Manuel Quarta “Mpunza”, guerrilheiro infatigável do Uíge

Por Sebastião Kupessa

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Um dos principais objectivos da visita presidencial à província do Uíge, foi a reinauguração do terminal aéreo na cidade do bago vermelho, baptizado Aeroporto Manuel Quarta Mpunza. Com este acto, o país rende homenagem a um dos seus flihos que dedicou a sua vida em prol da libertação de Angola e do bem estar do povo angolano. Foi guerrilheiro na luta contra a presença dominante lusitana, dirigente do MPLA, Comissário Provincial (governador), Deputado, Diplomata e General das forças armadas.

Manuel Quarta, com o nome de guerrilha “Mpunza” que significa munição em Kikongo, nasceu, no dia 10 de Maio de 1934, na aldeia Diumba, na Comuna de Kwilu Futa (Cuilo Futa), no município de Zombo, província do Uíge.

Desde muito cedo pertenceu a elite de angolanos de classe média originária do norte que aderiu ao MPLA, acolheu Agostinho Neto em Leopoldville e ajudou este, a derrubar legalmente a ala de Viriato da Cruz, na primeira Conferência do MPLA realizada em Leopoldville, no mês de Dezembro de 1962.

Enfermeiro de profissão, Mpunza vai jogar um papel muito importante na assistência médica a muitos refugiados angolanos que chegavam constantemente no território do Congo-Leopordville (hoje RDC), como membro do Centro Voluntário de Assistência aos Angolanos Refugiados, CVAAR em sigla, organização fundada por Dr. Hugo de Menezes e Eduardo Macedo dos Santos, na qual contava Deolinda Rodrigues, Agostinho Neto, entre outros, como membros.

Sob sua impulsâo serão criadas as secções do MPLA no Congo-Central, hoje província do Baixo Congo, nas localidades de Kisantu, Mbanza Ngungu, Lukala, Matadi e sobretudo de Kuilo Ngongo que controlava a via até Kimpangu, fronteira com Zombo, onde estavam aglomerados meio milhâo de Angolanos fugindo a repressâo colonial na sequência da insurreição de 15 de Março de 1961. Esta última secção era a mais importante e contava membros como Luís Filipe e Domingos Moíses “Vitoria é certa”, entre muitos. Condição que permitiu-lhe mobilizar e recrutar os primeiros guerrilheiros que partiam combater para a primeira Região Político-Militar.

Mpunza vai seguir Neto para Brazzaville, depois da expulsão do MPLA do Congo- Leopoldville. Os “Núcleos” do MPLA serão desmantelados pela FNLA, tempos depois, alguns dos seus membros serão feitos prisoneiros no Kinkuzu, os sobreviventes atravessaram o rio Zaire para se juntar ao MPLA em Brazzaville e Dolisie onde continuaram a luta para libertar Angola.

Foi Director politico do Exercito Popular de Libertaçâo de Angola, EPLA, nesta condiçâo participou na criação de todas as regiões Político-Militares formadas pelo MPLA na sua luta contra o colonialismo português. Jogou papel importante na criação das Forças Armadas Populares de Libertaçâo de Angola, em 1 de Agosto de 1974.

Depois da independência, a província do Uíge, cuja a cidade-capital com mesmo nome, foi “libertada” no dia 4 de Janeiro de 1976, não obstante da presença do MPLA em principais vilas, não estava totalmente pacificada e era a mais vulnerável, porque o perigo principal na desestabilização do país vinha do Zaire de Mobutu, país que partilha a fronteira. Os maquisards da FNLA ofereciam ainda, em várias localidades, uma forte e desesparada resistência contra as FAPLA’s auxiliadas pelos cubanos, chegando mesmo reocupar a maioria das comunas, ameaçando atacar muitas sedes de municípios e a própria cidade do Uíge. Com efeito, não se podia movimentar apartir desta cidade para Quitexe ou Songo, sem uma importante escorta militar, com cobertura aérea de helicópteros de combate. Os guerrilheiros da FNLA, comandados pelo Noé, Ambassade, Nsumbu ou Bwaka Meso, ganham batalhas de Kapuku, Songo, Kimbele, Lêmboa e Nkusu e para não arranjar tudo, os principais comandantes do MPLA na província, alguns dos quais, heróis na luta pela libertação de Angola, são acusados de Fraccionismo, simplesmente por serem antigos camaradas de armas de Nito Alves, na primeira região político militar, no tempo da guerrilha nos Dembos. Baptista Neto, o seu comandante principal, será fuzilado em Luanda, dias depois do famoso dia 27 de Maio de 1977. Para o governo central, a província cafeícola do norte de Angola inspirava serías inquietações e precisava urgentes medidas para a sua pacificação. Neto dá plenos poderes ao Manuel Quarta Mpunza, para pôr a ordem no Uíge.

Nomeado Coordenador Provincial do MPLA, o homem forte da região, vai reorganizar primeiro o partido e conquistar a província completamente. Homem sereno, excelente negociador, combatente infatigável, vai percorrer a provincia, mobilizando populares, muitas vezes discursando em Kikongo, a língua local, codjuvado pelo seu eterno adjunto Luís Filipe, promovido mais tarde a Director de Instututo Nacional de  Bolsas de Estudo (INABE) no Ministério da Educação.

Nos Fins do ano 1980 é nomeado Comissário Provincial do Uíge, em substituição do tribuno Nlamvu Emmanuel Norman, acumulando com o do Coordenador Provincial do MPLA. e é , ao mesmo tempo, eleito Deputado da Assembleia do Povo.

Mesmo que a opçâo militar fosse primordial no seu partido, ele sabia dialogar. Finalmente em meados de 1983 consegue a rendição de tropas da FNLA, transformada em COMIRA (Comité Militar da Resistência de Angola), organização discidente da FNLA, cujos principais dirigentes, entre os quais, Johnny Eduardo Pinnock, Manuel Baltazar, Hendrick Vaal Neto e Paulo Tuba, vão seguir a mesma via, evocando a política da Clemência decretada por Neto em Cabinda, em 1978.

Para o recompensar, é nomeado em 1984, para ocupar o cargo de Secretário do Comité Central do MPLA para Administração e Finanças. Se os Secretários do Comité Central eram membros do Bureau Politico, a exempro do Lucio Lara para Organização, Ambrósio Lokoki para Esfera Idelogica ou Maria Mambu para Esfera Produtiva, Punza será o único do Comité Central.

Terminou a carreira como diplomata, nesta condição, chefiou as missões diplomáticas nas repúblicas Checas, Eslováquia, Hungria, Áustria e Congo.

Faleceu em Londres. no dia 13 de Outubro de 2007.

 

 

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