A HISTÓRIA DE NKUSU-MPETE: Arqueologia da tradição oral

Ilustração 4. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo "Os Tokoistas" 23.09.1958 . Nkusu-Mpete - Aldeia de Mbanza Komba. Arquivo - Edições Mumbeliano Tocoista

(Origem do Tuku dye Makanda, seus promotores, protagonistas, Tokoismo, percursos, mitos, dinâmicas, conflitos, relevância do lugar, genealogia do profeta Simão Toco)

 POR EDICÇÕES MUMBELIANO TOCOÍSTA

Ilustração 1 – Mapa do Antropólogo e Missionário Thomas Lewis – fonte – Arquivo Edições Mumbeliano Tocoísta

No presente artigo trazemos a ribalta a “A história de Nkusu-Mpete: Arqueologia da tradição oral”, com o qual pretendemos descrever, a partir do estudo de caso sobre a história de Nkusu-Mpete, trajectória sua reestruturação das tribos e poder politico dos Nampemba, Namadungu, Benga kye mwana yakala, Na nanga e Ne Lunzamba. Vamos retomar deste modo alguns debates sobre o clã Nampemba do profeta Simão Toco, e o surgimento das regedorias de Sadi/Zulumongo, Kiluangu e Kiwembo, passando por Bangu e Sanda-Kingombe.

RESUMO

Em segundo lugar, iremos traçar um importante marco da geografia histórica do Tokoísmo e da expansão da Igreja de Cristo no mundo, desmistificando assim os tabus que se vem criando em torno da formação da tribo de Nampemba Mpata, baseando nos escritos deixado pelo próprio profeta Simão Toko e do testemunho dos Anciãos.

INTRODUÇÃO

A temática que agora chega ao seu conhecimento, é uma reflexão antropológica, histórica e sociológica sobre a localidade de Nkusu-Mpete, a partir da sua “origem”, “trajectoria”, “reestruturação das tribos”, conflitos e num ambiente da reconstrução e ocupação dos lugares.

Neste segundo artigo de uma colecção de 10 sobre os «ASPECTOS SIMBÓLICOS DAS REGIÕES RELEVANTES DO TOKOISMO», debruçar-se-á sobre a origem, simbologia, conflitos, reestruturação das tribos, e como se não bastasse, do local da expansão da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Os Tokoístas” no período crucial da sua afirmação na região, isto é, de 1958-1961. Nkusu-Mpete é um local histórico com vários mistérios,  culturalmente rico e fundamental para as tribos Nampemba, Namadungu, Na Nanga, Benga kye mwana yakala, Ntu Nkosi na Loangu e Na Ndamba, dentre outras.

Neste artigo, é nosso dever:

  1. Sistematizar a história da região de Nkusu-Mpete e reconstruir o percurso da tribo Nampemba, Benga kye mwana yakala e Namadungu; tal como alguns acontecimentos proféticos que se registaram nesta localidade;
  2. Descrever a simbologia do Nkusu-Mpete e Ndamba;
  3. Despertar a Comunidade Tokoísta e acadêmica sobre a importância do Nkusu-Mpete, uma das mais antigas regiões administrativas do antigo Reino do Kongo, e circunscrição independente da Damba e do Zombo (Joan Vemba, 2015) no contexto da reestruturação das tribos Bazombo e não só.

A pertinência da tradição historiográfica Tokoísta mais antiga tem-se verificado na publicação de compilações documentais (Paracleto Mumbela, 2014-2015; António Álvaro, 2017; Ruy Blanes, 2014; Edições Mumbeliano Tokoísta, 2015-2018 e Centro dos Estudos Tokoístas, 2017-2018). Apesar de ser um valioso trabalho, mas o caminho é longo e há muita mata para se desbravar, faltando-nos ainda a devida anotação e contextualização crítica dos principais factos. De referir que nos últimos três anos, a maior parte dos estudos efectuados sobre o Tokoismo deixaram de ser exclusivamente “endógena”, porque viu-se que o Tokoísmo não é apenas as Direções, Gabinetes e Órgãos, mais sim, a sua complexo e pluralidade histórica. Neste contexto, sugerimos que todos sejam inseridos e não excluídos, não obstante haver separações históricas[1] a partir da sua gênese.

Ainda há poucos autores que se atrevem apresentar sínteses globais sobre os estudos das regiões onde trilhou a tribo do profeta Simão Toco e os seus discípulos Ngunga-Ngêle, por ser um trabalho de investigação muito aturado e talvez por falta de informações, paciência! Daí a nossa preocupação em trazermos à ribalta a verdadeira história do Tokoismo, a formação da tribo Nampemba e Namadungu, sem deixar de lado as comunidades dos seus protagonistas.

Aqui vai a nossa singela homenagem aos dignatários de Nkusu-Mpete, a todas as tribos ai reestruturadas, aos Sobas das aldeias de Mbanza Komba, Nkusu-Mpete, Yokola, Nkusu a Kimpemba, Nkusu a Madimba e Soba Nanga, que condignamente nos acolheram durante os dias que ai permanecemos.

A ORIGEM E ETIMOLOGIA DO TERMO NKUSU-MPETE

 Até aqui, o estudo de Nkusu-Mpete que se abre é exorbitante, apesar de ser comum aos demais, mas para os Tokoístas e a tribo Nampemba, Namadungu, Nananga, Benga kye mwana Yakala e o Ndamba em geral é relevante, visto ser a origem das tribos supracitadas e as demais não citadas, na percepção de Simão Toco (1973:1), Pedro João Mana (sd/Ntaya), Sebastião Kiongolo (2016-2017), Simão Lukoki (2015-2018) e Pedro Mumbela (1981:15).

Antes de entrarmos na etimologia do termo “Nkusu-Mpete”, importa salientar que no Município da Damba existem três localidades com a mesma denominação: Nkusu-Mpete, Nkusu a Kimpemba e Nkusu a Madimba, tal como podemos recorrer aos estudos sobre a localidade realizados por Joan Vemba (2015), Sebastião Kumpessa (2015), e confirmado pela revista Wizi-Kongo (edição de 2015). No parecer dos autores supracitados, as localidades com a mesma denominação e prefixo, estão distribuídas em:

  • Nkusu a Kimpemba segundo o mapa dos Missionários faz fronteira com a comuna de Kibokolo por intermédio da aldeia de Kintandu e 14 de Abril (mabaxe);
  • Nkusu a Madimba, Nkusu Mafinda ou Nkusu Kindokina com a gênese em Kisoba Nanga, estende-se numa parte da margem do Kongo (Simu dya Kongo), fazendo fronteira com a Comuna de Lukunga, Município do Bembe[2].

Aqui coloca-se as seguintes questões: (1) Qual é o Nkusu que pertence a gêneses da tribo Nampemba, Namadungu, Benga kye mwana yakala e a família do profeta Simão Toco? (2) Qual é o Nkusu onde nasceu o ancião Luwawu, o irmão do soberano Ndombele Luvumbu (Bitopo), pai do profeta Simão Toco? (3) Qual é o Nkusu que nasceu o ancião Kalemba ko monina, o primo do soberano Ndombele Luvumbu?

De acordo com os escritos de Simão Toco (1973:1), Pedro Mumbela (1975:15) e dos historiadores especialistas sobre os clãs Bazombo (Jean Cuvelier, 1946), confirmado nos Mapas do Antropólogo e Missionário Thomas Lewis (1899-1912), de que a família do profeta Simão Toco e as demais tribos com gênese na Ndamba, partem todos do Nkusu-Mpete, actual comuna de Ndamba, para depois da guerra das tribos, alguns migrarem para Nkusu a Kimpemba, passando pelo Kisoba Nanga (soba Kinanga) e posteriormente desembocarem na aldeia de Bangu-Sanda Kingombe na Comuna de Kibokolo.

  • A origem e etimologia do termo Nkusu-Mpete

Até aqui, segundo os mapas topográficos do missionário e escritor Thomas Lewis (1899-1912) e Jean Cuvelier (1946) então especialistas da história clãnica do Zombo, consultados os arquivos da Bélgica, da Torre do Tombo e do Arquivo Histórico Ultramarino, encontramos o nome “Pete cussu ou Cussupete[3]”. Apesar da escrita da palavra kikongo “Nkusu-Mpete” ter sido portuguesada, aparentemente vêm da expressão “Kusa” e “Mpeta” que significa “untar e caçar”. O Antropólogo, Historiador e Missionário Jean Cuvelier (1972) confirma o nome, acrescentando que o caçador citado, aquele que confecciona ou tempera o animal caçado; na interpretação bantu, aquele que tem a sabedoria e o dom de resolver os problemas. E conclui num dos seus apontamentos, que a região do Nkusu-Mpete era dirigida pelo soberano que sabia distribuir cada clã ou tribo com a sua localidade ou caminho de partida, a razão deste atributo.

A palavra Nkusu em língua Kikongo poderá ainda significar “ratazana ou rato selvático[4]”, “Kusumuka”, “Escapar ou Fugir”, “Tapete” ou “Templo” (ZIEZO, 2018; LUKOKI, 2018), ao passo que “Mpete (ou M`pete, Mvete” significa “Aliança, Concerto, Arbusto ou Árvore”. Com a mesma denominação, é uma expressão atribuída a localidade de encontros e reencontros das tribos e clãs, em homenagem a localidade que albergou nações, tribos e línguas. Alguns há que alegam que o nome foi atribuído em homenagem ao patriarca NE NKUSU NA MPATA, conterrâneo de Soba Kinanga, Ne Nkusu a Mpemba, Nzawa a Mbakala. Por isso, no léxico do Ne Ndamba, Nkusu-Mpete possui quatro sentidos:

  1. Sentido Religioso: Nkusu-Mpete é um espaço que possui capim que cresce naturalmente nos mazumbu (locais primitivos antes habitados e sepultados os ancestrais) que serve para resolver problemas, (esterilidade, conflitos tribais, secas, mortes). Neste caso, o sacerdote eleito pelos antepassados entra no tabernáculo ajoelhando no nkusu (tapete), pedindo aos ancestrais a benção para as populações;
  2. Sentido politico: este nome tem autoridade ao ter reestruturado as tribos vindos de Mbanza Kôngo e dar solução aos seus diversos conflitos;
  3. Sentido econômico: é o lugar reservado para o pagamento e cobrança de impostos. Também pode ser o local de reclamação e no interior deste é plantado a árvore Nsada (mulembeira), onde as pessoas descansam enquanto realizam as suas trocas sociais;
  4. Sentido militar: Nkusu-Mpete também pode ser considerado como uma trincheira segura, onde as pessoas se escondiam dos conflitos armados e das caravanas dos colonos para evitar que fossem atacados – a batalha de Ambuila é um óptimo exemplo para aferirmos a nossa tese, sem falarmos da guerra de Kibokolo que teve lugar em Kimalomba em 1902. F. Grenfell (1998:147); Paracleto Mumbela (2017:56) e João Nogueira Garcia (2016:3), Pélissier (1997).

 

Ilustração 2. Instrumento de guerra utilizado pela tribo Nampemba – Arquivo Edições Mumbeliano Tocoista

Ainda na toponímia do Nkusu-Mpete, o nome em estudo carrega consigo três significados:

  1. Esta designação deriva da localidade que, na percepção de Cuvelier (1972) e Paracleto Mumbela (2015:15) representa a “aliança” ou “concerto” que os soberanos das mesmas estabeleceram na formação e selecção das diversas tribos ai formadas ou recambiadas. Caracteriza os diplomatas clanicos ou o individuo que ajusta linhagens, através de concertos ou alianças, depois da fuga destes da cidade (Mbanza Kôngo);
  2. Este topônimo indica a responsabilidade daquele que arisca o seu reinado em prol da organização das tribos acolhidas, onde são curiosamente convidados a participarem nas cerimónias e na constituição de “Mawene” – Directrizes e segredos das tribos;
  • Porque os soberanos desempenhavam, o papel de Sacerdote e mediador entre as tribos, onde em caso de dúvidas e conflitos entre as tribos envolvidas e formadas no Nkusu-Mpete, eram obrigados a retroceder a procedência, e viam os seus problemas resolvidos.

