Songo já produz banana em grande escala

Por Walter Gomes

A produção de banana, no município do Songo, província do Uíge, aumentou consideravelmente nos últimos dois anos. Semanalmente mais de 100 toneladas de banana pão, de mesa e a de ouro são escoados do Songo para Malanje, Cuanza-Norte e Luanda, além da República Democrática do Congo.

Camponeses associados em cooperativas e pequenos agricultores aumentaram, nas últimas épocas agrícolas, o nível de produção da banana e outros produtos, depois de, há três anos, terem recebido da administração local, apoios em instrumentos agrícolas e sementes melhoradas. O Jornal Nkanda ouviu alguns produtores que falam em 12 a 15 toneladas de banana enviadas, todos os dias, para mercados nacionais e internacionais. Ainda assim, existe produção à espera de escoamento.

Pedro Destino Lusinga, presidente da associação com o mesmo nome, trabalha na localidade do Lucala, a 24 quilómetros da sede do Songo. Produtor de banana há mais de 30 anos, conta que a cultura, no Songo, vem de há muito tempo, sendo um dos principais produtos locais, a par da mandioca, batata-doce e citrinos.

Hoje, afirma, estes produtos constituem a alavanca logística da população da economia local. O agricultor garante que a procura do produto, que se regista nos mercados nacionais e internacionais, incentiva os camponeses a alargarem cada vez mais a plantação do bananal. “Aqui, a nossa terra é fértil, não precisamos de adubos para produzir. Basta lançar a semente, para ela se multiplicar ”, disse. Pedro Lusinga afirma que a produção e a comercialização da bana na é rentável.

Dá para o sustento das famílias. Por isso, a grande aposta dos camponeses no Songo é aumentar cada vez mais a produção. Com 25 membros, a associação de Pedro Lusinga trabalhou, este ano, uma área equivalente a 12 campos de futebol (12 hectares). Desvtes, seis com plantação de bananal que já se encontra em fase de colheita e os restantes com diversos produtos. “Prevemos colher mais de 40 toneladas de banana, mas a nossa maior dificuldade é a degradação das vias de acesso e a falta de meios de transporte”, disse. Sara Joaquim, presidente da associação “Joaquim Kimbangui”, da localidade de Zulumongo, produz banana há 20 anos.

Por ser a banana um alimento muito apreciado no país, Sara Joaquim acredita que a aposta na produção em grande escala sirva de fonte de rentabilidade das famílias. Mas pede meios. “Produzimos também a mandioca, batata doce, citrinos, feijão, ginguba, tomate e beringelas. Precisamos é de apoios em tractores e créditos agrícolas para que possamos alargar os níveis de produtividade e dar emprego aos jovens interessados”, disse, acrescentando que a sua associação é composta por mais de 100 membros, na sua maioria jovens.

DEGRADAÇÃO DAS VIAS

Além da banana, que é um portal da vila, os associados produzem, também, em grande escala a mandioca, batata-doce, tomate e citrinos. Grande parte desta produção é feita nas florestas e terrenos bastante férteis. A maior dificuldade dos camponeses prende-se com a degradação das vias de acesso que impossibilita o escoamento dos produtos do campo para a vila do Songo, além de impedirem a entrada dos compradores às fazendas.

Como consequência, quase metade dos produtos apodrece campos agrícolas. Pedro Lusinga defende a melhoria urgente das vias terciárias para garantir o escoamento da produção e incentivar os camponeses. “Neste momento grande parte da colheita agrícola apodrece no terreno, por falta de escoamento até à sede do município onde as viaturas não conseguem chegar, por falta de pontes em condições, em alguns troços”, disse.

MOBILIZAÇÃO DE OPERADORES

O administrador municipal do Songo, Júnior Cudimuena, assegurou que a reabilitação das vias terciárias constitui prioridade da sua administração, tendo em conta as dificuldades dos camponeses, para escoar os produtos do campo para a cidade. “Estamos a traçar estratégias para o melhoramento das vias de acesso, mas enquanto se aguardam as verbas, a administração local, mobilizou alguns operadores que estão a transportar os produtos agrícolas dos pontos estratégicos para os centros comerciais”, disse.

CONTRIBUTO DAS “NAMBUANGONGOS”

Devido a dificuldades no acesso às zonas de produção, os camponeses utilizam meios alternativos como as motorizadas de três rodas vulgarmente chamadas de “Nambuangongos”. Estes meios têm si do a solução para muitos camponeses transportarem os produtos do campo para a cidade em pequenas quantidades.

“Nas nambuangongos, transportamos apenas 50 cachos de banana por cada viagem e pagamos 10 mil kwanzas. Este valor é muito alto e não ajuda no rendimento desejado pelo camponês”, disse Pedro Lusinga, tendo avançado que, no mercado, o preço da banana varia de acordo com o tamanho do cacacho, entre 1.500 e 500 kwanzas”, disse.

Devido à degradação avançada das vias de acesso e à falta de pontes em algumas zonas de produção, segundo o agricultor, as motorizadas não chegam às fazendas, fazendo com que os camponeses clamem por uma intervenção urgente da administração para estimular o processo de escoamento dos produtos.

ACESSO AO CRÉDITO

Júnior Kudimuena avançou que a administração está a trabalhar para intensificar a produção da banana e dos citrinos, aumentando as qualidades e quantidades. Recentemente, uma equipa multidisciplinar integrada, também, por representantes dos bancos BIC, Atlântico e BAI, trabalharam com os produtores, tendo em vista a concessão de créditos.

A propósito disse, estar em curso o processo de reorganização das associações para que possam preparar os documentos necessários que os vai habilitar ao crédito, na próxima campanha agrícola. “Este crédito visa aumentar os níveis de produção para estimular a competitividade em termos produtivos, mercantil e na criação de oportunidades de emprego para os jovens.

De realçar que a nível da província os municípios do Songo, Mucaba, Uíge, Quitexe e Ambuíla são os mais produtores de banana e citrinos.

Necessidade da indústria

Os camponeses defendem a instalação, no município, de pequenas fábricas transformadoras de produtos agrícolas com destaque para a banana, mandioca, batata-doce e citrinos para trazer outras vantagens à economia local.

“Aqui temos de tudo um pouco. Se alguns empresários instalarem fábricas de transformação ou processamento da banana, do limão, da laranja, da tangerina e mesmo da mandioca, do café, da batata doce, ajudariam a estimular a produção no campo, o reforço da economia local, bem como oferecer também oportunidades de emprego para a juventude”, disse Afonso Paulo.

O director da agricultura do Songo, Jorge Teles, confirmou que os níveis de produção agrícola no município são satisfatórios para a abertura de pequenas e médias indústrias transformadoras, tendo também reclamado a melhoria das vias de acesso. O responsável avançou que 47 das 61 associações existentes estão a produzir em grande escala. As restantes estão a produzir mas “aos soluços”, por causa da falta de créditos, para aquisição de tractores e outros instrumentos agrícolas básicos.

Nesta época agrícola disse, os associados trabalharam 22.472 hectares onde estão plantadas diversas culturas alimentares. “Para reforçar a produção, a Estação de Desenvolvimento Agrária do Songo está a apoiar os camponeses em sementes melhoradas de feijão, massambala e arroz. Este último, a ser implementado de forma experimental na localidade do Mayengu.

O administrador municipal instou os grandes operadores económicos a investirem na agro – indústria de transformação, tendo afirmado estarem as portas do município abertas para recebê-los e por julgar rentável a produção agrícola na região.

Via Nkanda

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