A HISTÓRIA DE LUNZAMBA DO COLONATO VALE DO LOGE: Arqueologia da tradição oral

A HISTÓRIA DE LUNZAMBA DO COLONATO VALE DO LOGE: Arqueologia da tradição oral

(A origem, relevância do lugar, protagonistas, mitos, realidades e crenças messiânicas)

POR EDIÇÕES MUMBELIANO TOCOÍSTA

INTRODUÇÃO

A temática que agora vem sobre seu conhecimento é a continuidade da serie dos artigos “historia da geografia sagrada do tokoismo”, onde as Edições Mumbeliano Tocoista procura materializar um dos seus projectos inseridos no âmbito do estudo sobre ASPECTOS SIMBOLÍCO E REGIÕES COM RELEVÃNCIA AO TOKOISMO para o período 2018-2020 que trará à público mais de 20 artigos focalizados nos estudos das aldeias, missões, cultura, tradição e modos de vida dos povos que aderiram ao tokoismo (1945-1961) e (1962-1984), neste segundo (02) capítulo referente à Antiga região de Lunzamba cito no “Colonato vale do Loge” pretendemos estudar duma forma antropológica, histórica e sociológica o «Lunzamba – do colonato vale do Loge», uma localidade mítica semelhante com o Lunzamba da região de Zulumongo, espaço do nascimento do profeta Simão Toco.

Ao ser o segundo desta série num universo de oito artigos; é mister dizer que, para além de Lunzamba, nos próximos números debruçar-nos-emos sobre as localidades de Nsona Mbata, Bangu de Kibokolo, Nkusu – Mpete, Kiwembo e Yangila (ambos do Bembe), Kwimba (Mbanza Kongo), Kimbata, Mabaya e quiçá, Nkamba, pelo facto destas regiões fizerem parte dos principais locais que configuram a geografia histórica do tokoismo, intimamente ligada ao percurso espiritual e carnal trilhado pelo povo eleito de Deus.

Antes, aproveitamos a oportunidade para esclarecer que não é, e nunca foi nossa intenção nestes estudos das comunidades que emergiram na igreja1 que estamos a levar a cabo mancharmos a reputação histórica dos povos ou denegrir as suas posturas na igreja, o estudo de todas as aldeias dos protagonistas do tokoismo que estão sendo realizados enquadra-se nas seguintes razões, (i) trazermos a ribalta detalhadamente a aldeia de origem de cada ancião da igreja2, (ii) sabermos quantas aldeias foram construídas pelos membros da tribo Namadungu e Nampemba (a linhagem paterna e materna do profeta Simão Toco), (iii) A história cíclica dos bankongos, muxicongo, bassorongos3, Bassundi e Bauoyo em Angola, assim como percurso trilhado ao longo da deformação das tribos a partir de Mbanza Kongo, (iv) as comunidades que emergiram na igreja desde 1943-19494, (v) para elaboração da história geral do tokoismo e da biografia unitária do profeta Simão Toco5.

Mais antes, como de sempre gostaríamos homenagear os verdadeiros fundadores da região do Bembe, estamos a falar de Mantoyo Nsamu wa Kanga, Masaki, Makanga, Neloge e Nempaka que de algum jeito doaram os seus esforços, vida e sangue na fundação da região.

  1. A ORIGEM E ETIMOLOGIA DO TERMO LUNZAMBA

Ainda continua ser uma responsabilidade incontornável e uma missão espinhosa assumir o compromisso de estudar a nível da Edições Mumbeliano Tocoista, “A região de Lunzamba no colonato vale do Loge” e as demais localidades, por ser uma localidade que precisa de um aturado estudos em todas as áreas do saber (história, antropologia, linguística, sociologia e arqueologia) sua vez, por ser uma região com a finidade com os Nampemba e Namadungu do profeta Simão Toco através das aldeias de Kiwembo, Kimpemba e Yangila. A história desta região é totalmente desconhecida pelos tokoístas e pelos habitantes do Bembe, e até aqui nenhum estudo preliminar nunca foi realizado, apenas Edições Mumbeliano Tocoista em parceria com Centro de Estudos Tocoista em 2017, através do estudo de Lunzamba da região de Makela ma Zombo puderam identificar esta localidade que ha muitos anos foi citado pelo profeta Simão Toco e por anciãos da igreja, como foi dito, nossa sorte a pesar de estaremos acompanhados de aspas e chavetas foi depositada nas fontes orais (a verdadeira Literatura oral dos anciãos da igreja e sobas do Bembe) e na documentação pesquisadas que datam mais de 100 anos onde se destacam Masaki (1875-1900); A. Lamborne (1901-1975), Simão Toco (1938-1945), Jean Cuvelier (1971, 1972 – 1934) e William Grenfell (1933).