Assim sendo, a região de Nkusu-Mpete segundo os mapas consultados e as opiniões dos anciãos, foi formado pelo subgrupo etinolonguístico Bansoso, aos 16.01.1496 (?). A data da formação do Nkusu-Mpete ainda há-de merecer estudos sistemáticos da nossa parte porque os mapas consultados, assim como Jean Cuvelier que datam de 1946, já ilustravam o nome do Nkusu, Mpemba, Mbamba, incluindo Zombo, Nsoso, Damba e Wandu no momento da chegada dos portugueses em 1482. Ainda na mesma ideologia, além das seis províncias do antigo reino do Kongo Nkusu-Mpete fez parte nos anos 1527 da região que seria elevada a categoria de província, porque já contava com o governador[5], atrás de Mbamba, Matari (Matadi) e Ambundu (Ndongo), fora doutras evidencias somente estas informações pode nos deduzir e trazer a certeza da data supracitada. António Seitas (2007:23) e Sebastião Kumpesa (2017). A pesar de estar muito distanciado do Damba como se pode observar no mapa, dá-nos a percepção de que na altura, o Damba e Nkusu eram regiões distanciadas uma da outra, porque estavam em fase de reestruturação territorial, parecendo-nos que este distanciamento clanica na altura não representava gentes do mesmo clã. A pesar de serem mapas que não apresentam pormenores topográficos (hidrográficos, toponímicos), com relação a Ndamba na altura, o autor distancia demasiado Nkusu-Mpete de Ndamba e não coloca Kibokolo, sendo uma região que faz fronteira com o Nkusu-Mpete.

Ilustração 3. Mapa do Antropólogo e missionário Jean Cuvelier, datada em 1946, cedido pelo Dr. Sebastião Kupessa (2018)

O primeiro mapa foi o que mais nos interessou para este estudo, visto que o nosso objectivo é seguir os trilhos da tribo Nampemba, Namadungu, Na Nanga, Ntu Nkosi na Loango, Nanfutila Nawembo e Benga kye mwana yakala, e é de autoria do Antropólogo e Missionário Thomas Lewis (1899), intitulada “Extracts from anual reports of the Baptist missionary Society concerning the Station of Kibokolo-Zombo”, publicado em 1912. Este mapa apresenta Nkusu-Mpete ao Sul da Damba, menciona a aldeia de Luwaya e Malundu com proporções, achamo-lo correcto.

Durante a nossa pesquisa documental (2017-2018), consultamos outros mapas do arquivo da Torre do Tombo, do Arquivo Histórico Ultramarino, mas ficamos impressionados com o mapa do missionário, comerciante e escritor Stanley B. (1877-1885[6]), e as mencionadas por Gonçalves (2005), Setas (2007), Pélissier (1997) e José Carlos de Oliveira (2008), visto que o mesmo descreve todas as suas viagens efectuadas enquanto Missionário, comerciante e escritor, tendo passado no Nkusu-Mpete em 1887 na perspectiva de abrir a subestação Missionária naquela localidade (F. Grenfell 1998:211) e por causa dos mercados de Nsoso, Kisoba Nanga, chegando em Kibokolo onde  visita os seus companheiros e aí teve a sorte de visitar o mercado de Nkenge Kibokolo na aldeia de Wembo[7], mesmo no cimo do monte.

Mapa do Missionário e escritor Stanley B, 1877-1885, Arquivo da revista Wizi-Kongo (2018), publicado pelo Dr. José Carlos de Oliveira
  • Relação existente entre Nkusu-Mpete, Nkusu a Mpete, Nkusu a Kimpemba, Nkusu a Madimba, Bangu e Nzau (Kibokolo), Mbanza Zombo (Ntanda Luídi) e Sadi – Zulumongo

 Até aqui ainda não podemos identificar ao certo as aldeias em que vieram estas populações, mas os estudos indicam que muitos deles vieram das Províncias de Mbamba, Mpemba, Wembo, Nsundi e Wandu, tal como podemos observar no mapa de Jean Cuvalier (1946), José Carlos de Oliveira (2008), Setas (2007) e na opinião do Pastor Mbiavanga (2018), líder do movimento religioso tradicional Dibundu Dya Kintwadi Kya Bandwenga (DKB).

Ainda que recuemos atrás no que tange a trajectória do subgrupo etnolinguístico Bansoso que se estabilizaram na região da Ndamba e que se estende na maior parte das localidades de Sanza Mpombo, Milunga e Kimbele, veremos que este povo teve a sua origem a partir de Mbanza Kôngo, seguiram trilhos para Serra de Kânda em companhia com outros subgrupos etnolinguísticos Basolongo ou Musorongo, Muxikongo e Muzombo, representados pelos clãs de Nabokolo, Nafutila na Wembo, Nampemba, Namadungu, Nananga e Na Ndamba, etc. Estando na Serra de Kânda, alguns foram construir Ndamba (Damba), outros Kibokolo (Nabokolo) e outros ainda Mbembe (Bembe). Assim o Nkusu-Mpete passou a ter relações de afinidades com as localidades supracitadas nos seguintes moldes:

  1. Relação social: No âmbito social, Nkusu-Mpete tem afinidades com as localidades supracitadas: (i) por causa da aliança estabelecida entre as tribos por via patrilinear e matrilinear; (ii) por possuir os povos acolhidos na região de Nkusu-Mpete; (iii) pelo facto de Nkusu-Mpete ser o ponto de chegada e de partida de muitas tribos que se desembocaram à Sul de Kibokolo e todo alto e baixo Zombo. Podemos encontrar ainda três pressupostos que estabelecem a relação social de Nkusu-Mpete com as distintas localidades da região: (a) a independência social/clanica; (b) a independência geográfica, no ponto de vista da região; (c) a independência cultural, no ponto de vista dos ritos, modo de vida e religião.
  2. Independência Social/Clãnica: A partir do desmembramento das tribos em Mbanza Kongo e consequente chegada no Nkusu-Mpete, as tribos foram ganhando vivacidade e cunho histórico, visto que tanto em Mbanza Kôngo como no Nkusu-Mpete, na sua maioria eram dependentes e trabalhavam como vassalos dos povos acolhedores. Foi o caso dos Manyanga, Mbakaka, Bansundi, Banpangu, Bambata, Mimboma, Nampemba, Na Ndamba, Nabokolo, Namadungu, Namiala, Namazinza, Nananga, que na opinião de Jean Cuvelier (1971:9-10), dependiam totalmente do Rei do Kongo antes da formação de Nkusu-Mpete e Ndamba;
  3. Independência geográfica/territorial: Após a dispersão da maioria das tribos em Mbanza Kôngo e consequente chegada no Nkusu-Mpete, na sua maioria tiveram que possuir seus próprios territórios, e foi o caso da tribo Benga kye mwana yakala que de acordo com toponímia de Kibokolo, acamparam na localidade de Bangu logo a seguir a Nsanda Kingombe na encosta do rio Lusengêle, onde anos depois tiveram que acolher os Nampemba-Mpâta da linhagem paterna do profeta Simão Toco. Sucessivamente foi acontecendo com a construção de Lunzamba, Sadi, Kiwembo, Konzo dya Vululu, Ntavudi, Manyanga, Ntanda Luídi, Nzolo Ntulumba, Kiluangu e Tadi, tal como podemos ler no mapa do Antropólogo e Missionário Thomas Lewis (1899-1912). Daí ser urgente a criação da Historia Geral do Tokoismo[8]! Contudo, antes da sua elaboração, é necessário que se clarifique um conjunto de factores que estão na base do surgimento e das dinâmicas dos povos desta região, outrora negada e menosprezada. Este é o tempo, enquanto alguns anciãos ainda estão vivos para nossa melhor orientação;
  4. Independência Cultural: Depois de conquistar a região, cada tribo foi obrigada a criar as suas raízes culturais, mas bem assentes na tradição geral dos Bazombo, apesar de um ou outro povo apresentar ligeira variação num dado aspecto cultural. E muitas tribos chegaram ao ponto de criar os seus próprios mitos de origem e suas figuras religiosas, fruto da sua dinâmica social. É o caso dos Nampemba que criaram o seu mito na regedoria de Sadi em Zulumongo entre os rios Manwana e Malêma, sem falarmos do mito sobre o monte Kitumisiko em Landangu e da religião de Makulungulu, cujo Nzambi Lubondo ou Mpungu era a sua figura central de culto. Paracleto Mumbela (2016:45) e Centro de Estudos Tocoístas. Em 1951, o Padre Alberto Ndandu (1951:3) ao ter se infiltrado no Tokoismo como membro, levantou a tese sobre esta mitologia, ao ter constatado alguns hábitos e costumes da região, imputando de seguida à doutrina do incipiente Tokoísmo (1950-1956) na época, sem, contudo averiguar que se tratava de práticas anteriores a chegada do Tokoismo na região e que faziam parte dos movimentos dos sadistas de Ndolomingo Mpembele, Kapitão Kufinda e Osana Luwengu (1865-1959) que foram posteriormente admitido no Tokoismo em 1950. É o caso da proibição em Maio de 1955 sobre o consumo de carne de porco, cabrito e kizaka[9] que havia enraizado no Tokoísmo de 1950-1954. Eduardo dos Santos (1972:399) reconheceu isto na sua obra sobre Movimentos Proféticos e Mágicos em Angola. Aliás, é fácil perceber-se disto. Basta fazer incursão nos distintos Grupos que hoje compõem o Tokoismo, veremos que há muita contradição quanto a lei da proibição do consumo da carne de porco, kizaka e sangue que esteve na primeira linha das orientações da Igreja (até 1955), mesmo tendo sido revogada em Maio de 1955, altura que Simão Toco procede a depuração dos aspectos culturais dos povos que enfermavam o Tokoismo.
  5. Relação econômica: Do ponto de vista económico, a região de Nkusu-Mpete serviu de trampolim para o crescimento económico das várias localidades e tribos, através do famoso mercado Soba Nanga. Foi uma espécie de “Fundo da Solidariedade” que os estudiosos precisam investigar com mais profundidade, a fim de compreenderem a riqueza económica deste povo que muito se dedica as actividades económicas desde os seus primórdios. Trata-se do simbolismo da “Luta contra a pobreza”. Neste mercado foi arrecadado fundos que auxiliaram na estabilização da economia das tribos.

 Para além deste mercado, a Anciã Amélia Miguel Henriques “Kuzulu” (2015) trouxe a ribalta outros mercados que na altura serviu para as trocas sociais destes povos e que estão na origem da rápida dispersão e ramificação dos clãs e tribos, nomeadamente: (a) Mpangala Zombo dentro da sede de Makela; (b) Nsona Makela em Makela; (c) Nsona Kipaka no caminho para quem vai a Kinanga passando pela Missão de Kibokolo e pela aldeia de Lusengêle, junto às encostas do rio Lusengêle que vai desaguar no rio Lwídi; (d) Mpangala Kimlenge na picada que dá acesso a via de Nkama Ntambu em direcção a Kuilu-Mfuta, seguindo para Béu, Sakandika até a RDC; (e) Nkenge em Kibokolo (Missão); (f) Mpangala Masêke, é o mercado de quem vai em direcção à Mbanza Kôngo pela via do Kwimba; (g) Kimbalazolele que é o mercado que está situado em Kimbata[10] na fronteira com Kimpangu, após a travessia do rio Mfulezi; (h) Masêke – mercado que esta situada próximo da aldeia de Mbanza Mlembela depois da travessia do rio Kimbungu e (i) Konzo dya Vululu[11] nas proximidades da Missão Tokoísta de Ntaya.

