PROVÍNCIA DE MBATA OU REINO DE MBATA

 

PROVÍNCIA DE MBATA OU REINO DE MBATA
Sua localização, segundo historiadores, Mbata – ficava a Este, junto ao rio Kwango, não era bem uma província, era antes um reino que ficara sujeito ao rei do Congo voluntariamente. O Mani Mbata não era escolhido ou nomeado pelo rei. Esta responsabilidade pertencia à Kanda Nsaku, e dentro dessa família era o eleito pelo povo de Mbata. Mais tarde, aparece o clã Mpassi, (ki) a disputar esse privilégio ao clã Nsaku (ki). A província de Mbata tinha um grande exercito para se defender contras os jagas que eram povos vizinhos aguerridos.

“Os Zombo (hoje separados entre Mbata e Zombo, mas antigamente eram todos Besi -Mbata, e os Zombo eram da linhagens de Mani Mbata) são os Kôngo, falando das dimensões territoriais, sociológicas/ antropológicas… Mesmo quando surgiram as confusões nos séculos XVII, quando foi criado uma pseudo-capital em Mbata (Zombo) naquela altura das tendências balcanizadoras. Depois da morte do nacionalista Vit’a Nkanga em 1665, Kôngo passou a ter três capitais.”
( Os Bambata ou Bazombo, são bakongo. Publicado por Muana Damba, História do Reino do Kongo, Patrício Batsikama )

No passado fim de semana, dia 07 de Junho de 2014 o grupo de pesquisas cientificas sobre Zombo, constituído por Professor Universitário da Universidade Agostinho Neto, Vuvu Manzambi Fernando, Professor Universitário no ISCED-Uige, Disengomoka Sebastião Alexandre, João Daniel, ajudante do antropólogo, Vuvu Manzambi e Belo de Sousa, ajudante do Psicólogo, Disengomoka Sebastião Alexandre, deslocou-se a República Democrática do Congo, (RDC), para trabalho de campo no domínio da tradição oral, na antiga Província do Reino do Congo, de Mbata, entre os dias 07 e 09 de Junho de 2014.

O turismo que transportou os investigadores de Angola a RDC, Kimpangu.
Durante os dias de trabalho de campo, a equipe hospedou-se na missão católica de Kimpangu.

Nessa pesquisa cientifica no domínio da tradição oral, sobre o surgimento da antiga província de Mbata no reino do Congo, os pesquisadores obtiveram respostas sobre varias questões:

1. A chegada dos primeiros kikongos na região de antiga província do reino do Congo, de Mbata;
2- quem encontraram no terreno;
3 – Os primeiros chefes que dirigiram a região;
4 – A ordem das sucessões;
5. Actuais clãns na região;

Para confirmar os dados publicados por Professor Patrício Batsikama, em seu artigo sobre História do Reino do Congo, no site do Muana Damba, durante o trabalho de campo em Kimpangu e Mbata registou-se o seguinte:

– Após primeiras impressões em kikongo, com o Administrador de Kimpangu, foi passada na lingua kikongo, uma carta de recomendação, que permitiu os pesquisadores, realizarem seu trabalho de campo no domínio da tradição oral com os anciãos de actual Mbanza Mbata;

Antropólogo Vuvu Manzambi Fernando, Psicólogo Disengomoka Sebastião Alexandre, Responsável da policia local de Mbata e o Belo de Sousa, Jornalista de ANGOP-Uíge e ajudante do Antropólogo entrevistando.

– João Afonso – sobeta do município do Zombo, que acompanhou a equipe ao Kimpangu é familiar do responsável responsável da policia de Londe em Mbanza Mbata;

Os investigadores foram acompanhado de Kimpangu ao Mbanza Mbata, por Fu kia Vata Jean (Responsável dos serviços de emigração em Kimpangu), que também falava kikongo;

Nesse jango as entrevistas com nossos irmãos foram realizadas somente na língua kikongo;

A equipe visitou também a aldeia Tambi, onde encontra-se marcada sobre uma pedra pata de pé humana.

Após respeitáveis formalidades de Nkuwo, saudação bakongo, no momento da identificação dos clãs actuais naquela localidade, cada um dos membros do grupo de pesquisadores, encontrou seu familiar matrilinear do kanda e patrilinear (kise)
Também pelos natos de Mbata, não é frequente o uso da lingua lingala do congo democrático, a não ser na escola e serviço Mbata.

No final dos trabalhos, um congolês democrático de Mbanza Mbata Londe, perguntou, então porque existem desentendimentos entre nós e vós na fronteira, sendo mesma a cultura?.

Percebe-se, que essas famílias ficaram separadas politicamente, desde a Conferencia de Berlim de 1885, que delimitou o congo, dividindo famílias, uns para Congo Português, outros para o Congo Belga e Congo Francês, mas até hoje, continuam unidos culturalmente pela língua de ntotela, hábitos e costumes.

Azombos é a designação de membros de um dos grupos etnolinguísticos do Reino do Kongo. Estâo localizados a nordeste deste reino.

Possuem características socioculturais em comum e algumas as diferenciam com outros subgrupos etnolinguístico deste reino, citando o seu gesto peculiar que é negócio como sua inclinaçâo predilecta. Povo humilde, solidário e hospedeiro. Vivem em harmonia com os outros povos, respeitando as autoridades sejam quais forem que se instalam no seu sobado.

