PEDRO BENGA LIMA “FOGUETÃO”: UM REPOSITÓRIO DE MEMÓRIAS

Por Octaviano Correia

Uíge, 25/07 (Wizi-Kongo) – Pedro Benga Lima “Foguetão”, General das FAA, nasceu em Kindambe, município de Bembe, província do Uíge, a 8 de Janeiro de 1949 e faleceu, por doença, em Pretória, a 20 de Março de 2014. Ingressou no MPLA em 1965, na localidade do Songololo, actual República Democrática do Congo e em finais desse ano aderiu à luta armada, passando antes pelo Centro de Instrução Revolucionária, em Dolisie, Congo-Brazzaville.

Lima, é autor do livro “Percursos Espinhosos”, editado pelo INALD, apresentado, no Centro Universitário do Uíge, em 2009, no âmbito dos festejos da cidade, tendo, o seu apresentador, Gabriel Cabuço, na altura chefe do departamento editorial do INALD, dito tratar-se de “uma importante contribuição para a História Angolana”.

Pedro Benga Lima frequentou vários cursos militares na Coreia do Norte nas especialidades de minas e armadilhas e táticas de guerra de guerrilha e outros na Rússia e Brazzaville.

Exerceu as funções de Chefe do Estado-Maior na 4ª Região Militar (Huambo).

Em 1967 e 1968 esteve destacado na base Mosquito e na base Energético. Entre os anos 1970 e 1971 exerceu as funções de comandante de coluna, tendo nessa qualidade participado na assinatura da proclamação das FAPLA-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola. Em finais de 1974 é nomeado chefe de operações das FAPLA, na Segunda Região Politico-Militar. Em 1977 é transferido para a Quarta Região Militar, no Huambo, exercendo as funções de Chefe do Estado-Maior. Entre 1978-1979, é transferido para a primeira região, no Uíge.

Em 1979, é nomeado chefe de operações do Estado Maior-General das FAPLA e nesse mesmo ano é comandante da 5ª Região Militar, com sede na cidade do Lubango, tendo travado combates convencionais contra o exército sul-africano.

Em finais de 1981 beneficiou de formação superior militar na Academia de Inter-armas Mikael Frunze, na Rússia, na especialidade de Inter-armas (comando de tropas e Estados maiores).

O general “Foguetão” foi igualmente comandante da região político militar que compreendia a província do Cunene, em 1981, quando forças do então regime do apartheid ocuparam esta parte do território nacional, ao sul de Angola.

Em finais de 1986, é nomeado 1º substituto do chefe do Estado-Maior General das FAPLA. De 1988 a 1990, exerceu a função de governador da província do Bengo. Em 1990, no terceiro congresso do MPLA, foi eleito membro do Comité Central.

Em 1993, foi nomeado inspector-geral das Forças Armadas Angolanas.

Em 1997, licenciou-se em Economia, na especialidade de Gestão Empresarial, pela Universidade Agostinho Neto. Em 2009, foi conselheiro económico do ministro da Defesa Nacional.

Em 2011, passa a director Nacional do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística do Ministério da Defesa Nacional, cargo que exerceu até à sua morte.

 

A INCURSÃO PELA LITERATURA

O general Foguetão é autor de um único livro, “Percursos Espinhosos” sobre o qual Fernando Pereira, no seu blog escreveu:

«O livro de Pedro Benga Lima “Foguetão”, “ Percursos Espinhosos”, editado pelo INALD, é um repositório de memórias de uma vida vivida e lutada, e que não deve ser ignorada.

Este trabalho, longe de grande verve, é uma descrição séria do que foram tempos difíceis, numa sociedade colonial segregacionista, e de uma guerrilha em que tudo era incerto e difícil, em prol de uma sociedade que emergiu diferente. (…)

Ignorar esses depoimentos, é caucionar um reescrever torto a História de Angola».

Fernando Pereira – In Blog “Recordações da Casa Amarela” – 26/5/09

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