Como se pode verificar, a relação económica que Nkusu-Mpete estabeleceu com os povos que acolheu, não somente serviu para arrecadação de receitas para a sustentabilidade das suas famílias e clãs, mas também serviu de ponte para encontros amorosos através das trocas matrimoniais e das alianças que foram firmadas entre os dignatários, onde a maior parte das tribos estacionadas aí, contraíram matrimónio entre si. Foi o caso do Ancião Ndombele Luvumbu, pai de Simão Toco que são originários da aldeia de Bangu em Nsanda-Kingombe por intermédio do mercado de Nkenge – Kibokolo, tal como sucedera com Nkosi Kama esposa de Ntinu Nsaku que sai do Bangu para residir no Sadi pela via do matrimónio, a Ndona Osana Luwengu (Suzana) que também chega à localidade de Sadi por esta via, onde é esposada pelo soba Ndolumingu Mpembele Nsamu Kyakala (primeiro filho de Ntinu Nsaku com a Nkosi Kama)[12], sendo este o fundador da aldeia de Zulumongo aos 23 de Abril de 1860 (?) em Mbanza Mpambu na regedoria de Sadi, sob  autorização do Soba Mbala ze Beba[13].

Ainda se pode verificar com Ancião Miguel Timóteo Luzala “Lisboa Manziko” da regedoria de Ntanda Luídi, aldeia de Mbanza Zombo é descendente de Nkusu-Mpete na aldeia de Yokolo na tribo Nananga, e que vai esposar a rainha de Nsona-Mbata, a Anciã Madalena Menga Mumbela da tribo Nampudi, por intermédio das trocas sociais resultantes no mercado de Nsona-Mbata, etc. Daniel Araújo Mfinda (1955-10), Jean Cuvelier (1972:75), Simão Toko (1973:1), Domingos Kibeta (1961), Pedro Mumbela (1988:1) e Paracleto Mumbela (2015:12).

  1. Relação politica/religiosa: No âmbito da politica religiosa, podemos encontrar relações através das religiões que serviram de proximidades e conversões dos integrantes das tribos, quer na Missão Baptist Missionary Society de Kibokolo (BMS), Bembe e Mbanza Kongo, como na Missão de Católica na Damba e Makela, pois, as tribos não se distanciava entre si e a Igreja Tokoísta está repleta de anciãos que antes eram Católicos e Baptistas.

Cremos ter existido outras relações entre a região de Nkusu-Mpête e as localidades supracitadas, mas decidimos mencionar estas, consoante o levantamento de campo efectuado. Não vamos confundir os pressupostos da relação estabelecida entre as localidades e sentido do significado da denominação, há uma similitude.

  1. SURGIMENTO E CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA DE NKUSU-MPETE
  • Contexto histórico do surgimento da região do Nkusu-Mpete e da restruturação da tribo Nampemba-Mpâta

 A história dos povos que construíram “Nkusu-Mpête”, oferece momentos fascinantes e importantíssimos na história geral dos Kongo e de Angola, de África e em particular dos Nampemba, Nandamba e Namadungu, quiçá, da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Os Tokoístas”:

  1. Trata-se da trajectória dos seus habitantes oriundos de S. Salvador (Mbanza Kongo), entre as províncias de Mbata, Mpemba e Nsundi;
  2. Tem haver com o povo Nampemba e Namadungu;
  • Enquadra-se na origem da formação da tribo Nampemba-Mpata e o seu desmembramento em Nkusu-Mpête;

É difícil entender a história cíclica de “Nkusu-Mpete” sem primeiro que percebamos a trajectória cíclica da Damba ou do soberano NA NDAMBA LUTAYI, a figura central que esteve a frente de Namputu, Nzawu, Mbakala, Nkama Ntambu, etc, segundo Sebastião Kumpessa (2017:3), assim como as demais tribos e povos que se desmembraram do Mbanza Kongo, como temos vindo a referenciar em todos os trabalhos anteriores desta natureza.

Ao fazermos uma incursão nos escritos de Simão Toco (1955-1974), Pedro Mumbela (1975-1984), Miguel Nambauka (1981-1999), Jean Cuvelier (1972:26), Avelino Mbiavanga (2016), René Pelissier (1997 vol. II), António Custódio Gonçalves (2005), António Setas (2007) e Sebastião Kumpessa (2017), assim como na opinião de alguns Anciãos do Nkusu-Mpete, podemos entender que os seus fundadores, isto é, os Bansoso em companhia dos Bazombo, Muxikongo e Musolongo que partiram de Mbanza Kongo em direcção a floresta e transpuseram a Serra de Kanda.

Segundo Jean Cuvelier (1972:44), os mesmos seguiram o rasto do rio Nzadi e Lufundi, deixando a Serra de Kânda atrás e prosseguiram a margem do rio Lukunga, passando pelo território do Bembe, subindo a região de Madimba, hoje também chamado de Nkusu a Madimba. Joan Vemba (2015:1). E foram instalar-se no Nkusu-Mpête no território do Mfumu Na Ndamba. Paracleto Mumbela (2017:31) e Jean Cuvelier (1972:26).

Por sua vez, o Nabokolo (Kibokolo) incluindo os Bazombo no geral, na opinião do soba Avelino Mbyavanga (2016:2), seguiram o ponto rochoso, fronteira do Zaire, local que hoje conhecido de «Ntu a mboma», ou seja, cabeça de Jibóia, paragem obrigatória para as tribos Nabokolo e Nafutila Nawembo, sendo o local da divisão entre Kongo e Zombo. E a marcha continuou à pé até chegarem na sanzala de Mbanza Zombo. Nesta sanzala, houve desentendimentos entre as tribos, tendo resultado em mortes de milhares de peregrinos. Assim, decidiram abandonar a sanzala de Mbanza Zombo e seguiram a marcha à margem do rio Ambriz, próximo às quedas de Kizulu e posteriormente fixando a marcha na floresta Vûnda[14], ou seja, «Mfinda Vûnda[15]». Meses depois subiram o monte e foram construir a regedoria de Kibokolo, passando antes em Nkusu-Mpête. Avelino Mbiavanga (2016).

Com estas informações, estamos em condições de prosseguirmos com a sistematização e determinação clara sobre a formação da tribo de Nampemba-Mpâta que teve a sua passagem na localidade de Nkusu-Mpete, e que seguem trilhos para aldeia de Bangu logo após Sanda Kingome em Kibokolo, seguindo depois até a regedoria de Sadi, onde vão construir a aldeia de Zulumongo e Mbanza Ntemu.

  1. Simão Toco e o reencontro com a história dos Nampemba

Segundo o registo do ancião Pedro João Mana chefe do clã de Simão Toco, podemos visualizar como se constituíam os Nampemba antes do profeta Simão Toco em 1973 os ter atado num só nó que prende actualmente estes Luvilas todos (Ngenga)[16]. Segundo este ancião, no principio os Nempemba[17] estevam formado da seguinte maneira:

  1. NA MPEMBA – MPATA– Yevela kivelela nkombo anene yaviondoka e mpaka, avo ka ye nkambu ko, ye Mbuku a Nima;
  2. NA NDUANDIDIKI– Wazinga longo, kabata yakondwa ye mpu ze nkaka ze kukuzioka mutu wabenga kiamuana yakala, mutu wampemba ye mpata ye vela kivelela;
  3. NA BENGA KIA MWANA YAKALA-Mpu nze nkaka ze kokuzioka, mpemba ye mpata e vela kivelela[18].

Até aqui, estes foram os clãs da linhagem de Na Mpemba-Nkosa que esteve no Nkusu-Mpête. Segundo nos revelou o ancião Myala da aldeia de Mbanza Komba, comuna de Nkusu-Mpête, em 1952 (?) o Soba Nanga ou Kinanga tivera sido preso pelo Governo Português e desterrado para o Sul de Angola, onde viria encontrar-se com Simão Toco. Neste encontro, Simão Toco fez questão de perguntar sobre as origens dos Nampemba de onde é oriundo e com certeza o Soba Nanga da região de Nkusu-Mpête revelou-lhe o sucedido.

Após início da renhida guerra de libertação nacional que eclodiu em Angola em 1961, Simão Toco é retirado do Sul de Angola onde esteve exilado doze (12) anos e enviado para norte de Angola, a fim de chamar os seus irmãos que se encontravam nas matas. Nesta espinhosa missão, Simão Toco fez questão de passar por Lukunga e chega à Damba aos 25 de Julho de 1962, onde foi recebido pelo Administrador Orlando Teixeira de Sousa e no dia seguinte teve o privilégio de visitar a vila e algumas povoações ao redor da Damba, nomeadamente: Nkusu-Mpete, Kisoba Nanga, Nkusu a Kimpemba e Mbanza Yokola, etc. Aos 27 de Julho de 1962, partiram para Kibokolo, onde foram recebidos pelo Chefe do Posto que da mesma forma tiveram o privilégio de visitar aldeia de Bangu, Kimalomba, Kinzau, as fontes do rio Lusengêle, etc. Simão Toco[19] e Myala (2018).

Curiosamente podemos perceber que Simão Toco faz uma confirmação da conversa que mantiveram com o Soba Nanga no Sul de Angola a cerca da sua tribo Nampemba, por isso, fez uma aturada pesquisa para apurar a veracidade dos factos. Daí ter confirmado aos seus familiares “… A nossa tribo é Nampemba ou Nampemba Mpata – NAMPEMBA YE MPATA YEVELA KIVELELA NKOMBO ANENE YAVIONDOKA E MPAKA, AVO KA YE NKAMBU KO, YE MBUKU A NIMA; TUKU YE BANGU. BENGA KYE MUANA YAKALA ONDWANDIDIKI O ZINGA LONGO LO MPANZU, OKABATA KAKUNDWA. MPU ZANKAKA ZAKUNKUKA, OFULA KWA NGULU VAVUL’EMPAKA NZANDI E NANGA KUNA NSUKA ZE KONGO. Ou seja: KIEMVO-NA KIEMVO BULUNGU YE NLAZA MPIDI NKONBO ANENE YIVIODOKA MPAKA, VO KA YE NKAMBU KO, YE MBUKU A NIMI, LUSENGELE, MAKELA ZOMBO, KIMPANGU (MPATA).

Numa tradução subtil e preliminar, poderemos dizer que os Nampemba estão na origem de todas as tribos do Zombo, com o significado de alguém que nasceu, cresceu, envelheceu e teve filhos, netos e bisnetos, a fim de irem criar outras tribos para posteriormente virem prostrar-se diante do ancestral da tribo (Nampemba), a fim de mostrá-los abrigo. Pode ser também entendido como, o começo e o fim de todas as tribos existente no Zombo.

Em outras palavras diremos: “lavrar, colher e limpar sem deixar nada (Isaías 53:3-9)[20]. Um grande bode com chifres curvados que não é do senhor Nkambu, mas sim do ancião Mbuku-Animi. O principio e o fim Tuku ye Bangu. Isto é, em Deus Alfa e Ómega[21]. Apocalipse 22:13[22], S. João 17:14-18[23], S. Lucas 7:13-17[24]). Benga que pertence a um rapaz, aquele que foi eleito, prostrado e ungido e que girou ou pertence a família Mpanzu-Kabata, derrotando assim aquele que antes esteve no trono. Alguns vestígios foram usurpados e enviados aos que roubaram-Nzadi e Nanga estão no fim do Kongo.