    1. A etimologia do termo Lunzamba

Ainda para conceituar os caros leitores apesar de carecermos de informações, temos de começar dizer que a palavra Lunzamba é de origem Kikongo, “Nzamba”, “Nzau” ou “Manzamba”, que, traduzindo-a em português “Lunzamba” significa pequeno elefante ao passo que «Manzamba» significa grande elefante. Culturalmente falando e como já havíamos escrito no artigo número 09 sobre a lagoa de Lunzamba situada em Makela do Zombo, Jean Cuvelier (1971:52) e Paracleto Mumbela (2015:38), esclarecem que “Lunzamba” apresenta-se como uma pequena tribo (fragmento) que desmembrou-se de “manzamba”, a grande tribo, ambos autores identificaram Namadungu da linhagem da mãe do Simão Toco como a pequena tribo e Nawembo dos pais da mãe do Simão Toco como a grande tribo e do casamento de ambos que gerou a mãe do profeta Simão Toco resultou em Namadungu na Mfutila Nawembo, ao mesmo tempo foi o nome atribuído ao soba grande de Mbanza Lunzamba cito em Makela do Zombo.

A passo que, na toponímia dos povos do Bembe, Lunzamba é o alcunho atribuído à tribo Nkanda Kongo pertencente ao povo Lukelo quer dizer pequena tribo que desmembrou na grande tribo, que é, o Ntambu a Nlaza pertencente ao povo Nembamba que se subentende em “Kulukelo kuka nkela mambu (…) e kuna Nembamba kuka lambulwila malu”, ou seja, é no Lukelo também conhecido como Lunzamba onde se filtrou o mistério ou a palavra de Deus e, é no Nembamba, isto é vale do Loge onde se transmitiu e andou este mistério ou a palavra. Simão Lukoki (2018), António Mário (2018) e Jean Cuvelier (1971:52). Neste caso, apequena tribo é a Nkanda Kongo e a grande tribo é Ntambwa Nlaza, o «casamento» de ambos gera Nkanda Kongo ya Ntambwa Nlaza wa Nkela mambu Nambamba. Pedro Mumbela (1975:17), Paracleto Mumbela (2016:30), Makanga (2018) e Edições Mumbeliano Tocoista (2017:5).

Até aqui, o desenrolar da tribo pare-se como uma fórmula que apresenta: Kanda a Kongo ya Ntambwa Nlaza … Kulukelo kuka nkela mambu…; (…) e kuna Nembamba …; kuka lambulwila malu …; Toda a tribo que possui esta fórmula é, verdadeiramente uma linhagem colhedora de origem espiritual (espirito das águas), porque tal entroncamento de palavras na ideologia dos Nkanda e Nlaza significa “recado, alerta e água”, o sacerdote ou vidente que mantem alerta e ligação com Deus. Nkanda Kongo é a linhagem que filtra os prenúncios e profecias dos profetas, através dos escritos e legados que carregam, enquanto Ntambwa Laza entrega o legado aos fazedores da paz neste acaso aos “Nampemba” depois das anarquias ou confusão dos Nakenge e Manianga (Kongos). Nkanda Kongo representa os videntes e conservadores: Nkanda deriva de mbia (mbumba, swekelo, buku) quer dizer, simultaneamente, (a) ter o legado, (ii) transmitir o legado, (iii) associar-se a terra prometida. Trata-se da linhagem daqueles que conservam a pertença doutro povo. Em suma, Nkanda Kongo e Ntambwa Nlaza é uma linhagem dos conservadores do legado, isto é, na nossa interpretação conservadores da terra prometida – Vale do Loge.