Se a solidariedade é um valor estruturado coexistensivo à fámília, a hospitalidade é, pelo contr’ario, uma atitude de fundo mais espontánea. Ela estende-se ao homem enquanto homem. É uma disposição ao acolhimento e à assistência, inscrita no espírito de partilha que se cultiva no âmbito familiar. ela exprime a a confiança do homem que se sente solid’ario com seu semelhante nos desafios comuns da vida. Enfim, a gratuitidade e generosidade caracter´sticas da hospitalidade familiar forja.

Algumas cirncunstâncias concretas (doenças, morte, cessaçâo de luto, prisâo dum membro, casamento, nascimento, etc), revelam o caraácter jur´dico da solidariedade familiar. Elas exigem, de facto a contribuiçâo de todos. O provérbio: ole atu, umosi ninga (dois unidos valem, mas um isolado nâo passa de pura sombra) condensa a importancia que atribui à solidariedade na vida familiar. Ela é o motor da organização de entre ajuda que garante assistência e segurança aos indivíduos do mesmo grupo familiar e nâo graças a este valor deveras congénito à mentalidade deste povo que o órfão nunca se sente tal no interior do seu grupo familiar.

A triste c’elebre aventura colonial obrigou aos nativos a abandonar o seu “habitat” plurisecular e impulsionados a alinharem-se ao longo do traçado das estradas de penetração que eles próprios construíram com os seus meios rudimentarres ( enxadas, catanas…)

Antes do desenvolvimento deste programa de povoamento, a populaçâo vivia enm núcleos familiares no cimo das colinas que caracterizam a reografia da região, nas proximidade dos cursos de ‘agua. As encostas e matas circundantes constituíras as terras do grupo familiar. Eram inscrita na tradiçâo. Abasteciam a populaçâo nas suas exigências alimentares e de permuta.

Estes núcleos familiares abandonados, actualmente sâo designados de mabasi, fazendas, pequenas quintas e lavras individuais e colectivas dependendo de cada núcleo familiar, do soba ou dos membros de aldeia ou familiar mfumu a yala ou kyana, chefes das referidas parcelas representantes dos antepassados que por aí viveram secularmente onde sâo cultivados produtos agrícolas de subsistência e divididas as parcelas de acordo com o seu povoamento plurisecular. Servem de igual modo, hoje, como reservas naturais para a caça e pescas nos rios, segundo p crit’erio comprovada pela experiência inscrita na tradição.

“Hoje, a liquidaçâo das estruturas tradicionais das etnias angolanas aparece como o reflexo principal duma epopeia de quinheitos anos da missâo civilizadora” citando Boa vida, Américo.

Mas por quanto nefastos tenha sido os m’etodos da dominação colonial, eles nâo chegaram a eliminar as raízes profundas da mundivivências e da etnia Kikongo. As inlfências da lusitanidade diminuiram sim, nâo suprimiram a foraça vital que anima experiência plurissecular dos Bakongo.

Neste estudo, embora tudo nâo esgota aqui, surgimos como ponta de lança pioneiro, enfocando alguns aspecto sócios culturais deste povo Azombo.

Os Azombo como elite mercantil da Região Mbata

Por Dr. José Carlos de Oliveira

Este subgrupo étnico, também conhecido por Bazombo, Bambata (Ba Mbata), foi considerado como a elite mercantil da região de M’Bata e parte integrante do célebre Reino do Kongo . O seu chefe ancestral, Nsaku Ne Vunda ou Mani Mongo exerceu durante séculos o poder terreno sob o manto sagrado matrilinear da kanda Nsaku.

A sua privilegiada localização geográfica, entre o Norte de Angola e o Sul da RepúblicaDemocrática do Congo está implantada num extenso planalto situado entre 1000 a 1100 metros de altitude e esta prerrogativa terá estado na base da escolha das íntimas relações que vieram a estabelecer-se entre o mítico Nimi a Lukeni, o”mwana” de Nsaku (leia-se o primogénito) e a autoridade mítica do grupo Kongo. O seu chefe Mani Vunda era o legítimo herdeiro do poder religioso e o principal eleitor dos reis.

Usaram e usam ainda, o poder religioso como suporte fundamental do seu mando, porém,com uma singularidade: sublimaram esse mesmo poder no controle das rotas comerciais entre o rio Zaire ao Norte e o rio Kwanza ao Sul.

Foram e continuam a ser parceiros comerciais privilegiados entre outros, de Portugueses, Holandeses, Franceses, Belgas, Ingleses, Alemães, Americanos e ultimamente de Russos, Cubanos, Chineses e até Coreanos.

Os Zombo souberam aproveitar das situações diplomáticas e comerciais em que intervieram (e continuam a intervir), assumindo-se agentes activos privilegiados entre os povos do interior e do litoral das bacias do rio Zaire e Kuanza.

A sua apetência pelo tráfico de todo o tipo de mercadorias afectou profundamente a sua existência. O ambiente natural e a sua cultura imediatista, relacionada com o comércio de longa distância, levaram a que sejam considerados como comerciantes natos, daí, a sua sedução pelo comércio desde a mais tenra idade.

Eles não são atraídos por investimentos, o que significa uma longa espera para o lucro, pois eles investem hoje para lucrar no dia seguinte.

 

Via luvila.com

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