Ao concluir o seu levantamento historiográfico, Simão Toco, aos 29.08.1973, endereça uma carta a sua sobrinha Luzolo António, informando-lhe sobre o percurso da tribo Nampemba, sua trajectória e formação da regedoria de Sadi e suas aldeias satélites, como podemos ler: “A nossa tribo chamava-se “Nampemba ye mpata ye vela kyevelele. Nkombo anene ya vyondoka e mpaka, avo ka kye Nkambu ko, ye Mbuku a nimi …”. Há muitas tribos em Angola … Essas tribos multiplicaram-se, subdivi-diram-se e espalharam-se em muitos lugares de Angola e Congo ex-Belga. E tornaram-se numa grande família com muitos pais e mães, avôs, tios, sobrinhos e primos, etc, etc, etc. É uma família que vós as meninas ou filhos deste tempo jamais conhecereis, porque estão seguindo uma outra tribo mais importante que mais abaixo vou expôr-te. Essa Tribo de Nampemba, esteve espalhada nas seguintes terras que presentemente já não existem por causa da confusão do terrorismo que fez desaparecer essas terras, mas ainda ficaram poucas. Antigamente, no tempo dos antepassados, o 1º Povo de Nampemba começou na terra da Damba chamada Nkusu que é a terra do nosso irmão Simão Vuvu e outros[25], depois desse povo se multiplicar, os outros deixaram Nkusu na povoação que outrora se chamava Povo do Soba Nanga, parente de Makanda[26]. Não sei, mas julgo que em Makanda ou Nkusu Mpete é a parte onde o chará Simão Vuvu nasceu, mas não tenho a certeza. Só tenho a certeza que naquelas partes foi onde nasceu o mano João Felix[27] que era Catequista de Mbanza Gombe em Maquela do Zombo… No Povo do Soba Nanga onde começou a Tribo de Nampemba, foi lá onde vivia o meu tio, irmão do nosso pai que se chamava “Luwawa”, parente do nosso tio Kalemba ko Manima, todos já falecidos. Continuando a história de Nampemba, depois de multiplicar-se no Nkusu. Os outros deixaram Nkusu e foram construir suas casas no Bangu-Kingombe em Kibokolo[28]. Também essa Tribo continuou a multiplicar-se e depois a metade dessa tribo deixou Kibokolo e foi para Maquela no povo que se chamava Mbanza MpambuSadi que tinha dois povos que são: Mbanza Mpambu onde nasceu o meu pai e Mbanza Zulumongo onde nascemos nós os 04 se não me engano. Podem perguntar a minha irmã Idela Luketo Mlandu Luvumbu (nasceu aos 20.02.1912[29]) e Lídia Kitoko Ndongani Luvumbu (nasceu aos 17.11.1915[30]). Elas poderão dar o melhor esclarecimento do. Povo onde nós os 04 nascemos[31], porque muitos acusadores e informadores falam que o Simão Toco nasceu no congo ex-Belga e dizem aquilo que eles não Sabem[32]. No lugar onde eu nasci no Povo Mbanza Zulumono, tinha uma matazinha ou bosque onde o nosso pai cultivava e semeava o milho e esse lugar tinha 2 árvores que são: Munguela e N’safu. A munganingani produzia muitas frutas que não prestavam para nada e ao lado dessa árvore foi onde morreu a 1ª filha, digo a segunda filha da minha irmã Idela que se chamava Ndenga se não me engano. A Ndenga morreu na casa da avó Ozana Luwengo que morreu no Colonato do Vale do Loge se não me engano, o primeiro filho da minha irmã Idela chama-se Ntemu António que vive na República do Zaire. A Luzolo conhece o teu irmão Ntemu? Creio que sim, porque na morte do vosso pai ele veio no Ntaya no óbito. Não é verdade? Porquê que deram o nome de Ntemu ao teu irmão? É que depois de Mbanza Zulumongo converter-se ao Cristianismo que o meu irmão primo Domingos Kibeta trouxe do Congo ex-Belga, a população de Mbanza Zulumongo deixou Mbanza Zulumongo e Mbanza Mpambu, e foram juntar-se ou foram construir outro povo que deram o nome de Ntemu no outro lado do rio Malêma e do rio Manuana. Esses dois povos, a de Mbanza Mpambu e de Mbanza Zulumongo separavam-se do rio Manuana. Mas quando se juntaram no Povo Ntemu, esse povo separava-se dos dois rios, o Manuana e o Malêma. Mas como as águas de Malêma não prestavam para nada, o povo ou os dois povos bebiam a água do rio Manuana. Podem perguntar ao meu tio Mpembele Massokelo ou Daniel Nsingi, ele há-de dizer a verdade, “que o Simão não está a mentir”. Ou podem perguntar ao meu cunhado João Domingos ou ao meu primo Antonio Mpátamo Kani Borges ou Tekassala, ou Nzitu Mbongo Mpasi e todos de Sadi sabem o que estou dizendo”.

O Ancião Sebastião Kyongolo (2015-2016), então chefe da família Namadungu, revelou-nos que a designação de Zulumongo na regedoria de Sadi foi atribuída em função da aldeia de origem dos seus fundadores que são originários do Bangu, jurisdição de Kibokolo. Segundo este Ancião, sucedera o seguinte: “O Ntinu Nsaku enquanto peregrino, vindo do Nkunsu Mpete, Município da Damba, aldeia de Kisoba Nanga, a quanto da estadia em Kibokolo, esposou uma mulher no Bangu-Kingombe/Kibokolo. Após o abandono de Kibokolo, levou-a para Sadi sua terra, junto dos filhos e filhas. Estes quando se multiplicaram e começaram a formar aldeias satélites, decidiram atribuir à sua aldeia a designação de Zulumongo, em memória à aldeia de origem do Clã (Nampemba) existente em Kibokolo”. Por causa deste acontecimento, muitos Anciãos de Kibokolo, incluindo a Anciã Mawete, actual Rainha de Nampemba no Bangu-Kibokolo, defendem segundo a qual o profeta Simão Toco nasceu na aldeia do Bangu em Kibokolo, alegando existir no local do seu nascimento uma árvore de nome Mpete (sarça) coberto de uma matazinha.

Para Simão Toco (1973:1), Zulumôngo pertencem aos NAMPEMBA Mpata yevela kivelelaliteralmente traduz-se em “Nampemba – trabalho árduo e justo. Em Deus significa – santos purificados para o trabalho de Yave”. Miguel Nambauka (1980-2000), Pedro Mumbela (1988:2) e Pedro Ziezo (2016). Até aqui, o desenrolar da tribo presume ser uma fórmula que apresenta uma oração: NampembaMpata …; yevela …; kivelela….; Toda a tribo que possuí esta fórmula é, verdadeiramente uma linhagem dos santos, sacerdotes e profetas; verdadeiros fazedores da paz. Porque tal entrelaçamento de palavras na ideologia dos sadistas significa “puros, limpos e santos, o sacerdote ou vidente faz petições a Yave no monte ou no Zulumongo. Paracleto Mumbela (2015:12), Batsîkama (2016:14).

  • Fundadores, promotores e protagonistas

Nos vários depoimentos recolhidos pela nossa equipa de pesquisa, foi repetidas vezes revelando-nos que a localidade de Nkusu-Mpete é fruto do esforço de várias tribos dispersas no antigo Reino do Kongo. Segundo Jean Cuvelier (1971:10-41), apoiando-se em Marcellin D´atri e Luka de Caltanisetta, peregrinos que visitaram as localidades de Nsoso, Wandu, Nkusu, Mbanza Mbata e Kimpangu em 1700, afirmam que a região começou a ser habitada a partir da dispersão das população nas antigas províncias de Mbanza Mpemba e Mbata, jurisdição de Mbanza Kongo, construído pelos Nampemba e Nsaku Ne Vunda na Mbata. Dai o nome Nkusu que em outra tonalidade significa “trincheira de esconderijo”.

Como já foi dito, se reparar atentamente nos três mapas citados, veremos que a região de Nkusu na altura estava distanciado da Damba, e ilustra que ambos não pertenciam a mesma jurisdição em termo politico e de estratégica militar, a semelhança do que houve em Kibokolo entre Nzamba e Kimalomba. Na opinião de F. Grenfell (1998:147), tudo indica que a princípio ambas localidades pertenciam a Chefiatura e clãs  diferentes, daí os conflitos. Por outro lado, num olhar atencioso da região Nkusu-Mpete, veremos que a maioria das aldeias do norte de Makela do Zombo, começando em Kibokolo, foram erguidas pelos soberanos que se desmembraram no Nkusu-Mpete, sobretudo, nas suas aldeias de jurisdição e não de Damba como tal.

Temos o exemplo de Mbanza Yokola de Nkusu-Mpete que foram construir a regedoria de Ntanda Luídi na fronteira com Mayanga, Tunda e Tadi; Mbanza Kiwembo que foram construir a regedoria de Kiwembo nas imediações de Kimbata e Nkusu a Kimpemba que foram construir o Bangu, Wembo, Nzau em Kibokolo e posteriormente avançaram para construir a regedoria de Sadi, com as aldeias de Mbanza Mpambu Sadi, Mbanza Mpampu, Zulumongo e Ntemu, enquanto que os Ntu Nkosi Naloango foram construir a regedoria de Kiluangu com as suas aldeias (Kiluangu Kye Makumbani (capital tradicional), Kiluangu Luenti, Mbanza Kiwanga e Mbanza Ntamba), e os Nanfutila Nawembo que foram construir a regedoria de Kiwembo com as suas respectivas aldeias (Mbanza Kiwembo (satélite), Mbanza Landangu (centro), Mbanza Kimbembi, Mbanza Kimene-Memekondo, Mbanza Dyumba, Mbanza Wembo Buzu-Lasa, Mbanza Wembo Toko, Mbanza Tavudi Mongo Kongo e Mbanza Konzo dya Vululu), etc.

Assim, podemos afirmar que os promotores e protagonistas de Nkusu-Mpete, tirando os da Damba, são todas as tribos com origens nesta localidade, apesar de que na actualidade é difícil encontrar as suas genealogias, fruto de invasão cultural e das migrações.

  • Sua caracterização geográfica

 A actual região de Nkusu-Mpete, conhecido também por “Tuku dya Makanda ye zindinga”, possuí uma densidade populacional de 08 hab/km² e situa-se à sudoeste da Cidade do Uíge, ocupando uma área de 2.236 km² e 6.201 habitantes, segundo os dados provisórios do Censo de 2014. Está limitada à nordeste pelo Município de Makela do Zombo e pela Comuna de Kibokolo por intermédio da aldeia 14 de Abril (Mafwangi) e Nkusu a Kimpemba; à este pelo Município de Sanza Pombo e Buenga; à Sul e sudoeste pelos Município de Bungu e Mukaba, e à Oeste pelo Município do Bembe, pela Província do Zaire por intermédio da Serra de Kanda, Comuna de Lukunga, aldeia de Kikunga, Nkusu a Madimba e Kisoba Nanga.

Segundo as fontes orais e escritas, a Comuna de Nkusu-Mpête possuí as seguintes aldeias: Yokola (capital politico e econômico), Nkusu a Madimba, Nkusu a Kimpemba, Lenge, Mbanza Nsuku, Mbanza Makanda (cidade das tribos), Mbanza Mpudi Madimba, Sakamo. Para muitos, existe ainda as seguintes aldeias: Kiwembo, Kinzinzi, Mbanza Ngandu, Mbanza Komba, Kinsendi, Kizulu, Mbanza Tamba e Mbanza Mbongi, etc. e para Simão Toco (1976), Damba, Nkusu-Mpête, Yokola, Soba Nanga e Lêmbua, etc, fazem parte de uma das mais importante Região Eclesiástica do Tokoísmo, num universo de 16 Regiões eclesiásticas, tal como prevê o Estatuto dos Tokoístas (2017).