    1. Relação existente entre Lunzamba do colonato vale do Loge (Bembe) e Lunzamba de Makela do Zombo

Até aqui fazendo síntese incursão à partir dos dados sobre o percurso trilhado pelos povos que se instabilizaram na região do Bembe partiram de Mbanza Kongo, muitos em Nsanda Azondo, Soyo (bassolongo), a mesma revela-nos de que após uma longa caminhada e terem atravessado baixas e rios, subiram a montanha de serra de Kanda, estando aqui o soberano Mantoyo Nsamu wa Kanga em companhia do seu clero ao separar-se de outras tribos nomeadamente: Nampemba Nsaku, Namadungu, Nabokolo, Manzamba, Nampudi (em geral bazombos) e mussurongos ao separarem-se, o soberano Nsamu wa Kanga e a sua tribo muxicongos seguiram o rasto do vale do rio Lukunga e subiram a fim de construir a região do Bembe que mais tarde foi se construindo outras aldeias é o caso de Lunzamba (capital cultural na altura), Yangila, Kiwembo, Kimpemba e Mabaya (local onde foi construída a primeira missão Baptista do Bembe), a passo que, Tekele Nabokolo a partir de Serra de Kanda na floresta Mvunda (descanso conhecido na altura), foi construir a sua antiga capital denominada Mbanza Nzamba (elefante) sendo Mbanza Wembo wa Kibokolo e Mbanza Mfutila na Wembo (local onde foi construída a missão Baptista de Kibokolo) e mais tarde esta tribo seguiu para Makela do Zombo, fixando trajectoria na região de Lunzamba hoje yanga dye Lunzamba próximo de Nzolo Ntulumba escassos quilômetros de Zulumongo e missão de Ntaya.

Assim sendo a lagoa de Lunzamba do colonato vale do Loge, na perspectiva dos esi-colonato, para Simão Toco (1950:20), tem a mesma fisionomia, história, trajectória e legado com o Lunzamba que esta no norte de Makela do Zombo, nas proximidades de Nzolo Ntulumba e Zulumongo, apenas a geografia e profecias do lugar que a deferência, mais com a mesma personagem destruidor, o profeta Naum ou Nakumi.

  1. SURGIMENTO E CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA DE LUNZAMBA DO COLONATO VALE DO LOGE

    1. Seu surgimento e caracterização geográfica

As opiniões e depoimentos dos anciãos do Bembe ao longo das nossas pesquisas (2018) foram claras que a ladeia de Lunzamba do colonato vale do Loge foi fundada aos 30 de Julho de 1560, pelo soberano Zwau Mpetelo Kanga e ocupava uma área de 10.321 km, possuindo 100 residências com uma população estimada em 8.940 habitantes, sendo este uma das razões que motivaram o Soba Zwau Nkanga em querer criar novas aldeias.

A literatura oral dos bembistas como já foi dito, confirma que a região de Lunzamba pertencia à tribo Ntambwa Lanza membros clanicas do subgrupo etnolinguísticas bawando e bayembo, através de frequentes deslocamentos da tribo muxicongo do superano Mantoyo Kanga do Mbanza Kongo, que ai se instalaram desde 21 de Maio de 1552. Petelo Nsanga (1950), Nfwakiambu (1950)6 e Joaquim Paka Massanga (2014:110).

A quanto a sua projecção pelo ancestral Nkanga (Simão Lukoki 2013-2018) e posterior construção, aldeia de Lunzamba a semelhança de Lunzamba de Makela do Zombo tinha duas divisões que se chamavam de Lunzamba baixo e Lunzamba alto; (1) Lunzamba baixo é a parte que rasteja até ao rio Njaja no coroação do Vale do Loge, (2) Lunzamba alto começa na margem do rio Mambamba até as encostas do monte Mampuya com a árvore Nsanda plantada no meio dele onde reuniam os sobados e anciãos para resolução dos seus assuntos. Simão Toco (1955:17).

Actualmente, a localidade de Lunzamba com as suas típicas características, seus enigmas, tabús, mitos e cultos portadores de um modelo social pré-existente, situa-se num extenso colonato do vale do Loge no norte de Angola, Província do Uíge, Município de Bembe, pertence à tribo Ntambwa Lanza e esta situada aproximadamente a 20 km do coração da missão do colonato vale do Loge, limitada à norte pela montanha de Mampuya e rio Loge pelo intermédio da aldeia de Ngono; à leste/nordeste pelo rio Njanja pelo intermédio do cemitério da missão do “Colonato vale do Loge” e aeródromo Albano Cunha (campo de manobra militar), à noroeste pelo rio Lufuwa, por intermédio da aldeia de Nzo Mosi (8 km), à sul pela aldeia de Toto pelo intermédio da pedra de Nsinga Nzambi; à oeste a cerca de 80 km da aldeia de Kimpemba mais além aldeia de Yangila, parafraseando 100 km da vila do Bembe.

