sistema bantu de classes do grupo

    • não apresenta correspondência lexical sistemática

       

    Até hoje, nenhum estudo sério demonstrou isso. Quem o tiver, pode publicá-lo e vamos aprender. Mais uma vez, volto a citar o Sebastian Dom, 2024. Nas redes sociais há uma tendência perigosa: transformar identidade em argumento científico.

    Mas ciência não funciona por aclamação.

    Funciona por comparação linguística sistemática, reconstrução histórica e classificação genética. Não sou linguísta nem historiador, mas investigador, portanto, sei comparar fontes e produzir um entendido unificado.

    Portanto, se amanhã alguém provar, com método comparativo rigoroso, que o Kisolongo tem origem fora do cluster Kikongo, a ciência aceita. Mas até agora, as evidências apontam no sentido contrário.

    O Kisolongo é uma variedade interna do grupo Kikongo. Negar isso exige prova estrutural, não discurso emocional. Quem escreve para o público deve ter responsabilidade histórica.

    Nós não podemos deixar uma narrativa distorcida por falta de rigor. Identidade merece respeito. Mas história e linguística exigem método, como qualquer outra área científica.

    Algumas fotos de sites contendo artigos, dissertações e dicionários de estudos especificados do proto-kikongo.

    Fonte: PATER – Liberdade e Cultura/facebook

    One thought on “NUMEROS CARDINAIS EM KIKÔNGO

    1. Ntodele, kuma nsango zozo Muna Lendazo Npaxi Zina!

      Muito obriga, de facto são informações que não tem sido fácil de obter! Poucos manifestam esse interesse em procurar incentivar o resgate aos berços.

    Comments are closed.

    História do Kongo

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