Nkusu-Mpete é serpenteada pelos seguintes rios mais importantes: Kwilu, Nzadi-Inkisi, Mpiesese, Kinzambi, Muezi e Longalazi e lagoa de Mbungu menga (yanga dye mbungu menga) interpretado pelos Tokoístas na pessoa de André Nzola Sisa, da Lagoa de Lunzâmba[33]. Quanto a floresta, no Nkusu-Mpête, ouvimos falar da floresta de Kimbumba, apesar de não ser muito extenso. Ainda neste caso, Nkusu-Mpête e Ndamba (Damba) em geral, é rica em cobre, zinco, chumbo, cumbu, vanádio e caulino, que começa nas grutas das minas de Nsinga Nzambi, passando pela Damba, se estende até as minas de Mavoio em Kibokolo e desemboca no Béu.

  • Religiões professadas pelos antigos habitantes de Nkusu-Mpête

 A semelhança da região do Bembe e Kibokolo, os povos do Nkusu-Mpête e em geral toda região da Damba professavam as religiões “Guardiões das religiões”, fundada em 1671 pela Ndona Nkenge. É um movimento religioso de crenças tradicionais viradas para práticas e ritos à natureza dos Akulu (antepassados, ancestrais) e adoradores de Nzambi wa Lubondo. Com o falecimento da sacerdotisa, o movimento foi extinto e segundo as fontes consultadas, por volta de 1882 abraçaram o movimento Nsingingi[34] do sacerdote Nanga, da aldeia de Mbanza Ntumba e o centro de Yokola (Cidade). As suas práticas estavam viradas na veneração do espíritos dos ancestrais e dos deuses da agricultura, pesca, caça e fertilidade, espíritos estes que eram venerados nas grutas de Lueka e nos rios da aldeia de Kiwembo, aldeia que parece estar na origem da tribo de Nafutila na Wembo segundo as afirmações do ancião Sebastião Kiongolo (2016-2017).

De acordo com afirmações de sobas da região e de anciãos do Tokoísmo, o Cristianismo penetrou na região do Nkusu-Mpete em 1900 com a construção da Missão Católica na aldeia de Yokola e do Tokoísmo que entrou em 1953-1958, por intermédio do ancião André Nzola Sisa Kyala e Garcia Myala em obediência a orientação do profeta Simão Toco, como confirma a epístola datada aos 15 de Outubro de 1953[35]. Mais tarde, após a independência (1975) e da luta armada (2002), foram surgindo outras denominações religiosas na região.

  • A implantação da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Os Tokoístas” na região de Nkusu-Mpete

 Pelo que descrevemos, a região do Nkusu-Mpete sempre apresentou-se favorável à implantação da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo até Maquela do Zombo. Como já foi dito, quase dois terços dos Tokoístas do Coro de Kibokolo (1943-1949) são originários das aldeias que rodeiam Nkusu-Mpete, Kibokolo, Ntanda Luídi, Maquela do Zombo e Lula lo Kongo.

A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo se enraizou no Nkusu-Mpete aos 23 de Setembro de 1958, após cumprimento das orientações do profeta Simão Toco aos anciãos André Nzola Sisa e Garcia Miala (da aldeia de Mbaza Komba), na epístola de 15 de Outubro de 1953. Pedro Mumbela (1999:10); Helena Simão (2016) e Garcia Miala (2018). E a implantação do Tokoismo neste ano, foi visto por alguns como a concretização dos anúncios de Simão Kimbangu à seu discípulo Mputu Simão, de que “no Zombo surgiria um profeta e que somente tivessem esperança e perseverança através dele”. António Álvaro (2016:9).

A epístola de Simão Toco enviada ao Ancião André N´zola Sisa, explica como foi aberta a Igreja nas terras de Nkusu-Mpete, Ntanda Luidi e Mfwenfwe: «Posto Administrativo do Jau, Conselho da Chibia, Huíla. 15 de Outubro de 1953[36]. Ao mais velho N´zola (Sisa). Ao chegar na sua aldeia ou no M’banza Zombo procura (…)[37], e queimam-no ao fogo, mais não pode torrar muito… Sejam firmes na palavra de Deus e nunca vos esqueçais da oração do Nosso Senhor Jesus Cristo que é a oração de Pai-Nosso que esta no céu, seja feita a sua vontade, assim na terra e como no céu. Se por acaso alguém quiser ingressar na Igreja de Cristo, primeiro tem que converter-se e confessar tudo que andou a fazer ou praticar lá fora desde a sua mocidade. Quando terminar, tire um copo com água, ore primeiro para que Deus abençoe a água e estende-a com a mão esquerda em posição do copo e depois dê-lhe de beber. Mas o mesmo tem que estar ajoelhado, só assim há-de mandar-lhe levantar em nome do Pai, Filho e do Espirito Santo, Amem. A seguir, dá-lhe os conselhos necessários sobre a sua nova vida como Cristão que acaba de renascer. Depois lava-lhe o rosto em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Agora ele pode ir para a sua casa. Mas antes, entregue-lhe a Estrela da Alva «Ntetembwa Nkielelo», mas não pode sentir medo, nem vergonha, porque o Cristão não é medroso e nem vergonhoso porque Cristo disse: “Aquele que a mim sentir vergonha também eu hei-de sentir vergonha dele diante do meu Pai”. Não dê muitas Directrizes aos novos convertidos. A única lei que poderão cumprir de momento é a da carne de porco[38]. Leia 1º Timóteo 4-1:4; Apocalipse 21:27; Daniel 2:44; Deuteronômio 28; Mateus 10:16-23; Isaías 65-17:25 e Joel 2:28. Aquele que prevalecer até no final é que será salvo».

Ilustração 4. A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Os Tokoistas” 23.09.1958 . Nkusu-Mpete – Aldeia de Mbanza Komba. Arquivo – Edições Mumbeliano Tocoista

Após ser lançada a semente, o povo de Mbanza-Sadi situado no Lula lo Kongo[39], sentiram a presença da palavra de Deus, e foram a procura da Missão Tokoísta do “Colonato do Vale do Loge”, onde os seus responsáveis frequentaram Seminários sobre a doutrina da Igreja e sobre as melhores práticas para o funcionamento da Igreja Tokoísta, acto que culminou com o baptismo de Pedro Mwika, Mbongo Mpasi e Fernando Mfinda no Vale do Loge em 1956 e de muitos anciãos, abrindo-se assim a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Os Tokoístas” no Sadi, aos 01 de Março de 1956, tendo o ancião Fernando Mfinda como zelador da mesma conforme a epístola datada aos 22.04.1956. O mesmo ocorreu com a Igreja no Mfwefwe, Ngandu Kiluketo, Wembo Nteteka na localidade de Tadi dye Tunda, e toda região do Zombo.  Alguns Anciãos revelam que Fernando Mfinda no final dos anos 50 abandonou a aldeia de Sadi, fixando residência na Missão Tokoista do Colonato Vale do Loge, levando o enfraquecimento da Igreja, desvirtuando-se o propósito de Deus para a localidade e população do Zombo.

Do mesmo jeito aconteceu com aldeia de Mfwefwe, que tivera abraçado a palavra de Deus transmitida pelo ancião André Nzola Sissa a mando do profeta Simão Toco. Esta aldeia tinha como responsáveis os Anciãos Mputu Simão, Pedro Mwika e António Mafwa, sendo os dois primeiros ex-discípulos do Profeta Simão Kimbango e co-fundadores do movimento religioso Kidista (Kidistão, deformação da palavra Cristão). Como já o dissemos, os mesmos frequentaram seminários no “Colonato vale do Loge”, tendo o ancião Pedro Mwika sido batizado aos 22 de Abril de 1956 e eleito como Zelador desta mesma Igreja no mesmo ano, implantando-se aí a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Os Tokoístas” aos 10 de Fevereiro de 1957.

Ilustração 3 Antigos Dirigentes da igreja de Cristo na região do Zombo em 1959 – depois do evangelho de André Zola Sisa e Garcia Miala

Os Anciãos do Colonato Vale do Loge são unanimes em afirmarem de que, tal como no Sadi Novo, os anciãos do Mfwefwe supracitados não cumpriram com a missão que lhes fora incumbido pelo profeta Simão Toco, daí a necessidade do Senhor ter mudado “o sistema das coisas”, para que o povo do Colonato Vale do Loge abandonasse a região do Bembe e fosse transferido para a região do Zombo, a fim de lutarem contra o diabo que se entrincheiro no Zombo e os tentou em Janeiro de 1950 à quando da chegada destes em Léopoldville. E verifica-se em 1962 a reimplantação da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo nas terras do Zombo, mas desta vez sob liderança dos Esi-Colonato. Com a evangelização efectuada pelos Ngunga-Nguele do Colonato, a palavra de Deus foi expandido nas diversas aldeias, tais como Béu, Kimbata, Maquela do Zombo, Kuimba, Nzinda, Kibokolo, Mbongola, etc.  Actualmente estas Igreja sofreram nova decadência: (i) por causa da divisão da Igreja; (ii) devido ao falecimento dos anciãos activos da Missão Tokoísta do Ntaya; (iii) fraca participação dos órgãos da Igreja Central responsáveis pelas Igrejas de Ntaya/Maquela do Zombo, Damba e Kibokolo. A Carta de Exortação dos “12 Mais Velhos” datada de 25.07.2016, faz menção do processo de reavivamento e restauração destas Igrejas.

Ilustração 5. Arquivo da PIDE-DGS/PT-TT-PIDE-DA-C-1-1546 A

 

 

 

  • Aspectos culturais e modo de vida das populações

 Sendo Nkusu-Mpete uma mistura de vários povos (Bansoso, Bazombo, Basolongo, etc) e clãs (Nampemba, Ndamba, Nananga, Namadungu, Benga kye mwana yakala, Ntu naloangu e Nelunzamba), não existe uma cultura homogênea que caracteriza este povo, mais sim uma esteira de diferentes vertentes culturais. Esta mescla cultural surge por causa do cruzamento destes povos entre si e seus clãs, por isso fica bem claro que a cultura do Nkusu-Mpete é de raiz Kongo onde tudo tem a sua origem. Na verdade, é essa herança cultural Kongo que constituia o elo de unidade do Nkusu-Mpete.