  1. A PROBLEMÁTICA DA DESTRUIÇÃO DE LUNZAMBA, A EMERSÃO DA LAGOA COM O MESMO NOME E A LOCALIZAÇÃO DA MESMA PELOS TOKOÍSTAS EM 1950 A QUANTO DA CHEGADA DESTES NA MISSÃO DO COLONATO VALE DO LOGE

    1. Factores que estão na origem do dilúvio de Lunzamba

Até aqui, na verdade somente um trabalho aturado de pesquisa é que podemos perceber o dilúvio de Lunzamba se registou nos princípios dos anos 1820, onde muitos habitantes desta região sucumbiram, apenas 12 membros restaram do infortúnio e estes tiveram que se dividir e serem alojados nas aldeias de Lukelo, Kimpemba e Nimbamba, dai a inspiração do provérbio “Kulukelo kuka nkela mambu…; (…) e kuna Nembamba …; kuka lambulwila malu” – foi na aldeia de Lukelo também conhecido como Lunzamba onde se filtrou o mistério ou a palavra e, é no Nembamba, isto é vale do Loge onde se transmitiu e andou este mistério ou a palavra de Deus. Curiosamente tal como teremos a paciência de transcrever o resto no artigo próprio através da vasta equipe de pesquisadores ambos membros da Edições Mumbeliano Tocoista, existem similitude entre a história de Lunzamba do norte de Makela ma Zombo e este que estamos a nos referir, o mais admirável é, e como já foi registado, dentro da família sobrevivente do infortúnio de Lunzamba do norte de Makela do Zombo, é onde nasce a mãe materna do profeta Simão Toko a rainha Ndundu Nsimba Toko, a passo que, nos 12 elementos sobrevivente do dilúvio de Lunzamba do vale do Loge, é onde sai o representante que oferece a missão do “Colonato vale do Loge” a Simão Toco, ainda vamos encontrar a mesma figura destruidor, o profeta Naum ou Nakumi a intervir espiritualmente neste processo tendo a anciã Idêla Luketo a irmã do profeta Simão Toko como corpo vatecinadora. Pedro Mumbela (1986:13) e Esteves Nekongo (1956).

Para a tribo Ntambwa Lanza, Lunzamba do vale do Loge é de suma importância, para suas vidas, sobretudo a clã, e na sua vez é tida como o reconhecimento da implantação da igreja de Cristo no mundo enquanto que Lunzamba do norte de Makela do Zombo é tido como fulcro do surgimento do tokoismo onde o profeta Simão Toko surge como mediador ou enviado de Yave.

    1. A localização da lagoa de Lunzamba pelos tokoístas em 1950

Todos os dados apontam pela descrição de narrativas que revelam ter havido plano divina cumprido pelo profeta Simão Toco e anciãos da igreja após o regresso de Catete a localidade onde se registou o encontro com Deus aos 17 de Abril de 1950, neste encontro de acordo com os anciãos entrevistados, marcou três etapas; (i) mostra-los o buraco do objecto de abominação que posteriormente viria lutar contra a igreja de Cristo; (ii) localizar a lagoa a região de Lunzamba; (iii) e realizar o trabalho espiritual conforme a orientação de Deus em catete.

Desta feita, decidimos trazer os fieis depoimentos do ancião Simão Lukoki, prestado a nossa equipa sobre a problemática e a localização da região de Lunzamba:

