Cobrança ilícita de dinheiro aos alunos leva professores dos Buenga a cadeia

Por Jeremias Kaboco e Alfredo Dikwiza

Uíge, 26/01 (Wizi-Kongo) – Quatro funcionários, incluindo o director pedagógico da escola do Liceu do município dos Buengas, província do Uíge, que dedicavam a cobrança de dinheiro de forma ilícita aos alunos locais, foram levados nesta segunda-feira (20) a cadeia pela Polícia Nacional da circunscrição.

Entre os quatro elementos colocados no liceu local, tratam-se do director pedagógico, Kinkani Kivuala, os professores Leal Panzo e Carlos Cazamuno, bem como do funcionário administrativo, Benedito Paulo Malungo, que foram apanhados de fragrante delitos nesta segunda-feira (20) pela PN na medida em que obrigavam aos alunos pagarem 1.700,00 para as matrículas, disse, hoje, sábado, ao Wizi-Kongo, na vila do Buengas, fonte próxima do comando municipal do órgão do interior.

Durante a entrevista exclusiva ao Wizi-Kongo, a fonte acrescentou que a apreensão dos mesmos foi possível graças a colaboração de alguns encarregados de educação que notificaram a PN desta irregularidade, na resposta, os efectivos deste comando deslocaram-no e tendo confirmado o errado que se passava por parte dos funcionários daquela instituição, que resultou nas suas detenções até ao comando local e automaticamente colocados a cadeia.

Segundo assegurou, este caso enquadra-se nas práticas indecorosas, que resultam em punições serias, pois os órgãos de justiça do país querem uma posição coerente no exercício das funções dos seus quadros, independentemente do local em que esteja colocado, cujo caso será reencaminho aos outros órgãos de justiça.

Diferente dos Buengas em que a Polícia Nacional fez sentir a sua presença e o nome, na cidade do Uíge, sede capital da província, os entrevistados de hoje do Wizi-Kongo, foram unânimes de que em várias escolas, quer do colégio, quer do liceu, de um lado ao outro ouviram-se murmulhos e gritos de alunos e encarregados de educação reclamarem sobre cobrança de valores fora do normal que rondavam entre os 1.500 /2.000,00, cuja cobrança era feita pelos membros integrantes das comissões de matrículas de cada escola.

Mas, avançaram, nesta cidade, tudo passou nos olhos dos órgãos de justiça na normalidade, onde apesar de tudo, nem um e nem outro, nem em uma e nem em outra escola, foi sequer punido os infractores envolvidos na cobrança ilícita destes valores aos pacatos cidadão, numa demostra clara da violação da lei base do sistema de educação e ensino que proíbe a cobrança de valores não estipulados por lei.

Em Negage, tida como a segunda cidade do Uíge, igualmente, por aquilo que o Wizi-Kongo apurou nesta sexta-feira (24), junto dos encarregados de educação e de outros funcionários públicos, admitiram ter existido um excesso ao abuso do poder este ano em várias escolas deste município, em que a “gasosa” ou seja, pagar o dinheiro, era prioridade para ver os educandos matriculados e não tendo outra solução, sob receios de ver os filhos perderem o ano lectivo, muitos foram obrigados a pagar tais valores.

No município de Kangola, segundo alguns cidadãos locais admitiram nesta quinta-feira (23) ao Wizi-Kongo, que naquela parcela do Uíge, o acto das matrículas ficou machado com questões políticas, onde os encarregados e alunos identificados de não pertencer o MPLA, sofreram humilhações e chantagens por parte de certos professores colocados em algumas escolas e que muito deles são do MPLA.

Os nossos filhos chegam a reprovar dois ou três anos, não é por falta de conhecimento dos conteúdos ministrados ou serem os mais fracos, mas sim, por não pertencerem o MPLA ou o seu braço juvenil, isto não é de hoje, há anos suportamos essas humilhações, é triste demais o que temos passado, aqui a imagem que passa aos militantes do MPLA e estes por serem professores e directores de escolas, é que essas instituições são propriedades do seu partido e não do Estado angolano, para os angolanos”, confessaram.

Nos municípios do Songo, Bungo e Mucaba, outros que compõem a província do Uíge, durante rondas feitas-nos pelo Wizi-Kongo, entre quarta e sexta-feira (22/24), soube que, nestas últimas três localidade, o acto das matrículas decorreram sem sobressaltos de acordo as normas estabelecidas ao nível dos órgãos superiores e de direito, tendo os encarregados de educação sentirem-se bem servidos diante deste sector, concretamente, na fase das matrículas e que esperam o mesmo gesto continuar durante o ano todo no exercício do bem servir.

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