Lágrimas frias acompanham mulher que andou a pé do Uíge/Kitexe com criança morta amarada as costa

Por Alfredo Dikwiza

Uíge, 06/06 (Wizi-Kongo) – Estrela do Céu (nome fictício), cujo verdadeiro não foi possível obter, uma jovem mãe de aparentemente 26 anos de idade, viu o seu filho de dois (2) anos de idade perder a vida neste sábado (05/06) no hospital geral do Uíge, por doença, horas antes de ter sido transferido do hospital municipal do Kitexe para a cidade do Uíge. Depois da morte do filho, Estrela do Céu, foi negada ajuda polo corpo clinico em serviço do hospital provincial do Uíge, o que obrigou a mesma amarrar a criança morta as costa e andar a pé do Uíge/Kitexe, concretamente, em destino a comuna da Vista Alegre, numa distância de 91 quilómetros.

Com o filho morto entre os braços, chamou por ele, infelizmente, não respondia, então, derramou lágrimas frias, gemeu de dor e sentiu-se estrangeira na terra onde nasceu (Uíge), por não ter familiares a residirem na cidade do Uíge, depois que o hospital geral do Uíge, a ter dito que não contasse com apoio desta instituição na conservação do cadáver nas morgue ou de uma ambulância para a transportar a proveniência, no caso, na comuna da Vista Alegre, município de Kitexe. Porém, vestiu-se de coragem, sacrifício, lágrimas e dor, saiu dentro do hospital até fora e ninguém a ajudou, dai, começou a caminhar.

Depois que saiu do interior do hospital, Estrela do Céu, dirigiu-se até a paragem dos taxistas de Kitexe, cita no bairro Kilala, arredores da cidade do Uíge, no local, pediu por ajuda, mas os motoristas recusaram em prestar qualquer solidariedade a ela, já que não se fazia acompanhar de nenhum valor monetário que lhe permitisse alugar uma viatura. Assim, teve que seguir o caminho andando a pé com a criança amarrada as costa.

Mas, Estrela do Céu, não conseguiu chegar a meta andando a pé, pois, depois que passou o controlo da polícia nacional no Kissanga, há 10 quilómetros a sul da cidade do Uíge, pediu socorro por um motoqueiro em marcha, este, em sentido oportuno de um bom “Samaritano”, aceitou levar a senhora, mas era apenas para poucos quilómetros, já que o mesmo motoqueiro estava indo a lavra e a boleia terminaria tão logo este chegasse ao desvio da sua lavra. Deste modo, subiu na motorizada e com o filho morto amarado as costa, começaram a andar.

Há sensivelmente um quilómetros e meio de percurso de motorizada, o Samaritano, que, igualmente, não foi possível obter o seu nome, deparou-se com uma comissão executiva do partido político CASA-SE que deslocava-se do Uíge/Kitexe e, de maneira insistente, solicitou que estes parassem, tendo, por sua vez, correspondido o pedido de paragem, pararam e, de seguida, o motoqueiro apresentou a preocupação e assim levaram a Estrela do Céu até a sede da vila de Kitexe.

Já na vila do Kitexe, disse, hoje, domingo, em exclusivo ao Wizi-Kongo, o Secretário Executivo da CASA-CE no Uíge, Fonseca António, que primeiro manteve contacto com a polícia nacional local para informar o sucedido com a senhora e a posterior dirigiu-se ao hospital municipal local, juntos as autoridades sanitárias, para dar um melhor tratamento do caso.

Fonseca António, admitiu sentir-se chocado neste sábado ao vivenciar aquele triste episódio, principalmente, na condição de extrema dor e abandono em que a mãe do morto estava. “Era muita dor para aquela mulher, pouco ou nada conseguia falar, do pouco que disse, foi, que, esteve internada com a criança no hospital municipal do Kitexe por alguns dias, onde saiu transferida no sábado para o hospital geral do Uíge e horas depois, a criança morreu, pior que isso, foi notar a falta de profissionalismo do corpo médico em serviço no hospital geral do Uíge, bem como da falta de amor ao próximo das pessoas”, contou, o secretário Executivo da CASA-CE.

Prometeu, a partir desta segunda-feira (07/06), em observância do principio dos valores humanos, notificar o governo provincial, as autoridades da ordem e segurança, concretamente, o SIC, bem como os responsáveis máximos que assumem os cargos de saúde a nível do município do Uíge, com objectivo de apurar os motivos que levaram a equipa em serviço, dizer a senhora que não contaria com alguma ajuda por parte do hospital geral do Uíge, o que originou a mesma percorrer 10 quilómetros a pé, dos 91 que estava para enfrentar, numa situação de dor profunda.

Estrela do Céu, é órfã de pai, vive com mãe na comuna da Vista Alegre e o pai do filho reside na província de Luanda.

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