Após termos efeituado as digressões nas quatro montes que serpenteiam o vale do Loge, no mesmo grupo, fomos ao Lunzamba do Vale do Loge, se a mente não me atroçoa o grupo era composto por Voka Jorge, André Makaia, Nsuka André, Pedro Kinini, eu e tantos outros anciãos, fomos no Lunzamba nas mediações da montanha de Mampuya (…) ao longo da nossa caminhada nos deparamos com um animal de nome Mbai «Mbala» semelhante à Pacaça com pintas brancas, visto isso o Dirigente disse-nos: Viste aquele animal? É muito perigoso. Então passamos aquela área que tínhamos visualizar aquele animal e seguimos uma pequena ravina e riacho onde o Dirigente nos mostrou o buraco da Desolação “Ulu dye Kima kye Uzumbu”, paramos e nos fez girar três vezes em torno do buraco, em seguida disse-nos: Viram? Sim! Respondemos: Continuo dizendo: Este buraco que estão a ver é buraco de Uzumbu (Desolação), assim como escutam que existe buraco de Uzumbu é este aqui. Em seguida o ancião Miguel Lubaki, questionou o Dirigente: O que é o Uzumbu? Em resposta o dirigente disse: A calmem o dia que virei saberão toda a sua história, mais uma coisa saibam, um dia este Uzumbu, vai se manifestar quando isto acontecer, no vosso meio sereis bons testemunhos, porque agora sois como discípulos, por isso, todos sítios e lugar que forem tudo que estão a presenciar deveis transmitir aos demais. Porque este Uzumbu ira se manifestar e vocês verão com os vossos olhos. Passamos, ao longo da caminhada fomos encontrar uma localidade que havia uma lagoa postos neste local, o Dirigente ordenou ao ancião Nkanza para que jogasse a rede na lagoa, e o número de bagre que nela sai-se, pudesse dividir, não tardou o pássaro de nome Ntoyo cantou; e o profeta disse: Aquele pássaro que esta a cantar, esta dizer que não tem Deus, não tem Deus. E no mesmo lugar não conseguimos de pescar nem se quer bagre. Saímos de lá e começamos a caminhar em seguida encontramos uma vasta lagoa parece uma pista de avião, no interior deste havia paredes de residências feito de pau a pique, parramos e em seguida ordenou para que fizéssemos oração, depois da oração vimos uma nuvem, logo, o sol desapareceu mais tarde começou a serenar, o Dirigente estendeu as suas mãos e a chuva parou e o sol raiou, mandou ajoelhar o ancião André Makaia, o capitulo que ele tivera lido na bíblia não consigo achar se costa em que livro, até dias de hoje, e depois ordenou para que orássemos…, Em seguida fez levantar o Makaia e começou a nos cumprimentar. É aqui onde foi consagrado o André Makaia como chefe da família (…), na beira da lagoa havia uma árvore chamada Salangundu ou Seke – Seke, o Dirigente ordenou para que tirássemos as cascas da mesma a fim de nós comermos, em seguida vimos um bando de pássaros e nos mandou contabilizar, depois de lhe dizer o número, ordenou novamente o ancião João Nkanza para que jogasse novamente a rede na lagoa, depois mandou contar o pescado e nos distribuiu. E logo começou a dizer: Bem! O trabalho que nos troche aqui já terminou. Logo nos perguntou esta aqui o senhor ou ancião (…)?, bem no inicio vocês ouviram o pássaro Ntoyo a cantar que, aqui no mundo não há Deus, mais não faz mal e agora que estamos saber que um dos objetivos do colono e missionários era de nos castigar e escravizar. Esta é a história da localização de Lunzamba do colonato vale do Loge7 …”

Isto confirma o que acima referimos, denotando que existe uma relação directa entre «Lukelo» e o “Mbanza Nembamba”, estando este último banhado pelo rio Mambamba o local pertencente a família que ofertaram a região da missão do “Colonato vale do Loge” ao profeta Simão Toco.

    1. Mitos e tabús que envolvem a localidade de Lunzamba do colonato do vale do Loge

Ainda continua ser um dado reservado entre os anciãos da igreja, mais de acordo com os levantamentos que estão sendo feitos sobre o local, Lunzamba cada dia que passa vai se tornando envolto à enigmas, mistérios, mitos e tabús, alguns deles datam de centenas de anos e já fazem parte de todo o aparato cosmológico sobre o universo destes povos. Para os membros da tribo Ntambua Nlanza e antigos povos de Lukeya e Nembamba e a missão do Colonato Vale do Loge, muitas maravilhas têm acontecido na lagoa de Lunzamba, tais como: “Roupas estendidas sobre a superfície das águas, galos a cantarem, homens batucando, pescas de bagres já fumados e as vezes com laços vermelhos em sua volta”, a partir do rio Mambamba e Njaja até mesmo Lufuwa contempla-se casas na lagoa e tantos outros sinais enigmáticos. As vezes as pessoas que passam nas proximidades da lagoa Lunzamba, deparam-se com sinais místicos. Ora vejamos, ao longo das nossas pesquisas tivemos o privilégio de nos depararmos com o vestido de noiva da sereia no interior da lagoa e o fotografo da equipa teve amabilidade de fotografa-la, como se pode visualizar na fotografia da capa.

Existem também várias restrições que sustentam as lendas e o mito sobre Lunzamba. As antigas populações da região incluindo alguns anciãos tokoístas conceituados dizem que apenas as pessoas de coração limpa podem de forma segura visitar aquela lagoa, de modo a evitar-se acidentes misteriosos, isto é por causa do buraco da desolação que esta nas proximidades e para nós foi um teste espiritual chegar nesta localidade, onde até hoje a nossa digressão esta sendo vista como algo montado e de heroísmo. Actualmente, as suas águas não tem sido fácil para ser utilizado pelos supostos pastores, curandeiros, místicos e sobas para diversos fins ritualísticos como tens sido de habito nas águas de Lunzamba de Makela do Zombo.

