NEEMIAS KIALA LUPITISA: “A paixão pelas máscaras africanas”.

Por Rui Filipe Ramos

NEEMIAS KIALA LUPITISA é o meu convidado de hoje dos CAMINHOS DA VIDA no JORNAL DE ANGOLA: «A paixão pelas máscaras africanas».

Desde muito novo o jovem de Maquela do Zombo entregou-se à arte, pintou nas ruas de Luanda mas a vontade férrea de vencer prevaleceu e hoje, aos 30 anos, tem o seu nome inscrito na galeria dos artistas plásticos angolanos.

Neemias Kiala Lupitisa nasceu em Maquela do Zombo, Uíge, a 6 de Julho de 1993,filho do Marcelo NKenda Lupitisa (faleceu em 2021) e de Vitória Mianza, cassule de dois irmãos e três irmãs- Diante dos obstáculos da vida, dividi a minha infância entre o município de Maquela do Zombo, Uíge, e Kinshasa, na República Democrática do Congo, onde comecei desde muito cedo a mostrar uma inclinação e paixão pela arte, tendo mesmo acabado por ir estudar na Academia de Belas Artes de Kinshasa”, desta forma Neemias Kiala se apresenta.

Neemias Kiala Lupitisa é um artista plástico angolano que se tem destacado nas artes plásticas devido ao seu empenho na protecção e promoção cultural das máscaras africanas. “Comecei a ter o gosto pela pintura aos oito anos de idade por influência do meu primo William Brown “Soba”que também é artista plástico, bem como do seu colega de trabalho Luzayadio Eduardo Manuel, diz, para continuar: “Estudei arte no Instituto de Belas Artes de Kinshasa, onde aprendi a praticar a técnica de gravura sobre metal.” Neemias Kiala Lupitisa terminou o ensino médio no instituto, mas devido às enormes dificuldades financeiras, viu-se impossibilitado de dar continuidade aos estudos superiores na renomada Academia de Belas Artes de Kinshasa.

Em 2016 regressa a Angola, onde encontra inúmeras dificuldades para poder progredir profissionalmente e mostrar o talento artístico. Neemias Kiala Lupitisa passa então a pintar retratos a lápis e a vendê-los, para sobreviver, nas ruas de Luanda. Tempos depois, ressalta, começa a trabalhar numa empresa de publicidade (Grupo Arte e Pub) onde teve a oportunidade de conhecer a expressão artística sobre as artes de rua.

No final de 2017, Neemias Kiala Lupitisa conhece o renomado artista plástico Guilherme Mampuya que o convida a fazer parte do seu atelier. “Guilherme Mampuya teve um papel importante na minha carreira como artista”, reconhece. “No final de 2017, tive um encontro com o mestre Guilherme Mampuya, que foi determinante na minha carreira. Ele convidou-me a fazer parte do seu atelier onde aprendi novas técnicas e desenvolvi novas habilidades, designadamente as que uso actualmente, como a técnica de carvão vegetal sobre tela e giz pastel oleoso.”

Com Guilherme Mampuya, Neemias Kiala Lupitisa participou em três exposições do atelier Mampuya com temas diversificados desde o “Exótica”, a sua primeira exposição colectiva que juntou os artistas plásticos Sombra Andgraf, Zbi, Denise Luís, Serafim Serlon, Landrick Luzinga e o próprio Guilherme Mampuya.

A 14 de Dezembro de 2019, com os artistas Raffa Invencível, Guilherme Mampuya e Zbi participou na sua segunda exposição, no Shopping Avenida, Morro Bento, com o tema: “Metamorfose. Com Guilherme Mampuya, Davi Dombele, Josué Dombele e Denise Luís, participou da exposição “Odisseia” no Shopping Avenida, em 2020.

Em Janeiro de 2021, Neemias Kiala Lupitisa foi convidado a participar na exposição colectiva “Expansão da Mentalidade”, na Galeria Tamar Golan da Fundação Arte e Cultura, na Ilha de Luanda, com os artistas Ananias Imortal, Soque Pelenda Marques, Lord Cave e Manuel André (Raffa).

Fruto da experiência adquirida com o artista plástico Guilherme Mampuya, Neemias Kiala Lupitisa apaixonou-se pela “arte tribal africana” (máscaras tradicionais africanas), um trabalho que tem desempenhado em prol da cultura angolana e africana. Neemias Kiala Lupitisa participou, igualmente, na exposição colectiva produzida pelo Museu de Antropologia de Luanda e a Embaixada da Bélgica em Angola, “Máscaras Ocultas do Kristof Degrauwe”.

Em Novembro de 2021, Neemias Kiala Lupitisa participou na segunda edição da Bienal de Luanda (ResiliArte), Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, um evento internacional organizado pela UNESCO, União Africana e o Governo de Angola. De 27 a 30 de Novembro, num formato híbrido, com elementos presenciais e digitais, participou na Bienal de Luanda de 2021, tendo apresentado o quadro “Akixi” (Máscara Mwana Pwo).

Em 2022, Neemias Kiala Lupitisa participou na exposição “De Mãos Dadas Rumo ao Futuro”, no Edifício Kilamba, em Luanda.

O meu objectivo é de promover e proteger as máscara, pois elas exercem dentro da comunidade a função de detentora de um poder sobrenatural, que consagra as instituições e serve de mediadora entre o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos dos antepassados, com o objectivo de manter a ordem e a hamonia.”

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