Mesmo assim, não deixamos de mencionar alguns elementos da cultura do Nkusu-Mpete:

  1. A língua: A língua falada no Nkusu-Mpete é o Kikongo, com ligeira influência do sotaque do Kinsansala e Kisikongo, por causa das questões geopolíticas com o Zaire e Bembe, pese embora algumas pessoas nos anos de 1920-1927 já dominavam o Português no âmbito da construção da Missão Católica. Joan Vemba (2015:3) e Miala (2018);
  2. Festa: Nsingingi[40] é a festa de homenagem aos antepassados (ancestrais) e que tinha maior exaltação na região de Nkusu-Mpete. Estas festas provêm de uma antiga tradição com carácter cultural, recreativo e desportivo, realizadas normalmente na época de verão, e era habitual ofertarem produtos relacionados com a agricultura, pesca e actividade artesanal. Esta prática não era somente registada no Nkusu-Mpete, mas também na regedoria de Ntanda Luidi e em outras localidades;
  • Literatura: A literatura do Nkusu-Mpete surge no âmbito da reestruturação e recomposição das tribos ocorrida nesta localidade, onde os Ndamba fundiam o ferro, o desenvolviam o artesanato e a escultura, para além da caça, da agricultura e da arte da guerra. Mas é a tribo Nampemba que se atribui o primeiro documento literário na história do Nkusu-Mpete. Segundo Garcia Miala, os Nampemba possuíam escribas que anotavam as ocorrências das reuniões durante o processo de reestruturação das tribos ai estacionadas. Garcia Miala (2017-2018), André Nzola Sisa (1996). Só não foi publicado ainda por se tratar de um acervo sacerdotal. Talvez já é altura do Nkusu-Mpete ter o seu museu histórico que muito contribuirá para futuras pesquisas cientificas;
  1. Dança: A dança na região de Nkusu-Mpete distinguiu diversos géneros, significados, maneira e contextos. A mesma estava mais ligada a actividade recreativa e a tradição, do que qualquer outra coisa, e servia como meio de comunicação e de algum modo, como meio de resolução dum problema tradicional que pudesse afectar a aldeia. A principal dança folclórica do povo de Nkusu-Mpête era Nsingingi, é uma dança tipicamente tradicional. Madinganu (2018).
  2. A PROBLEMÁTICA DOS CONFLITOS, DISPERSÃO E RETOMAS
  • A dispersão dos habitantes do Nkusu-Mpête

A primeira tentativa de destruição de Nkusu-Mpete aconteceu a quanto da determinação dos colonialistas portugueses, em estacionar perto das vias principais da Damba os povos que se encontravam nas mais recônditas aldeias primitivas (mabaxe), situação que ocorre após o levantamento dirigido por Álvaro Tulante Buta.

A segunda dispersão aconteceu em 1961, a quanto da renhida guerra de libertação nacional, onde vários nativos refugiaram-se nas diversas localidades, incluindo alguns anciãos que depois se converteram no tokoismo, tiveram que refugiar para Léopoldville (RDC) e depois regressaram para a Missão de Ntaya. É o caso de Garcia Myala e Pedro Mpanda.

Ao longo das nossas pesquisas, notamos que a Comuna do Nkusu-Mpete está muito pouco desenvolvida. Até aqui ainda se nota as características primitivas, sem falar dos lugares históricos que se encontram esquecidos há muitos anos.

  • Conflitualidades e antagonismos no Nkusu-Mpête à volta das demais aldeias com a mesma denominação

 Em causa sempre esteve a pretensão dos “visionários” do Nkusu-Mpete que procuraram estabelecer uma estreita ligação entre os sobas de Ndamba e Nkusu e a genealogia das tribos ai restruturadas, de modo a torná-la num “centro das tribos e naçoes”.

  • Conflitos ocorridos no passado

 Além das ideias e opiniões generalizadas sobre a localidade de Nkusu-Mpete, na qualidade de ser o local que está na origem da reestruturação das tribos e clãs, e do nascimento dos anciãos Luwawa e Kamonina irmãos do ancião Ndombele Luvumbu, na verdade o Nkusu-Mpete sempre esteve em volta a conflitos e problemas tribais e culturais.

No período anterior ao início da reestruturação das tribos ou clãs, temos apenas a assinalar alguns conflitos ocorridos no Nkusu-Mpete:

  1. A primeira evidência ocorreu na primeira década da ocupação da região, a conhecida “guerra das possessões de terras”, conflito este que deixou dividido o Nkusu-Mpete em três extremos:
  • Nkusu-Mpete sendo a capital politica e tradicional das tribos e nações;
  • Nkusu a Kimpemba a capital econômico;
  • Nkusu a Madimba também conhecido por Nkusu a Kindokena.
  1. A segunda luta foi registada aos 29 de Outubro de 1665, a conhecida A BATALHA DE AMBWILA, que teve lugar no terreno baldio entre o vale do rio Luege, Dembos e Ambuila, actual Serra de Ambuila. A semelhança do Bembe, fizeram parte desta luta os bravos soldados do Na Ndamba (Damba) que marcou o fim do estado unitário Kongo e consequente morte do jovem Rei Vita- a-Nkanga[41]. Sebastião Kumpessa (2017:3), António Gonçalves (2005) e António Setas (2007:144);
  2. A terceira guerra apontada é a “guerra de palhota ou cubata”. Esta guerra teve lugar por causa da operação levantada entre o povo do Bembe e Damba ao pagamento de impostos. Henriques Abranches (1999:58);
  3. A quarta tem haver com a agitação registrada entre 1913 – 1915, o conhecido o período de turbulências no Kongo, desde Mbanza Kongo, Bembe, Damba, Kibokolo, Makela e Sadi/Zulumongo, a conhecida revolta do soba Álvaro Buta, sem mencionar outras sublevações que tiveram o cunho de Mbainda Ngunga e de Mbemba Ngangu. Réne Pelissier (1997:294-316 Vol. II);
  4. A última revolta Kongo contra a ocupação colonial antes de 1961, teve lugar nesta região em 1918 (Ndamba e Pombo), na chamada “revolta do mafulu”, um movimento nativista com motivações de origem sobrenatural, que envolveu os Nsoso e Pombo, tendo se alastrado nos Postos de Sanza Pombo, Kuilu Pombo, Mukaba, 31 de Janeiro, Bungo e Puri. A mesma foi liderada pelo Soba Makabongo (Pelissier 1997:318-319 Vol. II e António Gonçalves 2005:188).
  • Conflitos recentes e futuros

Importa realçar que houve e continua haver tensões e conflitos entre Nkusu-Mpete, Nkusu a Madimba e Nkusu a Kimpemba, por dois motivos:

  • O primeiro motivo tem haver com a legitimidade do espaço reclamada entre os três povos e que deu origem a sua divisão em três partes;
  • O segundo motivo está relacionado com a ideologia dos Nkusu.

Estes dois elementos estão na base da decisão dos soberanos das tribos fraccionadas em abandonarem a região e migrarem para noutras localidades. Segundo os vários depoimentos recolhidos, tudo indica que:

  1. Até uma certa altura, o território do Nkusu-Mpete não tinha proprietário legítimo, visto que todos eram peregrinos. Daí ninguém podia comandar outra tribo, sem consentimento daquele que era nomeado para o efeito;
  2. Desde o estacionamento destes povos no Nkusu-Mpete, muitas tribos disputavam protagonismo entre si;
  3. A perca de credibilidade de muitas tribos Kongo por não pertencerem o subgrupo etinolonguístico Bansoso com características Bayendo e Bawambo, logo os incaracteristicos Bazombo nesta ordem eram excluídos da região, daí o abandono da localidade.

O caso mais contundente ocorre nos finais do século XVII, com a chegada em Kibokolo no Bangu da tribo de Nampemba, onde o Nabokolo procurou inclui-los na gênese da sua história, conflitos estes que foi arrastado na Igreja Tokoísta, onde actualmente uns defendem com unhas e dentes e com ameaças a mistura, de que o profeta Simão Toco nasceu no Bango em Kibokolo e não no Sadi. Aqui encerra um dos objetivos das nossas pesquisas. Após o conflito do Ntaya despoletado em 19 de Setembro de 1982 entre os Tokoístas Esi Colonato e os Esi Ntaya, prevê-se que um novo conflito de alta magnitude vai se desenhando dentre dos Tokoístas, face a luta do protagonismo histórico dos locais sagrados dos povo que passaram no Nkusu-Mpete. Daí todo este nosso empenho para quebrar-se alguns tabús que se foram criando em torno dos Nampemba e de Simão Toco.

  • Simbolismo do Nkusu Mpete

Até a data presente, mediante as pesquisas efectuadas na Damba e na Comuna de Nkusu-Mpese, não encontramos no levantamento bibliográfico elementos suficientes para embasar a problemática do simbolismo de Nkusu-Mpete, assim como compreender a história e cultura dos Nankusu. O que mais se destaca é o próprio nome de Nkusu-Mpete, o titulo atribuído por causa da origem das tribos e nações, o nome do território e não de uma pessoa.

A outra evidência que constatamos, é cada região que compunham o Nkusu-Mpete na altura,  tinha o seu, próprio símbolo, para além da coroa que somente cabia ao soberano máximo de Nkusu. No que tange aos restantes soberanos, possuíam a esteira (Kyandu), outros a pele de cabra, outros ainda a pele de leopardo ou de leão. Por isso, do original Nkusu toma o significado de tapete, isto é, a pele de leopardo ou leão estendido ao pedestral do altar do soberano para auxiliar na prostração dos súditos, anciãos, visitas e em geral todo pessoal da soberania.

Em cada um destes chefes no dizer de Henriques Abranches (1998:39) e Cuvelier possuíam os seus próprios assentos, no palácio ninguém tinha autoridade de sentar no espaço do outro e este simbolismo muitos deles conseguiram em lugares que foram transferidos. O fundador da Damba, o soberano Na Ndamba a Lutayi, é o único que se sentava na cadeira, por isso, segundo Jean Cuvelier (1972:44) seu nome foi NA NDAMBA – NTUNGI A NKUTU, WALAMBA ZUNU MU DIAMBU DIA KONDWA KWA MUNGWA – NDAMBA – NGOLO, DIA NGOLO, SALA NGOLO – NA NDAMBA, CONSTRUTOR DE SACOLA, QUE CONFESSIONOU MELECA (RANHO) POR FALTA DE SAL – NDAMBA.

Assim por exemplo, o chefe de Nkusu-Mpete sentava no Nkusu (tapete feito com pele de leopardo ou leão); o chefe de Nkusu a Madimba – o soberano Na Kongo na Mbata se sentava na pele de cabrito; a passo que o soberano Nampemba da aldeia de Nkusu a Mpemba se sentava na pele do bode. E se fossem pegos assentar num outro lugar que não fosse o seu trono, era multado e punido. Jean Cuvelier (1972:44) e Henriques Abranches (1998:39).

Raras vezes confirmamos o uso de bengala e das trombetas (mpungi) pelos Nankusu, mas foi  visível o uso de Ngyendu em várias ocasiões por parte das mulheres (donas de Casa).

Acrescenta-se neste estudo a simbologia heráldica de Nkusu-Mpete, em consonância com o secretismo religioso, tal como dissemos ao longo deste artigo. Trata-se dos “mazumbu”, locais primitivos onde possuía o Nzo Mawene (casa sagrada), contendo os objectos sagrados, onde se encontra a cruz, pedras, sinos, peles de leopardo, leão ou mawene para adoração dos santos e dos antepassados.

  1. A IMPORTÂNCIA QUE SE REVESTE O NKUSU – MPETE AO TOCOÍSMO

 A região do Nkusu-Mpete e em geral Damba possuí uma importância preponderante na história geral de Angola, África, Tokoismo e em particular tribo Nampemba e Namadungu, assim como outras, e o seu espaço até hoje conserva vestígios e memória tais como:

  1. A região onde possui o palácio (templo) tradicional. Segundo a mitologia dos Mpembistas, é neste templo que possui o anfiteatro, onde se realizou a conferência da reestruturações das tribos ou clãs do Zombo e não só, o conhecido de Nkusu-ye-makanda ye zindinga;
  2. A região que foi implantado a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo em 1953-1958, sob a liderança do Ancião Garcia Myala e André Nzola Sisa Kiala;
  3. É ainda nesta região onde podemos encontrar a misteriosa lagoa de Mbungu a Menga (yanga dye mbungu a menga), interpretado por alguns Tokoístas e na pessoa de André Nzola Sisa de Lagoa de Lunzamba[42];
  4. A região do Nkusu-Mpete faz parte dos oito postos administrativos da geografia histórica da cidade santa[43] que será erguida no norte de Angola, conforme as profecias do profeta Simão Toco

Actualmente, estes lugares estão abandonados e quase esquecidos, pelo governo local e pelos intelectuais do NDAMBA. Todavia, muitos dos seus intelectuais preferem estudar outras localidades em relação a sua região, mais do que nunca a história da construção do Ndamba quase é recordado como já foi dito por um número reduzido de jovens e que também muitas das vezes clamam pelo apoio.