  1. IMPORTÂNCIA QUE SE REVESTE LUNZAMBA PARA O TOCOÍSMO

    1. Quem se identifica como Lunzamba e persegue os tokoístas

Como atrás já nos debruçamos sobre a acção impetuosa do maligno na localidade e que está na origem da destruição de Mbanza Lunzamba, alguns Anciãos da Igreja defendem que existe uma entidade espiritual maligna (demónio) que auto-identifica-se como “MADOGOSI” ou “LUSENGOMONO”, que procura contrapor a vontade do Criador, a fim de travar a marcha da Igreja de Cristo e os propósitos de Deus na humanidade. Por isso, vive perseguindo os filhos de Deus, fazendo-se presente em todos os lugares onde se encontram os verdadeiros tokoístas. Ele persegue os eleitos de Deus para destruir e ofuscar a Estrela da Alva «Ntetembwa Nkielelo» que se encontra nas suas testas e todos os projectos que estes vem traçando para o Bem da igreja.

Que o Lunzamba com suas entidades espirituais benignas está em toda a parte onde Simão Toco e os tokoístas estiverem, isto é uma realidade dominada por eles. Mas também sabem que há uma entidade espiritual maligna que os acompanha e por sua causa tem ocorrido situações que embaraçam a vida dos Tocoístas. Pela negativa podemos divisar:

  1. Colonato do Vale do Loge: o Lunzamba está situada à escassos quilómetros do aeródromo Albano Cunha, local onde Ancião Nkanza nos anos 50 realizou o ritual para surgimento do espírito de MADOGOSI ou Lusengomono que posteriormente apossou-se no Ancião Ntumissungu Cardoso (Aroni/Arão que conjutamente com Simão Toco, iniciarão o trabalho de ressurreição dos mortos no Kanga dye Naim, antes da mesma estender-se para todo mundo)8;

  2. Lunzamba: local situada em Makela do Zombo, que se transformou em «Yanga dye Lunzamba» onde dizimou milhares de pessoas;

  3. Léopoldville: a lagoa de Lunzamba está situada em Nsona-Bata, local fundado pela soberana Yala a mãe da anciã Madalena Menga9, também tokoísta, tomando o nome de SOMBO, local onde nos anos 50 invocou-se o espírito que levou a vida do sacerdote Bamba Emanuel e Mpadi André e lutou contra a Igreja na época;

  4. Sul de Angola: Caconda, local que está na origem dos terríveis acontecimentos contra Simão Toco, sua esposa, os tokoístas e o surgimento da dissidência na Igreja do grupo de João Mankoka na Baia dos Tigres e Luanda, e que aderiram às testemunhas de Jeová10, uma acção desencadeada por John Cook em 1955;

  5. Luanda: Lunzamba esteve situado no local onde hoje é a Cidadela Desportiva. No passado, foi uma lagoa enorme – local onde em 1954 se realizou ritos de invocação e que estão na origem do mau comportamento de alguns Anciãos de Luanda;

  6. Uíge: situado na localidade de Quitexe na famosa lagoa de feitiço. Até aqui não temos nenhum dado que se relaciona com os tokoístas;

  7. Béu: a lagoa de Lunzamba está situada na aldeia de Mbanza Mbata “Kimakondo”, aldeia natal de Dona Maria Rosa Toco. Aí a lagoa toma o nome Vomba e localiza-se ao lado do monte Ngunguti, local onde foi morto tokoístas em 1963. Mwana Ngangu (2015);

  8. Ntaya: na missão de Ntaya, o Lunzamba tem três fontes – as mesmas foram utilizadas por Massukinini e Zino à quando da invocação de 7.000 espíritos imundos que arruinaram a Igreja;

  9. Até aqui nos relatórios de Agrologe lê-se que tem se realizado várias actividades demoníaca nesta lagoa para impedir o regresso dos esi-colonato na missão do “Colonato vale do Loge”, visto que a presença destes naquela missão faz com que ofusquem os planos demoníaca daquelas regiões. Onde é notável o levadíssimo de contra e impedimento dos natos de Bembe contra os esi-colonato;

  10. Dai o colonato e Ntaya por possuir esta lagoa esta nas lides dos falsos profetas, porque nela serve de realizações dos ritos, cultos e pactos com demônios, o chamado MAGOKOSI ou Lusengomono

    1. Termos de comparação diluviano visto à luz da bíblia

Comparar o infortúnio de Lunzamba com o dilúvio de Noé, só pode ser feita por analogia em termos espirituais, visto serem duas realidades contextualmente diferentes, mas que apresentam dados muito semelhantes. Senão vejamos:

