Psicólogo de Kimbele prima pela convivência harmoniosa

Por Rui Ramos

Moniz Bala Pedro, “Man Moniz”, nasceu na aldeia de Cassanda, Quimbele, província do Uíge, em 1978, filho de Afonso Filho, comerciante, e de Paulina Bala, camponesa. É o terceiro filho, numa família de oito irmãos.

Da sua infância, recorda os jogos de futebol, com bola de trapo, entre o bairro Cassanda e as aldeias circunvizinhas de Quipassa, 4 de Fevereiro, Quizawanuca e Quimabalukidi.

Em termos de educação para a vida, Moniz Bala Pedro diz que não teve oportunidade de cumprir o ritual de passagem pela Nkanda (local onde se fazia a circuncisão), mas na fogueira, na escola e na igreja os mais velhos ensinaram-lhe as regras elementares da vida com base em parábolas, contos e adágios.
De 1984 a 1987, fez os seus estudos primários na aldeia de Cassanda, a nove quilómetros da vila de Quimbele.

A frequência na escola do II Nível da Missão Católica do Quimbele foi um dos momentos mais marcantes da sua formação, “uma experiência muito dura, pois percorria uma distância de 18 quilómetros por dia para ir à escola, com apenas 12 anos.”

Concluiu a oitava classe apenas em 1994, por ter ficado dois anos sem estudar, devido à guerra que assolou o país e que devastou a sua região.
E foi a guerra que fez o jovem Moniz Bala Pedro fugir de Quimbele, controlada e isolada pela Unita. “Vim para Luanda numa viagem muito difícil numa viatura da Igreja Evangélica Reformada em Angola (IERA). A viagem foi marcada por vistorias permanentes ao longo do percurso.”

Moniz Bala Pedro continuou os estudos secundários em Luanda, nos colégios Vida Abundante e Nadioreth Solange, onde concluiu com distinção o ensino Pré-Universitário em Ciências Humanas e Sociais.

Moniz Bala Pedro recorda com mágoa a morte do pai, em 1997. “Eu tinha 11 anos e foi o momento mais difícil da minha vida. Pensei em deixar de estudar, senti-me perdido.”

Para sempre agradecido pela “educação rígida” que o pai, um “homem da aldeia, trabalhador e com princípios”, lhe transmitiu, Moniz Bala Pedro diz-nos que esses ensinamentos ajudaram na formação do seu carácter, da sua personalidade e forma de relacionar-se com os outros. “Foi uma educação rígida, mas sempre adorei o meu pai.”

Após a morte do pai, ele e o irmão mais velho, Félix Bala Pedro, tiveram de encontrar novas estratégias de sobrevivência para cuidarem dos mais novos. A primeira opção foi vender “collans” na “zunga”, deambulando pelo mercado dos Kwanzas e pelo RoqueSanteiro. Depois, passou a exercer a actividade de “kinguila” conciliando-a com a formação superior no Instituto Superior de Ciências da Educação (Isced) em Luanda e foi repositor de “stocks” no supermercado Sodispal nos Combatentes e inspector na Empresa Casinos de Angola. E nunca abandonou os estudos.

É licenciado em Ciências da Educação, opção Sociologia, pelo Isced/Luanda, e Mestre em Psicologia pela Universidade Unida do Paraguai, especialização em Psicologia Social.

Aos 34 anos, e no segundo semestre do último ano do curso de Formação de Professores de Sociologia, respondeu ao último concurso público de ingresso na função pública, para conquistar uma vaga no Ministério da Educação, mas não foi enquadrado.

Depois de várias tentativas frustradas para o ingresso no Ministério da Educação, em 2013 abraçou a carreira docente no Instituto Superior Politécnico Metropolitano de Angola (Imetro), das cadeiras de Metodologia de Investigação Científica e Sociologia do Cinema. Actualmente, é docente na Universidade Técnica de Angola e chefe do Departamento dos Assuntos Académicos do Instituto Superior Politécnico Tocoísta e colaborador da consultora Cosep.
Tem dois livros publicados, “A Fuga à Paternidade em Angola. Práticas e Concepções” e “Estratégias de Prevenção e Combate à Violência Doméstica em Angola. Estudo Comparativo nos Centros de Aconselhamento Familiar em Luanda”.

Moniz Bala Pedro assume-se como activista social e faz da Sociologia e da Psicologia instrumentos para apelar às pessoas para formas de convivência harmoniosa em sociedade.

Moniz Bala Pedro tem grande paixão pelo Jornalismo e pelo Direito e ocupa muito do seu tempo livre com a leitura. Porquê ler? Moniz Bala Pedro responde: “Quando leio um livro, esqueço tudo o que está à minha volta, concentro-me nas palavras que estão escritas, sinto a história, vivo os momentos, apreendo as experiências vividas pelas personagens.”
Moniz Bala Pedro deixa um conselho aos jovens: “sejam persistentes e dedicados aos estudos e, por meio da leitura, ganharão a oportunidade de compreender o mundo a partir de novas perspectivas e aumentar o vocabulário.”

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