A influência grandíssima e a herança bantu no Brasil

Por SAMBA TOMBA Justes Axel (*)

 

O comércio transatlântico, que durou quatro séculos (séculos XVI-XIX), a atividade comercial que deixou a África Preta na cauda das civilizações para o benefício das Américas, contou com a participação muito ativa da África Central. A África Central, que foi uma das principais regiões fornecedoras dos escravizados conheceu um terremoto demográfico. Do século XVI ao século XIX, os principais portos de escravizados da África Central como o porto de Mpinda (província do Soyo-Estado Kongo), primeiro e mais antigo porto de exportação dos escravizados, no Golfo da Guiné, os portos de Luanda, Benguela, Loango, Kabinda, Malemba exportaram de milhares dos escravizados Bantu para as plantações das Américas através dos navios portugueses, holandeses, franceses e ingleses. Ao todo, cerca de 13.250.000 milhões Bantu, foram exportados para as Américas; 75% dos negócios, de acordo com análises de conjecturas do historiador Rinchon (Ver:”O tráfico e escravidão dos congoleses pelos europeus. História da deportação de 13 milhões 250.000 Negros nos Estados Unidos”Bruxelas, 1929). A maioria absoluta dos escravizados Bantu teve uma influência crescente cultural (língua, cultura), que deu à luz a um importante patrimônio cultural no Brasil, tais como: Samba, Capoeira, Maracatu, e o Candomblé Angola-Congo, os quilombos, que vamos falar nas linhas seguintes.

Começado pela dança do samba, que é um aspecto ou um momento muito essencial das músicas populares brasileiras e do carnaval brasileiro, e que tem hoje 102

anos de idade, desde seu primeiro registro no estúdio musical no Brasil, no fim de século XIX. O Samba é uma palavra Bantu. Esta venha do termo semba, que
significa«Umbigo » na língua kimbundu oriunda do antigo Reino do Kongo, o que correspondia atualmente às duas repúblicas do Congo e Angola. Neste contexto, samba quer dizer «dançar com alegria».O termo semba é assim associado à umbigada, um convite a dançar que é esfregar um umbigo contra o umbigo em ritmos binários.

Em mbundu, outra língua da região de origem dos escravizados Bantu, samba significa «estar animado, excitado ».

Em seguida, há a Capoeira Angola, uma arte marcial de luta da dança, de origem Bantu que se pratica com as mãos cujos gestos como "ginga", praticados pelos jogadores de Maculelê. A Capoeira Angola é totalmente africana, porque tudo o que é existe nessa arte atual, existiu de alguma forma na África Bantu. Isto demonstra claramente que a Capoeira foi inspirada nomeadamente de técnicas de combate dos exércitos do Reino Kongo, que incluiu atualmente o Congo-Brazzaville, a República Democrática do Congo, Angola e Gabão. Esta arte de mãos nuas para a guerra foi ensinada aos guerreiros Bantu do Reino Kongo para enfrentar os exércitos de ocupação e foi chamado de “NGO-LO” (em português, a força da pantera, este último, sendo o histórico totem do povo Kongo) segundo a Sociedade de historiadores do Congo-Brazzaville. O instrumento musical desta arte marcial no Brasil é o berimbau, o que é o equivalente do hungu em kimbundu no sudoeste de Angola ou Mbulumbanimba na área de Luanda: são os dois instrumentos musicais, que desempenharam um papel fundamental no comércio de escravizados, nós diz o musicólogo Gherard Kubik (1979).

 

Sobre o Maracatu; ele é o nome de um ritual brasileiro praticado desde no início do povoamento na parte nordeste do país (especialmente no estado de
Pernambuco), e herdou a história dos escravizados em homenagem ao rei do Kongo. Atualmente coexistem dois tipos de Maracatu: o Maracatu rural e o Maracatu de baque virado. Neste último, tem muitas categorias de nações, cuja Nação Leão Coroado. O desfile dessas nações é precedido por uma escolta geralmente carregam bandeiras e uma ou mais figuras, como o leão coroado da Nação do Leão Coroado ou a boneca chamada Calunga, que significa ‘’ Deus de Água ou Chefe supremo’’ em kikongo.

Além disso, temos as religiões afro brasileiras de caráter dominante Bantu, embora misturadas com as tradições indígenas e católicas. Entre estas religióes, há o:
Candomblé Congo /Angola, cujos ritos e crenças são semelhantes aos cultos de iniciação feitos pelos Bantu na África Central para honrar o Nzambi A Mpungu
(Deus, Ser Supremo) e os Bakulu (espíritos dos bons antepassados). As autoridades dessas religiões se chamam Tata Nkisi ou Tata”Etu (Pai de Santo) ou Mama Nkisi ou Mama”Etu (Mãe de Santo). Na cosmogonia Bantu do Reino Kongo, a palavra ‘’Nkisi’’ significa ‘’a força mágica, natural, o remédio tradicional para se curar’’. E o termo ‘’Candomblé’’ é uma palavra Bantu da língua Kikongo que vem do verbo ‘’Loomba’’ que significa pedir. E quando uma pessoa pede a Deus, ela fala: ‘’KANDOMBEELE’’ que significa que ‘’EU PEÇO A DEUS’’.

Há também a palavra “Quilombo” no Brasil, que foi usado para designar aldeias e comunidades formadas por escravizados fugitivos em áreas remotas do interior. O quilombo significa em África Bantu, na língua Kimbundu (Angola), uma sociedade de iniciação dos jovens guerreiros ou um lugar de descanso para os nomeados, de acordo com Courrier International No. 950 de 15 ao 21 de Janeiro de 2009, página 19. Estas comunidades dos escravizados fugitivos destacaram-se no Brasil, quando a luta armada africana atingiu proporções sem precedentes e a última e mais longa, pelo menos do século XVII. No estado atual de Alagoas, uma comunidade autônoma de africanos ao nome de Palmares, em número de 2.000, a maioria Bantu da região do Congo-Angola, que tinha sobrevivido de 1605-1695 cuja NGANGA ZUMBI, um Bantu (mesmo seu nome testemunha bem suas origens) foi o líder do Quilombo do Palmares, herói nacional da libertação da escravidão do Brasil. Eles quiseram para construir uma sociedade à imagem da sua pátria e resistiu aos Holandeses e Portugueses antes de ser derrotado em 1695. Isso também é uma prova formidável da predominância dos Bantu nas Américas.

Em virtude do exposto, devemos dizer que milhares dos Bantu foram despojados de seus ternos reais, filhos e filhas de nobreza africana, para aprovar um único tanque, este da escravidão nas Américas do XVI até ao XIX para as plantações. Os Bantu foram o grupo predominante de todos os escravizados africanos deportados para o Brasil e nos alguns países das Américas, e foram anteriores a todos os escravizados africanos, pois foram os primeiros africanos de entrar em contato com os Índios desde nos anos 1500 e os mais numerosos nesta região, cerca de 75% da população negra das Américas. Por causa da proximidade e da curta duração dos navios negreiros que viajaram entre as duas margens do Atlântico Sul. A hegemonia da cultura Bantu no Brasil, hoje se mostra através de vários eventos e expressões culturais que são marcas Bantu como o samba, a capoeira, que se inspiram da tradição mãe Bantu da África
Central.

(*) Historiador e pesquisador do Congo Brazzaville no Brasil
Membro pesquisador da ABPN
Membro pesquisador do Grupo Sankofa/INFES/ UFF
Membro do laboratório LéAfrica(UFRJ).

 

 

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