  1. No passado, Deus envia Noé que resgata a única família composta por 08 membros salva do dilúvio. Em Lunzamba, Deus envia o Mensageiro que salva do dilúvio igualmente uma única família de 12 membros11;

  2. O pecado e a reiterada desobediência do povo, estão na base dos dilúvios;

  3. Desobedecendo, Deus castigou-os por meio da água, condenando-os ao desaparecimento;

  4. No passado, Deus castiga o povo por intermédio de uma chuva que durou 40 dias. Já nos nossos dias, a chuva em Lunzamba do colonato durou apenas 10 dias conformem as explicações do profeta Simão Toco dada a comitiva;

  5. Com os salvos, Deus celebra uma nova aliança eterna para a humanidade;

  6. Aos sobreviventes, Deus os manda preservar a capital da Nova Jerusalém (colonato vale do Loge).

    1. Sua relevância para o Tocoísmo

Lunzamba representa-se como sendo de uma importância preponderante na História Geral do Tocoísmo e em particular do messianismo em Angola, pois, o seu espaço até hoje conserva factos, vestígios e memórias relevantes para o Tocoísmo, a saber:

  1. Está no fulcro da implantação da Igreja de Cristo, do Tocoísmo e dos tokoístas, contendo em si a chave da aliança da eternidade entre Deus e os eleitos Avauki–Ampungu, por encerrar o mistério do porvir e do desfecho do maior trama da humanidade: a crença sobre o desfecho do plano de Deus para a redenção da humanidade;

  2. Lunzamba do colonato foi o testemunho da missão espiritual do surgimento do Profeta Simão Gonçalves Toco como enviado de Deus;

  3. Faz parte da Geografia Sagrada da Cidade Santa do Grande Rei que será erguida no norte de Angola;

  4. Faz parte do PATRIMÓNIO CULTURAL DO TOCOÍSMO E DA HUMANIDADE;

  5. Para os Anciãos, uma entidade espiritual maligna se identifica como MAGOKOSI, ou LUSENGOMONO e se transformou numa força espiritual diabólica que desencadeia terríveis batalhas espirituais contra a Igreja de Cristo e o povo eleito «Avauki-Ampungu» por Deu.

Para as populações Bembe, de Mbanza Kongo e Kwimba, Lunzamba reveste-se de suma importância para suas vidas e crenças, pois, não é tido somente como o fulcro da implantação da igreja de Cristo, como também é prova mais do que evidente da preleção divina dos Bembistas para o cumprimento da missão de Deus na humanidade12 e que actualmente relacionam-no com o Profeta Simão Gonçalves Toco, aquele que Nzambi enviara junto do eleito povo para salvá-los e curá-los de todos os males sociais, dai o provérbio: «… Engoma tukinanga ye lukinza lekanga kuna zulu aba yovo nti, emakuma nkatu matuwanga yeto wantu kala vantoto (…) Kansi avoi yayi ngoma natutu sikidiyo, etutu momo zinzo zeto yovo vovo nfilu antu vakatwa yo sikila, yeto, yeto awonso ikina yo iyani, kadi emekuma mandi mambote (…) Yeno awonso omu ntoto a Bembe nuiza twakin´engoma yoyo, mpangi eto ndombe sikidi yo yovo tua yo sika (…) – Todos aqui no Bembe, o batuque que tem dançado é batuque de ratinho “Lukinza” ou “Nfingi” (rato selvático) que dorme por de cima da palmeira ou árvore, o mesmo batuque não tem bom som, ritmo e show porque estamos no chão e ele na árvore. (…) mas agora este batuque é a ratazana “Ngone” (rato domestico) que vai o batucar e está ratazana dorme nas nossas cabeceiras todos nós temos como dançar porque tem um som e ritmo convidativo; todos vós da terra do Bembe vem para dançar o som deste batuque que esta sendo batucado pelo nosso irmão negro – O Simão Toco13». Paracleto Mumbela (2018:32-33).

Embora termos sido um pouco exaustivo na abordagem do tema, pensamos termos esgrimido os principais argumentos que configuram a realidade aqui exposta sobre o mítico Lunzamba, não obstante, não ser um trabalho acabado encontrarmos dificuldades em uniformizar a periodização dos factos mais estruturantes ocorrido neste grande vale.

Mas tudo que dissemos, são coisas espirituais e de natureza antropológica e que somente podem ser discernidas espiritualmente ou no âmbito da filosofia africana, porque em cerra uma análise antropológica e histórica; todo aquele que quiser critica-lo deve fazê-lo no campo cientifico e não na defesa da “teologia sistemática tokoísta” onde se enquadra a luta contra o Tocoismo verdadeiro.