Bem haja Nkusu-Mpete e Tokoísmo.

BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS

 ABRANCHES, Henriques, Sobre os basolongo – Arqueologia da tradição oral, (1991), Fina petróleos de Angola, Luanda;

AUTORES VÁRIOS, Dom Afonso Nteka, bispo de Mbanza Kongo, (1993), Itália, Dosson di Casier (TV);

BATSÎKAMA, Patrício, (2016), Simão Toko. O nacionalismo da paz, Luanda: Mediapress;

CUVELIER, JEAN:

(1934), Nkutama a mvila za Makanda, Impr. Mission Catholique Tumba;

(1971), Nsi eto a Kongo, Histoire de l´ ancien Royaume du Kongo, Diocèse de Matadi;

(1972), Nkutama a mvila za Makanda, 4º édition, Diocèse de Matadi;

GRENFELL, F. James, Simão Toco: An Angolan Prophet, Journal of Religion in África, Vol. 28, Fasc. 2, (May, 1998);

GRENFELL, William D., Missão Baptista de Quibocolo-Informações relativas o assunto Simão Gonçalves Toco – datada aos 11 de Janeiro de 1950;

GONÇALVES, António Custódio, A história revisitada do Kongo e de Angola, 2005, Lisboa, Editorial Estampa

PELISSIER, René, História das Campanhas de Angola – Resistencia e Revoltas, 1845-1941, Vol I e II, Editorial Estampa, Lisboa, 1997;

SANTOS, Eduardo, Movimentos Proféticos e Mágicos em Angola, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1972;

SETAS, António, História do Reino do Kongo, Editorial Nzila, Luanda, 2007;

OLIVEIRA, José Carlos, Os Zombo e o Futuro (Nzil’a Bazombo): na Tradição, na Colónia e na Independência, Tese de Doutoramento, Lisboa, 2008.

PUBLICAÇÕES E DOCUMENTOS

 

  • A vida e obra do ancião Miguel Luzala Timóteo “Lisboa – Maziku” – biografia do nosso querido – elaborado pelo Pedro Mumbela aos 16.12.1984
  • A vida e obra do Simão Vuvu, – Elogio fúnebre – elaborado pelo Nunu António Simão aos 16.12.1984
  • Centros de Estudos Tocoistas, 2017
  • Eduardo Alberto da Silva – Major – Visita do Simão Toco a Damba, Luanda, 11.07.1962
  • Estadia de Simão Gonçalves Toco na área de Maquela do Zombo, Luanda aos 09.08.1962
  • Edições Mumbeliano Tocoista, 2015-2018
  • Jornal de Angola, edição (2010 e 2014)
  • MU-GM-GNP-135-Pt 37 – 1949-1962, Missão do colonato vale do Loge
  • MUMBELA, Paracleto, A história de Kibokolo, sua relevância e importância para o tokoismo, (2017), Luanda, Edições Mumbeliano Tocoísta;
  • PT-TT-PIDE-DA-C-3-731-1 Simão Gonçalves Toco
  • Pinto Morais, Relatório extraordinário Nº 20/62-S.R.- Chegada a Kimpangu (Congo) duma “Delegação” do “Governo provisório de Angola, no exílio”.
  • Relatório extraordinário Nº 20/62-S.R.- estadia de Simão Gonçalves Toco na área de Maquela do Zombo
  • Simão Toco, Resumo da minha viagem para o norte de Angola com a minha comitiva em 16.06.1962/2.8.1962, (PT-TT-PIDE-DA-C-3-731-1), Luanda aos 20.08.1962
  • Viagem ao norte de Angola do Simão Toco a fim de recuperar populações”!… Luanda, 24 de Setembro de 1962
  • Wizi-kongo – A batalha de Ambuila/mbuila-2016. Por: João Nougueira Garcia
  • Simão Toco (1955-1974);
  • Pedro Mumbela (1975-1984);
  • Miguel Nambauka (1981-1999);
  • Avelino Mbiavanga (2016);
  • Sebastião Kumpessa (2017).

Fontes orais

  1. Amélia Miguel Henriques “Kuzulu”; A histórica região de Mbanza Kimadungu, 2015, Luanda;
  2. Helena Simão (Nzongo), A dinamica social do povo Nkusu-Mpete, (2018), Luanda;
  3. Garcia Myala, A origem de Nkusu-Mpete, geografia e a implantação do tokoismo, (2018), Luanda;
  4. Sebastião Kiongolo (2015-2016);
  5. Simão Lukoki, A genealogia de Nampemba e Namadungu, (2015-2016), Luanda;
  6. Ngudi Nsambu;
  7. Pedro Kisoka Ziezo, A origem e o significado do nome Nkusu e o significado religioso dos seus locais sagrados, (2018), Luanda
  8. Pastor Mbiavanga líder do movimento religioso Dibundu dya Kwintwadi kya Bandwenga, Mbanza Kongo, 2018

Pedro Mumbela (neto), residente em Mbanza Kongo – A formação de algumas tribos em Mbanza Kongo e sua dispersão, Mbanza Kon

[1]A partir da historiografia e periodização Tokoísta, podemos notar que a história do Tokoismo separa as Direcções que nela estão inseridos, começando no seu Proto-Tokoismo (1943-1949), e no período Tokoísta 1949-1984, sendo dois importantes períodos dominado apenas pelos Anciãos Ngunga-Ngêle.

[2]. Vide o artigo número 01 desta colecção referente A HISTÓRIA DO BEMBE – Arqueologia da tradição oral, (2018)”, Edições Mumbeliano Tocoista.

[3]. Até o Instituto de Estatística de Angola no âmbito da realização do Censo Geral em Angola em 2014 utilizou esta escrita.

[4] Segundo os sobas, este rato tem pintas castanhas, da família ratazana.

[5] Nos próximos estudos traremos o nome deste governador, parece ser o soberano de Nkusu-Mpete tal como nos ilustra os escritos de A. O. Cadornega de 1940 e 1942

[6] Stanley B, (1992), The history the Baptist Missionary Society (1792-1992), Edimbargh. A história da sociedade missionária Baptista, (1792-1992), Edimbargh

[7] Revelações que nos foram prestadas aos 01 de Setembro de 2018 em Mbanza Kôngo, no bairro Bela Vista na sede da sua igreja

[8] A sua compilação começou desde 2012, está a cargo das Edições Mumbeliano Tocoista, Centro de Estudos Tokoístas e de investigadores independentes ou convidados.

[9] Toco nas suas cartas dos anos 50 volta abolir as más praticas dos seus contemporâneos “Muitos que têm o costume de transmitir aos outros, como se fosse a lei da Igreja aquilo que só eles é que não comem, porque o seu próprio coração não gosta. Isto é uma confusão. Como por exemplo, uns não comem tranca, que são folhas de mandioca e outros não comem porco e avisam os demais de que não se come tranca ou não se come porco. Como se fosse proibido pela Lei da Igreja aquilo que só o seu coração não gosta de comer. É preciso diferenciar as coisas: A Igreja não tem nenhuma lei de proibição das comidas. Moisés é quem trabalhou com trezentas leis e nós não estamos no tempo de Moisés.  Na Igreja não há nenhuma comida que está proibida para se comer. Leia Actos 11:5, Actos 10:2. Salmos 23:1. As bebidas esta bem: Se nos metermos nas bebidas alcoólicas, sendo o nosso corpo habitação do Espirito Santo, o Espirito Santo não ficará satisfeito connosco. Leia provérbios 23:2146, Deuteronômio 29:1947, Levíticos 10:948”.

[10] Há-de termos em conta que o mercado que esta situado dentro de Kimbata foi formada nos anos 90, não tem nada haver com a deste estudo.

[11] Região onde profeta Simão Toco, em companhia do Diacono Kiala Mauricio Bonga ouviram a voz de Deus em Janeiro de 1926.

[12] Ndolumingu Mpembele Nsamu Kyakala teve duas mulheres: Osana Luwengu e Ntandu’amesu. Com Osana Luwengu (Suzana) gerou Kapitão Mfinda e Joana Fiel Mafwala. E com a ndona Ntandu’amesu gerou Daniel Mpembele Masokelo (Nsingi ze Mantwâ) e Mbulu Mye Nkanza-Nkanza (Pedro Mbulu).

[13] Para Sebastião Kyongolo (2016), a designação de Zulumongo na localidade de Sadi foi atribuída em função da aldeia de origem dos seus fundadores que são originários do Bangu em Kibokolo. Segundo este Ancião, sucedera o seguinte: “O Ntinu Nsaku enquanto itinerante e bom negociante, esposou uma mulher no Bangu/Kibokolo e levou-a para o Sadi sua terra, e com ela teve filhos e filhas. Estes quando se multiplicaram, decidiram atribuir à sua aldeia a designação de Zulumongo, em memória à aldeia de origem do Clã materno (Nampemba) existente em Kibokolo”.

[14] Literalmente falando, a palavra Vunda significa descansar ou repousar.

[15] Segundo anciã Amélia Miguel Henriques “Kuzulu” (2015). Vûnda também é uma sanzala que nos anos 20 evoluiu bastante até chegar ao ponto de possuir um aeródromo e um hospital de referência para tratamento da doença de sono e lepra “Maladi ma Nkai”.

[16] Simão Toco atou um nó em torno dos Nampemba, associando nele os vários luvilas (Ngenda) dos Nampemba espalhados em algumas localidades, ordenando que “nenhuma autoridade Tocoísta ou Zombo poderá desfazê-lo, sob pena de sofrer uma condenação divina”, sendo este também um dos maiores factores de instabilidade cultural e tradicional dos Nampembas no Zombo. Deste modo, passou a ser: «Nampemba ye mpata yevela kivelela, nkombo anene yaviondoka e mpaka, avo ka ye Nkambu ko, ye Mbuku a Nimi; Tuku ye Bangu. Benga kye muan’eyakala ondwandidiki, ozinga longo lo Mpanzu o kabata kakundwa. Mpu za kaka zakunkuka, ofula kwa ngulu vavul’empaka nzandi e nanga kuna nsuka ze Kongo».

[17] Segundo os depoimentos de João Baptista, (ancião e conselheiro e Representante da igreja de Cristo na comuna do Béu), Dinziete Daniel (ancião e conselheiro) e Gabriel Simão (secretário geral) aos 20 de Setembro de 2018, revelaram a nossa equipa de pesquisa de que ainda há traços na região do Béu dos de Nampemba, nomeadamente: 1º Nampemba Nkanda Ngulu; 2º Mpemba – Zenga Dikosa e 3º Mpemba-Mpata vela kivelela Ntima Nkundi yele mwanzo bosi kamwene nzila.

