O Kisikongo ( Ki sansala) deveria ser o kikongo de referência

O FUTURO DO KIKONGO DE ANGOLA

Por Mpanzu Abílio

 Sou grato à minha mãe porque ela é quem  ensinou-me “par défaut” como escrever Kikongo vava tuakele kuna Ngipito (eu tinha 12-14 anos). Sempre que ela queria escrever para seu irmão que já estava de regresso kuna Kwilu-Futa, antes da independência de Angola, fui eu quem escrevia para ela. O desafio era ler o que eu tinha escrito, antes que a carta fosse selada no envelope.

 Kikongo é uma língua muito rica, e cabe a nós bakongo de protegê-la (proteger a sua pureza e promovê-la). Gostaríamos que os nossos filhos e filhas falassem a nossa língua, embora seja um grande desafio para todos nós.

 MUITO IMPORTANTE:

 Há muitas variedades de Kikongo – prefiro línguas regionais, dialecto sendo depreciativo e prova de arrogância duma língua em relação às outras… Muitos falam português ou outras línguas e que desejam aprender o Kikongo em forma oral ou escrita, mas os meios de aprendizagem ou de consulta são escassos ou já não correspondem a realidade actual (novas técnicas precisam de novos termos ou expressoes)”. A precedente referência é da autoria do Dr. Cobe  que faz boas observações na introdução ao Dicionário Português-Kikongo e apresenta-nos o alfabeto Kikongo.

Em um de seus e-mails durante nossa correspondência, o professor John Thornton (historiador) da universidade de Boston (EUA) disse que, fala Kikongo graças ao curso de língua Kikongo do Rev. João Makondekwa, gravado em cassetes de áudio em 1987 em Londres.

YAMBULA YA MANGUKA…(na minha humilde opinião, [não sou linguista] as críticas positivas de especialistas são bem-vindas). Eu diria o seguinte:

1. Todos nós sabemos que já não estamos na era de transmissão oral.

2. Devemos valorizar os documentos de referência que temos sobre o Kikongo.

3. Quando alguém diz que em Kikongo diz se “assim”etc… é preciso especificar bem a região,

porque pode não ser correcto noutra região[ENQUANTO NÃO HAVER UM KIKONGO STANDARD UNIVERSAL].

O FUTURO DO KIKONGO DE ANGOLA

Por um lado, agradecemos e estamos orgulhosos do nosso governo, em particular ao Ministério da Educação de Angola, pela introdução de currículos de línguas nacionais. Por outro lado, os Bakongo podem fazer mais e melhor. Precisamos pensar no futuro no tempo da globalização e das novas tecnologias de comunicação.

Minha sugestão: Por que não pensarmos em adoptar um Kikongo- padrão feito do melhor de cada léxico regional e definir uma gramática correta (regras)?  Em todos os países as línguas têm variantes. Mas para tornar mais fácil para as pessoas aprenderem é importante ter um padrão para a linguagem.

Na Inglaterra, por exemplo, o Inglês regional é difícil para um estrangeiro entender, mas continua ser língua Inglêsa. Felizmente há uma versão padrão para o idioma Inglês, que se ensina nas escolas.

NKAND’A NZAMBI

A história de Nkand’a Nzambi (A bíblia em Kinsasala) e o King James Bible(A famosa bíblia de referência da língua Inglesa de todos os tempos). O que motivou o rei James a encomendar a tradução da Bíblia do Hebraíco para o Inglês no século XVII? Era para torná-la legível no idioma do dia. (Note: Já havia outras versões da Bíblia em Inglês).

E yandi ntinu James, também queria uma tradução popular. Ele insistiu que a tradução usasse velhos termos e nomes familiares e fosse legível no idioma do dia. A tradução foi feita por 50 estudiosos em seis comitês, os melhores péritos (linguistas, etc …) nas Universidades de Oxford e Cambridge e depois revista pelos Bispos. O que tinha motivado a tradução (o pano de fundo)?  O clero protestante dirigiu-se ao novo Rei em 1604 e anunciou seu desejo de uma nova tradução para substituir a Bíblia Do Bispo, primeiramente impressa em 1568. Essencialmente, os líderes da igreja desejavam uma Bíblia para o povo.

O resultado foi: UMA REALIZAÇÃO COLOSSAL. Os péritos não só resolveram os problemas técnicos e linguísticos, ao mesmo tempo, produziram um trabalho com uma cadência, ritmo, imagens e estrutura que iria ressoar tão profundamente com a consciência popular que moldou uma civilização e cultura de uma maneira única.

SOU APOLOGISTA DE NKAND’A NZAMBI, E PORQUÊ?

Eu li “The Story of the King James Bible” (Professor: Alister McGrath), há mais de 10 anos. A tradução bíblica encomendada pelo rei James no século 17, teve uma grande influência sobre a literatura Inglesa. Algumas pessoas até dizem que William Shakespeare foi influênciado por ela. Sempre que colocamos palavras na boca de alguém”, ou “vemos a escrita na parede”, ou “vamos de força em força”, “ou comemos, bebemos e nos alegramos”, ou “lutamos a boa batalha”, ou“lamentamos os sinais dos tempos”, ou “encontramos uma mosca na pomada”, ou usar palavras como longanimidade bode expiatório, pacificador , estamos inconscientemente citando o King James Bible. Mais surpreendente, em comparação com o vocabulário pródigo de 31.000 palavras de Shakespeare, o KJB trabalha sua magia com um léxico de Apenas 12.000 palavras. (Robert McCrum, The Guardian).

A versão King James Bible tornou-se o Inglês padrão. No século XVII, cada região na Inglaterra, falava a sua variante da língua Inglesa. Mas esta tradução ajudou na correção de erros gramaticais, etc …

O INGLÊS DO SÉCULO XVII, JÁ NÃO SE FALA NA INGLATERRA. É SIMPLESMENTE UMA REFERÊNCIA VALIOSA PARA OS PÉRITOS.

“Se vi mais longe foi por estar de pé sobre ombros de gigantes” (Sr. Isaac Newton). O Kikongo de Nkand’A Nzambi deve servir de referência. Será que é mesmo a variante de Kikongo, que deve ser adoptada como o standard? O Inglês standard (a versão muito formal) é aquele que se fala na rádio BBC World, para o estrangeiro aprender. Nas rádios locais no UK, fala-se o Inglês corrente. No caso do Kikongo, sem a existência de uma versão standard não se pode falar em versão corrente claro.

Porque não existe kikongo-padrão?

 Na minha humilde opinião, o Kikongo standard de Angola (caso os peritos Bakongo em matéria decidirem), deverá ser a amálgama do que há de melhor (léxico etc…) em todas variantes.

 A tradução da Bíblia de Kikongo levou 14 anos. É quase o mesmo tempo que levou a tradução da Bíblia Hebraíca(15 anos) em Grego no século 3, Antes de Cristo: A famosa SEPTUAGINTA. Daí o respeito que todos devemos ao Kikongo de Nkand’ A Nzambi, claro ao Kinsasala.

 

Via Luvila.com

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