Bem haja Lunzamba no Tocoísmo!

Luanda aso, 10 de Julho de 2018

Bibliografia consultada

ABRANCHES, Henriques, Sobre os basolongo – Arqueologia da tradição oral, (1991), Fina petróleos de Angola, Luanda

BLANES, Ruy Llera, Paisagens e Memórias Religiosas em Angola – Um Itinerário (Volume 1), Lisboa, 2017;

BÍBLIA SAGRADA, edição revista e corrigida de João Ferreira de Almeida;

CUVELIER, JEAN.,

(1934), Nkutama a mvila za Makanda, Impr. Mission Catholique Tumba

(1971), Nsi eto a Kongo, Histoire de l´ ancien Royaume du Kongo, Diocèse de Matadi

(1972), Nkutama a mvila za Makanda, 4º édition, Diocèse de Matadi

MUMBELA, Paracleto, A história do “Colonato vale do Loge” e a sua importância para o tokoismo (1950-1962), (2018), Luanda, Edições Mumbeliano Tocoista

MUMBELA, Paracleto, A história de Kibokolo, sua relevância e importância para o tokoismo, (2017), Luanda, Edições Mumbeliano Tocoista

LUKOKI, Simão, A origem de Lunzamba e o seu desabamento, Luanda aos 12 de outubro de 2015

Fontes orais

  • Makanga (anciã da igreja), natural do Bembe, Bembe (2018);

  • Antônio (ancião) – antigo morador de Lukunga, Bembe, (2018);

  • Mudyanki (ancião da igreja) – morador do Vale do Loge e responsável do Agrologe, (2016, 2017 e 2018);

  • Paulina Ngyandu (anciã de 100 anos, ainda em vida) – fundadora do Colonato vale do Loge e Missão de Ntaya;

  • Depoimentos dos Anciãos do Tocoísmo e de deslocados do ex-Colonato do Vale do Loge;

  • Arquivos da igreja de Cristo.

1 De acordo com o levantamento feito pela NET (2013), chega-se a uma conclusão que as comunidades que emergiram no Tocoismo está dividido em quatro modelos, a saber: 1º modelo primitivo, 2º modelo monástica, 3º modelo paroquial e 4º modelo familiar, ai consiste a nossa curiosidade em trazer todos estes modelos a ribalta. Esta lançado o desafio.

2 Até aqui, vincula uma grande confusão sobre as aldeias construídas pelos Nampemba, muitos anciãos e conselheiros da igreja do clã Kinampemba respondem nas aldeias de Zulumongo, Sadi e Kiluangu

3 Sobre Basolongo recomenda-se a leitura em Henriques Abranches (1991), Luanda

4 Estudo que tem sido efectuado pelo sociólogo e testiologo António Álvaro (2013-2014), sobre As comunidades Tocoistas e o apostolado dos anciãos da igreja

5 Vide Edições Mumbeliano Tocoista e Centro dos Estudos Tocoista

6 Depoimento prestado pelo ancião supracitados em 1950, no âmbito da entrega do colonato a Simão Toco, e registado pelo Pedro Mumbela (1975:11)

7 Mais de talha vira no artigo sobre “Yanga dye Lunzamba no Vale do Loge”

8. Vide a epístola de Simão Gonçalves Toco datada aos 01.09.1953

9 Traremos brevemente a biografia desta anciã, nos estudos que estão ser efectuados por nós em parceria do centro dos estudos Tokoistas

10 Vide a epístola de Simão Gonçalves Toco datada aos 17.06.1955

11. Os números 12 e 24 têm uma forte relação com a simbologia Tocoísta: Os 12 mais velhos, as 12 tribos de Israel –tokoista e 24 simboliza os 24 anciãos do Apocalipse, são os primeiros órgãos a serem formados na igreja de Cristo em Léopoldville e na missão do colonato.

12. Os Zombo e os Yaka eram os dois subgrupos etnicos Kongo mais desprezados no Reino. De acordo a memória colectiva destes, Nzambi escolhe estes dois grupos para através deles cumprir o seu desígnio, tendo os Zombo assumido a primazia da sua realização e que em caso de falha, a preleição passaria automaticamento para os Bayaka.

13 Tradução do Paracleto Mumbela, aos 4 de Maio de 2018

Comentário
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1 Comment

  1. Todas Religiões importadas que activamente participaram na colonização, escravatura etc, devem abandonar or expulsos de Angola e do continente Africano, so assim DEUS e os nossos antepassados vão ficar satisfeitos e a bênção cairá sobre nós.

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