[18] Documento cedido pelo ancião Manuel Toko Rosado, membro da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo “Os Tokoístas” dirigido pelos 12 Mais Velhos

[19]. “Eu e a minha comitiva, Snr Luvualu David, Domingos Quibeta e meu filho João Toco, partimos de Luanda para Carmona (Uige) em 16.06.1962, onde fomos recebidos pelo Snr Administrador de Cangola. Em 17.06.1962 visitamos alguns lugares públicos, em companhia do Snr Comandante Gonçalves da Secção de Transportes do Corpo de Voluntários. Em 18.06.1962 seguimos o nosso itinerário em direcção ao Songo. Não tendo encontrado o Snr Administrador João Domingos da Costa, continuamos a nossa viagem para o povo Quicari-cari. As 18 horas regressamos ao Songo e convocamos a população branca e nativa do Songo, exortando-a. Em 19.06.1962 partimos do Songo para o Tôto e do Tôto para o Colonato do Vale do Loge, onde fomos bem recebidos pelos Snrs Major, Doutor, Capitão, Tenente, Alferes, etc, e alguns funcionários públicos e fazendeiros. Durante os dias da nossa permanência no Colonato, entramos em várias matas, acompanhados pelo Snr Administrador de Cangola e a tropa, a procura dos nativos refugiados para se apresentarem as autoridades. Nada se conseguiu, em virtude deles encontrarem-se no poder da UPA, que os distribuiu em diversas matas formadas pelos quartéis onde eram vigiados. Os quartéis bem armados são: os da secção da mata de Sanda Quina, Yamba, Bembe, Yangila, Quicanga, Dio, Sangui, Vamba, Kamba, Bonde, Culo, Yinga o Central de Nova Caipemba, os quartéis ao lado do rio Bridge, Caluca, Vambara, Gemba, Fwesse, Quiduardo até Songa onde recebiam o material de guerra vindo da Tunísia, Marrocos, Rússia, América, Guine, Gana, Índia, Alemanha Federal, etc. Percorremos várias matas à busca dos refugiados para se apresentarem as autoridades, mas a UPA não os deixava. Em 21.06.1962 regressamos para o Tôto e do Tôto para a povoação de Quimaria e de Quimaria para o Tôto. No Tôto, o Snr Administrador de Cangola que nos acompanhava ficou doente, regressando para Carmona. Nós continuamos a nossa viagem para o Bembe. Em 23.06.1962 fomos recebidos pelo Snr Aspirante Alfredo Palmeira Machado que arranjou-nos hospedaria na residência do Snr Administrador. Não o encontramos e a sua Senhora, por terem sofrido um acidente duma bomba armada pelos inimigos e que explodiu debaixo do seu carro e foram levados para um posto de socorro para receberem tratamento. Em 24.06.1962 fomos bem recebidos pelos Snrs Capitão, Tenente, Alferes e toda força do Exercito Português que guardavam aquela Vila, os quais, acompanharam-nos do Bembe para as picadas do Bonde e Culo à 25 km da estrada, a procura dos refugiados. E continuamos a viagem para Lucunga onde fomos recebidos pelo Snr Chefe daquele Posto Administrativo, Manuel dos Santos Ferreira Calado e Snr Tenente daquele Pelotão. Em 25.06.1962 partimos de Lucunga para Damba, onde fomos recebidos pelos Snrs Administrador Orlando Teixeira de Sousa, Secretário e Aspirante. Em 26.06.1962 visitamos toda Vila e algumas povoações em redor da Damba, visitamos a Missão Católica, os professores, os alunos na escola, etc. Em 27.06.1962 rumamos para Quibocolo, onde demoramos apenas 30 minutos, e depois de trocarmos algumas impressões com o Snr Chefe do Posto, continuamos a nossa viagem para Maquela do Zombo, onde fomos recebidos pelo Snr Administrador João da Silva S. Miguel e Snr Secretário Faria. Em 28.06.1962 visitamos as sanzalas de Maquela do Zombo, reunindo os nativos de cada sanzala, explicando a diferença que existe entre os verdadeiros cidadão portugueses e os comunistas. Durante a nossa estadia em Maquela do Zombo, fomos a fronteira do Congo ex-Belga várias vezes, à busca dos nossos irmãos refugiados por causa do terror da UPA”. Extraída do documento de Toco, «Resumo da minha viagem para o norte de Angola com a minha comitiva, iniciada em 16.06.1962 à 02.08.1962».

[20].“Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca; como um cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca. Pela opressão e pelo juízo foi arrebatado; e quem dentre os da sua geração considerou que ele fora cortado da terra dos viventes, ferido por causa da transgressão do meu povo? E deram-lhe a sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte, embora nunca tivesse cometido injustiça, nem houvesse engano na sua boca”.

[21] Na obra de Simão Toco, intitulada: A relembrança e a trajectória da igreja de nosso senhor Jesus Cristo no mundo “Os Tocoístas”, (2015) Luanda, Edições Mumbeliano Tocoista, pag.125-126, podemos ler o seguinte: Nós os Tocoístas somos alfas e ómegas, alfa quer dizer os primeiros que ouviram a sua palavra foram perseguidos alguns mandados para as terras longínquas, como por exemplo: o João Apostolo desterrado para ilha de Pátmos que é uma pequena ilha do mar Ageu, quais deserta, para onde o João foi desterrado, com o fim de impedir que ele comunicasse ou continuasse a pregar o evangelho, e ali o cristo manifestou-se a ele para escrever as coisas que havia de acontecer futuramente, são essas que hoje estamos a ouvir. Ómega quer dizer o fim e a nova geração que ouvirão também as suas palavras e entre esses que ouvem as suas palavras alguns serão perseguidos e desterrados para não ensinarem mais a palavra de Deus e aqui também na ilha de S. Miguel Arcanjo onde o vosso Dirigente foi desterrado, o mundo julgava que apalavra de Deus desapareceria por completo, mais vejam meus irmãos tocoístas o progresso da sua palavra. Portanto, tanto Alfa dos antigos como Omega dos novos, tudo é Deus a sua palavra continua a renascer os novos. Resumindo o que o João fazia naquele tempo é o que estamos fazendo agora na ilha. Viva Deus e Cristo pelo seu espirito Santo. 

[22]“Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim”.

[23]“Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviarei ao mundo”.

[24]“Logo que o Senhor a viu, encheu-se de compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores. Então, chegando-se, tocou no esquife e, quando pararam os que o levavam, disse: Moço, a ti te digo: Levanta-te. O que estivera morto sentou-se e começou a falar. Então Jesus o entregou à sua mãe. O medo se apoderou de todos, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo. E correu a notícia disto por toda a Judéia e por toda a região circunvizinha”.

[25] Miguel Timóteo “Maziku”, Garcia Miala, Paulina Ngyandu, André Zola Sisa, etc

[26] Literalmente Makanda significa “tribos ou conjunto de clãs”

[27] Segundo o relatório da PSP e da PIDE-DGS, João Miguel ou João Baptista Feliz é filho de João Paca e de Temuna, nasceu no município de Damba, foram colegas na antiga Missão de Protestante de Kibokolo.

[28] Local desconhecido para muitos e os poucos que sabem legam que o profeta Simão Toco nasceu nesta aldeia.

[29] Pedro Mumbela (1980:1), Miguel Nambauka (1981:2). De acordo com o registo de Pedro Mumbela, anciã Idela Luketo nasceu na aldeia de Mbanza Kikungulu e não em Zulumongo, dois motivos nos leva analisar este pormenor; (i) poderá estar enquadrado no medo da anciã Ndundu Nsimba em ter o porto no Zulumongo visto que não tinha mais confiança das parteiras locais porque o primeiro filho de nome Dyelunvuidi acabava por falecer porque tivera nascido com problemas na cabeça “erro das parteiras” e (ii)  questões de medo de Kindoki e outros problemas a mais que ela vivenciava em Zulumongo e principalmente na tribo Nampemba, dai o seu clamor  “Mayamona ou seja Oma ye Monanga”, o que tenho presenciando e vivido em Zulumongo.

[30] Idem.

[31] Na verdade, o profeta Simão Toco nasceram seis no ventre da sua mãe, a saber:  Dyelunvwidi Ndombele, Idela Luketo Mlandu Luvumbu, Lidia Kitoko Ndongani Luvumbu, Luvwalu David Nkanza, Simão Gonçalves Toco (Mayamona) e Eva Malumpanga Luvumbu, mais por  uma questão etica-tradicional os filhos mortos (ou danos mortos) não se conta e não se regista, por isso, temos lido nas várias epistolas do Dirigente registou apenas quatro irmãos. O primeiro filho e a sua parceira (gêmea) quase não foram muito mencionado pelo.

[32] Nesta carta o Dirigente procurou corrigir aspectos da sua biografia que foram distorcidos pelos pesquisadores, escritores da PIDE-DGS e Missionários, a saber: Eduardo dos Santos (1972), Alberto Ndandu (1951), William D. Grenfell (1950-1961) e Tokoístas fazedores de opiniões na altura.

[33] Dado para ser bem estudado nos próximos levantamentos.

[34] Idem.

[35] Arquivo da Igreja do Ntaya.

[36]Epístola cedida pelo Ancião e Conselheiro Garcia Miala, (tradução de Kikongo para Português) – Paracleto Mumbela, aos 26 de Setembro de 2016).

[37] Onde introduzimos chavetas, na epistola original possui o nome dos objectos que o profeta Simão Toco ordenou para a realização do trabalho espiritual, mais decidimos omitir por motivos sacerdotais. A vossa compreensão.

[38]. Em Maio de 1955, Simão Toco procede a depuração das várias leis e limitações e levanta a proibição do consumo de carne de porco e seus derivados, da kizaka, etc. Mantem a proibição do consumo de sangue de animais.

[39] Regedoria situada na estrada que linga Makela e posto fronteiriço de Kimbata passando pelo mercado de Maseke ma Nsusu

[40] Comemoração das festas dos ancestrais

[41]. Mwana Mlaza no poder entre 1663-1665 (António Gonçalves 2005). António Setas (2007.144) refere que os primeiros 20.000 soldados do Rei Kongo a iniciarem a guerra dos 100.000 que estiveram na batalha de Ambuila, eram soldados do Duque de Mbamba e de Mpemba.

[42] Localidade orientado pelo profeta Simão Toco ao ancião André Zola Sissa Kiala para realização dos ritos de evangelização do pessoal no Nkusu-Mpete e Mbanza Zombo. Dados para serem bem estudado nos próximos levantamentos.

[43]Em Luanda, Agosto de 1982 o profeta Simãom Toco afirmou o seguinte: Posso garantir-vos que a Cidade de Cristo, a Nova Jerusalém estará no norte de Angola. Mas em que lado? Leiam Salmos 48:2. Eu creio e confio que é verdade. A capital de Angola é Luanda, mas Cristo quando vier, viverá na cidade capital, mas não será em Luanda onde estão refugiados os homicídios. Ele construirá a sua cidade no norte, a Nova Jerusalém. Apocalipse 21:2-3. Esta Cidade se estenderá desde Kimpangu, Kimbata, Maquela, Kibokolo, Kinkamantambu, Damba, Nkusu até  Nsosso (31 de Janeiro). E a largura da Cidade será desde o rio Kwangu até Ambrizete. Na Nova Jerusalém é onde estará o Rei. Não será uma cidade de brincadeira: Abrangerá sete ou oito postos administrativos. Naquele tempo se cumprirá a palavra que Nosso Senhor Jesus Cristo disse: «na casa do meu Pai tem muitas moradas, se não fosse assim eu vo-lo teria dito». Muitas moradas nascerão do solo como cogumelos na Cidade do Grande Rei. Futuramente, no Ntaya não haverá lojas, mas armazéns. É a partir daí que serão distribuídas às diversas partes. Os produtos virão de navios, que transitarão nos rios Lweka, Lufundi, Vamba e Ambriz; as coisas que virão da Europa, passando por Noqui, irão até S. Salvador. Estes rios serão alargados”.

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1 Comment

  1. Tiram esse nome de Jesus Cristo, todos são profetas. Aqui é terra de MFUMU KIMBANGU MVULUZI e seus discípulos como o Profeta Toko, Muanda, Matshuda etc. Cada povo com a sua própria divinidade.

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